terça-feira, 22 de abril de 2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Depressão piora?

A depressão não piora.
Ela retorna.
Ela torna tudo como antes, como antes, como antes.

sábado, 12 de abril de 2014

Tenho tanto para ver,
tenho tanto, tanto,
que salto tudo,
e não vejo,
não sonho,
só luto,
contra a vida,
perto da morte,
não tenho porte,
para viver,

quarta-feira, 2 de abril de 2014

depressão

"Sou triste, quase um bicho triste 
E brilhas mesmo assim 
Eu canto, grito, corro, rio 
e nunca chego a ti" 
Caetano 


Depressão na pista.
Símbolo que me incomodava, palavra que me acha. Depressão em mim, não é tristeza. Ela, eu expulso, assim como todo pensamento.
Tristeza vem e até gosto do sabor.
Alguma melancolia com a chuva caindo devagar, nas gotas barulho eterno. Todas elas se parecem, todas me fazem lembrar.
Depressão não depende de mim, de você, de ninguém. Ela vem se acomoda o dia, acomoda a noite, me acomoda.
É tão forte que a força que existe é somente dela.
E deito, durmo, muito.
A depressão me enche de esperança todos os dias;
de acordar ou dormir sem ela, com algo que me diga que tudo será diferente.
A depressão em mim me despedaça e cola tudo em cacos pequenos, em partes que nunca estão juntas, não se colam não se merecem não se importam uns com outros. 
Não há ânimo, nem desânimo.
Não depende de nada e depende de tudo. E tudo não vale a pena para o deprimido como eu.
É tudo doído, doido. Corroído por dentro.
Me calo para tudo e todos. Quem me salvará de mim mesmo? 
SertralinaIbuprofeno, são pílulas mágicas. Tomo por acreditar em magia. 
Um me diz;
"Sai desta!".
Outros me dizem;
"mas, você?", "não dá para notar".
Mas é ela que manda, que me tira a fome toda, que não me deixa levantar, que me faz desacreditar em mim, na vida. No que penso.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Vitruviano

Hoje vou deitar no canto,
vou dormir como anjo,
abraçar o meu amor.

Talvez fique sem coberta,
ou haja algum vitruviano,
ou ainda ressone,

Mas hoje vou dormir como um anjo


quinta-feira, 11 de julho de 2013

não tenho motivos.
meus motivos não existem para ninguém mais, além de mim.
não consigo pensar em nada além de um segundo atrás.
tudo é dor nas lembranças.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

pasmo?


- Pasmo assim: 

- Sim? 

- Pasmo, assim... Pasmo. Sim! 

- Como assim? 

- Assim como... 

- Como? 

- Sim! Como assim! 

- Assim como? 

- Como uai!

sábado, 13 de abril de 2013

passa

vão-se os motivos, as vontades, as buscas, as maneiras.
vai-se o paladar, a escrita, o dito e o ouvido.
fica quase nada,
ou fica a vida toda,
toda pesada, contada, lembrada.
sem canção que seja tema.
vira-se para o lado e para o outro,
e do outro e do outro e do outro lado.
arrastasse, esmorece, arrastasse, desfalece.

terça-feira, 2 de abril de 2013

fale por você, não fale por mim.
não sinta por mim, sinta-se à vontade pra sentir.
pense o que quiser, já que não quer saber o que quero.

domingo, 24 de março de 2013

me contam

você me contou.
eu contei você.

você me contou que não dou conta.

eu não me dei conta,
que você pagou a conta,
e já não me conta.



domingo, 3 de março de 2013

título apenas

já não me lembro,
minha memória se recusa a estar viva.
minha doença parece que encobre tudo,
tudo fica turvo, indisponível, inacessível.
meus sonhos ou sonhar chegam ao título,
rodeiam, leve massagem na necessidade diária.
minha doença me dá medo, de ser só eu,
agora sabendo que sou só.
pior é não lembrar, não sonhar.
viva em minha cabeça está a dor de agora mesmo,
a do passado cheira mal em minha memória.
queria chaves também,
queria seus sonhos também,
queria saber de amar,
queria saber te amar também.
queria ser outro, como de fora.


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Onde?

Não. Eu não sei mentir na maioria do tempo.
Eu não sei também reagir a uma crítica. E também com elogio eu não combino.
Quero consertar as pessoas. Não porque acho que a forma delas é errada
em si. É uma sugestão para que tenham uma vida talvez melhor.
Sou louco. Sempre fui chamado de menino maluquinho e nunca soube bem o
porque disso.
Queria ter certeza do que falo, do que prego. E aquilo que acredito,
repito mil vezes, quem sabe assim acontece uma hora?
Olhei muito longe. Tentei me explicar, me mostrar.
Leio, em todos os cantos; pintadas nas paredes, e-mails e frases ao
vento; que minha certeza não interessa.

sábado, 17 de novembro de 2012

Ouço

Ouça.
Eu ouço.

Há muito, eu ouço.
Acabou.
Seu, não o meu.

