sexta-feira, 11 de julho de 2008

juros


Sou pedra e ao sol estabilizo minha temperatura e espero-te meu camaleão. Deita sua suave barriga, lisa, nuvem de algodão, doce, esbelta e bela. Seu andar sobre mim é de ontem que eu me deleito, delito e espero.






Borboleteia aqui pro meu lado e te mostrarei que vale mais o pouso que seu vôo solitário.





Você tem a conta na cabeça, me diz o que é o amor. Não tem então um componente de solidão? Não fala o amor a língua da paixão, das línguas, corpos, braços, pernas, pensamentos, entrelaçados, entre si trocados, saliva, suor, cheiro, medos, sabor e receitas que não dão certo? Não sussurra o amor por detrás da porta, olhando de longe, sentados no banco da praça, enquanto quem é, passa. Enquanto esta, não sei onde está. Sei sim! sei que aqui bem dentro!
Do sabor que se vai da comida, não fala o amor? Ele não comenta que a falta deixa doente, dentes travados, estômago revirado? Eu já ouvi dizer também que o amor tudo suporta, tudo crê, não deseja o mal e que ele será ainda, depois de tudo. Acima da paixão. Que venha logo.








Não era para ser quase nada.
Não era para ser dor não era para ser amor, era passageiro.
Não era para ser inteiro, completo.
Nem complexo, mas fitei seu plexo.
Perplexo seu sexo eu descobri.
Mulher mais bela, quase fera.
Defesa terei depois, agora não sinto nada, nem dores.
Sinto-me devorado pelo sua pose, ataque.
Sou presa fácil do seu olhar.




Cansado, cansado, cansado.
Carrego a bandeira por estar colada em mim. Entregue por sei não quem.
Quero fincar na terra seu mastro, arrancar o pano, símbolo de nada, mas eu mesmo me olho. Olhos grandes de profecia, ainda não cumprida, comprida a história. Viro para trás, quem me segue? Ainda poucos, que são muitos para entregar. Qual terá o mesmo prazer inicial que tive? Meu Deus ela é minha mesmo! Não posso dá-la para meu irmão?




Coloquei a bandeira no mastro.
Abri as janelas que dão pra rua.
Arrumei as gavetas do armário do corredor e ajeitei a cama alisando sua colcha e travesseiro.
No banho, lavei meu corpo com esmero, no cabelo passei colônia.
Vesti roupa de festa, de igreja, de casório.
Olhando no espelho me senti bem. Para você.
Hora, dia e noite veio.
Em alguns eu choro.
Em todas e todas eu espero.
Então escrevo para o próximo instante.
Deito e a cantiga começa de novo.



Fico na horizontal logo.
Cubro com panos e fecho olhos./
Rápido quero.
Não dou tempo para que venha./
Abro olhos no meio da primeira parte do dia.
O porque vem e abate. O onde esmaga./
Vertical me vem.
Solto, pois se solto, o alívio vai junto./
Alcanço, toco, relevo.
Sopro onde entra o som/
Relevo, entendo, suporto.
Vertical eu sou.
Na manhã seguinte ainda te quero.

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