sexta-feira, 20 de novembro de 2009
desenrole
não é grande de enorme, é extensa....
toma a forma de espiral e me enrola todo...
e enquanto faz isto vai me alisando a pele,
coroando o dia,
lavando a aura,
completando o sal,
empolgando o amanhã.
suplicando beijo,
pedindo colo,
lembrando cheiro,
olhando vazio,
dando arrepio,
copiando as falas,
relendo alegria,
surrupiando as horas,
pra que chegue logo o momento
de você me desenrolar...
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
je reviens
Je reviens
Je reviens, encore
Tu n'as même pas vu
Que j'étais partie alors
Je suis revenu
Comme on rentrerait au port
Fatiguée
De passer
Par dessus bord
Je reviens
Je reviens et j'ignore
Ce qui nous ramène
Ce qui nous ramène au bord
On a déjà vu
La mer rendre certains corps
Qu'on avait dit portés disparus
sábado, 14 de novembro de 2009
bocas
boca fica,
boca quente,
boca sente.
corpo sua,
corpo suo,
corpo seu,
corpo sua.
movo dentro...
movo senta!
movo sinto...
movo dentro!
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
fronte
defronte do que você vê,
coloco-me dentro de onde está.
debruço-me nas coisas que você observa,
olho para o que você quer ter.
deito-me esperando a volta,
sua volta,
de suas ganhas lutas,
suas justas.
sorrio sabendo que à sua espera,
estou eu.
durmo tranqüilo meu amor, seus sonhos sãos,
meus são.
sábado, 24 de outubro de 2009
longo horizonte
é horizonte extenso....
e qualquer lugar é prisão.
um livro bom? é o horizonte
um dia longo? é o horizonte
qualquer coisa se torna, ponta à ponta, você
você me alonga as coisas.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
trator
trator,
tratamento no meu coração,
é seu amor.
quando sulco minha terra em busca de vida,
vejo você;
arando minha mente, plantando semente,
botando o sol pra quarar,
jorrando água de lágrima,
olhando crescer a calma.
fazendo da minha vida,
amor.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
ai
são lábios.
um meu, outro meu.
bebo mel.
você? eu!
eu me transbordo em você,
eu me raspo em você,
eu me desdobro por você,
eu me calo e me falo pra você,
eu me enrolo em você.
eu me amo em você,
eu muitas vezes saio de você
eu me encontro com você e em você,
eu acho que acho em você,
eu me molho todo pra você,
eu me paro para você,
eu me acordo e concordo em amar você,
eu me vejo ao me deixar quieto ao ver você,
de fora, de dentro de mim, por mim, por você ou por nós,
eu me sou em você...
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
de joelhos
não tem como dizer.
então bebo, sorvo, degusto,
vicio e adoro.
de joelhos.
entre os seus.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
presença
eu sofro é com a presença e portanto com a certeza de que você irá embora.
mas, meu amor, quando te vejo, tudo isto vai-se embora, tem que ir, para que eu tenha tudo, em tudo com você.
sou e quero ser totalmente seu para que nada mais importe ou nos distraia.
para podermos ter tanto um para o outro que nada mais nos reste a nao ser,
ser do outro...totalmente
domingo, 27 de setembro de 2009
sou homem seu
sou homem de ver beleza em toda beleza
sou homem de olhar vários minutos pra você
sou homem de desejos os quais seguro
sou homem de ver você do outro lado
sou homem e, na verdade, sou seu homem
sou homem seu.
uns
a divisão, a partilha, um lado aqui e outro aí.
as escolhas de rotas, tempos, bagagens, roupas e lençóis.
ternamente os olhos ateram-se ao fato de consumirem-se.
mansamente as mãos se deram ao carinho.
dormente as pernas de tanta espera, cruzaram-se.
e tudo era, em volta, e à volta; uns olhares, umas palavras, uns risos.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
eu não sei.
eu não sei se vê. mas eu vi...
eu não sei se. mas se sei...
eu não sei onde. mas sei que...
eu não sei aí. mas sei que aqui...
eu não sei de nós. mas sei que eu...
eu não sei do amor. mas sei que amar...
eu sei que tudo aqui é cada vez mais daí.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
ENQUETE
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
sou sua mulher
Não me crie em sua mente.
Não me tenha. Apenas me observe fazer.
Ou ser.
Veja quantas há em mim. Não sou sua.
Sou minha e todas.
Não sei quem sou, sou alguma, sou a louca, a menina, a moça.
Sou uma mulher.
Gênero.
Única. Pessoal.
Sou a bela.
Queira-me em lembrança, em distância, em suas melhores e maiores vontades.
Meu corpo pode estar em suas duas mãos, abrindo-se e recebendo.
Minha pele te sente, minha boca tem a saliva que beberá da sua.
Queira-me pela noite inteira. Toda.
Sua.
E de manhã me deixe em meus olhares.
Em minhas considerações e sonhos.
Sou uma mulher florescente.
domingo, 30 de agosto de 2009
ligo?
- como não?
- eu fico ligado o dia inteiro...
- mas então...?
- é... eu sei...
- vai ligar?
- mais?
- não pode?
- devo?
- quanto?
- como?
- quanto você liga?
- muito. eu te disse "vivo ligado".
- é...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
vão
Suas palavras fazem o traço para o passar.
Meus medos vão e tocam o outro lado.
Terra sua.
Você é de um pedaço aqui, dentro de mim.
Sou seu deitado em ti.
Homem agora enfim em si.
Sua causa, eu vou.
Uma única palavra (vão) me trouxe a ponte de onde te vi.
domingo, 23 de agosto de 2009
nome
Fecharei meus olhos com tua imagem enviada,
pois somente ela quero enxergar.
Guardo,
eu guardo aqui suas três palavras, as quais quero trocar com as minhas.
E seu nome?
Como direi um nome tão lindo, tão transparente?
terça-feira, 18 de agosto de 2009
como?
domingo, 16 de agosto de 2009
de ondas e futuro
Ontem querida, quando estivemos à beira mar, esperava dizer-lhe apenas que Vinicius estivera deitado na areia, isto há muito tempo, e que ele ainda se lembrava do que sentira. Mas quando abri o livro para ler para você o que ele rememorava, quando olhei para seus olhos e todo restante de seu corpo, eu me senti como se já estivesse relembrando algo que ainda não havia vivido. Aquelas ondas que ontem nos trouxeram tanto de tudo, aquelas das quais falávamos de serem diferentes, mas parte de um todo, sabe bem quais não e? Pois elas e você estavam comigo quando fui levado à frente , em uma viagem do tempo. E estive lá de onde olhei e vi que estava vivendo, ao lado de uma mulher, um momento que poderia já ser lindo em si mesmo (afinal amo você), mas, minha querida, eu percebi que aquilo que sentia não seria só meu. Eu iria compartilhar ali naquele instante (e eu ali no futuro saboreava o passado) uma das maiores emoções que um homem pode querer viver. A emoção de amar alguém na memória eternamente. Sim eternamente amarei você por ter me dado este momento de rememorar sem ainda ter estado lá. Ao lado da mulher que estava comigo à beira da praia, falando de ondas e poesias, eu vivi no futuro por instantes, e de lá eu vi um amor poético, uma paixão, um carinho por você, uma companhia de aventuras românticas. Amo você e seus momentos íntimos que você me dá em nossa intimidade. Vamos a praia hoje de novo?
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
receita
Carne maturada
Tempero
Fome
Pegue a carne, olhe para ela, de preferência com dois olhos grandes, se forem verdes, não espere amadurar. Desembrulhe e coloque sobre ela seu próprio tempero. Esfregue-se nela pelo tempo que for necessário para que desprenda seu líquido natural. Coloque-a no processador e ligue na velocidade máxima. Reduza e vá intercalando: rápido, médio, muito rápido, slow. Retire, mas não a deixe sozinha. Cubra. Deixe descansar quarenta minutos. Enquanto isto aqueça o forno em potência alta. Veja se a carne descansou em menos tempo, pode acontecer nas mais maturadas e principalmente com procedência espanhola ou judaica. Ajeite na travessa os pedaços da forma que lhe agrade. Abaixe o forno até o mínimo, a carne deverá demorar mais pra cozinhar, mas ficará (garanto) uma delícia. Em fornos mais novos aconselho a ir dando uma olhada pra ver se a carne está com aparência bem “viva”. Deixe cozinhando na sua cozinha por dois, três ou quatro dias. É isto mesmo. Demora. Mas será a comida do ano. Talvez da sua vida. Coma. E não goze ainda. Tem mais carne lá. Durma. Descanse. Coma de novo. E de novo. Não reduza esta receita. Espero que goste. É receita antiga.
beneficiária de mim
sem vergonha de ser poeta, poetisa, exprimista, esgrimista,
sei lá o que é você.
sentir o começo, um suspiro profundo,
a dor do mundo,
do
menino perdido, da saudade descrita.
o despiste, do maldito tempo, do bendito agora
a razão solapante, a versão da aldeia, a veracidade
metropolitana.
Soltar o corpo nu, sexo na liteira,
maremotos trazendo bobagens,
loucuras,
santas mulheres imaginadas.
Perfeitas medusas, tranças nas pernas,
gulosas peruas, olhares seus.
Meus! Meus! Meus!