Ouço.
O meu.
Não o seu.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

sguenis qualquer

é somente lá onde você se encontra que eu te vejo.
não te vejo  mais aqui, nem ali.
apenas onde você se vê.
e me vejo, pelos olhos de outros.
e vejo que o que você vê pode ser aquilo.
e me sinto distante de você.
onde você se esconde, onde os outros te vêem.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

E mais

Queria ter as portas fechadas, travessas nelas passadas.
Queria ter o vento soprado, atravessado os ouvidos.
Quero ter o pouso suave, a sustentação de meu peito.
Quero ser o verso, a calma, a admiração sem pressa nenhuma.
Quero apenas uma, uma minha,
sua calma.
Quero o susto viver, e virar-me,
e te ver.
Quero apenas tudo do nada, nada.
E mais.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Di Ester

a paisagem

vou dizer com siceridade
toda a verdade
da minha garagem
vejo uma linda paisagem

vejo uma fazenda
que esta a venda
irei comprar
e vou adorar

lá o campo
e um encanto
e tao tranquilo
ficar sozinho

com a natureza
que me encanta
com sua beleza

sábado, 9 de junho de 2012

há tempos

Há quanto tempo, tenho o tempo todo em minhas mãos.
Eu tenho os sonhos, e os pensamentos juntos aos seus.
Amando te amar, eu consigo ver quem sou.
Admirando seu modo de ver, eu sou um ser.
Ao mesmo tempo que que você, eu quero ir, aonde a estrêla brilha.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

feliz ano novo!

quem me ama...
que me ama, diz!
quem me ama disse que me ama!

isto deve bastar,
para passar o resto do ano.
para passar o resto todo.

sábado, 17 de dezembro de 2011

para quem dizer?
para que?
para dizer
que te amar é fácil.
se fosse fácil me ser.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

conhece esta?




Quem sabe isso quer dizer amor

Milton Nascimento


Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos vitais
Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

a mente


Guardar o resto dos verbos para que seja entregar,
em mãos.
As tuas, sou teu.
Em olhar-te nos grandes, encimados por negras,
que curvas,
chamam.
Ter-me entregue ao riso,
os teus que fazem os meus.
Derramo-me à sua frente, agacho-me, beijo-te os lábios.
Tu sabes a sede,
onde será minha coberta,
o cruzar das pernas,
a coluna que não suporta o corpo.
Mas a ti.
Sim!
Mente, mente, mente.
Diga-me se a verdade desce a penha,
segurando pelos dedos,
à vontade do voluntário para o amar.
Sustenta-me na palma de tua palavra,
a não dita,
sigo-te por entre ti,
volteio ao seu redor,
encontro-me por buscar-me com tão grande entrega.
Sou preso em ser liberto para te admirar.
Guardo ainda o verbo encontrar.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

VESTIDO

SONHO DE PIRATA É TESOURO/CHEIRO BOM É O QUE NOS FAZ LEMBRAR/ VESTIDO BONITO EU GOSTO DE TIRAR/BEIJO GOSTOSO É O QUE MOLHA MINHA BOCA/BARRIGA GOSTOSA É A QUE EU POSSO DEITAR/AMOR BOM ME FAZ SONHAR

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

meu amor


O tempo comeca além do que eu posso tocar. 
O amor nao termina porque eu nao consigo enxergar.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

fundo


Saudade? Não falo. 
Não emito. Omito. 

Me conduzo arrastando as costas no muro e faço silencio. 
Como se não me ouvisse do outro lado. 
Baixo a cabeça e me arrasto na beira da cerca, 
para que, acaso me veja, pense que não tenho a enorme. 

A saudade tanta. 

E quando chega você, (me deixas calado da saudade, sinto)
não falo. 
Continuo mudo e me calas fundo, 
beijando-me a boca.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

relembre 4 de agosto de 2009


terça-feira, 4 de agosto de 2009

fortaleza

7 comenta aqui porra!
Não foi o corpo (apenas chamariz vestindo já o negro),
que primeiro minha visada observou na fortaleza.

Foram os olhos (miras de mirante futuro),
que me levaram ao mergulho do qual ainda não saí.
Fitei-os longamente e engoliram-me braços (entregues desarmados).

E o coração (como sendo a antiga sede da alma),
não se quis sozinho e acompanhando o pensar quedou-se (e aí está),
esperando um toque dos dedos seus.

Em seguida, vi o riso (que ainda hoje criança permanece),
dizendo-me:
- quero ser, quero ser.

E quando dentro (como se dentro carregasse o outro também),
vi seu corpo,
completo,
belo,
significante (coberto de descobrires).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

pertinho




você que diz que não
eu penso que sim.
talvez você pense que não
mas eu digo que sim!

talvez você sonhe assim,
pertinho de mim.

pertinho de mim?
eu digo sim!


meia-noite

sinto não poder dizer agora, meia-noite.


no meio de tudo.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

esfera



espera. esfera.



espero o quero, espero.



esmera.                                               (espero)



espero que quero.





segunda-feira, 24 de outubro de 2011

vazia



a caixa vazia.
                                              razão,
teria?

a caixa teria!
                                              vazão,
vazia teria,
                                              a caixa.






não te vejo


como explicar o inexplicável?
como dizer te amo, estando tão longe.
sinto arcos e mais arcos me prendendo,
e me dizem:
sepultado! sepultado!

como crer depois de tanto tempo?

como não crer em tanta solidão?
quero crer, mas não te vejo.

onde olho o sol?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

abismal

abismal é você
de onde me olho, do fundo.
para onde olho, se salto.
é o que vejo, se há outra margem.


sábado, 1 de outubro de 2011

corta fora


Mulher corta o marido fora.
Polícia ainda procura o corpo.

Rôshimi Sanguiçu, moradora de Hentai, vilarejo perto de Shangai, China, foi detida nesta manhã enquanto acalentava calmamente um enorme pênis, que descobriu-se mais tarde pertencer ao seu marido Diego San. Ela explicou que cortou o marido fora pois, segundo ela, queria se separar mas não da parte fálica do esposo. A polícia de Hentai ainda procura o dono da peça. A mulher foi levada para a casa de sua mãe juntamente com o enorme membro, escoltada por dezenas de outras mulheres da vila.


Rôshimi: "Não aguentava mais aquele homem neste pinto"

terça-feira, 27 de setembro de 2011

apelido

parece a morte, mas é a vida chamando -me pelo sobrenome.
somente atendo pelo nome, ou pelo apelido.
mas sei que é comigo.
e isto me dá uma tristeza tão grande.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

mas

não ser mais,
ser mas.
                   sem ar.

não mais ter,
não ser.
                   mas.

não mais ser,
ser não.
                   ser.

ter mais,
mas não ter.
                  mais.



domingo, 25 de setembro de 2011

Clair et rapide amour


Eau qui se presse, qui court —, eau oublieuse
que la distraite terre boit,
hésite un petit instant dans ma main creuse,
souviens-toi!


Clair et rapide amour, indifférence,
presque absence qui court,
entre ton trop d'arrivée et ton trop de partance
tremble un peu de séjour



[CipoJoaoEster+27901+(640x427).JPG]

R. Maria Rilke

Água que se apressa, que corre, — água esquecida
que a distraída terra bebe,
espere um minuto na concha da minha mão,
recordação!

Claro e ligeiro amor, indiferença,
quase ausência indo embora,
entre tanto chegar e tanto partir
treme tua pouca demora.

Felicidade - Marcelo Jeneci

Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz.
Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz.
Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.
Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem.
Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você.
Chorar, sorrir também e dançar.
Dançar na chuva quando a chuva vem.

sem poesia

não é fácil dizer sem poesia.
antes tudo era.
antes tudo, ela.
os móveis limpos...
não consigo.
não sem poesia.

sábado, 24 de setembro de 2011

colagens do caminho


Sometimes we want more than can be to each other,
I feel no echo time,
and the day we need to discuss something really important?
Will yell at me until I run out? Or will be hitting the whole house?
Did you ever wondered if that's what you want?
That will be interested in these things?


"What is the difference between here and the future?
Because everything will be different? "
Is only to be beautiful because it is not reality,
tired of being the annoying person in the relationship,
that is disappointed that the charges and calls to talk,
is not good to feel afraid of who you love, baby!
It and the days pass,
i'm not going to work.


Everything is long gone,
we can only keep moving,
together ourselves.




Is easy to talk alone,
The hard part is listening here,
know that there are long gone,
i have read this in several places.






Everything is long gone,
we can only keep moving,
of ourselves together
não tenho certeza se fui.
de certo tenho que achei ser.
mas o melhor é do outro lado,
que já não tem que ter dúvidas.

aonde fica o meu melhor?
quem, além de mim, sabe onde está?
não quero minha companhia,
hoje não.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

gasolina

ele chegou e a viu com uma lata de gasolina na mão e na outra, fósforos.
olhou em volta e viu três ou quatro caixas de papelão.
reconheceu seus livros e outras coisas.
olhou para ela e pensou em perguntar "onde está o disco do pixinguinha?"
antes que dissesse, percebeu seu olhar blasé.
ela disse:
- você vai falar alguma coisa?

sábado, 17 de setembro de 2011

lembrei

- quando começamos a nos falar...
- o que?
- quando começamos, eu prestava tanta atenção no que você falava que...
- que...?
- eu ficava meio dopado, sabe?
- como assim?
- eu me sentia meio na lua...
- sentia???
- vem cá...vem...
- vai molhar do lado de fora...
- não tem problema, me dá um beijo.
- tá molhando o chão...
- ahan... você pisa com o pé molhado também...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

pra não dizeres

eu dizer que amei?
eu dizer que sonhei em você?
eu dizer que nao há, sem você?
eu desdizer o que já disse?
eu dizer não consigo pensar?
eu, não conseguir dizer?
eu dizer não quero?
eu dizer, não mais?
eu te dizer?
pra não dizeres, não direi




body and soul


My heart is sad and lonely

For you I sigh, for you dear only
Why haven't you seen it?
I'm all for you body and soul
I spend my days in longing
And wondering why
It's me you're wronging
I tell you I mean it
I'm all for you body and soul
I can't believe it
It's hard to conceive it
That you'd turn away romance
Are you pretending?
Looks like the ending
Unless I could have one more chance to prove
Dear, my life's a wreck you're making
You know that I'm yours for just the taking
I'd gladly surrender body and soul

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

não tenho nada pra dizer
tenho para tentar entender, ou não.
sabe quando você não sabe de nada?
não entende nada?
nada!???
pois é...
nem eu....mesmo!

