sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adelmo Campos, eu mesmo

Sempre penso, quando leio Adélia Prado, como ela criou aqueles poemas maravilhosos, que nos fazem abrir a porta à paixão.
Que nos levam pra dentro de jardins, no meio de árvores com frutas, cheiro de terra molhada e mulheres nas varandas.
Quando leio Adélia, é como se eu falasse de dentro do meu coração.
Adélia você viveu tudo isto?
Sentiu o coração disparar e quase parar quando se apaixonou com perdição e sem permissão?
Quase chorou ao imaginar que não veria o outro da sua vida e nem teria para sempre o outro?
Qual paixão viveu Adélia?
O encontro de olhares de cumplicidade, o tesão ao se aproximar sem mais nem menos, meio animal.
Sem raciocínio lógico.
Lógico que pensando somente no outro.
Você sentiu amor eterno e imaginou a caminhada lado a lado?
Fez contas do tempo sem se importar se não o tivesse?
Você me faz voar Adélia.
Meu rosto fica quente e enrubesço quando leio seus íntimos poemas.
Arranca de mim um pedaço que acabaria eu doando para outro.
É como uma mordida que dou nas coxas de minha amante.
Toma minha amada: é sua esta minha vontade.
Ai! eu quero febre!
Sem cura, que dure, que eu supure.
Que meus poros destampem e saia todo meu suor.
Para o meu amor.
Como o seu Adélia.

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