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
seu
morto
rosas
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
aos saltos
perdidos
ciúme de dedos
sábado, 8 de agosto de 2009
De outros 1
Escrevo desde os 16 anos e ainda não aprendi. Talvez pela falta de estudo, pela inconstância (paro anos e volto, longos períodos escrevendo compulsivamente x longos períodos de silêncio total). Estou iniciando minhas escritas aqui neste blog, hoje, onde obtive a promessa de poder escrever o que quisesse e com periodicidade indeterminada. Meu nome sempre foi Paulo, desde que me perguntaram a primeira vez. Lembro do meu pavor de dizer meu nome e o nome que me veio à cabeça foi este. Senti-o sonoro e seguro. Nome forte para utilizar na guerra que pretendia lutar. Sobre isto falarei mais tarde em outro post. Aguarde-me. Hoje quero dizer-lhe de mim. Como aconteceu de me encontrarem vagando, de como me alimentaram e como me tornei o homem que hoje você conhecerá. Um pouco. Vamos aos poucos para que a surpresa seja construída. Nasci em uma família grande, o quarto filho, o caçula bem educado, bem vestido, bem tratado e amado. Mimo foi a primeira palavra que percebi ser para uso negativo. Meu pai dizia sempre; - você mima demais este menino. Ele teve uma premonição talvez e não interferiu pois sua visão de futuro já havia lhe dito que não participaria de grande parte de minha criação. Perdi-o quando eu ainda não usava calça comprida. Fui criança livre, cidade grande, chicletes pregados na calçada eram arrancados e "remascados" como se fossem novos ao se colocar um pouco de açúcar. Nunca tive cáries ou infecções intestinais. Minha morte já havia passado perto e ela apenas tentaria me colher bem mais tarde, já que quando novo me visitara com uma insistência tão grande que alguns parentes diziam à mãe; coitada, ele é o último filho que ela pari. Ele era eu. Fraquinho, magrinho, tão mirrado que as agulhas atravessavam meus braços e acabavam por dar-me aos braços, a aparência que afastavam as mais experientes enfermeiras. Chocadas se recusavam em me colocar o soro, que iria me reidratar para a vida. Minhas perninhas e calcanhares ganharam sua vez. Voando para a cidade do Rio de Janeiro, pois a capital naquela época ainda não tinha o Hospital de Base. E assim sobrevivi à desidratação. Daqui, não mais mascando chicletes, fui colocado em uma escola para crianças excepcionalmente inteligentes e com pouco mais de seis meses, fui chamado à diretoria para escolher entre ficar em minha classe ou passar parar outra mais adiantada. Não sabia, mas me senti como Woody Allen ao ser questionado se aceitava sua própria circuncisão. Fiquei onde estava. Ali foi meu erro. Havia uma menina mais velha um ano, eu tinha sete para oito anos, linda, cabelos pretos, franja grande, saia azul, como todas as outras. Sua calcinha eu nunca vi, Vi-a uma vez sem nada. Estranho para mim, indefinível então. Mas marcante aquela diferença dela para as outras. Ela foi meu primeiro erro com as mulheres, dentre tantos que muitas permitiriam ou não em meus romances. Sim, desde já esclareço que sempre fui de romances. Nunca houve uma mulher que eu não desejasse casar, viver e senti-la como única e interminável. Isto até ler Vinicius (eu também escrevo poesias) e compreender que o eterno sem medida é melhor. E este sentimento de romances intermináveis, paixões avassaladoras eram alimentadas por filmes que varavam à madrugada e atravessavam meu coração e colocavam minha mente em um transe deliciosamente vago, superficial em profundidade da realidade, mas que me conservou até hoje. Sou um apaixonado. E preso dentro desta paixão, um corpo sexualmente ávido, tarado eu diria. Que se controlaria para não ser presa fácil das que desejam apenas carne e vinho. Não quero generalizar. Amo e aprecio todos os tipos de mulheres. As loucas principalmente. As perigosas, literalmente. As amorosas demais, quero distância. As misteriosas, desejo tê-las por todo tempo. Ah, meu tempo de liberdade para escrever acabou agora. Esqueci quase, tenho um tempo estipulado, única condição que me é imposta. Regras externas ao blog esclareço. As luzes precisam ser apagadas em três minutos. Eu volto depois
sssssssss
acompanham os sorrisos,
acompanham a saudade,
são todos suspiros,
estão em pares,
por isto são plural.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
feliz em te ver feliz
quanto mais
Quanto mais próximo do impossível, mais invade-me o desejo de ser tudo.
Assim tenho inteiro, o sentido das coisas que me fazem ser completo,
a esperança de viver totalmente daquilo que me sempre moveu.
É esta paixão,
esta coisa absoluta, absurdamente viva, que quando permitida,
vorazmente nos engole.
E em troca de ser alimentada,
suspende no ar os que vivem poucos anos.
Mas tanto vivem,
que os anos não existem.
Quero-a, desejo-a, amo-a,
e ser tanto assim,
por tão pouco tempo e há tão curto tempo,
que minhas vontades, minhas vidas, junto-as e entrego, me dou para conhecer as suas.
Acompanho-a,
minha,
por estar em tão grande vontade de viver e de ser este ser que cria, pensa, vive e observa.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
fortaleza
que primeiro minha visada observou na fortaleza.
Foram os olhos (miras de mirante futuro),
que me levaram ao mergulho do qual ainda não saí.
Fitei-os longamente e engoliram-me braços (entregues desarmados).
E o coração (como sendo a antiga sede da alma),
não se quis sozinho e acompanhando o pensar quedou-se (e aí está),
esperando um toque dos dedos seus.
Em seguida, vi o riso (que ainda hoje criança permanece),
dizendo-me:
- quero ser, quero ser.
E quando dentro (como se dentro carregasse o outro também),
vi seu corpo,
completo,
belo,
significante (coberto de descobrires).
sexta-feira, 31 de julho de 2009
penha
em mãos.
Às tuas, sou teu.
Em olhar-te nos teus grandes, encimados por duas negras curvas,
chamam-me.
Entregue-me ao riso,
os teus,
que fazem os meus.
Derramo-me à sua frente, agacho-me, beijo-te os lábios.
Tu sabes a sede,
aonde será minha coberta,
o cruzar das pernas,
a coluna que não suporta o corpo, mas a ti.
sim!
Mente, mente... ah! a mente...
Diga-me se a verdade desce a penha,
à segurar pelos dedos a vontade do voluntário para o amar.
Sustenta-me na palma de tua palavra, a não dita.
Sigo-te por entre ti,
volteio ao seu redor,
encontro-me por buscar-me com tão grande entrega.
Sou preso em ser liberto para te admirar.
Guardo ainda o verbo encontrar.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
observada
surreal
surpreendente
sensacional
genial
geniosa?
e ainda desfila pelada na minha sala!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
*quiz. é um quiz!
domingo, 26 de julho de 2009
li!
bem... err...
olha.... sabe...
eu.... você não...
mas... bem...
aqui... então...
olha... hum...
oi?
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Crisálida
Gostosos de se tocar como seda,
seda que me avermelhe as mãos.
Como se a vergonha fosse somente minha ao tocar fora dela.
E mesmo ainda sob ela, eu sinta, ela. E que ela me sinta.
Aos trinta, quarenta;
ao descanso irei,
terei todo tempo para olhar e ver o olhar coberto pelo verde.
Espantosa maneira de me olhar.
E eu serei quedado ao me sentir vertical, onde as pernas tremem e não caio.
Pronto para morrer nas alegrias corporais expressas,
conduzidas por palavras também,
audíveis apenas também após sessenta dias.
Pelos mortos cansados de esperar.
Crisálida muda o mar e se envolta ao nele se voltear..
domingo, 19 de julho de 2009
envolto
Muitas vezes, água.
E, estes,
esvaem,
deságuam
e desandam sem parar.
E tomam os caminhos abertos,
que em curvas parecem que não vão.
Mas nunca ficam parados,
transbordariam no seu incessante.
E nas bordas,
sangue e aguaceiro,
convertem palavras em amor.
Em amor de rio cheio,
vida, verbo de ser.
Ver desde a margem é paixão fulminante.
É chamada para mergulhar.
E levando consigo, para sempre,
o que já não é meu,
congela o sorriso na felicidade.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
entretantos
e não apenas o dizer-nos?
Enchermo-nos de zelos,
se pudéssemos,
em nossos termos, ter-nos.
Ser o tanto,
tanto que fosse,
sem o entretanto.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
frases
várias... uma depois da outra...
não acho desperdício não anotá-las.....
procuro algo perfeito pra te falar.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
posso?
Durmo sonhando para acordar suspirando enquanto tento calar.
Calo enquanto tento falar o quanto te amo.
Te amo para falar o tanto que não posso.
Não posso te amar calada enquanto tento falar que não posso...
Posso não falar o quanto te amo enquanto tento pensar.
Penso em calar enquanto... sei que não deixo de te amar.
Mas enquanto te amo te falo, o tanto.
(de uma mulher, para um homem - lógico!)
sábado, 11 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
pior?
quinta-feira, 9 de julho de 2009
como você?
em seu quarto.
amo-te loucamente no fio da linha,
aqui e ali.
foi quando tive seu corpo entre o meu,
o meu no seu espaço.
encosto-me em seus seios em breve,
brevemente espero.
minha, quero mansamente suas mãos,
em mim, seu.
troco suores solitários,
pelos seus solidários aos meus.
andei em volta de suas palavras,
escolhi segui-las.
e agora eu sinto,
muito.
*sacrificado dia
oitava parte, de dez oitavos, entrego à carnificina do diário.
o que sobra jogam pedras em cima.
me fazem um altar.
sou santo, separado para vagar,
sem esbarrar as asas, entre as cortinas que abaixam.
pois, da altura, deus me olha esperando eu voltar-me. a face escondida de vergonha.
domingo, 5 de julho de 2009
2 dias
há aquelas palavras rodeando que não se juntam.
sétimo, quase todo dia esperando, o seguinte.
primeiro, quase inteiro, nas últimas horas impossíveis.
se há algo por dizer, digo hoje. venha buscar-me.
*tempo
sábado, 4 de julho de 2009
fome
Eu tenho isto em mim. Esta coisa inexplicável. Um sentimento que vem e vai.
Às vezes sinto como se o passado não fosse possível ter vivido.
A saudade é tão grande, tão forte a força com que vem, que literalmente o coração para.
Às vezes o querer é demais.
É querer uma tarde calorenta, suor de sexo, de paixão, de não querer saber se outro dia vem.
Ou se outra tarde se foi.
Tardes silenciosas com olhares cúmplices com motivos iguais em tudo.