domingo, 4 de setembro de 2011

olhei-me

passei rápido pela porta passei-a.
sequei o corpo e sequer.
falando falei ouvir-me.

olhei-me e não me vi.



domingo, 21 de agosto de 2011

dia seguinte

eu tenho uma esperança, uma única;
o dia seguinte não chegará.
tenho um profundo desejo,
que a segunda, seja sexta.
tenho, nela,
meus sonhos realizados.

sábado, 13 de agosto de 2011

olhar

tem horas que é
olhar para o lado
e dizer.
"amo você"
"preciso de você"
"te admiro"
"sonho com você"
mas olhar e não te ver.
puxa...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

para meu amor

sou um homem feliz.
e se tive, ou tenho medo de sê-lo,
hoje, posso dizer:
"tenho medo e sou feliz"

porque se pego em sua mão,
me sinto mais que todos os instantes seguintes,
pois, sou apenas eu e você,
de mãos dadas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

quatriste

tenho agora tantas dúvidas de mim mesmo que já não me animo.
pergunta-me.
pois se a resposta é vaga, a vaga vem e quebra a resistência.
se a resposta é triste e sem esperança, é um vão a busca.
e vão-se em volta os que não me escutam dizer; "vão embora!", "vão-se daqui de perto!".
e soslaio o olhar para ver se aquele alguém não me ouviu, pensando ser com ela.
tenho sorte de ser tão tímido, tão curta minha vista e tão distante meu horizonte, vertical curto.
jaz feita a sorte. rarefeito por defeito de criagem.
vão-se os dedos entre os dedos. sei que dedos são. sei!
mas e as mãos? de quem são?
me explico, quando mostro por dentro, por dentro, por dentro...
não entendo. me sou só.

domingo, 26 de junho de 2011

sorriso

ela já sorria antes,
e agora ele que via.
e viu tão bem,
que sorriu junto.

mas passou o tempo,
e agora faz chorar.
esqueceu que vira sorrir.

olhou para si e viu,
o choro já existia.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

sensação

tenho a sensação de estar perdendo algo. a sensação de não ter mais, mais nunca.
a sensação ruim de não fazer o que deveria. de não poder pedir perdão, de não ser ouvido nunca mais.
nunca mais da mesma forma.

apenas amar

eu queria apenas amar
apenas isto, amar.
nada mais.
em tudo.
te amar.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

s

não sei se mal ou bom.
sei de memória,
do lagarto no congelador
à espera de ser cozido,
sei do tapete vermelho e preto.
não sei se lembro, ou se esqueço.
Escrito por Xico Sá às 15h58

21/05/2011
FOLHA DE SÃO PAULO




Como observar a pessoa amada quando dorme


Sábado é dia de murchar a bola do realismo aqui neste pedaço e ser, em outras palavras, muuuito romântico.
Quem sopra o mote é o velho escritor Alberto Moravia, o comuna mais lírico do mundo, sempre aqui na cabeceira: "Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”.
Está certo o romano e tem como avalista outro gênio, o recifense Antônio Maria -o grande cronista que aparece com ciúmes até dos apresentadores da tv no livro da Danuza: "Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta."
Experimente você também, sensível rapariga, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.
Amar é... vê-lo(a) dormindo. Como aí na ilustração picassiana na cumeeira do texto.
Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.
Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela dorme.
Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.
Dorme, meu anjo.
Ela obedece.
Vigio o sono dela como um soldado zapatista.
Como um cão zela o sangue do dono.
Como se fosse um homem-exército e pronto.
Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.
A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.
A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!
O ideal é que você, leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.
Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.
Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.
Como é lindo a vigília ao sono dela.
Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.
Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.
Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.
E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios. Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

musiquinha no ritmo de pagode

você pensa
você diz
mas não me deixa
não me deixa
não me deixa no início do caminho.
nao me deixe ficar
sem me lembrar
que amar é assim
exatamente como tem me ensinado.
minha amada
minha tudo
você pense
e me diz
que não me deixa

music for nothing

I've been so many places in my life and time

I've sung a lot of songs, I've made some bad rhyme

I've acted out my life in stages

With ten thousand people watching

But we're alone now and I'm singin' this song for you



I know your image of me is what I hope to be

I've treated you unkindly but darling can't you see

There's no one more important to me

Darling can't you please see through me

'Cause we're alone now and I'm singin' my song for you



You taught me precious secrets of the truth, with holdin' nothin'

You came out in front and I was hiding oh yeah

But now I'm so much better so if my words don't come together

Listen to the melody 'cause my love's in there hiding



ooh yeah yeah yeah yeah ohh



I love you in a place where there's no space or time

I love you for my life, 'cause you're a friend of mine

And when my life is over, remember when we were together, together

We were alone and I was singin' my song for you



Oh I, oh I love you in a place where there's no space or time

I've loved you, I've loved you, loved you for my life, oh, you're a friend of mine

And when my life is over, remember when we were together baby

We were alone and I was singin' my song for you, ooh

We were alone and I was singin' this song for you

Say, we were alone and I was singin' my song,

Hey, Singin' my song, singin' my song, singin' my song

Singin' my song

quinta-feira, 14 de abril de 2011

forma de (se) viver-se

sempre achei que triste era a forma de viver e de sentir-se, tão.
e, hoje, morro.
nela.

à tristeza.
tchin, tchin! (antiga expressão chinesa que quer dizer: saúde!)

triste

triste;
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

seu

não!
não quero aqui dizer!
quero dizê-lo ao ouvido.
soprar no seu ouvido.
eu amo você!
quero vivê-lo!
o amor.
seu!

domingo, 20 de março de 2011

poesia

o que era poesia?/poesia era o que eu queria
o que é querer?/querer é hoje o meu viver

domingo, 20 de fevereiro de 2011

o outro

eu nasci no dia seguinte à morte do meu pai. alguém me disse, no mesmo corredor da nossa casa onde meu pai caiu e não se levantou mais:
- agora você é o homenzinho da casa. precisa obedecer sua mãe e ajudar a cuidar de seus irmãozinhos.
eu queria ser formiga nesta idade. ficava horas, no fundo do prédio da quadra 406, bloco d, brasília, olhando as formigas trabalhando. achava aconchegante o ninho.
eu era o caçula. o que esperavam de mim exatamente? não entendi bem, mas depois. muito tempo depois aquelas duas frases pesaram em mim como luva de concreto em minhas costas.
lembro do sol e do cheiro de rosas no enterro do meu pai, e, lembro também de tia célia pegando os pés do meu pai no caixão e puxando ele para baixo. último conforto. meias pretas finas. cheiro de rosas.
nunca mandei rosas pra ninguém. apenas flores do campo que descobri não terem cheiro quase nenhum.
tomava remédio naquela época, tinha eu seis anos pra sete. remédio grande, de ferro. fingia que engolia e ia para a janela ver se via míriam, a bangulea como dizia meu avô. aproveitava e cuspia  remédio. fiquei mirrado.
lembro de coisas pequeninas; o farol do carro do meu pai na igreja metodista - outro dia fui no googlemaps e ela tava lá, menos a bolinha de tênis que os meninos grandes jogavam por cima dela - as placas dos carros estacionados de lado, o frio das escadas, a míriam com seu cabelo engraçado, meu avô falando; a namorada do marcos é banguela, é banguela, é banguela...
lembro de sempre sonhar o mesmo sonho, desde de brasília: um jipe, um terremoto, um templo grego, morte e pavor. acordava e anos depois vinha o sonho de novo.
sonhava também em ter casa grande, família grande, quatro ou seis filhos. sonhava ser piloto de carro, professor, desenhista, marido, apaixonado. fui deixando de sonhar e sendo. e perdi um pouco ali e um pouco daqui. sonhava ser jogador de futebol, fruteiro, jornaleiro, bancário, vendedor, amor de alguma vida. e consegui e fugi daí e de lá.
sonhava em estudar e deitava debaixo do móvel e fingia sonhar; professora esqueci a régua, perdi o lápis, vou pra escola militar, pro tiradentes, voltar para o instituto de educação. vou ser agronômo um dia. só pra desperdiçar o saber. gostava tanto de ler e agora leio as capas e me dá preguiça saber que acaba. quase tive um susto quando mergulhei no mar. achei que morria, mas depois vi nem era tarde pra tentar me salvar. e me salvei e cheguei à praia.
hoje tenho medo, ontem tinha apenas certeza do dia.
saudade de te ver como via. s
em saber onde perdi, onde vou procurar?
perdi a confiança em mim. não tenho certeza de tudo, como tinha.
fui tanto pra tantos. achei que era.
não fui nada, ninguém me busca.
tenho medo de ser eu, o outro.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

triste

triste por não falar o que quero, ou como quero.
triste por não saber voltar.
triste por pensar no que fica, e se fica.
triste por não saber se falei, ou como falei.
triste por pensar que não devia, ou porque não.
triste por estar aqui.
triste por não estar aqui.
triste por ter medo, e por seu medo.
triste.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

mentiras

mentira. que dirás da mentira?
mentiras.
que direi das mentiras?
mentira!

Reveja domingo, 6 de julho de 2008

Sente isto


Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?

sábado, 29 de janeiro de 2011

reveja sexta-feira, 21 de novembro de 2008

era


Era surdo, era mudo, era falado.
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.

sábado, 8 de janeiro de 2011

lado

ela não entra
não me fita
última face
nada novo
tira as armas
está no lugar
mas onde?
está louco?
olhe o não
estou cético
quebro o luto
mas não?
mas o que?
ir ou não
qual o lado?
ver o sim.

esperando

você fica sentada no seu lugar, enquanto eu aqui deitado, estou à beira de enlouquecer.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

não quero mais

não quero mais nada.
nada!
entendeu?
não publico mais nada.
acabou.
não existe mais ânimo,
não tenho mais tinta.
cortaram meu saco fora.
mas meu pau tá aqui.
mas pra quê?
você "num" está aqui...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

brinco

....me sinto dependurado em sua orelha....
balanço pra lá.....pra cá...
escuto o que escutas...toco de leve sua face...
seus pelinhos...
mas a hora mais feliz é quando vais ao espelho...
é quando eu vejo você olhando pra mim...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

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desde setembro  de 2008....legal!
(Uuuu...)

