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tão

De tão poucas roupas, De tão pouquíssimas palavras, De tão grande sorriso, De tão olhar, De tão voz, doçura loquaz, De tão cor, De tão tão, De tão, De tanto... Paixão!

ao seu toque

Teu toque de me recolher ao teu castelo, encolho-me à tua escolha, embora que me olhes como se não fosse todo teu, furto-me de achar-me em outro local que não seja onde sinto um afago grande em todo corpo, ato de espera por me fazer respirar tão rápido, como foi também depender tanto assim de ti. Se de tua boca, atrás desta cortina, sair meu nome, desfaleço em pétalas como se rosa eu fosse, Transformas-me sem querer, sem cessar, sem ao menos me tocar, e, se me tocares, amoleço, e sem rígido pudor, enrubesço, e intumescido meu membro, acolhe-te em ato de amor único, belo, e minha alma é tua, minha vida.

palavras

Talvez eu faça uma promessa que não possa cumprir; eu nunca vou te esquecer, por isto quando lhe falo que vou partir, minha mente não me deixa fugir. Somente as ruas, luas e estradas vão me acompanhar nisto que chamo de volta, toda hora. Sozinho, aqui sorrindo ao te dizer olá, é sua luz que está acesa? É sua voz que ouço cantar James Blunt? É ela que sai pela janela. Por um segundo seu mistério é o bastante pra me levantar a alma, me levar a refletir o que fui até aqui. Eu não sei o que minha palavra é para você. São letras apenas, eu sei. Não terei uma segunda chance de amar alguém como você. Por isto me olhe com atenção. Estou indo embora, queria te deixar aqui embaixo um pedaço do que você me deu sem querer. letrinha para musicar...

modos

Tenho dois modos sobre o suportar o que é evidentemente real. Uma hora que o tempo seja já, ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje, amanha rápido e inesperado, uma paisagem distante e clara de tão pura. As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez, já vão dois dias desde então. O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim, de pensar e ser pesar de não ter, de não ter havido, de não ser possível amanhã. O hoje é pesado. É todo voltado para ontem. Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço, perco o pudor, a estribeira. Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro, sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã. Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente, tudo é vida, tudo é ontem e você.

canto 1

Eu tenho um tento, um tanto Eu tenho um canto onde eu canto Onde ponho um tanto, mas tanto, que se não fosse um canto, Eu escapava, eu convertia, eu me revirava.

simples

Por onde eu andaria pra encontrar? O que me encantaria? No primeiro muro que encontrasse escreveria. Com a primeira letra te diria, naquele dia eu seria, tua escuta, teu calar, teu toque, tua colheita. Se eu encontrar, encantado por você andarei, e no muro, com a segunda letra do seu nome escreverei, sou teu amar.

inacabando

Como terminar qualquer coisa que escrevo? Não quero desligar como se apaga uma luz ao sair do quarto. Afinal sei que vou voltar para lá. Então deixo a luz acesa e eu sempre volto, e olho para dentro dele e me pergunto: - o que vim fazer aqui mesmo, o que eu estou procurando?

só gritando

Posso ter o incondicional? Posso andar na borda do Hades? Pode ser característico do desarranjo emocional? Querer gritar não é normal. Não é. Subir ladeira a pé. Soletrar sozinho. Alimentar de pó. Ficar sem sentir dó. Enraivecer e enfezar todinho. Não é normal. Não é. Posso ser imoral? Posso colocar no pedestal? Pode ser apenas de um só? Quero sair do pó. Pode ser pior? Se ficar melhor vem dor? Quero que me veja só. O que será do amor? Se tudo fosse cor. Se alguém fosse por, um coração aqui. Eu vou partir Eu vou dormir. Quero sair daqui. Quero gritar. Eu sou normal!

passar o tempo

alguns anos alguns planos alguns vales algumas montanhas algum deserto. são belos seus momentos os que virão os que serão são os seus certos.

eu, você

E foi se transformando, foi transformando-nos Transportando a nós, e nos dando nós E nos deixando a sós, nos deixando sós E fomos destruindo e nos construindo com os pós E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós

ver

Não era você que me via, e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver. Repito os mesmos gestos de toda noite, que são os que esbarro em você. Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada. Aprendi a cantar, cantando o canto pelos cantos, pra me encantar e sonhar. Desfaço de tudo por tudo que diria, se pudesse meus joelhos nos seus encostar. Sua seda no som, seus olhos, o tom, seus lábios, sem outros são, e mais nada. Embora seja ir embora o minuto final, até o final as folhas terão seu nome.