Fome.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
verde
e ainda, verdes.
ver-te
verte paixão.
verde,
maduro,
duro.
dura.
terça-feira, 30 de junho de 2009
suspende
para bastar,
os instantes colocados (o meu sobre o seu).
venha o corpo,
venha a voz,
vejo os olhos (partidos, enviados. aos pedaços compartilhados).
sei do caber,
do espaço que ainda há (mas, do outro lado cabendo, conterá?).
lembro vagamente, (memória tenta o futuro),
da viagem na serra onde ouvi a voz da infância (o passado nos contenta).
falo vago,
viajo ao som do que completa minha fala,
me suspende... (suspiro)
segunda-feira, 29 de junho de 2009
luto
sobrepôs anos sobre o dia.
não houve imagens que fizessem o descanso chegar.
em vãos secretos deitou seus olhos.
esperou as horas comuns dos trinta dias incomuns.
lutou contra o luto falso.
(no outro dia estava entre cristais, madrepérolas e sedas)
(sentido perfeito, único, novo e prometido)
junto mais palavras por sentir?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
tempo?
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.
terça-feira, 23 de junho de 2009
romaneio
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.
domingo, 21 de junho de 2009
*bicicleta velha
recupera da dor!
trás a flor...
desacelera agora!
tá frio?
sinto nada!
amar?
não dá amor....
quarta-feira, 17 de junho de 2009
*não quero o tempo, todo
Eu não abrirei a porta,
Suspender os braços para esperar,
Nunca isto,
Lidas as lidas,
Não, eu não me caibo,
Perfume de noites claras,
terça-feira, 16 de junho de 2009
não, você.
Não te esqueço nem quando não tento
Não te quero mais do que muito mais
Não te vejo mais do que dentro de mim
Não te espero há muito tempo daqui
Não te beijo assim desde amanhã
domingo, 14 de junho de 2009
algo de bom
j.b. de oliveira
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.
terra
Corpo.
Que me fizera a chuva caudalosa?
Braços.
Quanto aos sons contínuos,
Ouvir.
O que daria ser, você, raiz da planta.?
Abraços.
sábado, 13 de junho de 2009
suã com arroz
Acordei e não vi nada seu
Na noite anterior, não tive suas unhas pintadas, elas, marcando sua pele, a minha.
Meus dedos fizeram letra, fizeram palavras, fizeram frases que enviei por aí.
Acordei e meu corpo não tinha suor, seu.
Meus olhos olharam em volta e não deram de cara com os seus.
VTNC.
Que horas saiu o avião que me atropelou?
Acordei e pensei: onde está minha tabela periódica?
sexta-feira, 12 de junho de 2009
rio 1909
on line no laptop
power
ctrl+alt+del
senha
windowslivemail
senha
windowslivemail2
senha
googlechrome
googlee Notícias
atalho online empresa
senha windows
senha empresa
OS do dia
faturamento do dia
pqp
google noticias
corpos
blogs
iilógico
comentários
kkkkkkkkk
?
gmail
!!!!!!
online empresa
OS
OS faturamento
PQP
msn
dani
pedido
OS Faturamento
ainda
msn
gmail
gemo
gmail
OS faturamento
fuck
gmail
Y
valentine
(latim futuo, -ere, ter relações sexuais com uma mulher)
Sinónimo Geral: fornicar
quarta-feira, 10 de junho de 2009
deste-me
sensível
tentando
terça-feira, 9 de junho de 2009
cabeção
vento
segunda-feira, 8 de junho de 2009
falei
Quanto tempo eu tenho antes que descubra o quanto terei de você em mim?
Isto!
É isto que me faz suspirar mais alto, me faz sorrir sozinho, me dá vontade chegar mais tarde (o mais tarde).
Engulo o dia pra sentir-me sentado, com os dedos postados em direção à você.
Como é ter alguém tão distante, tão presente, tão ausente e tão dentro de mim?
Quero já.
Não o ainda não, não o não vou ou não vou voar.
Não precisa de me tira, não precisa de mentira para me agarrar, não precisa precisar de mim.
O tanto que quero deverá bastar.
Quero a estória da história escrita sem ter que ser amanhã. Tenho ar somente para hoje.
E quero respirar com você; à beira, sob, sobre, dentro, em, na, no, com.
(esta é daquelas!)
boca
domingo, 7 de junho de 2009
papos

wall diz:
que mulher linda
assim
tipo... só pra observar...
the unforgiven diz:
essa mulher linda é a greta
diva
wall diz:
aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
the unforgiven diz:
não gostou?
wall diz:
tô sem aire
the unforgiven diz:
pq?
wall diz:
nada, nada, nada
nada é importante
sem greta
ela morava em new york, não é?
no fim da vida...acho que ela dizia...
“please,”
the unforgiven diz:
ah, detalhes da vida dela eu num sei
wall diz:
“me deixe sozinha”
e eu aqui sem dinheiro da passagem
the unforgiven diz:
é ela mesma!!!
"I never said 'I want to be alon', I've said 'I want to be left alone', and that's all the difference"
wall diz:
traduz aí...vai minha nêga
the unforgiven diz:
hahahahaha
preguicinha
mas tá
wall diz:
já fiz
the unforgiven diz:
"Eu nunca disse "quero ser só", eu disse "quero ficar só", e tem toda uma diferença"
wall diz:
na memória
caramba
e ela comia o quê?
será que olhava pra janela
the unforgiven diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
como vou saber???
wall diz:
enquanto dava garfadas?
ou colheradas (sinal de preguiça...kkkk) em seu prato de comida?
sabe?
aquele olhar de...
-bosta de vida,
mas, eu me amo, mais que a odeio
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
vou editar este e publicar!!!!
sábado, 6 de junho de 2009
raio x
não tire as partes óbvias,
as coxas, bundas ou seios.
não tire o revistar,
o raio-x,
o tridimensional olhar.
nem as apalpadelas.
não me prive à...
não me tire elas!
poliédrica
pra ver até onde estica.
pra ver se você complica
pra ver sua cinta liga.
estou me inventando
pra você ficar tentando me achar.
estou aqui parado
pra me sentir tentado com seu olhar.
quero ficar também desconfiado
encostado na parede com você por fora.
escuto sua voz nestas musiquinhas que te mando
me dizendo quase rouca "você...eu, eu, sou louca".
estou me esquivando e pouco me lixando
se ficar lógico pra você.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
com fitar
ancorou-me na verdade na qual sempre estou.
apenas imagino se sua pouquíssima permissão por mim imaginada,
seria toda assim mesmo ou parte da verdade desejada por mim.
não poderia ser a verdade absoluta,
escondida em sua vastíssima estória de fugas planejadas.
contemplando as vestimentas preferidas pela estrela de toda minha vida,
como diria o poeta itabirano, que também imaginou a pedra no caminho,
pois é que,
quando meus olhos fitam novamente sua beleza de cores iguais as escolhidas,
refaço-me semipoeta,
e encolhido dentro de uma paixão desmedida,
como deve ser o reflexo de minha vontade de tê-la como a escolhida,
tenho-me refeito da falsa vontade de que tudo por você sentido já tenha passado.
e passado e pasmado,
olho a mesma lua não mudada.
e é como se uma semana apenas tivesse ultrapassado o peito.
o coração,
a fácil explicação e força de expressão de quem deseja o amor inteiro,
por inteiramente entregue a alguém que tornará e tornará e tornará.
como uma força necessária para que as fantasias alimentem o homem,
o espaço,
a vida.
o meu viver.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
não era para ser agora
o acordar, pra vida desacelerada, me dói...
me coloca extenuado ao lado dela...
a vida...
e o corpo diz..."a alma não suporta, descrê, enredada fica".
sábado, 30 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
canto
coração, tem um canto?
canta o coração?
canto ao teu coração?
te encanto o coração?
me encantoa o coração!
inspirado no post de talita:
http://historiadaminhaalma.blogspot.com/2009/05/da-faxina.html
domingo, 24 de maio de 2009
copie, cole no comentário e coloque SUA pontuação
domingo, 17 de maio de 2009
tem
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
"musics" não conhecidas???
(Paulinho Moska)
Meus olhos, famintos, não se cansam
de te acariciar
Procuram sempre um novo ângulo
pra te admirar
E sonham mergulhar na sua boca de vulcão
Provar todo o calor que há na sua erupção
Escorregar nos rios claros
das margens dos teus pêlos
E encontrar o ouro escondido
que brilha em seus cabelos
Devorar a fruta que te emprestou o cheiro
E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro
Esquecer o espaço, o tempo e o viver
Perder a noção do que é ter a noção do perder
Se um dia eu fui alegria ao te conhecer
Agora canto porque sinto a dor de não te ter
quinta-feira, 14 de maio de 2009
sabendo
Explico, e se eu justifico, é por ter a observação.
As mãos me tocavam nas costas das minhas,
Por debaixo dos panos das mesas.
E era o coração na boca,
Como se já o fim.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
nem...
domingo, 10 de maio de 2009
sábado, 9 de maio de 2009
ah! portugal... faltam poucos dias...
Amália Rodrigues
Composição: Artur Ribeiro - Ferrer Trindade
Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero dar-te um desgosto
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir, podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem espero
Se eu gosto ou não, afinal
Isso é comigo
Mesmo que peças
Não me convences,
Nada te digo
De quem eu gosto...
terça-feira, 5 de maio de 2009
pra ler enquanto canta e me espera voltar (férias, sem posts...)
O Que Será (À Flor da Pele)
Milton Nascimento
Composição: Chico Buarque
O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita
O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite
O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo
domingo, 3 de maio de 2009
e na tua mente? qual a música que te lembra alguém?
sábado, 2 de maio de 2009
mulheres
Amo o fato de não viver sem elas
Amo-as por parecerem bonitas
E por quererem parecer
Amo as mulheres pois seu toque
Tem-me feito arrepiar
Amo as mulheres e seus medos
Sem razão
Amo suas certezas e sua coragem
Com emoção.