Você é tão acostumada
A sempre ter razão
(Huuum...)
Você é tão articulada
Quando fala não pede atenção

O poder de dominar é tentador
Eu já não sinto nada
Sou todo torpor

É tão certo quanto calor do fogo
É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, participo

Não consigo dizer se é bom ou mal

Assim como o ar me parece vital
Onde quer que eu vá o que quer que eu faça
Sem você não tem graça

(Uuu...)
Você sempre surpreende
E eu tento entender
(Huum...)
Você nunca se arrepende
Você gosta e sente até prazer

Mas se você me perguntar
Eu digo sim, eu continuo
Porque a chuva não cai
Só sobre mim

Vejo os outros,
Todos estão tentando
e é tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, participo

Não consigo dizer se é bom ou mal
Assim como o ar me parece vital
Onde quer que eu vá e o que quer que eu faça
Sem você não tem graça

É tão certo quanto calor do fogo
É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha

Eu participo do seu jogo

É tão certo quanto calor do fogo
É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
Eu participo do seu jogo, do seu jogo.
Meu caminho é cada manhã

Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende

Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove

Chove, chove

Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

conhecer

quero conhecer e amar por conhecer.....

conhecer amar, por conhecer....

amar conhecer...

por te amar,
conhecer amar.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

antes

não tenho medo,
meu medo se transforma em coragem.
ao me dizer com medo,
tenho seus braços,
e meu medo já não é medo,
é coragem de ser eu.

minha coragem chega antes que meu medo,
quando olho e vejo seu desejo,
de sem medo,
ser tão minha.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

amor

nada mais tranquilizador
do que esperar;
o amor chegar,
seu amor falar,
acalmar,
fazer sonhar,
dormir com ele,
acarinhar seu amor,
sorrir...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

meça

dobras por sobre a carne.
desdobro, debruço, como.
peso e peço,
- "meça!'.
- "um palmo"
em sua boca, meu beijo.
em meu queixo, embaixo dele,
o ano inteiro.

domingo, 5 de setembro de 2010

poemito pra mexer no blog


- que tanto?
- um tanto. que este tanto, é tanto, que é portanto, o tanto!

- mas que tanto?
- o tanto que me couber.
- e o espaço é grande?
- como o tanto de amor que couber em nós.

sábado, 14 de agosto de 2010

onde...

onde?
e se me escondo,
onde me ponho?
no seu sonho,
no seu eu me ponho.
e nasço.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

sábado, 3 de julho de 2010

as feridas

as feridas às vezes gritam;
- alma! alma!
e minha alma escuta, e pergunta;
- quem és?
- a ferida, a ferida, a ferida!
e espantada minha alma argui;
- quais?
- as do amor, somos.
- mas não tenho tais feridas... (reluta minha alma!)
- alma! as feridas! as feridas!
- quais? (vence minha alma!)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

escrevo...

temo escrever e perder nele, o tom.
de dizer...
que acordei e vi o que sonhei,
que sinto os pelos na ponta da língua,
que sinto os nós dos dedos nos meus,
que sinto o peso da cabeça no meu braço,
que noto o olhar enquanto olho em frente,
que sinto o mindinho esfregando em meu colo,
que vejo cenas nas palavras,
que vejo os seus sendo meus,
que vejo os meus sendo seus...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

contarei

contarei,
contarei dos dias que faltam...

contarei em dias de claridade,
contarei em noites de conchas.

contarei ao meu amor,
contarei do meu amor....

quinta-feira, 3 de junho de 2010

quero...

não quero angustia.
quero expectativa, quero possibilidades, quero pequenos enganos, grandes surpresas, belas descobertas...
por isto fujo quando encontro a realidade pasmaceira, crueza sem saída.
quero o olhar desconfiado, o cabelo desarrumado, a roupa rasgada, suspiros escutados.
calo-me diante da boca.
seu nome eu digo, aos poucos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

mulher - reveja setembro de 2009

Não me faça um favor.
Não me crie em sua mente.
Não me tenha. Apenas me observe fazer.
Ou ser.
Veja quantas há em mim. Não sou sua.
Sou minha e todas.
Não sei quem sou, sou alguma, sou a louca, a menina, a moça.
Sou uma mulher.
Gênero.
Única. Pessoal.
Sou a bela.
Queira-me em lembrança, em distância, em suas melhores e maiores vontades.
Meu corpo pode estar em suas duas mãos, abrindo-se e recebendo.
Minha pele te sente, minha boca tem a saliva que beberá da sua.
Queira-me pela noite inteira. Toda.
Sua.
E de manhã me deixe em meus olhares.
Em minhas considerações e sonhos.
Sou uma mulher florescente

quinta-feira, 6 de maio de 2010

rubra

Rubra.
abre véus,
nuvens vermelhas,
despejas chuva,
doce,
caldalosa...
Acolhida,
língua.
Sorvida,
líquida,
pura.

