sábado, 24 de janeiro de 2009

esquecerei

Não tenho uma escolha que me acolha depois de fazê-la.
Tenho uma coberta fina com a qual eu cubro a cabeça,
com medo que ao fechar os olhos eu encontre com ela.
Fecho os olhos para sonhar acordado até quando amanhece o dia de entardecer minha vida.
Dobro o corpo com esta dificuldade que vem da preguiça de ter novamente a posição de encarar frente a frente a ausência.
Caminho com passos medrosos de não ser o que penso,
de não ser o que simplesmente quero,
de não ser eterno o desejo que acaba sempre no dia anterior.
Desejo o encontro com a paisagem que vi da janela aberta sem querer,
sem pensar,
sem dúvida.
Esquadrinhando o coração, procuro mais que os motivos,
pois a letra que eu não entendo, eu não posso repetir enquanto tento ler.
Agora, que seria o encontro das pernas dobradas, do assento frente ao outro,
eu não encontro a forma de parar.
De cessar o engolir o que eu não tenho,
o que me deste da razão de viver.
É seu, meu momento desde aqui, lugar de consolo no pai,
quando nem mesmo a ordem dada é o bastante para crer que é melhor assim.
Não há o que esquecer daquilo que já é de mim.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

marca

Vejo as marcas do tempo nas pedras.
Longas, finas ou largas marcas.
Sou delas.
Estão compactas, tomaram outras cores,
de outros tempos que passaram por elas.
Eras.