em

Seu nome deita em meu ombro Seus cílios me abanam Sua boca é feliz com meu nome Seus braços me enrolam Sou alegre assim Ao te ver vivendo Farto-me bebendo Você em mim.

neo

Brisamente me vou. Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal. Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo. Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar. Beijocadamente disparo selos em suas imagens. Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro. Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito

presente

Não é somente o basta que não completa o que me resta. É o interesse egresso do que fui neste tempo. Me enchem as cheias e as meia luas, precursoras de luz ausente. Metade de escuridão do outro lado que me vejo posto. É a certeza do certo sobre o errado. Tampando o possível, o imaginário, o abstrato e temporal tempo eterno. Enquanto dure, enquanto em mim, em quanto ficaria as custas de ficar também aí. São estas falas que me fazem pertencente a ti e ao tosco esboço de relacionar isto com um sentimento de um par. Lá também estão juntas as almas de quem não é meu nem seu; o campo do sonho, do futuro limpo. Tênue pensamento, profético ato de ver o nosso, com o de outro que também sonha. Resta o que me resta, para me bastar, para trocar de memória, de parar o olhar pra frente. O ausente está presente claramente, lindamente, eficazmente verídico. O real me assola, me enche de completo desastre, inevitável preenchimento. O soslaio me convence.

fotos

Esta é você. A que me amedronta, não sei seu medo. Sua condição para ditar algo que eu anote em meu caderno. Esta é a outra de você a me deliciar os olhos e arrepiar a têmpora. Espantar a indecisão. Prefiro as duas que nenhuma, prefiro o olhar pra foto de que nenhum por mim. Aquela me senta na posição em que estou, na cama feita pra dormir. Esta outra você, traga pra dentro, por dentro a trago, foge, traz e me dá os passos. Solidifica e constrói, por paciência e distância, no canteiro do seu olhar. Eu sou seu, você que não é outra.

sorriso diverso

Um sorriso único, certa e convicta Em um digno olhar, clara visão Fácil amar tanta luz, tanta razão Momento em todo tempo da vida Pensar em quais das faces? Em suas posses, suas poses Seus dedos longos, seus dentes Suas marcas, seus de repentes Várias e várias vezes apagar Chorar os sem respostas Viver pra pensar em ter Dormir com pressa em não ser.

vôo

sempre, todo dia, tenho uns pedaços pra viver, pra continuar pousando e voando, pousando e voando. meu coração decola só. e sabe? ele sabe que o horizonte nunca será dele. por isso o pouso. aterrisar é buscar entre as árvores uma fruta com água dentro, um animal entre as folhas que o devore inteiro.

sim

Sim, mas e daí? Se não ouve o que falo, se não houve fala? Se engano é minha impressão e enganar é a sua? Se preciso que precise desde o início e se você é tão precisa em não precisar? E agora que faço com o que quis fazer se você sempre fez questão de nada fazer? E a lua? O que falo pra ela? E depois que você se esquecer como faço pra lembrar-me para esquecer? É você que me trás o impedimento e o avançar, querendo ou não. Sendo ou não, estando ou não. E daí?

caso

Quebrou-se. Mas o que é ainda está aqui. Despedaçado, separado sem colagem possível. Os pedaços são cada um de outra importância, multiplicada em atenções e eficácia em fazer pensar. Quero ter mãos gigantes para juntar-los ao meu coração, enfiar-los dentro de volta, em mim. Considero montanha e morro a mesma coisa. Daqui das terras mineiras, o olhar de escalada, de subida custosa, dá o mesmo prazer quando é por algo que leva pra longe ou pra perto. Lavo a cabeça é no tanque, com sabão de coco, enxáguo enfiando a cabeça toda dentro d’água, e aproveito e te chamo pra mergulhar comigo na cachoeira, pra lavar a alma, pra escapar de onde me quer você. Volto a abrir a janela grande e de vidro, vento me mostra o frio que abraço como se fosse seu corpo. Esquento o tempo todo meu corpo pra que te aqueça, caso queira, caso precise, caso me esqueça.

escorro

A terra que piso é santa, compactada, com a chuva dos dias de entrada do verão, ela foi se soltando, grão a grão, e escorrendo. Primeiro à minha volta, eu vi, depois por debaixo de mim. As flores dobraram os caules. Escorregadio o piso, caí, tentei manter-me de pé, segurei em plantas novas, recém nascidas, pequenas, mas ainda assim tentei me agarrar a elas. De joelhos estou olhando para onde estava, espero o sol secar a terra. Subida de volta, ou continuo escorrendo?

