sábado, 20 de dezembro de 2008

tão

De tão poucas roupas,
De tão pouquíssimas palavras,
De tão grande sorriso,
De tão olhar,
De tão voz, doçura loquaz,
De tão cor,
De tão tão,
De tão,
De tanto...
Paixão!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ao seu toque

Teu toque de me recolher ao teu castelo,
encolho-me à tua escolha,
embora que me olhes como se não fosse todo teu,
furto-me de achar-me em outro local que não seja
onde sinto um afago grande em todo corpo,
ato de espera por me fazer respirar tão rápido,
como foi também depender tanto assim de ti.
Se de tua boca, atrás desta cortina,
sair meu nome,
desfaleço em pétalas como se rosa eu fosse,
Transformas-me sem querer, sem cessar,
sem ao menos me tocar,
e, se me tocares, amoleço,
e sem rígido pudor,
enrubesço,
e intumescido meu membro,
acolhe-te em ato de amor único,
belo,
e minha alma é tua,
minha vida.

palavras

Talvez eu faça uma promessa que não possa cumprir;
eu nunca vou te esquecer,
por isto quando lhe falo que vou partir,
minha mente não me deixa fugir.
Somente as ruas,
luas e estradas vão me acompanhar nisto que chamo de volta,
toda hora.
Sozinho, aqui sorrindo ao te dizer olá,
é sua luz que está acesa?
É sua voz que ouço cantar James Blunt?
É ela que sai pela janela.
Por um segundo seu mistério é o bastante pra me levantar a alma,
me levar a refletir o que fui até aqui.
Eu não sei o que minha palavra é para você.
São letras apenas, eu sei.
Não terei uma segunda chance de amar alguém como você.
Por isto me olhe com atenção.
Estou indo embora,
queria te deixar aqui embaixo um pedaço do que você me deu sem querer.


letrinha para musicar...

modos

Tenho dois modos sobre o suportar o que é evidentemente real.
Uma hora que o tempo seja já,
ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje,
amanha rápido e inesperado,
uma paisagem distante e clara de tão pura.
As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez,
já vão dois dias desde então.
O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim,
de pensar e ser pesar de não ter,
de não ter havido,
de não ser possível amanhã.
O hoje é pesado.
É todo voltado para ontem.
Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço,
perco o pudor, a estribeira.
Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro,
sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã.
Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente,
tudo é vida,
tudo é ontem e você.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

canto 1

Eu tenho um tento, um tanto
Eu tenho um canto onde eu canto
Onde ponho um tanto, mas tanto, que se não fosse um canto,
Eu escapava, eu convertia, eu me revirava.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

simples

Por onde eu andaria pra encontrar?
O que me encantaria?
No primeiro muro que encontrasse escreveria.
Com a primeira letra te diria,
naquele dia eu seria,
tua escuta,
teu calar,
teu toque,
tua colheita.
Se eu encontrar,
encantado por você andarei,
e no muro,
com a segunda letra do seu nome escreverei,
sou teu amar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

inacabando

Como terminar qualquer coisa que escrevo?
Não quero desligar como se apaga uma luz ao sair do quarto.
Afinal sei que vou voltar para lá.
Então deixo a luz acesa e eu sempre volto,
e olho para dentro dele e me pergunto:
- o que vim fazer aqui mesmo, o que eu estou procurando?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

só gritando

Posso ter o incondicional?
Posso andar na borda do Hades?
Pode ser característico do desarranjo emocional?
Querer gritar não é normal.
Não é.
Subir ladeira a pé.
Soletrar sozinho.
Alimentar de pó.
Ficar sem sentir dó.
Enraivecer e enfezar todinho.
Não é normal.
Não é.
Posso ser imoral?
Posso colocar no pedestal?
Pode ser apenas de um só?
Quero sair do pó.
Pode ser pior?
Se ficar melhor vem dor?
Quero que me veja só.
O que será do amor?
Se tudo fosse cor.
Se alguém fosse por,
um coração aqui.
Eu vou partir
Eu vou dormir.
Quero sair daqui.
Quero gritar.
Eu sou normal!

sábado, 6 de dezembro de 2008

passar o tempo

alguns anos
alguns planos
alguns vales
algumas montanhas
algum deserto.
são belos
seus momentos
os que virão
os que serão
são os seus certos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

eu, você

E foi se transformando, foi transformando-nos
Transportando a nós, e nos dando nós
E nos deixando a sós, nos deixando sós
E fomos destruindo e nos construindo com os pós
E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ver

Não era você que me via,
e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver.
Repito os mesmos gestos de toda noite,
que são os que esbarro em você.
Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada.
Aprendi a cantar,
cantando o canto pelos cantos,
pra me encantar e sonhar.
Desfaço de tudo por tudo que diria,
se pudesse meus joelhos nos seus encostar.
Sua seda no som,
seus olhos, o tom,
seus lábios, sem outros são,
e mais nada.
Embora seja ir embora o minuto final,
até o final as folhas terão seu nome.

em

Seu nome deita em meu ombro
Seus cílios me abanam
Sua boca é feliz com meu nome
Seus braços me enrolam

Sou alegre assim
Ao te ver vivendo
Farto-me bebendo
Você em mim.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

neo

Brisamente me vou.
Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal.
Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo.
Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar.
Beijocadamente disparo selos em suas imagens.
Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro.
Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito