segunda-feira, 28 de julho de 2008

Não

Vivo sim,
se vivo pra contar,
eu vivo sim.
Se eu tenho um papel eu canto assim.
A imagem do teatro eu tenho aqui,
e se conto tudo,
isto não é só por mim.
A lenda será também sua,
em mim.
Agora é inútil dizer tanto,
quem nos ama nos separa,
amanhã não viverei mais este tanto.
Bom dia para a decisão.
Não é importante um sinal,
hoje o que nos separa me diz claramente não.
E você, vê meu sinal?
Os batalhões que passam,
são feitos de espuma do mar.
O amor não tem a partida,
apenas a chegada.
Eu vivo sim.
Até o fim.

domingo, 27 de julho de 2008

dito

Para que dizer?

tudo já foi dito,

foi sentido,

foi absorvido.

 

Pelos poetas,

pelos amados.

Mas não é meu este ditado.

 

Para que sentir?

Não deve ser gritado,

é sem sentido,

não pode ser amado.

 

Pelos poetas,

pelos amados.

Este é o veredicto.

 

sexta-feira, 25 de julho de 2008

meia-noite

Eu preciso que abra a porta por um momento
Preciso te ver face a face,
preciso que mude esta história.
Não fui eu que a escrevi,
Por isto a acho tão estranha.
O universo é grande
Mas nem isto cabe o que tenho sentido.
Nem mesmo o maior calor pode derreter,
Nem a força maior pode derrotar,
O que sinto neste dia.
E agora o que quero é que de novo venha
E me faça entender esta história.
Retorne-me seu calor
Porque somente eu sei o frio.
Perdido estou sem você,
Nem enxergo seu caminho.
Quando a meia-noite chegar,
Não sei se estarei pronto.
Tenho a esperança que me ligue nesta hora
Porque eu sei o amor que tem para me dar.
Você tem me procurado mais do que eu,
Por isto me sinto doente, não consigo te ver.
Eu preciso da sua cura ,
Antes da meia-noite.
Uma pequena luz me trará a resposta
Que preciso para entender esta história.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

nada é tudo

Meu filho saiu carregando a bananeira que cortei ontem. Ele gosta de fazer força. Eu também. Faço uma força enorme pra esquecer. Saio andando pra ver se me sai a lembrança, a doença que me mantém vivo. Eu preciso dela por agora. Mimetismo. Com ela eu vejo as fotos antigas com mais contraste. E as mais novas, nem preciso retocar. Tudo na minha vida é lembrança. Do que já foi, e o que ainda há de ser ponho mais pra frente , pois penso que não verei as coisas prontas.Vejo que as flores aparecem sem ninguém pedir. Meu olho tá ficando treinado em ver coisa bonita. Ou tá tudo lindo ou eu só ando em lugar bom. Não existe nada mais bonito que um olhar. Que eu dou ou que alguém olha. Onde ficarão tantas memórias se eu não conseguir escreve-las no papel? Se ficarem só comigo, elas fizeram bem em nascer? Não posso deitar, nem tomar banho de sol, nem suco de abacaxi enquanto eu não der um nome pra rosa. Aquele cacho de banana eu separei para Paulinho. Tem algumas coisas tão belas nesta vida que não agüento ficar olhando. Tenho que dizer logo que eu apaixono. É uma obrigação para quem sabe que não é nada nosso.

terça-feira, 22 de julho de 2008

você. é você mesma!

Estou cansado de procurar. De procurar nas florzinhas um rosto iluminando os lugares. De procurar na paisagem uma passagem de tempo para um lugar em que não estive ainda. Estou entediado de buscar uma palavra só que me abra a verdade que nem saberei ouvir. Estou sentindo uma chateação imensa ser somente eu o que não sabe o que está acontecendo. Atrás dos morros eu fui e vi você lá. Quando estou quase querendo seu rosto, você aparece tão perto. Anda onde eu ando, mas não te vejo, não te apanho na árvore. Fruta, flor, linda. Sinto o frio que sente, sinto o sol que sente. Tem companhia para amanhã e para hoje também? Estou pedindo um colo, um ombro, um olhar de será possível.

em você

não me importo se é como é. se é como quer. se durmo e acordo sonhando.
se ligar não é o forte. se dúvida é meu nome. se respirar sempre é difícil. se a lua é só minha. se minhas caminhadas não acabam. se a paisagem não é dividida. se a comida sempre sobra. se o sol acaba sempre mais cedo. se todo som é o seu. não me importo pois vou vivendo. se ficou algo em você.

domingo, 20 de julho de 2008

seu

meu ponto de fuga são seus olhos. sua voz. seus sonhos. sua lógica que não quero entender./
meu sonho que sei passageiro. minha vigília. meu sono, sonho e despertar. minha refeição.
minha amante. meu sexo indisponível. meu toque suave na pele. /
minha volta ao caminho. minha vitória. minha musa. você é o que não sei. desconheço./
minha distância. meu ponto de chegada em todos os dias. minha bandeira. meu alcance./
meu ânimo vem de algo seu. indiscutível. inegociável. intransponível. /
flor, flores, água, de fora, aqui dentro. você me lembra, hoje, meu ontem. /
você é meu livro, minha poesia e meu porto./
seu futuro é seu. e desejo que seja o seu.

sábado, 19 de julho de 2008

sorriu?

Sou homem. Cobiço seu corpo como sexo, remediável apesar. Desejo conhecer sua mente de mulher, seu sentimento profundo, medos, sonhos perdidos, adiados e transponíveis logo ali. Abraço seu abraço não como fazem outros, e sim como outro faria se minha fosse. Seu sorriso é boca para meu beijo, meu gosto e o seu hálito. Quero seu cabelo dividindo meus dedos e na palma da minha mão. O que digo, diria em qualquer outro momento, pessoa. Mas não estou em outro lugar do mundo e sim aqui. Pode acontecer somente para um e o outro a inspirar para o próximo. Quem estará com você no seu momento, jamais serei eu. Mas não haverá perda enquanto não houver seu ganho. Tenho a impressão, espero que falsa, que não existe nenhum tipo de perda para você. Inspirar a amar e ser amado toca a fila a andar. Gostar penso ser temporário. Por isto o tempo que fosse para mim seria o que me bastou. A outra preocupação é mais de ego, de estudioso, de filosofo; você em algum momento sorriu?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bastião

Comunicado estou. Ela já partiu. Está em outro. Eu é que continuo a tentar pensar como poeta. Profundo no sublime momento de falar, dizer-me, contar e vomitar. É meu. Tudo. Subir ao monte e deitar. Mergulhar, era. Deitar e sentir que, acima, virá algo pesado a sobrepujar, compactar ao solo, ao real, irreal, passagens e passagens. Gosto de mim e me preciso vivo, por isto estou presentindo, que, vivo valho o valor do daqui a pouco, logo ali, na segunda em diante. Pedir ao poço que repita a operação, será pedir demais? Olhar o deserto sem saber se falta pouco, me falta muito. Ainda. Mas a faina, entediada, me chama de volta. Cheio estou no vão entre as pernas e basta-me que me sente e descanse de todo, de tolos, de ouros e brincos que não serão meus. Basta. Basta isto e serei. Eu, meu último bastião.

Acena

Como miragem,

apagando

ao ser concreta.

Como quem chega,

inesperada

surpresa.

Necessidade criança,

desligada,

sem vida.

Amores vistos

desentendidos

inexplicáveis.

Agora partida,

adeus,

aceno de mão, não.

Mas a vida,

mais a vida,

mais da vida.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

trocada

Onze da noite e alguém me chama lá fora. Vejo rosa vermelha no meu jardim. Na manhã que chegou aqui ela plantou algo. Não sei o que foi. Mas nasceu. Meu coração ficou igual boca de peixe procurando ar do lado de fora d'água. Abertinho da silva. Quando encostei em sua cintura a primeira vez achei que ia me chamar pra dançar. E não parei até agora. Uma hora é tango outra música brasileira mesmo. Pra prestar atenção na letra. Nas coisas que dizem os poetas, trovadores. Enxergo você com um olho só. O outro fica saindo pra passear. De soslaio. O tempo todo eu busco uma imagem, uma escultura. Só tem a sua nas lojas da internet. Criei um tal de blog pra colocar as rosas que achei no meu jardim quando fui lá fora com você.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Grata esperança

não tem a graça se a esperança é fraca,
se memória quase apaga sua imagem. olho idealiza e já nao é o bastante.
perfumes marcando seu cheiro qualquer,
não sei qual é.
leio textos diversos achando seu entendimento,
eu não compreendo.
navego os lagos próximos e na terra me perco.
você me vê?
esperar escrever é da graça.

terça-feira, 15 de julho de 2008

sem


amigo chamou-me hoje pra sair.
cheguei até o portão e já meu deu vontade de ficar em casa.
quis ficar pra sentir saudade de você. do cheiro do seu corpo no meu quarto de cérebro.
é aqui que está tudo que tenho de você;
essse cheiro que imagino e aspiro profundamente, sua roupa de trabalho e seu suor nela, os fios de seus cabelos no banheiro,
- toquei-os esta noite? - , seu sorriso enviezado, engraçado e natural.
lá está sua presença, inerte como na foto, pintada, eterna.
até eu me lembrar novamente e perceber que nunca esteve fora deste quarto.
apenas aqui.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

ainda não?


não estou onde você está provavelmente. onde imagino e sonho que esteja./ eu sei que é onde eu estava antes, não sei se você sabe disto. mas você sabe que eu te encontrei do lado de fora./ frio, é este o mundo, as pessoas não tem cores, nem nomes, nem formas./ não esquecí outro. a água que bebi, a canção que ouvi, tudo em mim. sendo tão pequeno./ de uma vez só aconteceu comigo, não sei se com você foi assim./ quando coloquei o pé na trilha eu não olhei para trás, mas o que vinha comigo me pegou quando eu menos esperava. e então veio o tropeço. / escapei de me machucar mais, de outras vezes, de outras formas. não sei se com você foi diferente./ talvez você entenda o que te faz estar assim calada e distante./ e assim será minha vida. entregue a quem é realmente importante, que me dará verdadeiramente a vida./ meu lado carne e paixão não me escapa. não sei se com você é assim./ minha pergunta deveria ser feito de forma direta, sem intermediários. a resposta não é sua.

sábado, 12 de julho de 2008


eu te asseguro que sua dúvida é a mesma que a minha,

se você também não se sente forte,

se você também se encontra perto de mim,

se você se sente pequena perto do seu problema,

eu te asseguro que eu também sou assim./

se sua a dor aumenta e não diminui,

se paixão se parece cada vez mais com um vazio,

se você não encontra chave pra sair daí,

se você se parece uma criança sem mãe,

eu te asseguro que minha dor se parece com a sua./

se você não sabe de onde vem nem para onde vai,

se seus dedos escrevem sempre a primeira letra na janela,

se a segurança da certeza já não existe,

se teu irmão não tem mais respostas,

eu te asseguro, meu futuro está parecido com o seu./

se soldados te cercam,

se você verá a glória,

se a salvação chegará a tempo,

se você será carregada,

te asseguro que sim./

se acha que não me pareço com você,

se acha que o que sinto é pouco,

se acha que eu te esqueço,

eu te asseguro que não./

se quer ter seguranca eu te seguro,

eu sou como você.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

tanque

tateando...
olho semi-fechado...
atento ao som...
seu som...
gravando...

você é no momento meu único momento
você é meu momento único
você me movimenta meu dom
você me condiciona.

