domingo, 29 de junho de 2008

Mores amores

Minha mãe nunca me deu receita nehuma. Eu somente lembro dela saindo. Voltando eu lembro de esperá-la. Lembro, sem muita convicção, dela fazendo feijão. Agora até quase sinto o cheiro do refogado. Com alho, justiça. Lembrar é algo que me dói. O cheiro vem junto e a saudade vem do fundo da alma que é o lugar onde ficam as tristezas. Sua mãe deve ter lhe dado conselhos, modelos de roupas para por nas suas bonecas, medo de homem no escuro, medo de gente estranha, bala oferecida, ladrão de alma. E você, o que faz com as criancinhas? Deixa de ser danado, diria minha mãe e a sua devia dizer também.

A lua tá minguando mesmo ou ela já tá cheia de novo?
Perdi o tempo de contar a lua.
Acho que ela tá vindo mais cedo, depois de me ver assim tão disposto à ela.
Minguou a lua.
Eu?
Eu corei de novo quando vi que tinha decorado sua face.
De cór eu sei os dias que passei pensando em você.
Mingau na boca eu quero, apesar de não gostar, gosto só do gesto de carinho.
Que é o que preciso agora. Não quero nem saber da lua. Quero na boca, mingau e um beijo seu.

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