Amo seus olhares pedintes
Amo seu aceite com dor
Amo a forma de dizer não agora
Amo a espera por mim depois
Amo as mulheres por usarem saias
Amo seus vestidos
E suas camisetas brancas.
Amo!
Amo apaixonadamente
E me entrego totalmente a elas
Meu ser, minhas fraquezas
Amo seus penteados por elas
Amo seus cabelos por mim.
Amo suas perguntas
Amo suas poucas respostas.
Amo a jovialidade somente nelas
Amo a destreza de andar
Em sapatos inclinados.
Amo seus espelhos mulher
Amo seus filhos
Amos como ama seus pais
Amo você mulher que me toca
Move-me, me incita
Amo que me chame de amor.
carros pretos
são todos pretos.
as motoristas, desde ontem,
não são ruivas.
erato
minto quando omito
que me usas,
quando és musa,
ó erato.
anda,
levanta.
um passo.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
outono; céu limpo, dia frio, folhas embrulhando a gente
beija eu
que tenho ficado rouco
de gritar ao acordar,
me beija de novo! me beija de novo!
quinta-feira, 30 de abril de 2009
em tudo, um pouco
nova maquiagem
trocou o carro
pintou as paredes
renovou os móveis
encapou os livros
escutou as músicas
degelou a geladeira
colocou novo lençol
lavou os talheres
regou as plantas
comeu e bebeu
falou no msn
olhou para o céu
tudo havia mudado
ingrata
dentro de suas pernas
por suas coxas escorri
meus culhões amassou
minha boca em cima
sua boca em baixo
e dizes que não estive em ti?
quarta-feira, 29 de abril de 2009
disléxica
busco uma cadeira
busco a coisa inteira
pra viver aqui.
dá-me sua orelha
não me dá rasteira
pata de coelho
a viúva chora.
quero ser criança
e fazer lambança
tapa na orelha
pra me curar balanço.
solitário errante
passeio pela serra
pedalada na lagoa
sem olhar magoa.
pego na estante
deito no seu prado
sufocante aldeia
saio pois venci.
minha dor volteia
faz mirabolante
parte desiludida
escrevo o que perdi.
terça-feira, 28 de abril de 2009
descolorido esperando a lua
por cima ou debaixo da coberta não encontro tanto sossego,
coberto estou de sonhos.
acordado.
sem acordo vi olhos e chinelos indo e deixando tudo sem saída,
eterno, estrada comprida, fila sem fim.
desalento. preguiça.
aceite por ódio, matança, desfiliação,
mas sem compreensão, sem entendimento, sem trocados de palavras,
sem discusão, nem dircurso curto,
sobreviver apenas por bobo.
aliás por enganar o ser,
escrevendo,
lendo, comentando as mesmas dores,
do pisão no rabo sem ponta.
exterminar o sentimento, sentindo tudo,
caroço na mão,
dor no cotovelo,
apoio de cabeça pesada e mais motivos.
ai! não querer dor é fácil.
tê-la mais ainda.
sempre tem alguém que me dá uma dica!
segunda-feira, 27 de abril de 2009
saudade
domingo, 26 de abril de 2009
tâtonner
testaments.
là-bas?
besoins.
l'égalité.
rechercher.
être?
estou
frio congela o sentimento,
na lembrança,
de ter um momento, feliz,
observando o movimento,
de querer tudo de uma vez só.
ana, obrigado por me lembrar.
sábado, 25 de abril de 2009
certeza, apenas hoje
por tantas horas de um único dia.
não lembrarei de ontem.
não quero o amanhã.
sou seu.
apenas hoje.
te basto?
este texto é um comment feito no blog da talita
sexta-feira, 24 de abril de 2009
enfim
foi um sonho!
terça-feira, 21 de abril de 2009
brincando
se o olhar estivesse tão perto
teus dedos estão no meu espaço
toque-me
com palavras surreais
rápido que esta fase passa.
nem eu
é muito barulho, vozes iguais, roucas, agudas, enlouquecidas palavras.
ritmo igual para todos os saídos de universidades, internatos rurais, escolas dominicais.
onde dividir a escolha, o caminho, as pessoas, diferenciar o que é meu ou do outro.
oração, reza, zen, medito, penso, filosofo.
filósofos, pastores, padres, mestres, quem são os indicadores perguntam todos.
onde? qual o caminho seguir? qual sacrifício? nenhum? por quem?
a face dos irmãos são parecidas demais. tornam-se mais comuns que os outros.
esta pele nórdica, estes olhos, céus!
este texto perdido, lembrando-me, por onde fui?
domingo, 19 de abril de 2009
ainda
levaram-me a escrever trezentas cartas, duas poesias, quatro contos curtos.
onde conto o gasto do tempo; dezesseis horas no máximo e no mínimo,
o choro compulsivo e obsessivo por alguém que queria a mão na nuca,
o agachado ao lado.
era pouco.
mas era o muito que queria,
fazia o sentido parecer ser todo o sentido da vida, naquele momento.
era.
pelos olhos, pela vontade, que pensava ser igual,
que foram vistos juntos em bares, em vales, serras, cachoeiras. em camas nunca.
não houve tempo, o chão via as roupas e as paredes e móveis receberiam os corpos.
e as janelas? fechadas, cortinas abertas; para o ar não entrar,
os cheiros não saírem e os olhos, de alguns, verem:
o único momento que eram tudo, todos, o mundo, a vida.
sair e ter uma vida normal, depois de serem o mesmo ser, parece simples demais. mundano demais. tem que ser diferente.
então abro os olhos.
imaginar-te é ainda uma vergonha, uma tristeza de amanhã, já hoje.
desde ontem.
deve-se ao sofrido, meu sofrimento?
devo render-me silencioso ao que chamo de "não sei"?
conhecida por muitos, quase trezentos e cinqüenta, não a conheci, nem reconheci quando disse nada.
nada.
algo que precisamos, alguém que queira dá-lo.
alguém que queiramos dar-nos.
não sei. ainda não sei.
certezas de dúvidas que depois, de anos, se esquece, se desdenha.
arrumas outras. outra.
ou a mesma.
dez
e paletós à frente.
em papéis grandes e grossos.
depois virá a grossura das respostas à perguntas imbecis.
muchochos de semanas.
trepadeira arrancada e perna cruzada.
reservas de mercado enquanto compra mercado.
plantas desaparecidas para sempre pela sequidão afora.
peso ao carregar pequenas e pequenos mineradores.
vida passando, idiotamente levada por ela.
estalo. barulho. nada.
doer é sina para o levantar lá na frente.
adquirido tempo para quem não tiver tempo.
sábado, 18 de abril de 2009
ilógica ilusão (poesia de maria)
ilusão de
se iludir
com as palavras que
são ilógicas
que nos iludem
a cada manhã...
http://maricontando.blogspot.com/
beija espelho
da primeira vez que me vejo,
quando me olho no espelho e encaro o que está em minha alma.
é tudo tão novo, apesar de existirem, algumas coisas há tempos,
é tudo tão interessante, que amenizo o susto e às vezes até o medo do que encontro, com a curiosidade de ser igual a todos, um pouco em mim.
(este texto é um comentário feito em um post do blog http://codinomebeija-flor-esfinge.blogspot.com/)
sow, sow
que despeje tudo
que sinta tudo que se há.
pode ser que seja
que se esteja apenas.
mas tem sido tanto
que
agora espero.
pode uma palavra
pode ser rimada
pode nem
ter travessão.
pode ter certeza
pode.
pode ser incerta
pode saudade ansiosa.
pode ser que seja
duas cores apenas
e uma pena.
pelo visto
- oi?
- net, o meu... mas, o seu trava ou não?
- o teclado?
- não. o vista.
- oi?
escrito
- não posso!
- eu não acredito...
- ...
- mas, e eu?
- eu avisei antes!
- mas o que eu faço?
- não posso fazer nada!
- como assim?
- você está confundindo, sei lá!
- pode ser, mas explicar não resolve...
- eu não posso fazer nada!
- o que eu faço? esqueço, jogo fora?
- esquece, sei lá!
- como?
- eu não sei. você só fala disto!
- eu não entendo. por isto.
- muda de assunto!
- eu?
mudo
quinta-feira, 16 de abril de 2009
"certas canções que ouço falam tão dentro de mim que perguntar carece: como não fui eu que fiz?"
duas vezes
- alô?
- alô? escuta eu não agüento mais...
- ...
- eu amo você!
fontes
mergulho em águas doces passadas,
lua voltada para o direito reescrito de meigamente deitado
e cuidado por palmas abertas sobre cabeça.
guarda de palavras discricionárias do ser surpreendente
com tempos vindos agora e de porvir.
lembretes desdobrados pelos gelos contidos nos ventos trazidos,
traduzindo o passado despercebido com étereos motivos de serem novamente vividos. mostra testa.
lenço solto.
ave noturna em beira de rio da memória resgate.
espaço ocupado.
todo. toda.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
desgosto?
se onde ando,
andas,
confessa.
fraquejo,
vejo palavras,
cismo o sentido,
do verso.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
escrevo
não vou até ao que queria.