é agora...
e agora...
será seu...
meu olor, meu tom, minhas cores...

queres me ouvir falando isto ao seus olhos?
não precisa tatear.
me grita.
eu estou quase pronto.

linda


não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/linda!

juros


Sou pedra e ao sol estabilizo minha temperatura e espero-te meu camaleão. Deita sua suave barriga, lisa, nuvem de algodão, doce, esbelta e bela. Seu andar sobre mim é de ontem que eu me deleito, delito e espero.






Borboleteia aqui pro meu lado e te mostrarei que vale mais o pouso que seu vôo solitário.





Você tem a conta na cabeça, me diz o que é o amor. Não tem então um componente de solidão? Não fala o amor a língua da paixão, das línguas, corpos, braços, pernas, pensamentos, entrelaçados, entre si trocados, saliva, suor, cheiro, medos, sabor e receitas que não dão certo? Não sussurra o amor por detrás da porta, olhando de longe, sentados no banco da praça, enquanto quem é, passa. Enquanto esta, não sei onde está. Sei sim! sei que aqui bem dentro!
Do sabor que se vai da comida, não fala o amor? Ele não comenta que a falta deixa doente, dentes travados, estômago revirado? Eu já ouvi dizer também que o amor tudo suporta, tudo crê, não deseja o mal e que ele será ainda, depois de tudo. Acima da paixão. Que venha logo.








Não era para ser quase nada.
Não era para ser dor não era para ser amor, era passageiro.
Não era para ser inteiro, completo.
Nem complexo, mas fitei seu plexo.
Perplexo seu sexo eu descobri.
Mulher mais bela, quase fera.
Defesa terei depois, agora não sinto nada, nem dores.
Sinto-me devorado pelo sua pose, ataque.
Sou presa fácil do seu olhar.




Cansado, cansado, cansado.
Carrego a bandeira por estar colada em mim. Entregue por sei não quem.
Quero fincar na terra seu mastro, arrancar o pano, símbolo de nada, mas eu mesmo me olho. Olhos grandes de profecia, ainda não cumprida, comprida a história. Viro para trás, quem me segue? Ainda poucos, que são muitos para entregar. Qual terá o mesmo prazer inicial que tive? Meu Deus ela é minha mesmo! Não posso dá-la para meu irmão?




Coloquei a bandeira no mastro.
Abri as janelas que dão pra rua.
Arrumei as gavetas do armário do corredor e ajeitei a cama alisando sua colcha e travesseiro.
No banho, lavei meu corpo com esmero, no cabelo passei colônia.
Vesti roupa de festa, de igreja, de casório.
Olhando no espelho me senti bem. Para você.
Hora, dia e noite veio.
Em alguns eu choro.
Em todas e todas eu espero.
Então escrevo para o próximo instante.
Deito e a cantiga começa de novo.



Fico na horizontal logo.
Cubro com panos e fecho olhos./
Rápido quero.
Não dou tempo para que venha./
Abro olhos no meio da primeira parte do dia.
O porque vem e abate. O onde esmaga./
Vertical me vem.
Solto, pois se solto, o alívio vai junto./
Alcanço, toco, relevo.
Sopro onde entra o som/
Relevo, entendo, suporto.
Vertical eu sou.
Na manhã seguinte ainda te quero.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

quase


não se preocupe, o tempo passa, as pessoas se lembram de você de um jeito ou de outro, isto não faz diferença pra você depois de algum tempo. alguém sempre gosta de você e você de alguém ou muito antes pelo contrário. você vai trabalhar, namorar, casar, descasar, namorar, noivar, desnoivar, apaixonar, provocar paixão e depois tudo isto será lembrança pra você, ou não. suas costas vão doer, os joelhos talvez, a vista vai cansar e talvez não aconteça nem isto. portanto usufrua do seu corpo agora, malhe, exercite-o, descanse-o e mostre-o para quem você ama. ame. ame como se não houvesse amanhã, o que é verdade, beije bastante, sinta a pele do outro, cheire, olhe nos olhos, os sentidos vão se acabando, só amor vai permanecer. tenha filhos, grave neles o melhor seu, trate-os como crianças, enquanto forem, pois depois será a vez deles com você. faça muito carinho, beije-os, morda-os. isto será de grande ajuda para eles quando eles começarem realmente a vida. apaixone-se pela vida, por pessoas, por luzes, sons. isto será sua boa memória mais tarde

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pedra


Quase fiz estátua.
Busto em praça eu fiz e fiquei rodeando,
amando,
olhando cada firme traço,
sulco.
Pedra,
dura,
impávida e insolente.
Eu dizia,
move-se,
fala,
mente./
Quando imaginava seu corpo via-o como é;
branco no mármore,
deusa,
sorriso no branco de seus dentes,
marfim, para mim./
Tolo, tolo, tolo.
Dei voltas e afogado em terra terminei sufocado,
aprisionado,
não para sempre.
Mas para você./
Musa,
olhar que me vê,
me toca quando olha,
não olha e me apavora./
Dia sim,
dia não.
Cinco dias passados e eu passado,
passado vivendo dos dias sim./
Desço dos carros,
aviões,
caminho a pé ouvindo o que canta em seus ouvidos,
já picados,
lindos,
detalhados em mim,
acreditas? - e traduzo, leio, penso, comento e te vejo nelas, é ela!/
Não será a perda,
não tive, o pior.
Será o tempo,
perdido,
lançado,
rompido,
não contado e com a rima ter sofrido,
o pior./
Em vão todos estes dias.
Parado,
esperando a doença,
a entrega,
seu calor,
rubor,
sua paixão.
Louca,
desligada de tudo,
chorada,
inerte,
febril!/
Podes ser de alguém que não será assim?

De você


Queria poder me escusar ao ter partido. Pra cima de tudo. Pulado por cima das cercas. Por ter subido em cima do muro e observado seu jardim, sempre no inverno pra mim. Somente pra mim. Quero me escusar por ter lhe dito o que disse sobre a vida aqui dentro. Quem me perguntou sobre o que estava aqui? Para você, você e você.

denies


I do not deny any future one.


Look me in the eye and tells me what is.


What prevents you from me talking and see what you want.


What future you reserve for me? I do not want anything I ask her only his word to me.


When will the cold or heat that makes me?


People already look and see me as a patient man.


But I'm with you and I know that I cure.


I need only get me a chance to explain or get yourself understood.


The morning seems more cold, solitary and silent.


You seem well and this leaves me without knowing where I am going by.


Not to deny that I am entitled to say that there was something.


I do not deny any future one. Look me in the eye and tells me what is.




Letrinha para musicar no inglês é claro! PS traduzido para o inglish, sem medo de ser feliz...

De fora

Por dentro ela se moía e se apertava em si mesma. Não achava saída nos pensamentos ou elevando seus olhos. Esperou paciente que parasse tudo. Mesmo que demorasse teria tempo então para esquecer. Nãoo diria que sofria muito, mas sentia-se terrível de qualquer forma. O estômago voltara a revirar, refluxo já diagnosticado. Fez força para que não sentisse dores. Precisa mesmo descansar e as férias a faria esquecer. Ou lembrar, não tinha certeza ainda. Não entendeu porque mas os últimos dias tinham sido com tantos ventos em sua vida que achou que iria perecer vítima de uma espécie de vendaval. Na proa do barco da sua vida havia um timão, sua fé, mas aquele sopro não era comum. Distanciar-se do porto seguro de sua mãe não tinha sido fácil a algum tempo, mas nada se comparava com o que acontecia atualmente. Achava que tudo era por ação ou omissão dela própria. Um amigo lhe disse que os fatos acontecem independentemente de estarmos próximos ou distantes. Lembrou disto e se acalmou. Queria descansar em sua terra natal, espécie de porto, ilha e fortaleza. Era uma catarse, purificação ir para lá. Os amigos, parentes iriam lhe trazer força. Mas sabia que lá teria que se encontrar com algo que lhe faria pensar. Teria a energia necessária para quando voltasse resolver o que deixava para trás agora? Ou levava consigo aquilo?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Riminhas


Olha, não me importa se você se comporta como quem pouco se importa. O que importa é o que comporta aqui dentro da minha porta. Não me venha com cara torta se eu tento arrombar a porta do seu coração. Abre a cortina pelo menos e me consola.

Mata

Quero não dizer nada e esperar seu dito. Mas o tempo parece ser só meu e aí eu teimo. Arranhado pelas folhas e galhos desta mata, me abaixo, desvio e me contraio todo para sair do lado de lá. Passei uma vez dentro de outra e me lembro de nunca ter olhado para cima e buscado orientação lá do alto, talvez por isto a falta de costume de pedir revelação, perdão. Só o desejo de entrar no não conhecido, no frio sem sol, no cheiro sem ver o que é, em segurar-se sem saber em quê. Sem saber. Talvez algo venha atrás e por isto corro mais rápido que o necessário, sinto além do necessitado, parecido mais com o quero ser do que sou. Não deixei cair nada no caminho, meus sapatos estão sujos ou estou muito marcado? Antes de sair, eu já quero voltar com alguém.

Perdemos tempo sendo.Presos no mundo de outros, enquanto tudo acontece ao nosso redor.
Dentro de mim há algo que não me pertence e eu quero dá-lo à você.
Estou angustiado pois eu não sei quanto tempo vou agüentar na superfície.
Pegue umas tesouras na mesa, pegue-as. Venha recortar minha revista. Tenho tudo pra te dar e me reconhecer em você.
Minha vida não me presta se estou sozinho em mim mesmo.
Ah! quanto tempo não sinto-me tão em mim.
Suave tristeza é quanto sai daqui, mas o muito ainda está lá dentro.
Venho me aproximar de outros para que me veja neles, para ter certeza que tambem sou tolo o bastante pra crer.
Não quero brigas, ciúmes, muito menos lisonja, quero apenas um pouco de você em mim. Ou um pouco de mim andando com você.
Chega de andar pelas ruas ou voar de avião pensando que algo vai acontecer.
Se não quiser fazer comigo vou entrar de volta e ficar quieto até o vulcão explodir.
Pena que a vida seja exatamente assim, "uns vão, uns são".
Esta é a copia de tudo, esta é a vida que não deixamos de viver, mesmo quando saimos dela.
As palavras saem, mas dentro de nós elas não se acabam.