Apenas dois pontos de vista que foram vistos, errado e maldito, gêmeos não parecidos. Escolha outro doce, rode em volta da mesa, a conclusão não será a mesma. Entendimento e tempo se combinam, esperando o saber daqueles que amam.

era

Era surdo, era mudo, era falado. Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado. Era meu, era seu, era para mais ninguém. Era estrela, era planeta, era lua. Eram os meus olhos, os seus, eram olhares. Era pensamento, era momento, era saudade. Era suspiro, respiro, era sem ar. Era fome, era jejum, por dias inteiros. Era sonho, era insônia, era acordar. Era verdade, era mentira, era no meio. Era encontro, era perdido, era esbarro. Era conto, era canto, era poesia. Era espanto, era, um tanto, Era um tanto, era no entanto, bastante. Era você, era eu, por eras.

seu 2

Vento sempre trouxe tristeza, sempre levou embora saudade de nunca. A própria saudade. Aquela espera de alguém que chega e abraça sonhos. Beijo com a boca ainda seca. Vento transeunte que dá a volta em volta da casa. E sempre volta ele mesmo Dono de mim que me leva pra quem me queira Pra quem brinca comigo Dedos nas pontas dos meus.

corrige

Seu crer espanta, sopra o sentido correto. Suas falas deturpam, de todo o escrito. Sua verdade, corrige a rota. Meu credo, era vento de tempestade. Minhas falas, foram poucas. Meu escrito, foi o sentido. Meu caminho, é o seu

nada 2

Ainda que haja tempo para incompreensível misericórdia, Que seja perfeita a fórmula dos pares, Mesmo que a paixão espalhe as folhas escritas, Não teria, eu, o dia. Apesar da certeza que impede o errar, Mesmo que não seja exato escolher, Que seja o claro sobre a escuridão, E impossível viver o amar. Agora não espero mais cartas, Escrever pede notícias de ontem, Olho para dentro do rosto, Hoje não terei o hoje. Os contornos serão disformes aos olhar, O céu pesará sobre a cabeça, As falas serão igualadas, Sem a incerteza, viverei?

esta alegria fingida

Esta alegria fingida. Esta fugidia de mim. Estes dedos que chupam doces. Restos nas pontas que agora apontam somente para mim. Não tenho mais que deixar de escolher, faço apostas no dia de hoje Recolhi o resultado antes da meia-noite. Suporto tudo, menos a revolta pelo amanhã já escrito no livro que já me deu. Estendo a toalha no úmido mesmo, o cheiro que fica destoa de tudo que é de hoje. Minha cara lavada, minha cara do pau de ferro, está mais dura, mais feia, mais cortante aos meus olhares. Ou eu fiquei mais moço? Depois que aprendi a jogar-me do alto de edifício, ficou mais fácil ser passarinho, mesmo sem as asas que criei quando me apaixonei.

fim

Quero pintar os muros, abrir portões em seus tijolos escuros, arrancar a grama do meu jardim, tomar a chuva que hoje cai sem fim. Quero subir morros com barro escorrendo em enxurrada, quero lago transbordando e levando meus pertences, quero que me cegue a manhã coberta de névoa fria. Hoje em mim eu não quero nada, quero ser nada, quero não pensar e nem escrever. Quero não querer, não lembrar e nem ser. Quero seu pensamento voando e sentindo livre queda, ao vento, descendo, colhendo sua resposta, sua melhora, seu destino e desejo.

Lua cheia

Toda hora eu vou lá na caixa. Pra ver se alguém deixou carta, bilhete ou uma citação. Escuto música baixinho e aquelas letras entram gritando: tô querendo, tô parado, tô pensando. Os muros daqui de casa já descascaram de esperar alguém subir neles e olhar para os lados onde o sol brota. Por onde vem seu viver. Se ventar fosse seu nome, teria você no meu rosto todo dia. Vi que a lua não dá fome, não faz companhia e nem cantarola no meu ouvido. Ela fica é me olhando como se esperasse que eu saisse daqui correndo e fosse morar em coração de almofada, com azul bordado nos seus cantos e mão sobre minha cabeça. Acalma bichinho ferido! Olho a estrada prá trás e me dá vontade de te chamar pra ver onde eu tenho andado cantando e uivando feito lobo de bosque. Boto em você seu chapéu e cubro uma parte do olhar que nunca será tanque pra eu mergulhar.

certa

Esta tua certeza me provoca um sentimento de querer te dominar. Prender-te em meus braços até confessares que me desejas peito a peito. Presos em teus olhos, meus olhos vão para onde me levares também. Se for ali que poderei te ter como doce na ponta da língua, deliciosamente saborosa, eu estarei. Conquista-me de forma calma, passo a passo, como andasse em tuas terras. Como se eu fosse onde deves plantar suas plantas de sabores que preferes. E quando quiseres colher, de acordo com a estação, me pegue pela mão, me leve junto a ti para provar seus sabores. Cante-me sua canção preferida, ensina-me teu tom, faça tua melodia em minha vida. Constranjo-me dizer-te teu, apressado em querer ter-me conquistado por ti. Faça-me, toma-me. Quero-te, enquanto sou teu.