ínsito
no ir
no contar.
cheguei à beira da gare
e embora ainda atravesse dormentes
minha parada é final.
escrevo
mas
penso em não.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
páscoa
Páscoa quer dizer passagem. quando veio uma das pragas sobre o povo egípcio, que não queria libertar o povo judeu da escravidão, para que não pagasse o bom pelo mau, foi colocada uma marca nas portas das casas de modo a diferenciar quem era judeu e quem era egípcio. assim quando a praga passou dizimando os filhos primogênitos, esta marca livros os judeus de serem atingidos. é isto. passagem então é páscoa para lembrar este momento de livramento. depois, bem mais tarde, esta marca vira uma imagem de Jesus como o responsável por ser esta marca sobre a vida das pessoas. do que esta marca livra já é outros posts. e aí? é isto?
quarta-feira, 8 de abril de 2009
à maneira paradoXal
e mais rápida a decisão do contorno final da letra. quando assentei o assunto que estava aqui saiu correndo para receber a dívida não paga em outras plagas, pragas não me pegam descoberto pelo Santo. Falando agora de tudo que sempre falo eu digo que o perigo era o encontrão no meio e o seu seio à mão. aparecendo parecido com me pega e suga mas não agora. apenas com os olhos que seu toque mais forte é o amor que tem por mim. você diria e riria cá pois dito pela dita nem creio. esta verdade dita nunca foi dita por sua boca bonita. nem preciso de concordar com o final para parecer ritmado. o cadeado aberto pela chave verde de olhos tão fugidios me liberta de contar sílabas ou estrofes mal dormidas companheiras desta vontade de te ter minha querida.
ou fora de área
esta sua pasmaceira, sabe o quê indica?
porque o tuuuu....tuuuu....tuuuu não acaba em alô?
abulo
quando atravessa a avenida é que gritaram para que voltasse para pegá-las.
é a volta que o desanimou.
não quer voltar!
não deseja ver o corpo quase,
ou totalmente nu.
não suporta que o espere,
deitada pela autoria da sua estória.
a força não está com ele.
está no lado escuro do quarto.
sim amar, sim!
Não palavras!
Quero ouvir,
Não falar!
Quero gritar,
Não voz!
Quero amar,
Sim amar!
segunda-feira, 6 de abril de 2009
"...certas canções que ouço, falam tão dentro de mim. que perguntar carece: como não fui eu que fiz?"
domingo, 5 de abril de 2009
viver o tempo
era quase inteira sua certeza de amá-la.
tempo.
era bom que existisse tanto espaço, tantas palavras.
consolos, é o que eram.
os sentimentos se não eram novos, se não controlados, eram todos humanos demais.
sublimes demais.
mesmo a tristonha certeza, era capaz de apagar a falta de razão de viver.
afinal viver,
era paixão,
desencontros, incompreendidas suspeitas de amor, diferenças de matérias mortais.
agora o sono,
era pedido que vinha mais cedo e dormir ajudava.
sonho?
não tinha,
era sintoma de esquizofrenia, que sabia ter herdado.
ou adquirido enquanto vivia se apaixonando por todas que eram como ele.
daqueles tipos que ouvem o outro chamar o nome.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
ego 1
qual o logo de quem não tem ego?
ô trem!
desde fora,
tens ficado por dentro
de como estou.
depois de ter-me lançado pra fora de seu carrinho.
dê mãos aqui e alongue o seu tempo,
encurtando o meu de espera.
tá?
vi as letras de sua terra.
quer sentir onde estou?
vivi n'água,
energia gastei.
sim! eu sei.
respiro fácil.
hoje,
suspiro...
será?
ais para seu ai
ai.
quero rasgar coco com dentes quando vejo-te despida.
tua carne não é comestível não?
ai quando teus pés dão a volta em volta de mim.
tua garganta dita no martelo e na bigorna do meu ouvido,
bobagens, bobagens, bobagens.
ai.
os poros jorrando, cabelos deitando e virando cortina de ti.
viras, viras, viras o espelho para que acreditemos quando lembrarmos.
reveja julho de 2008
outra coisa
Sou sombra, nuvem cheia e copo com água em cima da pia.
Se deixar eu derramo,
entorno.
Quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho.
Bem baixinho.
Meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê.
Às vezes penso que ela é burra.
- Né nada, minha tia Célia dizia.
Isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Conheço pessoas que nunca foram na minha casa,
que nunca ficaram perplexas ou paradas.
O touro é que não gosta delas.
Eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando.
Quando ela some de todo,
eu a cutuco pra me ver vivo,
loquaz,
atendido nas minhas perdidas esperanças.
Queria ter companhia pra chorar de noite,
noite e dia,
noite e dia, noite e dia.
Chorar sozinho é bom quando não se quer companhia.
Eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho,
mas na boca de quem não escuto a voz,
mas sei que já chegou.
Reconheço gente de olho fechado,
se tiver perfume bom,
se tiver uma mão macia
ou cabelo de anjo.
Desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor.
Nem sabia que tinha ainda daquele jeito.
Depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal,
catar limão,
lavar calçada e depois entrei em casa.
Estas coisas eu faço pra me pegar sozinho e me convencer que a vida é só isto.
Mas eu tô olhando lá da janela e grito:
Corre Marcos que vem chuva!
reveja novembro de 2008
suas coisas
seu cabelo preso
seus olhos semi fechados
seu fluxo
seu refluxo
sua cor
sua dança aos treze
seus cadeados
seus cds estragados
sua crença
seus músculos
suas pintas
seus relógios variados
seus ouvidos
seus gritos
seus suaves exercícios
seus alongamentos
sua bronca
sua sandália branca
suas camisetas
suas poucas palavras
suas aulas
seus pulos
seu cabelo solto
sua roupa rosa
sua roupa verde
sua boca
seus olhos
sua voz
suas abelhas
nossa bicicleta pra ir embora
quinta-feira, 2 de abril de 2009
não me assento
distancio. se tu ficas.
denuncia. minha paixão.
alivio. seu apresamento.
copia. nosso destino.
fútil. o amor.
terça-feira, 31 de março de 2009
os tais
onde estarão os seres amenos?
os que queremos ao lado.
estarão em algum lugar especial para eles?
talvez estejam dentro do vidro de figos que Tia Corália fez.
ou devem se encontrar,
e, se sentando em cadeiras de madeira, falam de mim.
e de você.
riem-se, como meninos e meninas levadas,
e se escondendo de nós, plantam seus sorrisos belos,
suas palavras queridas, suas faces tão belas, em terras cultivadas por nós.
talvez estejam na lombada seguinte da estrada.
conheces?
nos olham distante, não vemos se nos vêmm.
quando se deitam, olhamos seus corpos verticais,
colocando seus cabelos por trás da orelha.
são meros os meus.
são manada, estas crianças,
tranquilos são, os que comem,
os que escolhem os sais, os tais, os quais.
segunda-feira, 30 de março de 2009
terra
e pele branca.
suas águas me entornam
e suas terras me têm.
julho de 2008, revendo
Leite
Preciso deixar-me sair de dentro de mim.
Já.
Preciso ir a algum lugar para me observar,
de fora para dentro.
Preciso descansar de mim,
de você que está tão aqui dentro.
Solidão de dor,
de consciência,
de esperança,
de certezas tristes,
de coisas tangíveis e eternas.
Quero a companhia do passageiro,
da passageira,
do que vai morrer logo ali.
A companhia das coisas que a gente vê,
rapidamente,
e guarda na memória pra lembrar depois,
se precisar.
Desespero total a curto prazo,
melhor que pensar em tê-la sem tê-la,
de tê-la a pensar sem pensar...
Quero me aninhar em mim mesmo,
mesmo sabendo que daqui não sai leite morno,
colostro.
Nem carinho de pai.
Sinto não poder ter-me em ti.
domingo, 29 de março de 2009
primeira carta
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.
sábado, 28 de março de 2009
reveja, julho de 2008
linda
não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/
conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/
linda!
reveja, junho de 2008
Mais além
Conscientemente eu almejo ter seu corpo,
esquio,
escalo,
domino.
Finco minha bandeira ao alto do monte e acaricio seu manto,
e sinto o vento de seu suspiro aumentando meu contentamento em estar colado,
calado,
corpos respirando juntos,
sucessivos e conjuntos na respiração vagarosa,
prazerosa,
momentânea e completa,
já que a vida podia terminar agora.
O que seria pra manchete que ninguém entenderia,
o porque de tanta paixão,
corpos nus encontrados no ato final.
Eu te desejo como mulher que és,
como senhorinha,
como suco,
tomo-o, sorvo-o,
e para te enaltecer,
digo que és uma delícia,
carne viva e branca,
leitosa,
longa,
sem fim.
e acima e abaixo eu acaricio esta pele,
estes poros.
Tudo o que mais nos uniu separou/Tudo que tudo exigiu renegou/Da mesma forma que quis recusou/O que torna essa luta impossível e passiva/O mesmo alento que nos conduziu debandou/Tudo que tudo assumiu desandou/Tudo que se construiu desabou /O que faz invencível a ação negativa/É provável que o tempo faça a ilusão recuar/Pois tudo é instável e irregular/E de repente o furor volta/O interior todo se revolta/E faz nossa força se agigantar/Mas só se a vida fluir sem se opor/Mas só se o tempo seguir sem se impor/Mas só se for seja lá como for/O importante é que a nossa emoção sobreviva/E a felicidade amordace essa dor secular/Pois tudo no fundo é tão singular/É resistir ao inexorável/O coração fica insuperável/E pode em vida imortalizar/Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin - 1974
reveja, outubro de 2008
aberto
Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo,
já que não quero ou não posso respondê-las agora.
Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas.
Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver.
Pergunto ao tempo:
quanto tempo e quando?
Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso,
quando caminho pensando em você.
São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo,
ou sobre a mensagem enviada.
Pergunto à madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado,
e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois,
para ficar marcada como relevo na capa do romance que não vivi ao seu lado.
Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo.
Se é irrepreensível.
Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuarão a causar-me desamparo.
Pergunto com letras, como estas que te escrevo,
se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal.
Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar, apenas para mim.
Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo.
Se me ouve.
Ouve-me agora!
Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão,
que já não domino.
Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?
quinta-feira, 26 de março de 2009
com fundo raso.
- Sim!
- Não há vejo.
- E o desejo? Passou?
- Por mim. Ele passou. Mas está aqui ainda.
- Agarrou?
- Ela? Quis. Mas não.
- Não! Não ela. O desejo.
- Ele é que me agarrou. O leme.
- Leme? Com este vento...
- Vai me levando com vela é tudo.
- Reza?
- Não, raso. Raspa no fundo do meu casco.
domingo, 22 de março de 2009
assim, sim.