domingo, 6 de julho de 2008

Sente isto

Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?

separada

Ela é perfeita. Não dá bola pra qualquer um, não demonstra ter vício nenhum e nem uma bebidinha aprova.
Veste-se simplesmente lindamente. E seus cabelos são de uma cor que que são um presente para os olhos. Ela é certinha, bem humorada, inteligente e da paz. Atenciosa e parece ser carinhosa. Seu corpinho é enxuto, e com todo respeito, uma gracinha até. e que pele a bela tem. Com tanta perfeição ela tinha que ter um defeitinho. Não me fala se me quer ou não.

sábado, 5 de julho de 2008

na hora, santa.

tem hora que é santa. não a hora. ela. toda hora santa, que é toda, me vem também a vontade de te chamar pra perto.
tem hora que é não é eleita, que não é perfeita e nem minha. então te vejo indo longe, longe de mim.
quando será a hora, minha santa, em que você virá sem eu te chamar. elege uma hora santa qualquer.

cão

Quase não sobrou comida do almoço hoje. O frio que sinto é maior do que o que está na minha barriga. Quando eu era menino tinha dia que nem tinha o que comer e então eu abria o armário de madeira, na parte alta e pegava a pimenta e esmagava no fundo do prato e virava com arroz. Comia até soluçar. Hoje tenho soluço quando é saudade de um sentimento, de uma hora qualquer que vivi. Um cheiro de perfume que senti a muito tempo me veio na lembrança e não consegui sentir o mesmo que antes. Estou perdendo a visão. Não a da vista, que esta lá vai indo, mas perdi a do futuro, do que sonho, do quererei, do que sonhei um dia. Meu cachorro é que se lembra de tudo, mas não vai bem de vista, ele late pra mim achando que sou outro.

Chorus

De onde virá a ajuda? como esperar por algo que não vejo? Lembrei-me que, ora, a esperança tem que ser firmada sem se importar se o que vemos está somente em nossas mentes. Temos a certeza que virá, o que brotou algum dia no coração, pois não fomos nós que colocamos a semente lá, mas, sentimos que foi algo superior. Por isto acreditamos que ao lado de toda luta, virá o momento de folga, de sossego e o sucesso chegará. Não porque queremos, ou por termos alguma nota diferente de outros, mas sim por que algo conspira para que ganhemos de graça. Sabemos que não importa a força e a inteligência que tenhamos, se não for por uma espécie de favor que o universo faz pra nós, não somos merecedores nem de respirar. Quando passamos por dificuldades nos lembramos disto tudo, das palavras que estão em nossa mente e corações. Elas estão grafadas como fogo na madeira, guardadas como vinho em tonéis de madeira, como água dentro da rocha e protegidas dentro de nossa cabeça, como se tivessemos sobre nós um escudo ou na cabeça um capacete. Ainda assim, quem poderá me livrar de tamanha luta? Eu sei que algo se levantará e me carregará como a um filho. Seja rápido o socorro, pois minhas forças e esperança já à muito estão enfraquecidas. Escolho, por você, não estar mais errando o alvo que desde o início foi colocado para mim. Queria que a escolha viesse por um motivo mais elevado, mas no final tudo será para cantarmos uma canção. Como se fossemos anjos.

Ar

Sinceramente eu acredito totalmente quando me fala que não fará nada.
Você espera que eu aja mas quando isto acontece, você me tira do ar.
Me tira o entendimento e fico louco sem saber o que fazer.
Os sinais que eu vi não deviam deixar dúvidas.
O que eu faço é apenas te amar.
Parei de fazer o que fazia e agora eu só penso em você.
Você está me deixando sem pensar em mais nada.
Durante todo dia eu só penso em te ver.
A última vez que eu te vi ficou a imagem de você indo embora.
Tentei imaginar o que você pensava.
E a dúvida nunca mais saiu de mim.
Você ainda me tira do ar.
Todas as vezes que a gente se fala você nunca me olha.
Tenho certeza que não quer olhar pra não se entregar.
Será que eu tiro seu ar?
Quando os anos forem lembrança eu sei que ainda vou lembrar.
De tudo o que eu vivi.
Eu quero lembrar de você.
Você ainda me tira o ar.

letrinha pra musicar

O coração é a sede de tudo.

Não te beijei como eu devia.
Apenas toquei em sua cabeça,
deveria ter sentido mais este momento.
Não peguei em seu rosto pra te consolar,
podia tê-lo sentido.
Não tive como te abraçar,
sinto-o em mim agora.
Você nunca mais se despediu,
tocando meu rosto com o seu,
meio beijo, meio carinho.
Abracei como todos à sua volta,
não podia ficar.
Você sempre foi,
nunca esperou,
quase nunca pediu,
Sempre quis seu abraço,
seu beijo, sua atenção,
dar-me para você.
Desde antes, do início,
de longe.
Sem enxergar bem, sem ouvir bem,
eu suspeitava que me via, que sentia,
me queria.
Engano é minha vida?
E a sua, decisão?
Se você pretende saber quem eu sou
Eu posso lhe dizer
Entre no meu carro na estrada de santos
E você vai me conhecer
Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade só a velocidade
Anda junto a mim
Só ando sozinho
E no meu caminho o tempo é cada vez menor
Preciso de ajuda
Por favor me acuda
Eu vivo muito só
Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo
Corrijo num segundo
Não posso parar
Eu prefiro as curvas da estrada de santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar
As curvas se acabam
E na estrada de santos não vou mais passar
Não, não vou mais passar

Roberto
Não há ar o bastante no espaço que você deixou. Ando em volta da mesma mesa reparando nos farelos de pães, doces, que cairam de sua mão,
e de sua boca, que não beijei nesta manhã. Me arrependo logo e me sento em sua cadeira, esta é sua somente, e vejo a marca de seus lábios no copo de café. Seus lábios ficaram aqui! São minhas suas linhas, as que sobem, as que descem e se cruzam. Porque não respirei o ar à sua volta quando estive ao seu lado? Sinto suas mãos sobre a mesa, toco seus dedos, olho seu olhar enquanto você vai aos poucos gastando o tempo, sozinha, bela e decidida a ir embora. Talvez tenha se esquecido sua chave ao sair e volte, então poderei falar que eu me importo, que eu ainda amo. Suave tristeza me vem por saber que não há volta, não há verdade, não haverá amanhecer com você. Não haverá ar.

Enfim

Seu sim é silêncio para mim,
sua ausência é presença em mim,
sua falta é ausente em mim.
Tudo é assim com você;
ao contrário, errado e eterno momento.
Não tem chance para mim,
Sem você é o fim.
sua boca é um beijo,
seu cabelo é um toque,
seu corpo é meu abraço.
Sem movimento eu vejo você,
posando para mim,
sorrindo assim,
seus olhos em mim.
Tudo assim é com você;
princípio,
meio,
enfim.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

é fácil para quem não quer
é fácil afogar quem não nada
é fácil despedir quem nunca esteve em você
é fácil não crer no que não se vê
é só acaso
é só passagem
é só outro
é só ninguém
em mim
é fácil
Cansei. Suas armas estão quase me vencendo. O exposto, a fatura é demasiado demais. O som estridente da sua eloqüencia, de sua recusa em descobrir-se me tiram o dom, o sabor e prazer em dizer-me seu.
Sinto muito frio ultimamente, principalmente quando abro a porta do seu coração. Coragem me falta é de esquecer você e partir, descendo as escadas da torre em que estás. Escrevo cada vez mais próximo do real, é este o perigo atrás de mim, me acompanhando, pisando em meu calcanhar. Eu, todinho Aquiles, corro de acordo com a ordem, mas o quero mesmo é me atirar nos pés da Deusa e tocar em seu ponto mais sensível, que sou eu. Aguça-se em mim o instantâneo de uma voz que não reconheci como sendo a sua, mas as palavras sim. Revelou algo que jamais veria sem me abaixar e me revelar; você estava lá e pronta. Para ferir na nuca, sem se mover, sem som, com as ordens dadas. Move-se na sombra que meu coração exposto faz e não conheces o efeito desproporcional de tanta força.
Sem o tom não há dom que resista.
Sem o som não há esperança.
Sem a certeza não há.
Sem paz não estar.
Sem amor,
sem alento,
sem cor,
sem ter.
Sem você.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Escuta...
Não estou agüentando te agüentar tanto.
Apenas desejo um cara a cara.
Duas horas por enquanto.
Se for o bastante, que seja.
Mas não me deixe a incerteza.
Estou mais sério hoje, apesar de ultimamente rir à toa. Meus pensamentos continuam os mesmos. Ou o mesmo. Acho que de tanto imaginar cenas, fins, viagens e momentos, eu não consigo criar mais quase nada que seja ilusório ou fantasioso. Estou triste comigo mesmo por insistir em imaginar algo que não me dá sinal de existir. É como ter fé, a emoção de crer é maior que o fato ocorrido. Gostar de algo é assim; temos e nem notamos sempre que temos, até vivê-los mais intensamente. Se eu fosse um pouco mais adulto ou se outras pessoas fossem, teríamos crescido, ou iríamos crescer, com qualquer coisa que vivessemos. Estou desacreditando em algo que eu creio a muito tempo. Em mim mesmo. É incrível que ainda me venha uma crise de identidade, de saber se tenho um valor, se tenho um destino, se devo mudá-lo etc. Sempre estive assim, apenas adormeci durante um tempo. Tenho tentado ser alguém que seja importante para alguém, em algum momento apenas, mas as horas passam e ninguém tem observado muito isto. Quero que tenham a coragem que tenho, o jeito que penso ou como reajo. Não sou X corajoso ou inteligente Y. Sou apenas eu. Sem me preocupar em exatamente agradar. E isto é um problema. Me explico assim; sem pé nem cabeça, pra atiçar a curiosidade. Te interessa? Tá aqui? Ti toquei? Na mosca!

secreto

Nada mudou na criação desde que foi criada. É o princípio, a base, a inspiração. Todas as letras, os sentimentos nelas, vieram de mim, por princípio em mim. E você usa, livre arbítrio, para lê-las, sentí-las, tocar-se. E nada muda, todas foram feitas para a Glória. Seu outro nome.
Sem nada
Eu tenho uma nota de 200. E é só o que tenho. Todos falam que é falsa. Sem valor. Se fosse ao menos antiga, mas não, é falsa. Dizem que tem algum valor como papel. Só como um pedaço de papel. Vou escrever nela seu nome e mandar tirar uma cópia. Uma vou carregar na carteira, e a outra depositar no cofre que tenho aqui. Só eu sei o valor.



solamente
S
ei que posso estar enfermo
Mas sei que esta dor passará.
Ao andar, andar e ver tanta coisa que falei neste tempo que era só meu.
Eu não posso imaginar de outra forma pois eu sei que o que bate e faz doer meu coração é o saber que jamais terei você em meus braços.
O silêncio que você faz, para mim o mesmo tipo de silêncio que os amantes fazem após se amarem, não me torna menos leigo, me faz acreditar que te terei daqui a pouco.
Se a lua que lhe ofereci para ver não lhe atraiu o olhar, talvez se lhe cozinhar algo quente e docemente temperado lhe faça retornar agora.
Costelinha com mel.
Come e baila seu bailar. Não me interessa o seu ritmo, se não posso acompanhar, ajudar na construção ou lhe trazer uma margarida. Minhas flores de maio agora que estão desabrochando. Interessa vê-las?
Eu sei que não é nada disso, meu amor. A ausência de sua cor em minha lente me deixa tonto, triste, desamparado. Você já notou que a cada momento ficamos mais lúcidos? Há, há! Quem dera. Sério agora, já notou que eu nada sei? E você não me enxerga, não me ouve e nem fala nada? Lembrei dos 3 macaquinhos... Há, há, há. Queria muito que fosse oficial esta forma de falar; falo, falo e falo pelos cotovelos, pela net etc. A força acaba. É isto que queres? Qualquer pessoa pode ser assim, acredite. Estou cansado de tudo. Não é somente cansado de te falar sem saber se você escuta. Meu bem dos outros, foi um acidente como aconteceu. Mas o quê aconteceu não foi acidente. A necessidade era minha. E continua sendo.
um oi seria bastante para o céu abrir e mandar parar por aí, tô certo?

me canso

Duro o colchão que me deu pra deitar. Para sempre na memória. Você é viva e eficaz. Até no que não faz. Me fere antes de ferí-la? Se fosse esgrima a espada seria real. Ó drama, ó drama. Quem me chamará para fora, me levará ao repouso enfim?Achas engraçado a falta me faz? Se risse com você eu teria a graça.
Cristina Mel - Flores Do Amor


As folhas secas do outono/Dizem que o inverno vai chegar/Um sonho de verão a chuva vai levar/Se a primavera não voltar/Um coração amargurado/Diz que pro amor não há lugar/No porto solidão logo ele vai ficar/Se o farol divino desprezar/Vou deixar a chuva de inverno me molhar/Pra fazer na primavera despontar/As flores do amor, do Senhor/Em meu coração/Se uma estrela brilha lá no céu/Vejo refletir o olhar de Deus/Que uma aliança pintou na luz do sol/Colorindo o céu de norte a sul/Vou deixar a chuva de inverno me molhar/Pra fazer na primavera despontar/As flores do amor, do Senhor/Em meu coração/Um coração amargurado/Diz que pro amor não há lugar/No porto solidão logo ele vai ficar/Se o farol divino desprezar/Vou deixar a chuva de inverno me molhar/Pra fazer na primavera despontar/As flores do amor, do Senhor/Em meu coração/Vou deixar a chuva de inverno me molhar/Pra fazer na primavera despontar/As flores do amor, do Senhor/Em meu coração/Em meu coração.

triste

me mostre onde paramos/para não amar/para não sorrir/para não não vermos.
triste por não ter voz/nem ter minha vez/porque?
pasmo/espasmo/parado em quase tudo/devagar/perdido/sem lastro
junte/e/veja/como/estou
sem/entender/você/
preciso/saber/se/toquei
você.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

gata

ah gatinha! nem sei se mias assim pra todos, mas sei que meu ouvido é do teu partido, do seu sexo, entonado com sua escala, no gamut, na sua linha, percebido e arquivado. os teus pelos, todos naturalmente coloridos, encurvados, penteados, eriçados, compridos são o tom que reflete no sol. e se põe-os ao por do sol, fica a cor mais bela que uma gatinha quer ter. e tuas dianteiras ferramentas, que fininhas, canetinhas, pintadinhas chegam primeiro que você e bem antes das traseiras que já vi saltar, dançar e correr. seus olhar de gata, é claro que não eres de outra coisa, confunde sua presa, grato, estendido, acoado, maravihado e perdido, encostado, encurralado e dominado. olha para o olhar, olha para os olhos, capturado. e agora? seu nariz é gelado?

troca?

eu vi o mar/eu vi lagoa/não sei se o mar ou se é lagoa.
o mar me pergunta/trago por debaixo da onda/descobre em mim/mergulhado/escondido/longo/mistério e solidão.
a lagoa me responde/está na superfície/olhar/compreensão/eterna/sólida/tenaz/em mim/pousado/amparo/sustento e companhia.
eu vi a lagoa no mar.
tau!

outra coisa

Sou sombra,
nuvem cheia e copo com água em cima da pia.
Se deixar eu derramo,
entorno.
Quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho.
Bem baixinho.
Meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê.
Às vezes penso que ela é burra.
Né nada, minha tia Célia dizia.
Isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Conheço pessoas que nunca foram na minha casa,
que nunca ficaram perplexas ou paradas.
O touro é que não gosta delas.
Eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando,
Quando ela some de todo,
eu cutuco ela pra me ver vivo,
loquaz,
atendido nas minhas perdidas esperanças.
Queria ter companhia pra chorar de noite,
noite e dia, noite e dia, noite e dia.
Chorar sozinho é bom quando não se quer companhia.
Eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho,
mas na boca de quem não escuto a voz, mas sei que já chegou.
Reconheço gente de olho fechado, se tiver perfume bom,
se tiver uma mão macia ou cabelo de anjo.
Desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor.
Nem sabia que tinha ainda daquele jeito.
Depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal,
catar limão,
lavar calçada e depois entrei em casa.
Estas coisas eu faço pra me pegar sozinho
e me convencer que a vida é só isto.
Mas eu tô olhando lá da janela e grito:
Corre Marcos que vem chuva!
e se a lua for muda? ou pior, surda? e se me olhares de novo e não me ver como sempre? me fala ao menos se viu as cores que comprei e pus aqui.

fala, mas...

Não posso ter na dúvida a principal pergunta que tenho como sobra.

Não devo, mas temo o que vai agora na cabeça sua;

se for dor, se é amor, se solidão ou não faz muita diferença.

Peço, eu penso licença só um instante para ouvir falar do que espero.

Fala comigo nem que seja para não explicar nada, para dizer coisa nenhuma do quero.

Pedi, eu lembro de pedir, me liberta, decidi estar e não estou.

Preso de mim mesmo, do desamor, da luta que se labuta, da fuga do óbvio lacerante, da vagareza de ser, de vez em quando.

Penso, faria algo por você, mas não fiz por ela quando passou por mim,

e eu nem lembro o nome, nem quando.

Somos assim iguais em cada lado da vida, momento, razão, perdição e achados

sou metade do era agora a pouco.

A outra parte, nem sei qual, se é de mim que se foi e ficou você, ou se você se foi e ficou a outra parte de você.

Acredite-me, me passe seu cartão do crédito, me entenda, a pessoa eu.

Sou uma pegada, um risco na parede de sua sala, no alto, na borda de sua cama,

na palma da mão, na sombra do seu passo.

E tudo isso é você em mim também

Se me entende, acredita no pedido de socorro, poço, água profunda, dor de dente, choro de criança.

Mas se me tocar no alto de minha cabeça, de leve, sei que a terei mais ainda, no processo que se chama eu precisarei de você.

Mas se continua a contínua resistência, na sua juventude tão certa, a decisão certa, ofertada, acertada no degrau mais alto, se ela for continuada, me fala.

Voz suave, choro meu, choro meu, choro meu, colo, dor novamente.

Dá-me cura, forte, resistência, parecida, incerteza.

Se fores, contínua, continua.

Mas me fala!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Que engano! Que engano! Que engano! Que engano! Que engano! QUE ENGANO!
Grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito, grito,grito, grito,gito...

Desabafinho

Ressuscitou minha consciência mas minha tristeza não foi embora. Tristeza de mágoa. Maior que eu. Vergonha do oculto que não pode ser publicado, e da falta da trégua dentro da gente. Dor eterna de amor não correspondido. Destes que de tempos em tempos nos fustigam. Do tipo que que olhamos no longe e suspiramos sem parar. Vontade de chorar danada. Desabrigado estou, apesar da coberta do céu, da coberta das asas grandes do meu Deus. Abandono de tudo, maltrapilho, mal tratado coração, cheio de amor por ningúem, por alguém. Abandono de quem não sei onde está, nem se é de alguém. Não adotado, dado, proibido. Verto lágrimas? Não faço isto ainda não. Não tem colheita, não que eu veja. Meu Senhor é minha única garantia escrita. Mas Papai precisava eu gostar tanto de alguém que não é meu e sim seu?

Leite

Preciso deixar-me sair de dentro de mim. Já. Preciso ir a algum lugar para me observar de fora para dentro. Preciso descansar de mim, de você que está tão aqui dentro. Solidão de dor, de consciência, de esperança, de certezas tristes, de coisas tangíveis e eternas. Quero a companhia do passageiro, da passageira, do que vai morrer logo ali. A companhia das coisas que a gente vê rapidamente e guarda na memória pra lembrar depois, se precisar. Desespero total a curto prazo é melhor que pensar em tê-la sem tê-la, de tê-la a pensar sem pensar... Quero me aninhar em mim mesmo, mesmo sabendo que daqui não sai leite morno, colostro. Nem carinho de pai. Sinto não poder ter-me em ti.

Arqueado

ombros arqueados ligeiramente, lindamente. Anjo.
onde estão suas asas? guardou-as?
agora andas com passinhos curtos e rápidos. Passarinho.
não acostumou com a luz do sol, por isto andas apertando estes olhos de anjo católico?
sentes falta de voar?

Separada

Eu queria ser santa. Mãe me disse que eu podia. Meu pai já nasceu assim separado para tal, do seu jeito foi ser santo louvador. Me restou ser alguém primeiro e santa bem depois. Agora que estou aqui, onde serei santa, neste altos de Minas Gerais? Por onde irei meu Deus? Um moço escreveu pra mim dizendo que eu era alguém do tipo pra vida inteirinha. Dele. Não pra mim, ou pra nós. Tomei susto, suco natural, copos d'água e atitude. Me resta sempre o que mãe me disse quando eu era pequena fora daqui.
- O caminho da verdade e da vida, minha filha, segue ele, segue minha linda.
E serei santa separada que sou, desde pequena.

Colo

Não te entornes por dentro por mim.
Eu me entornei pra fora por ti.
Já coloquei no ar o ar, feito mulher que vai botar filho no mundo.
Já pari versos.
Eu, sendo homem, tive filhos seus.
Corro do medo por puro medo e me encontro no seu colo.
Minha mãe branca, quero deitar.
Sugar seu seio e sair. Da noite para o sonho embalado por você.
Não vês que penso sofrer a mesma dor que sofro?
À distância, a distância. Ah! distância!