é melhor

Posso entregar-te para sua vida Devolve-la ao caminho Fechar meus olhos ao te ver dançando Cobrir minha cabeça a luz da lua Fechar a boca ao cantor Contar pra quem quer o que quero Sumir no trãnsito quando te ultrapassar Orar ao Santo pra te dar seu tanto Escrever no canto do seu aroma Escolher calado, por você.

suas coisas

seu cabelo preso seus olhos semi fechados seu fluxo seu refluxo sua cor sua dança aos treze seus cadeados seus cds estragados sua crença seus músculos suas pintas seus relógios variados seus ouvidos seus gritos seus suaves exercícios seus alongamentos sua bronca sua sandália branca suas camisetas suas poucas palavras suas aulas seus pulos seu cabelo solto sua roupa rosa sua roupa verde sua boca seus olhos sua voz suas abelhas nossa bicicleta pra ir embora

loucura

ao te causar um algo, isto me dará cinco minutos de prorrogação no meu tempo ao teu lado. ao teu olhar no meu, me ligarei a ele com a liga da cumplicidade implicita e querida por ambos. ao teu desejo de amar, me estabilizarei no tempo para que se decida antes de se entregar um ao outro. às tuas festas, eu me juntarei com total alegria em saber que anos virão com a alegria de ser querida por muitos. ao teu tempo, eu estarei distante em algum momento provável e desejo que ainda distante. ao teu desejo por mim, darei um passo em direção ao seu um passo. ao meu sonho este, me tenha como louco. à minha loucura, me tenha são de desejo de ser tua toda minha loucura por te ter.

algo

Teu algo me faz. Algo teu me fez. Sou algo teu. Algo sou Com teu algo. Sou teu Meu algo. Algo meu, Sou teu, Todo teu.

tentativa

Onde eu busco o remédio para o passo certo, Onde dou ao destino a chance de não me achar, Onde a censura passará sem me marcar, Onde está o amor que me cercará de concreto? Isto tudo me tranca onde quer que eu esteja, Já voei por causa disto mas agora estou parado, Sentindo-me por dentro como quebrado, Meus olhos estão fechados e o coração lateja. A vida não contará o que não vivi, A quem minha alma se apegou, Nada colherá a lágrima que verti, Estou olhando a porta que se fechou. Não havia quem entendesse as palavras, Quem quisesse apenas senti-las, Para guardar um alimento que cresceu por muitos anos, Esperando quem colhesse os ramos. Caiu a semente na areia, A ave que a come, voa, E eu olho, asas abertas dela, Escreve o nome que não é meu.

caminho

Cheguei em um lugar que não sei qual é. Num momento estava caminhando sob o sol, Mas agora olho pra cima e somente vejo planetas. Todos são distantes e não consigo tocá-los. Já tive estrelas nas mãos, Toquei cordas que soaram em ouvidos brancos, Voei com o vento no alto das montanhas, Já vi a terra se abrir para a planta nascer. O que me trouxe até aqui, Como construí esta parede tão alta, Qual a cor do ultimo olho que vi, Qual era o tom daquela voz? Desenhei contorno em dedos longos, Envolvi meus braços em corpos amáveis, Amei momentos eternamente, E passei horas esperando um retorno. Agora, neste exato agora, Eu tenho a companhia do ausente, Eu tenho a memória do sonho, Passado enclausurado dentro de mim. A chave, Não é a mesma. Não sou mais eu Não ando mais só.

boca

Me beija! Sua boca pede. Beijo! Quero um beijo! Ela suplica. Atender a este pedido é quase um pecado, pois tampa-los à visão parece errado. Sentir tão saborosos lábios, tão macios lábios encostar os meus, é ir e voltar, ir e voltar, ir e voltar. Pede de novo belos lábios: Me beija!