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...
short
com suas,
pernas
assim,
e me tenha
entre si.
e entre
nós
apenas
saberemos
o gozo
de
olhar.
cruzeiro
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.
sexta-feira, 20 de março de 2009
já vais?
talvez nem tenha tempo,
jaz com o tempo que não tem.
e já, que tens a doença,
eu tenho a cura.
mas, por favor não me curra,
a minha insistência de ser.
quinta-feira, 19 de março de 2009
em instantes, num piscar de olhos
antes que seja, que sejam instantes de prazer.
prazeres antes, que seja antes de perceber,
que tudo que é antes, dura um instante.
e que durante, sejamos amantes de nos conhecer.
estas
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.
terça-feira, 17 de março de 2009
nem um pio
quinta-feira, 12 de março de 2009
lento
queria que o mundo fosse mais lento.
tento.
terça-feira, 10 de março de 2009
ainda não finda
quando não me estabeleço,
ou me desfaço daquilo que não esqueço.
Quando fui apagar a luz do jardim é que me lembrei,
ao olhar pra cima e ver a lua clareando o céu,
que eu ainda tenho que lustrar e encerar a mesa grande,
aparar as plantas mortas,
controlar o arremesso da bola de basquete em um aro que não para de diminuir.
Depois, deitar no berço esplêndido do seio branco.
Imagino até hoje,
que seu céu nos terá,
juntos,
debaixo dele.
Meus braços me cansam quando estico pra pegar qualquer coisa,
catar uma fruta,
repor um passarinho que caiu do ninho.
Para melhorar este sintoma da dependência de querer pegar coisas impossíveis,
aposto na ajuda de pessoas amáveis que possam entender que eu preciso ser admirado.
Mesmo caído,
mesmo sem surtir o efeito que quero,
quando olho para o alto e simplesmente peço,
com olhos, nem uma palavra digo,
eu ofereço meus escritos,
minha vida à procura de seu amor.
De qualquer amor.
Passageiro,
ligeiro,
sem vergonha de dizer que acaba,
que ficou teso ou que orelha não escuta o que a boca fala.
Volto para o céu, e, ver aquela claridade,
se expondo,
se consumindo,
sem se importar que se acaba,
me coloca em uma posição de giro,
de satélite naturalmente atraído por alguém que,
por não ter sido,
me será um céu.
Uma lua atrás da outra.
domingo, 8 de março de 2009
internacional
são pensamentos
Onde eu não tenha que trancar a porta,
nas noites como estas de verão.
Não mais que o tempo sentido.
Não há o que imaginar,
do que ainda não vivido.
Quero platéia de dois.
Para olhares únicos,
somente dois de copas.
Sem comentários depois.
Comida na mesa,
carne servida e mordida.
Vou ter seu olhar em minha expressão.
Como amantes de muitos anos,
um pedaço de ser em outro.
Poesia em fases da lua.
vamos
é como eu vejo seu desejo.
Estampado em você,
está um pedaço igual ao meu,
correndo e se jogandode encontro ao que almejo.
E quando tudo separa,
ou quando vem a solidão,
me esforço,
como agora,
para ser mais sim do que o não.
Agite-se pelo consolo,
busque a mão que conforta,
veja com o que realmente importa,
e a volta será bem menor,
que os 18.000 metros da lagoa.
sábado, 7 de março de 2009
mensagens
ficam cheias de amor,
pintadas de toda cor,
conquistadas pelo outro.
Outras partes,
estão à beira.
cheias de necessidades.
repletas de vontades.
Fechadas conversas,
que espantam,
ditas pelas metades,
incompletas mensagens.
Cortes estranhos,
cortam entranhas,
corações raspados,
arrancados pedaços.
Ligar as metades,
ligar as máquinas,
ligar o conquistado,
ligar para o outro.
Do outro lado.
quinta-feira, 5 de março de 2009
irá?
na ida para ir na mira,
mira na ida.
as águas da rainha,
as anáguas da menina.
da antiga que não queria,
que não queria ser antiga,
com anáguas a menina.
apenas pra não gritar,
(qual o nome da pequenina?)
o quanto ela queria.
tá?
teria todos os detalhes
comeria todos seus gostos
viveria réu na paixão
quantos?
oito dias.
habitarás a caixa
apenas forrada da vontade
de ser algo para ninguém.
viverás em memória querida
no alto do mastro
que única de longe seria.
acreditarás no consenso
de todo um coração
único que seu seria.
outro
são curtas
não escutas
não lês
sim vês
sim és
são nada
são parcas
são tantas
não paras
não para...
põe vírgula pra mim na minha vida
sem luz que da lua era crescente
e não tinha música pra dar
desembrulhada de papel fantasia
minha penada saiu sem alma
minha escrita se partiu
conduz o nó arrastando
na garganta o amargo
terça-feira, 3 de março de 2009
eu falo. e você?
reveja 06 de julho de 2008
me diz o que é o amor.
Não tem então um componente de solidão?
Não fala o amor a língua da paixão,
das línguas,
corpos,
braços,
pernas,
pensamentos,
os entrelaçados,
entre si trocados,
saliva,
suor,
cheiro,
medos,
sabor e receitas que não dão certo?
Não sussurra o amor por detrás da porta,
olhando de longe,
sentados no banco da praça,
enquanto quem é, passa.
Enquanto esta,
não sei onde está.
Sei sim! sei que aqui bem dentro!
Do sabor que se vai da comida,
não fala o amor?
Ele não comenta que a falta deixa doente,
dentes travados,
estômago revirado?
Eu já ouvi dizer também que o amor tudo suporta,
tudo crê,
não deseja o mal e que ele será ainda,
depois de tudo.
Acima da paixão.
Que venha logo.
domingo, 1 de março de 2009
ai pai... Esta realidade eu não quero não...

coisos
certas cartas cortam o coração quando releio-as
suspiros suspendem o momento de seguir em frente
luas lutam entre ser a mais demorada para ir embora
lágrimas levam poeiras para minha camisa branca
como água...
apenas de partida,
(sem destino)
é também de parada,
(rápida)
o amor não me convence
não lhe dou tempo,
não me gruda mais na pele,
chega e vai,
(como água da Copasa)
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Quá!
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
em laço
E me apertou tão forte,
que o invólucro de mim,
parece que parou.
E tu não tornaste,
tua distância nunca mudou.
Meu assento,
preparação para a longa noite,
acompanha-me o olhar para o alto,
à procura de tempo.
À procura do que venha em fases.
Como agora e antes.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
sei não 2
Não.
Encontra-la não é opção.
A quimera é a escolha que faço.
Um Kinder ovo com a surpresa sabida de antemão.
Os sonhos acordam quando abro os olhos.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
ainda você
que,
eu ja sei,
está viva e não será vicária quando vier o arrependimento,
pois que ainda creio,
virá o dia do aconchego em braços brancos,
nos tapetes verdes,
em nuvens azuis e em águas profundas.
Comparados aos pensamento biomecânicos,
meus conhecimentos teológicos não sobrevivem ao movimento do cabelo molhado,
aos pés frágeis,
à indiferença para a idade tão distante.
Não farão, as minhas palavras,
de verdades discretas e tudo será repleto de críticos e crises;
dos pares que chegarão para ver minhas vontades.
A discrição?
Vez terá quando estiver o lençol ou apenas o vento nos cobrindo.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
ataranto
sei lá da solidão dela,
sei lá se quero saber,
do saber.
Me irrita,
quando ela evita,
de ter esta perdida ilusão
de querer come-la com pimenta ardida.
Que ela não estude em meus livros,
que não escute o que eu digo,
eu não ligo,
mas ser estrela fora do meu céu?
Oh Céus!
Criamos,
não juntos,
dois filhos que,
hoje,
vivem no mesmo teto.
O meu é claro!
Um,
chamo de Andor,
outro de Condor.
Andor é devagar em seu andar
e sempre deixa cair o que com ele carrega.
Já o Condor é muito avoado!
Vivendo assim,
somos quase uma família.
Ela lá com seus maridos
e sua flor,
que sua mãe lhe deu.
Rosa.
Sua mãe.
E eu cá.
Caído.
Deprimido.
Sem ter o que escrever.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
prueba
¿dónde están?
sus pequeños pasos
¿donde caminar?
su gran amor
¿de quién será mañana?
donde va mi corazón
¿es donde va tu?
¿porque hay poemas aquí si no estamos juntos?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
4
Glória guarda-a no balde junto à Ti
Vejo-Te assentado colocando tuas coisas ali
Cheio, transborda e entorna
Em Teu entorno,
Em teus;
Por Tua Glória3
Saltei no amor
Voei no amplo
Mirabolante contorcionismo
Trezentos e sessenta, trezentos e sessenta
Mesmo o mesmo, o mesmo
Linha, fio, corda, cabo
Acabamento em frente, em frente!
Próximo!
Jogue o peso, o peso
Pesar
Cento e oitenta, noventa
Quarenta e cinco
Rente ao meio fio
Sarja na sarjetajuliana ou não
sem ter que depois explicar.
quero ser explícito e já explico:
em carnes é que eu digo.
de verdade, humana.
na pele,
nas gotículas dos poros.
queria na verdade,
toda sua beldade,
baixinho,
sem olhar de tristeza depois,
apenas de lembrança.
complicado?
lanço
Com suas mãos delicadas,
Com o tamanho de sua escapada?
Que tenho eu de dizer ainda,
Se você minha bem-vinda,
Não me quer nada?
Que tenho mais pra fazer,
Se tudo daqui de dentro já dei,
E estrelas não alcanço?
Que amor mais eu darei,
Se todo que havia,
Agora pela estrada lanço?
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
travesseiro
Medo que o dia de hoje não fosse o bastante para viver amanhã.
Pelo menos a parte da manhã do dia seguinte é me conhecida.
Sei que acordarei, e se não acordar, e daí?
Não sou eu que desperto nos outros a vontade de viver cantando e andando.
Quero, se fechar os olhos, depois do entardecer,
esquentar meu travesseiro e virá-lo na hora de dormir.
Para ter sonhos frescos, fresquinhos.
