quarta-feira, 9 de julho de 2008

De fora

Por dentro ela se moía e se apertava em si mesma. Não achava saída nos pensamentos ou elevando seus olhos. Esperou paciente que parasse tudo. Mesmo que demorasse teria tempo então para esquecer. Nãoo diria que sofria muito, mas sentia-se terrível de qualquer forma. O estômago voltara a revirar, refluxo já diagnosticado. Fez força para que não sentisse dores. Precisa mesmo descansar e as férias a faria esquecer. Ou lembrar, não tinha certeza ainda. Não entendeu porque mas os últimos dias tinham sido com tantos ventos em sua vida que achou que iria perecer vítima de uma espécie de vendaval. Na proa do barco da sua vida havia um timão, sua fé, mas aquele sopro não era comum. Distanciar-se do porto seguro de sua mãe não tinha sido fácil a algum tempo, mas nada se comparava com o que acontecia atualmente. Achava que tudo era por ação ou omissão dela própria. Um amigo lhe disse que os fatos acontecem independentemente de estarmos próximos ou distantes. Lembrou disto e se acalmou. Queria descansar em sua terra natal, espécie de porto, ilha e fortaleza. Era uma catarse, purificação ir para lá. Os amigos, parentes iriam lhe trazer força. Mas sabia que lá teria que se encontrar com algo que lhe faria pensar. Teria a energia necessária para quando voltasse resolver o que deixava para trás agora? Ou levava consigo aquilo?

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