esquecera

Esquecer me parece uma prece de quem prefere não sentir ao ver a outra parte de quem nos vê como uma chama. Um pedaço da alma minha, sei não qual, une-se ao que a toca e aquela muda de cor, se transforma em algo alongado, esticado, impossível de se manter normal em forma reconhecível. Acho que é como a alma fica dentro de mim que me incomoda o corpo. Os poros do meu braço não sudoram normalmente, sinto o vento sair com força por eles, parece asa pedindo para crescer e se aventurar por onde não tem chão por perto, onde só tem o cheiro do ar, nuvem branca e arco-íris cor de rosa. Não dá pra ver o verde lá em baixo, mas gosto de saber que ele está ali. Completamente e repleto de esperança por uma segunda ou quarta chance, eu pulo o terço pois eu sei que a terça parte é sua pra descansar e guardar o dia que é santo. Sei salteado quais são os dias. De trás pra frente eu lembro e de frente pra trás eu sonho. Então eu não esqueço, não apago, apenas escrevo sem parar. Esquecer é a fórmula que ...

pasta

solução encontrada em tempo hábil é aquela que chega quando vc não aguenta, vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado. qualquer oba! me serve quando estou acabando. escolho o mergulho, tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo. de coral? de muitas águas? são profundas? escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.

descanso

estas marcas ficarão na areia e eu não olharei para trás. elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta. minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo. olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira. sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível. meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria. caminho porque preciso andar para alguma direção. qualquer uma me satisfará. enquanto caminho, faço. passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei. não era meu. nem a flor.

O que é melhor?

Uma colher de seu mel me enche de cura inconseqüente. Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem. Do dia de hoje. E me basta.

como

O quê seria se não fosse eu cheio de querer? Seria como não imaginar nem sonhar. Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos. Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer, Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras. Flores do campo sem colher para você.

Branca 1

Altiva, viva, espinha dorsal da minha vida. Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem. Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador. As pontas onde terminam teus cabelos, são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro. Tuas mãos e pés, extremidades extremas, pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar. E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo. Sua memória é eternizada em minhas, que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás. Em mim, tu és tudo, de tudo em mim.

talvez

Não quero saber nem que sim nem que não. Quero saber de talvez. O talvez que me excita. O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida. Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver. Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez. Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer. Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez. Talvez me lembra sempre você.

mulher tátil

Mulher, é certa sua presença entrecortando outras chamadas. Ocupando espaços nas laterais e preenchendo o não vazio. Tragando olhares redondos saídos de olhos cegos de outras. Trazes palavras de volta, ao batente músculo meu. Mulher, suspirante motivo sem raciocínio sobre outros dias. Mulher em movimento, em lento mover de gravação pela lente do olho. Mulher filha de deus, criada para inspirar. Mulher do tato, sem meu toque és nada de tátil. Corpo dócil, levemente leve como de nuvens brancas. Viajas mulher. Eu te lembro mulher, Tu mulher que é mulher

dever

Diz-me que devo o que sei que devo. Mas se sei que devo, o que devo dizer, pra quem eu devo, dizer que devo? Sei que devo, sei que devo. Mas devo dizer, pra quem eu acho que devo, dizer que devo, que devo dizer, que não devo, dizer o que devo.

descoberto

Eu quero estar longe no fundo de uma janela escura. Quero olhar sem você me ver. Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra. Que você não descubra como sou. Que seja difícil me ver inteiro. Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar. Que seja eu, como é agora para mim. Que seja enfim como tem que ser.

disto

E agora cobertos de razões, já podemos adormecer nossas paixões. Suportar toda dor, de não termos, com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo. Contemplarmos um ao outro, como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser. Abraçar sem sentir o corpo quente do outro, pois já podemos sentir frio sem querer cobertor. Olhemos nos olhos um do outro, já que a distância não trará nenhum amor.

há luz

o que há por trás do verde? o que veste a rosa cor? qual o peso que o branco suporta? o que são as outras cores a sua volta? molduras é o que são. branca tela, negas meu pincel, meus tons são seus, por agora, por hora, por vida que agora teima e me suporta, por ti. o que tens de tão verde? de tão pura cor?

impeça

Impeça o desejo Peça meu beijo Aproxime do meu plexo Negue o sexo Sinta o que sinto Um instante... Sinta minha pele Cheire meu cheiro Olhe em mim Bem dentro Outro instante... Sonhe comigo Sonho de dois Deite depois Pense um pouco Por um instante.

aberto

Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo, já que não quero ou não posso respondê-las agora. Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas. Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver. Pergunto ao tempo, quanto tempo e quando. Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso quando caminho pensando em você. São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo, à mensagem enviada. Pergunto á madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois. Para ficar marcada como relevo na capa do romance que vivi ao seu lado. Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo. Se é irrepreensível. Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuaram a causar-me desamparo. Pergunto com letras, como estas que te escrevo, se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal. Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar ...