segunda-feira, 26 de abril de 2010

seu alfredo

"Seu" Alfredo passou os dedos, polegar e indicador, na aba do chapéu. Saiu de casa com a certeza que estava abafando, como se diz em Minas. Quando chegou na casa de Cristina, parou em frente ao portão de ferro e o abriu com um resoluto empurrão com o pé. Passou por entre as folhagens do jardim, encaminhando-se por um corredor longo e estreito. Tomou cuidado para não se encostar nas paredes. Não queria resvalar seu paletó branco nas paredes. Ao fim do corredor, um quintal com algumas mesas e cadeiras, de ferro como de um bar. Esperou, parado, que alguém prestasse atenção em sua chegada, mas ninguém sequer virou-se para vê-lo. Apenas um cachorro, "lincou-se" com um olhar que lhe pareceu de desprezo.
- Os cachorros são assim mesmo, pensou Seu Alfredo.
Tentou fazer um barulho tímido para chamar atenção. Arrastou o pé no chão, como um raspar de garganta.  O pandeirinho que trazia consigo tocou em suas perna esquerda e duas crianças que estavam por ali, olharam, enfim para Alfredo e trocaram algumas palavras, das quais ele só conseguiu entender uma delas.
- Quem?
Voltou pelo corredor, raspando os ombros nos dois lados do corredor, seu chapéu de aba curta resvalou nas plantas o jardim e caiu. Não se abaixou para pegar, não se importava com mais nada. Quando saiu pelo portão de ferro, que bateu atrás de si, parou no meio da rua. Não sabia para que lado ir. Esquerda, direita, em frente?

(Agora, eu te pergunto leitora/leitor: o que "SEU" ALFREDO faria?)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

qualquer

qualquer palavra ou olhar
servirá...
qualquer silêncio ou olhos fechados
dirão
quaisquer abraços,
nos meus,
nos seus,
estarão...

quarta-feira, 14 de abril de 2010