domingo, 29 de março de 2009

primeira carta

Tento achar algo que possa ser longo o bastante para que estendas a mão
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.

2 comentários:

Filipe M. Vasconcelos disse...

Marcos.. confesso que foi lendo um dos seus poemas que me inspirei para realizar o último que fiz.. e quando venho aqui, encontro mais um poema que me inspira..
Palavras como:
"for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida"
me alimentam para escrever... eu acho interessante e igualmente estranho essa influência..
Grande abraço.. e Parabéns pelas belas palavras!!

Fernanda Fernandes Fontes disse...

Vejo tantos olhares sem que me permitam ver os olhos, que minhas construções não salientam o que é de meu desejo que seja, o que de desejo me mostra. Ai de meus dias...