sábado, 5 de julho de 2008

Não há ar o bastante no espaço que você deixou. Ando em volta da mesma mesa reparando nos farelos de pães, doces, que cairam de sua mão,
e de sua boca, que não beijei nesta manhã. Me arrependo logo e me sento em sua cadeira, esta é sua somente, e vejo a marca de seus lábios no copo de café. Seus lábios ficaram aqui! São minhas suas linhas, as que sobem, as que descem e se cruzam. Porque não respirei o ar à sua volta quando estive ao seu lado? Sinto suas mãos sobre a mesa, toco seus dedos, olho seu olhar enquanto você vai aos poucos gastando o tempo, sozinha, bela e decidida a ir embora. Talvez tenha se esquecido sua chave ao sair e volte, então poderei falar que eu me importo, que eu ainda amo. Suave tristeza me vem por saber que não há volta, não há verdade, não haverá amanhecer com você. Não haverá ar.

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