Única e jamais igual, em minha garganta.

sábado, 1 de maio de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

seu alfredo

"Seu" Alfredo passou os dedos, polegar e indicador, na aba do chapéu. Saiu de casa com a certeza que estava abafando, como se diz em Minas. Quando chegou na casa de Cristina, parou em frente ao portão de ferro e o abriu com um resoluto empurrão com o pé. Passou por entre as folhagens do jardim, encaminhando-se por um corredor longo e estreito. Tomou cuidado para não se encostar nas paredes. Não queria resvalar seu paletó branco nas paredes. Ao fim do corredor, um quintal com algumas mesas e cadeiras, de ferro como de um bar. Esperou, parado, que alguém prestasse atenção em sua chegada, mas ninguém sequer virou-se para vê-lo. Apenas um cachorro, "lincou-se" com um olhar que lhe pareceu de desprezo.
- Os cachorros são assim mesmo, pensou Seu Alfredo.
Tentou fazer um barulho tímido para chamar atenção. Arrastou o pé no chão, como um raspar de garganta.  O pandeirinho que trazia consigo tocou em suas perna esquerda e duas crianças que estavam por ali, olharam, enfim para Alfredo e trocaram algumas palavras, das quais ele só conseguiu entender uma delas.
- Quem?
Voltou pelo corredor, raspando os ombros nos dois lados do corredor, seu chapéu de aba curta resvalou nas plantas o jardim e caiu. Não se abaixou para pegar, não se importava com mais nada. Quando saiu pelo portão de ferro, que bateu atrás de si, parou no meio da rua. Não sabia para que lado ir. Esquerda, direita, em frente?

(Agora, eu te pergunto leitora/leitor: o que "SEU" ALFREDO faria?)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

qualquer

qualquer palavra ou olhar
servirá...
qualquer silêncio ou olhos fechados
dirão
quaisquer abraços,
nos meus,
nos seus,
estarão...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

segunda-feira, 29 de março de 2010

passo horas
esperando a luz acender
esperando a luz piscar
passo dias
esperando as letras negritas
esperando a volta
passo semanas
esperando os passos na escada
esperando o peso no corpo
passo meses
esperando a partida
esperando a chegada
passo anos
passo anos
passo anos

domingo, 28 de março de 2010

basta

Basta! Basta apenas que tudo seja do amor.
A procura,
o achar e perder.
E me perdendo,
me achar todo,
completo, como se cheio.
Me basta?

diferente

Já não poderia contar com a difernça para saber qual era a diferença que fazia-o sentir-se diferente ou diferenciado, já que agora não fazia diferença. Apesar que nele, a diferença era sentida sempre como sendo algo que fazia-o se sentir-se caminhando para algo que fazia sentido. Diferentemente de quase todo o resto das pessoas que caminhavam como ele mas não pensavam tal e qual. Estranho que não fazer diferença o perturbasse - pois que era diferente - então, que diferença fazia?

sábado, 27 de março de 2010

parece prece

o amor parece que tira a gente da guerra
o amor parece que quer nos cercar
o amor parece nos trazer palavras guardadas
parece que aparece quando as coisas são más
parece coisa de outro mundo que queremos estar
parece lembrar sonhos que nunca acabaram
parece nos fazer lembrar criancices
o amor aparece e tudo é sim
o amor aparece vindo de fora
o amor aparece aqui dentro
o amor parece que apareceu pra mim

terça-feira, 23 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

vales!

vales...
vales pelo que tu andas ou pelo o que vais andar?
vales...
vás à andar pelos vales ou vais à vau me passar?
vales...
tanto vales que tu não vais de mim.
vales, tu vales.

terça-feira, 16 de março de 2010

quando?

quando TUDO dorme, meu SONHO some, minha vida PARA.
quando a SUA voz dorme, meu grito INTERNO acorda.

sexta-feira, 12 de março de 2010

estes esses

S de seu
de sua
de sou
de suar
de sacanagem
de sono
de sinto
de sobe
de sente
de sinta
de ser
de só
de sós
de somos
de sentar
de sotaque
de saborear
de saudade

de surtar
de solidão
de saber
de sonhar
de sorrir
de somar
de seguir
de sublime
de...

(me socorre?)

domingo, 7 de março de 2010

Falta

Não. Não é saudade.
É falta.
É necessidade básica.
De ter ao lado, de esticar a mão.
De deitar no colo. De sentir que tudo vai bem.
Ou que ficará logo, logo.
É uma raiva contida pela possibilidade e pela impossibilidade.
De ser um dia possível e de ser hoje impossível.
É a incompreendida alegria distante de mim.
É parado e quieto com palavras para dizer.
É estar só, e no entanto, ter tão presente que a ausência preenche, toma tudo, revela-se dona.
É precisar o querer. É querer não precisar.
É precisa a falta. Falta.
E só.

quinta-feira, 4 de março de 2010

23 dias

Acordei aos 23 do primeiro ano.
Havia me sentido, até então, como se não houvesse amado nada mais profundo quanto um copo.
Quando vieram os outros dias, e, sobre eles o complemento dos saberes e quereres, foi que nasceram as pontas dos dedos.
E tudo que agora me alimento, é deste observar de espera, desta convicção de amante da profundidade que há de existir. Não gostaria de olhar ao longe, mas lá já estive, uma única.
Meus braços se abriram ao abraço de tanto desejo, de tantas poucas horas, de tanto ouvires para entender, de aceitar melhor o tanto querer.
Rogo aos olhos, ao olhar, ao seu observar, que se olhe do alto, bem alto, para serem vistos;
o espaço a ser dançado, os ares para voar, as palavras para se ocupar.
E quando for pedido o silêncio ou gemido, suores e movimento, se torne, não o tudo, não o nada, mas apenas nos tornem os dias, como aos 23.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

sem dor

dou-me,
agora.
enquanto vivo para dar-me,
dou-me.
doado,
entregue para seu consumo.
dou-me,
inteiro.
completamente seu,
dou-me.
seu.
agora, seu

sábado, 13 de fevereiro de 2010

fucked

foda.
fóda.
phóda.
fóóóóóda.
fodáááááááááá.

como te

como dizer que tudo é importante?
como?
como entender a percepção de outro?
como parar de ser e apenas observar o ser do outro?
como não querer que tudo seja "nós"?
como esperar menos?
como pedir mais?
em coma...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

sonho

sonho. ainda sonho, confesso.
que seus motivos são para mim.
que ouve as músicas que gravei.
que lês o que escrevo.
penso. ainda confesso.
penso em você dia sim.
penso em ser o seu homem.
penso que pensas.
amo. agora amo.
seus cabelos despreocupados.
seu sorriso pertencente.
seu único momento.

domingo, 31 de janeiro de 2010

seu, sou

amo.
amo desde seus pés,
onde estou.
amo.
amo desde sua cabeça,
onde sou.

posição de entrega
de desarmado
de absoluto
de absorto
de amado
e de descanso....

domingo, 24 de janeiro de 2010

sábado, 23 de janeiro de 2010

lábios

sua boca me engole. meu par. meu par de lábios. lábios são em pares? sei não. mas, não pares!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

trem

docemente
alegremente
ardentemente
vai o trem.
trem de doido
trem de olho
trem de trem
vem meu bem.

domingo, 3 de janeiro de 2010

cor

combustão no olhar
é febre quase intermitente
na apirexia tenho acesso à você.


(Apirexia é a ausência ou cessação da febre; pode ser o intervalo entre dois acessos de febre intermitente.)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

beleza

sua beleza variada
em seus rostos meus.

sua moldura de cabelos
a prisão deles
e o rosto descoberto
infantil beijo em mim.

sua beleza avaliada
em meus olhos combustíveis.

domingo, 27 de dezembro de 2009

ir...

ir.
imaginar.
ser.
seu.
sentir.
voltar.
ser.
todo.
completamente.
sedento.

*tanta

sabe o que eu queria?
queria, não passar frio, queria é sentir o frio.
sem coberta, sem casaco, sem edredon.
queria sentir fome, sem ter onde comer.
queria sentir tanta sede que a garganta secasse.
que eu não soubesse quando voltaria a ter água.
eu queria sentir!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

lábio(s)

lábios abertos e sobre eles os meus.
rosa,
e sobre isto digo;
sobra água em minha boca,
choras e sorvo a sua.

lança-se para fora e acolho entre os meus,
rogo,
e sobre isto diz-me;
sobra água em mim,
eu choro, sorva-me.

sábado, 5 de dezembro de 2009

traduz.

o que digo te move em minha direção?
o que calo me faz ficar quieto ao teu lado?
o que vemos nos olhos do outro nos tira o ar?
o que sentimos no corpo do outro se repete quando sós?

o que escrevo não traduz!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

se

se
tudo
se tudo fosse...se...
se...tudo fosse se
se tudo...fosse...se
se tudo fosse...se
se tudo...fosse se
se tudo fosse se
se
fosse

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

preguiça

tenho preguiça da discusão partida
da alma convencida que uns valem, outros não.
há pena em mim. ah! pena que sempre.
por isto a preguiça.
tenho a preguiça dos esforços em pensar pouco,
em pensar demasiado devagar, em pensar muito.
tenho preguiça de ter preguiça de manhã,
e saber que poucos vão se esforçar,
que ninguém vai reparar se esta merda feder.
tenho a preguiça como alvo, pois nunca notam
que a seta tem que "dar",
que garagem não é para parar,
que quem vai na frente pode ir devagar.
tenho preguiça da tv, de criticar tv,
de criticar jornalismo, de cobrir pela internet,
o mundo todo em minutos.
tenho peguiça pois tudo parece igual.
tenho preguiça de casamento, de aniversário,
de comemoração. tenho preguiça de perguntar de quem é a festa.
todos vão ficar no outro dia com preguiça de trabalhar.
isto dá uma preguiça.
preguiça de votar, de acompanhar, de resmungar,
de sair nas ruas e gritar.
tenho preguiça.
tenho preguiça de me envolver, tenho preguiça de querer,
tenho preguiça de me entregar, tenho preguiça de esperar.
tenho preguiça de sofrer.
tenho preguiça de procurar, tenho preguiça de quem tem preguiça,
tenho preguiça de não haver.
preguiça.
tenho preguiça.
tenho a preguiça de convencer, tenho preguiça de explicar, tenho preguiça de compreeender.
tenho preguiça de pensar. tenho preguiça de ser.
tenho preguiça de escutar, tenho preguiça de falar.
e tenho preguiça da preguiça em mim.
preguiça e se não for assim que escreve?
tenho preguiça de conferir.
tenho pregui.