sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vitruviano

Hoje vou deitar no canto,
vou dormir como anjo,
abraçar o meu amor.

Talvez fique sem coberta,
ou haja algum vitruviano,
ou ainda ressone,

Mas hoje vou dormir como um anjo


quinta-feira, 11 de julho de 2013

não tenho motivos.
meus motivos não existem para ninguém mais, além de mim.
não consigo pensar em nada além de um segundo atrás.
tudo é dor nas lembranças.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

pasmo?


- Pasmo assim: 

- Sim? 

- Pasmo, assim... Pasmo. Sim! 

- Como assim? 

- Assim como... 

- Como? 

- Sim! Como assim! 

- Assim como? 

- Como uai!

sábado, 13 de abril de 2013

passa

vão-se os motivos, as vontades, as buscas, as maneiras.
vai-se o paladar, a escrita, o dito e o ouvido.
fica quase nada,
ou fica a vida toda,
toda pesada, contada, lembrada.
sem canção que seja tema.
vira-se para o lado e para o outro,
e do outro e do outro e do outro lado.
arrastasse, esmorece, arrastasse, desfalece.

terça-feira, 2 de abril de 2013

fale por você, não fale por mim.
não sinta por mim, sinta-se à vontade pra sentir.
pense o que quiser, já que não quer saber o que quero.

domingo, 24 de março de 2013

me contam

você me contou.
eu contei você.

você me contou que não dou conta.

eu não me dei conta,
que você pagou a conta,
e já não me conta.



domingo, 3 de março de 2013

título apenas

já não me lembro,
minha memória se recusa a estar viva.
minha doença parece que encobre tudo,
tudo fica turvo, indisponível, inacessível.
meus sonhos ou sonhar chegam ao título,
rodeiam, leve massagem na necessidade diária.
minha doença me dá medo, de ser só eu,
agora sabendo que sou só.
pior é não lembrar, não sonhar.
viva em minha cabeça está a dor de agora mesmo,
a do passado cheira mal em minha memória.
queria chaves também,
queria seus sonhos também,
queria saber de amar,
queria saber te amar também.
queria ser outro, como de fora.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Onde?

Não. Eu não sei mentir na maioria do tempo.
Eu não sei também reagir a uma crítica. E também com elogio eu não combino.
Quero consertar as pessoas. Não porque acho que a forma delas é errada
em si. É uma sugestão para que tenham uma vida talvez melhor.
Sou louco. Sempre fui chamado de menino maluquinho e nunca soube bem o
porque disso.
Queria ter certeza do que falo, do que prego. E aquilo que acredito,
repito mil vezes, quem sabe assim acontece uma hora?
Olhei muito longe. Tentei me explicar, me mostrar.
Leio, em todos os cantos; pintadas nas paredes, e-mails e frases ao
vento; que minha certeza não interessa.