Daqueles que a gente tem quando a pessoa que anda aqui do lado nem espera que a gente sonhe.
E aí, ela recebe, gasta ele,
sorri e vai embora.
Por isto eu nunca durmo rápido,
planejo meus sonhos enquanto sonho em ser eterno,
em ser terno o bastante pra fazer falta.
Não sentir receber necessariamente e sim fazer sentir.
Acho que assim eu vivo nos outros o que não é meu,
o que era seu e você não quis.
té
- miau
Sorriu ao ver-me tão satisfeito que logo miou pra mim
- miau
Deitou bem mansa em meu ombro esquerdo, me apertou dizendo assim
- Papai de amo um tantim.
- ora meu amor, são os seus. não os reconhece olhando como eu olho?
- hummm! que lindos são meus olhos.
- nem me fale. nem me fale.
quem diria?
não se justifique. apenas fique. e click!
acendeu? então deixa aceso e olhe o que há.
pra gostar basta gostar.
bicho comeu? algo morreu?
planta e espera nascer.
lógico pô
não te acerta o fígado vez por outra?
Ou este seu jeito de apertar o olhar quando quer ao longe ver,
nunca lhe causou excesso de amores?
Esta sua desmedida beleza que está entornando nas bicas,
faz a alegria da multidão.
Pelo menos da que está olhando para o mesmo lugar que o meu olhar.
Prometo, sem obrigação de cumprir,
que me apaixonarei pela segunda que encontrar,
apenas para assim dizer que assim eu esqueço de você.
E este seu corpo suave,
imagino que seja leve,
e talvez ele leve um pouco de solidão,
um tanto de amor sem tocar.
Bendito Quem te criou!
Bendita as aureolas e mamas que tu manos e lábios tocaram.
Que leite e que madre que abrigou a mais bela imperatriz do meu coração.
Sim!
Tu és mui rica também.
Pois pões seus castelos nas nuvens mais altas
e suas terras vão de horizonte a horizonte.
E eu estou na fronteira mais longínqua.
Na distância mais distante do seu coração
e ainda assim sou de um reino inimaginável que é seu,
sendo meu.
Reina.
Reina em mim mesmo sem saber,
sem notar.
Afinal são muitos súditos.
E, embora, que nunca partiste,
pois nunca viestes,
eu, sem cessar de caminhar,
eu ando, ando e ando por todas estas terras a perguntar:
a convicção dela,
tem fim?
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
ter
Eu não abrirei a porta sabendo de que é chegada a hora de me convencer que tudo estaria em torno.
Suspender os braços para esperar a chegada dos braços em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto não.
Se lidas as lidas, com fortuitas lidas de minhas lida de descrever a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo, não sou casto e não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras, escuras que quando me deito no quarto, me vem espiar o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo, não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia, tão certo, tão bem contado.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
yes!
mas não saia da frente.
sou leve.
e páro se subir em você.
se me segurar.
mas só páro se estiver em movimento.
certo?
é física.
não físico.
não sou tísico.
e você?
é tudo bobagem.
de ser gente.
não bicho.
não mexo, apenas respiro.
fazer o quê?
de quê?
de conta.
agora me conta.
me conta.
um.
não dois.
tolinho no tijolinho
sábado, 7 de fevereiro de 2009
a cerca
me gera nos outros,
me toca com os outros,
me acorrenta o pé com elos de dedos.
De dedos de Santo.
E eu me sinto guardado,
grudado em santidade,
separado por amor.
a vara
você pertence ao dono das terras que olho do lado de cá.
não me importo de ser passante.
o saber que você é eternamente parte do que sou,
basta.
nada mais.
apenas a pureza que está no ar.
simples.
assim.
de quinze, ou mais
Que me vem de quinze em quinze minutos me perturbar a guerra de ser só.
De ser somente aqui e lá.
De ser somente lá que me vejo, aqui.
Você não me troca, já que não me tem,
como queira.
Mesmo com tantas,
palavras e tantas vezes que vi seu nome escondido atrás de tudo que você é para mim.
Quando o arco de cores me permitir lembrar de mais cedo,
vou testemunhar o olhar que dei ao que não é meu.
quem vai aí?
do sapato.
Não sou o quarto que te espera,
do trabalho.
Não sou o guarda que te aguarda,
no sobrado.
Quem vai por ti olhar,
com amor?
Quem vai te ver partir,
com imensa dor?
Quem vai te acordar,
ao amanhecer?
Quem vai te fitar nos olhos,
sem piscar?
O que eu queria era te ter,
Um instante só,
somente nós.
O que eu queria era poder ter o poder,
de aparecer aí.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
nada no Natal
Único.
Não via mais além daquilo que me chamava pelo gesto de sempre.
Igual.
Quem era eu para eles? Para mim, eles não saberiam dizer quem eu era.
Para eles.
Uma desordem de corpos em abertura errada da câmera fotográfica.
Velocidade também errada.
O som captado por aquela porcaria de microfone interno.
Não tem compensação.
Somente no ano que vem. No Natal do outro ano.
E então eu não sentarei nesta cadeira, e sim, no sofá perto da janela.
Lá o vento me é a fuga.
E as crianças não repararam no meu bigode e barba sem fazer.
Eu não me lembrei do ano passado.
Por isto estou sentado nesta cadeira.
O que está acontecendo com os doces?
As crianças levaram.
Do ponto de vista, daqui de onde estou, é o mesmo farfalhar de roupas e gostos mal cuidados, mal pensados.
Não friamente calculados.
Finamente eu como com as pontas dos dedos encharcados de óleo.
E a boca repleta de guaraná.
Vou estalar meus dedos e chamar para irmos embora.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Ny em NY
Comparado ao sentir minha alma presa em meus sentimentos.
Quero asa grande,
de anja,
de harpia.
Pra olhar de cima e me ver sentada esperando que meu pouso não demore.
Sou franca comigo e não me peço licença quando vou cair de cima,
do alto de minhaas convicções de beira de abismo.
Sou moça de cabelo a marcar na testa.
Sou a festa comemorativa da vida.
Todo dia é meu.
Sou efêmera em tudo, inclusive em ser efêmera.
Sou a mesma que não diz Ny.
sábado, 24 de janeiro de 2009
esquecerei
Tenho uma coberta fina com a qual eu cubro a cabeça,
com medo que ao fechar os olhos eu encontre com ela.
Fecho os olhos para sonhar acordado até quando amanhece o dia de entardecer minha vida.
Dobro o corpo com esta dificuldade que vem da preguiça de ter novamente a posição de encarar frente a frente a ausência.
Caminho com passos medrosos de não ser o que penso,
de não ser o que simplesmente quero,
de não ser eterno o desejo que acaba sempre no dia anterior.
Desejo o encontro com a paisagem que vi da janela aberta sem querer,
sem pensar,
sem dúvida.
Esquadrinhando o coração, procuro mais que os motivos,
pois a letra que eu não entendo, eu não posso repetir enquanto tento ler.
Agora, que seria o encontro das pernas dobradas, do assento frente ao outro,
eu não encontro a forma de parar.
De cessar o engolir o que eu não tenho,
o que me deste da razão de viver.
É seu, meu momento desde aqui, lugar de consolo no pai,
quando nem mesmo a ordem dada é o bastante para crer que é melhor assim.
Não há o que esquecer daquilo que já é de mim.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
marca
Longas, finas ou largas marcas.
Sou delas.
Estão compactas, tomaram outras cores,
de outros tempos que passaram por elas.
Eras.
sábado, 20 de dezembro de 2008
tão
De tão pouquíssimas palavras,
De tão grande sorriso,
De tão olhar,
De tão voz, doçura loquaz,
De tão cor,
De tão tão,
De tão,
De tanto...
Paixão!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
ao seu toque
encolho-me à tua escolha,
embora que me olhes como se não fosse todo teu,
furto-me de achar-me em outro local que não seja
onde sinto um afago grande em todo corpo,
ato de espera por me fazer respirar tão rápido,
como foi também depender tanto assim de ti.
Se de tua boca, atrás desta cortina,
sair meu nome,
desfaleço em pétalas como se rosa eu fosse,
Transformas-me sem querer, sem cessar,
sem ao menos me tocar,
e, se me tocares, amoleço,
e sem rígido pudor,
enrubesço,
e intumescido meu membro,
acolhe-te em ato de amor único,
belo,
e minha alma é tua,
minha vida.
palavras
eu nunca vou te esquecer,
por isto quando lhe falo que vou partir,
minha mente não me deixa fugir.
Somente as ruas,
luas e estradas vão me acompanhar nisto que chamo de volta,
toda hora.
Sozinho, aqui sorrindo ao te dizer olá,
é sua luz que está acesa?
É sua voz que ouço cantar James Blunt?
É ela que sai pela janela.
Por um segundo seu mistério é o bastante pra me levantar a alma,
me levar a refletir o que fui até aqui.
Eu não sei o que minha palavra é para você.
São letras apenas, eu sei.
Não terei uma segunda chance de amar alguém como você.
Por isto me olhe com atenção.
Estou indo embora,
queria te deixar aqui embaixo um pedaço do que você me deu sem querer.
letrinha para musicar...
modos
Uma hora que o tempo seja já,
ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje,
amanha rápido e inesperado,
uma paisagem distante e clara de tão pura.
As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez,
já vão dois dias desde então.
O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim,
de pensar e ser pesar de não ter,
de não ter havido,
de não ser possível amanhã.
O hoje é pesado.
É todo voltado para ontem.
Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço,
perco o pudor, a estribeira.
Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro,
sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã.
Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente,
tudo é vida,
tudo é ontem e você.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
canto 1
Eu tenho um canto onde eu canto
Onde ponho um tanto, mas tanto, que se não fosse um canto,
Eu escapava, eu convertia, eu me revirava.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
simples
O que me encantaria?
No primeiro muro que encontrasse escreveria.
Com a primeira letra te diria,
naquele dia eu seria,
tua escuta,
teu calar,
teu toque,
tua colheita.
