segunda-feira, 27 de outubro de 2008

pasta

solução encontrada em tempo hábil é aquela que chega quando vc não aguenta,
vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado.
qualquer oba! me serve quando estou acabando.
escolho o mergulho,
tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo.
de coral? de muitas águas? são profundas?
escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.

sábado, 25 de outubro de 2008

descanso

estas marcas ficarão na areia e eu não olharei para trás.
elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta.
minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo.
olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira.
sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível.
meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria.
caminho porque preciso andar para alguma direção.
qualquer uma me satisfará.
enquanto caminho, faço.
passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei.
não era meu.
nem a flor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O que é melhor?

Uma colher de seu mel me enche de cura inconseqüente.
Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem.
Do dia de hoje.
E me basta.

como

O quê seria se não fosse eu cheio de querer?
Seria como não imaginar nem sonhar.
Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos.
Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer,
Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras.
Flores do campo sem colher para você.

domingo, 5 de outubro de 2008

Branca 1

Altiva, viva, espinha dorsal da minha vida.
Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem.
Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador.
As pontas onde terminam teus cabelos,
são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro.
Tuas mãos e pés, extremidades extremas,
pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar.
E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo.
Sua memória é eternizada em minhas,
que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás.
Em mim,
tu és tudo,
de tudo em mim.

talvez

Não quero saber nem que sim nem que não.
Quero saber de talvez.
O talvez que me excita.
O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida.
Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver.
Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez.
Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer.
Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez.
Talvez me lembra sempre você.

mulher tátil

Mulher, é certa sua presença entrecortando outras chamadas.
Ocupando espaços nas laterais e preenchendo o não vazio.
Tragando olhares redondos saídos de olhos cegos de outras.
Trazes palavras de volta, ao batente músculo meu.
Mulher, suspirante motivo sem raciocínio sobre outros dias.
Mulher em movimento, em lento mover de gravação pela lente do olho.
Mulher filha de deus, criada para inspirar.
Mulher do tato, sem meu toque és nada de tátil.
Corpo dócil, levemente leve como de nuvens brancas.
Viajas mulher.
Eu te lembro mulher,
Tu mulher que é mulher.

dever

Diz-me que devo
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.

sábado, 4 de outubro de 2008

descoberto

Eu quero estar longe
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

disto

E agora cobertos de razões,
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

há luz

o que há por trás do verde?
o que veste a rosa cor?
qual o peso que o branco suporta?
o que são as outras cores a sua volta?
molduras é o que são.
branca tela, negas meu pincel,
meus tons são seus,
por agora, por hora,
por vida que agora teima e me suporta,
por ti.
o que tens de tão verde?
de tão pura cor?

impeça

Impeça o desejo
Peça meu beijo
Aproxime do meu plexo
Negue o sexo
Sinta o que sinto
Um instante...
Sinta minha pele
Cheire meu cheiro
Olhe em mim
Bem dentro
Outro instante...
Sonhe comigo
Sonho de dois
Deite depois
Pense um pouco
Por um instante.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

aberto

Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo, já que não quero ou não posso respondê-las agora. Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas. Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver. Pergunto ao tempo, quanto tempo e quando. Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso quando caminho pensando em você. São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo, à mensagem enviada. Pergunto á madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois. Para ficar marcada como relevo na capa do romance que vivi ao seu lado. Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo. Se é irrepreensível. Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuaram a causar-me desamparo. Pergunto com letras, como estas que te escrevo, se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal. Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar apenas para mim. Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo. Se me ouve. Ouve-me agora! Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão, que já não domino. Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?