quinta-feira, 19 de março de 2009

estas

o que haverá
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.

Um comentário:

Fernanda Fernandes Fontes disse...

Existem os "estes" tb.
Estranhos, alheios ao nós que arranha a casca dos dias...a espera do cessar do choro, do amor, e não somente da dor.

Bjs