Se eu encontrar,
encantado por você andarei,
e no muro,
com a segunda letra do seu nome escreverei,
sou teu amar.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
inacabando
Não quero desligar como se apaga uma luz ao sair do quarto.
Afinal sei que vou voltar para lá.
Então deixo a luz acesa e eu sempre volto,
e olho para dentro dele e me pergunto:
- o que vim fazer aqui mesmo, o que eu estou procurando?
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
só gritando
Posso andar na borda do Hades?
Pode ser característico do desarranjo emocional?
Querer gritar não é normal.
Não é.
Subir ladeira a pé.
Soletrar sozinho.
Alimentar de pó.
Ficar sem sentir dó.
Enraivecer e enfezar todinho.
Não é normal.
Não é.
Posso ser imoral?
Posso colocar no pedestal?
Pode ser apenas de um só?
Quero sair do pó.
Pode ser pior?
Se ficar melhor vem dor?
Quero que me veja só.
O que será do amor?
Se tudo fosse cor.
Se alguém fosse por,
um coração aqui.
Eu vou partir
Eu vou dormir.
Quero sair daqui.
Quero gritar.
Eu sou normal!
sábado, 6 de dezembro de 2008
passar o tempo
alguns planos
alguns vales
algumas montanhas
algum deserto.
são belos
seus momentos
os que virão
os que serão
são os seus certos.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
eu, você
Transportando a nós, e nos dando nós
E nos deixando a sós, nos deixando sós
E fomos destruindo e nos construindo com os pós
E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
ver
e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver.
Repito os mesmos gestos de toda noite,
que são os que esbarro em você.
Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada.
Aprendi a cantar,
cantando o canto pelos cantos,
pra me encantar e sonhar.
Desfaço de tudo por tudo que diria,
se pudesse meus joelhos nos seus encostar.
Sua seda no som,
seus olhos, o tom,
seus lábios, sem outros são,
e mais nada.
Embora seja ir embora o minuto final,
até o final as folhas terão seu nome.
em
Seus cílios me abanam
Sua boca é feliz com meu nome
Seus braços me enrolam
Sou alegre assim
Ao te ver vivendo
Farto-me bebendo
Você em mim.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
neo
Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal.
Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo.
Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar.
Beijocadamente disparo selos em suas imagens.
Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro.
Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito
domingo, 30 de novembro de 2008
presente
É o interesse egresso do que fui neste tempo.
Me enchem as cheias e as meia luas, precursoras de luz ausente.
Metade de escuridão do outro lado que me vejo posto.
É a certeza do certo sobre o errado.
Tampando o possível, o imaginário, o abstrato e temporal tempo eterno.
Enquanto dure, enquanto em mim, em quanto ficaria as custas de ficar também aí.
São estas falas que me fazem pertencente a ti e ao tosco esboço de relacionar isto com um sentimento de um par.
Lá também estão juntas as almas de quem não é meu nem seu;
o campo do sonho, do futuro limpo.
Tênue pensamento, profético ato de ver o nosso, com o de outro que também sonha.
Resta o que me resta, para me bastar, para trocar de memória, de parar o olhar pra frente.
O ausente está presente claramente, lindamente, eficazmente verídico.
O real me assola, me enche de completo desastre, inevitável preenchimento.
O soslaio me convence.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
fotos
A que me amedronta,
não sei seu medo.
Sua condição para ditar algo que eu anote em meu caderno.
Esta é a outra de você a me deliciar os olhos e arrepiar a têmpora.
Espantar a indecisão.
Prefiro as duas que nenhuma,
prefiro o olhar pra foto de que nenhum por mim.
Aquela me senta na posição em que estou,
na cama feita pra dormir.
Esta outra você,
traga pra dentro,
por dentro a trago,
foge,
traz e me dá os passos.
Solidifica e constrói,
por paciência e distância,
no canteiro do seu olhar.
Eu sou seu, você que não é outra.
sorriso diverso
Em um digno olhar, clara visão
Fácil amar tanta luz, tanta razão
Momento em todo tempo da vida
Pensar em quais das faces?
Em suas posses, suas poses
Seus dedos longos, seus dentes
Suas marcas, seus de repentes
Várias e várias vezes apagar
Chorar os sem respostas
Viver pra pensar em ter
Dormir com pressa em não ser.
domingo, 23 de novembro de 2008
vôo
pra continuar pousando e voando,
pousando e voando.
meu coração decola só.
e sabe? ele sabe que o horizonte nunca será dele.
por isso o pouso.
aterrisar é buscar entre as árvores uma fruta com água dentro,
um animal entre as folhas que o devore inteiro.
sábado, 22 de novembro de 2008
sim
Se não ouve o que falo,
se não houve fala?
Se engano é minha impressão e enganar é a sua?
Se preciso que precise desde o início e se você é tão precisa em não precisar?
E agora que faço com o que quis fazer se você sempre fez questão de nada fazer?
E a lua? O que falo pra ela?
E depois que você se esquecer como faço pra lembrar-me para esquecer?
É você que me trás o impedimento e o avançar, querendo ou não.
Sendo ou não, estando ou não.
E daí?
caso
Mas o que é ainda está aqui.
Despedaçado, separado sem colagem possível.
Os pedaços são cada um de outra importância,
multiplicada em atenções e eficácia em fazer pensar.
Quero ter mãos gigantes para juntar-los ao meu coração,
enfiar-los dentro de volta, em mim.
Considero montanha e morro a mesma coisa.
Daqui das terras mineiras,
o olhar de escalada,
de subida custosa,
dá o mesmo prazer quando é por algo que leva pra longe ou pra perto.
Lavo a cabeça é no tanque, com sabão de coco,
enxáguo enfiando a cabeça toda dentro d’água,
e aproveito e te chamo pra mergulhar comigo na cachoeira,
pra lavar a alma,
pra escapar de onde me quer você.
Volto a abrir a janela grande e de vidro,
vento me mostra o frio que abraço como se fosse seu corpo.
Esquento o tempo todo meu corpo pra que te aqueça,
caso queira,
caso precise,
caso me esqueça.
escorro
com a chuva dos dias de entrada do verão,
ela foi se soltando, grão a grão,
e escorrendo.
Primeiro à minha volta, eu vi,
depois por debaixo de mim.
As flores dobraram os caules.
Escorregadio o piso, caí,
tentei manter-me de pé,
segurei em plantas novas,
recém nascidas, pequenas,
mas ainda assim tentei me agarrar a elas.
De joelhos estou olhando para onde estava,
espero o sol secar a terra.
Subida de volta,
ou continuo escorrendo?
só
errado e maldito, gêmeos não parecidos.
Escolha outro doce, rode em volta da mesa,
a conclusão não será a mesma.
Entendimento e tempo se combinam,
esperando o saber daqueles que amam.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
era
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
seu 2
sempre levou embora saudade de nunca.
A própria saudade.
Aquela espera de alguém que chega e abraça sonhos.
Beijo com a boca ainda seca.
Vento transeunte que dá a volta em volta da casa.
E sempre volta ele mesmo
Dono de mim que me leva pra quem me queira
Pra quem brinca comigo
Dedos nas pontas dos meus.
corrige
sopra o sentido correto.
Suas falas deturpam,
de todo o escrito.
Sua verdade,
corrige a rota.
Meu credo,
era vento de tempestade.
Minhas falas,
foram poucas.
Meu escrito,
foi o sentido.
Meu caminho,
é o seu
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
nada 2
Que seja perfeita a fórmula dos pares,
Mesmo que a paixão espalhe as folhas escritas,
Não teria, eu, o dia.
Apesar da certeza que impede o errar,
Mesmo que não seja exato escolher,
Que seja o claro sobre a escuridão,
E impossível viver o amar.
Agora não espero mais cartas,
Escrever pede notícias de ontem,
Olho para dentro do rosto,
Hoje não terei o hoje.
Os contornos serão disformes aos olhar,
O céu pesará sobre a cabeça,
As falas serão igualadas,
Sem a incerteza, viverei?
domingo, 16 de novembro de 2008
esta alegria fingida
Esta alegria fingida.
Esta fugidia de mim.
Estes dedos que chupam doces.
Restos nas pontas que agora apontam somente para mim.
Não tenho mais que deixar de escolher,
faço apostas no dia de hoje
Recolhi o resultado antes da meia-noite.
Suporto tudo,
menos a revolta pelo amanhã já escrito no livro que já me deu.
Estendo a toalha no úmido mesmo,
o cheiro que fica destoa de tudo que é de hoje.
Minha cara lavada,
minha cara do pau de ferro,
está mais dura,
mais feia,
mais cortante aos meus olhares.
Ou eu fiquei mais moço?
Depois que aprendi a jogar-me do alto de edifício,
ficou mais fácil ser passarinho,
mesmo sem as asas que criei quando me apaixonei.
sábado, 15 de novembro de 2008
fim
abrir portões em seus tijolos escuros,
arrancar a grama do meu jardim,
tomar a chuva que hoje cai sem fim.
Quero subir morros com barro escorrendo em enxurrada,
quero lago transbordando e levando meus pertences,
quero que me cegue a manhã coberta de névoa fria.
Hoje em mim eu não quero nada,
quero ser nada,
quero não pensar e nem escrever.
Quero não querer,
não lembrar e nem ser.
Quero seu pensamento voando e sentindo livre queda,
ao vento,
descendo,
colhendo sua resposta,
sua melhora,
seu destino e desejo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Lua cheia
Pra ver se alguém deixou carta, bilhete ou uma citação.
Escuto música baixinho e aquelas letras entram gritando:
tô querendo, tô parado, tô pensando.
Os muros daqui de casa já descascaram de esperar alguém subir neles
e olhar para os lados onde o sol brota.
Por onde vem seu viver.
Se ventar fosse seu nome, teria você no meu rosto todo dia.
Vi que a lua não dá fome, não faz companhia
e nem cantarola no meu ouvido.
Ela fica é me olhando como se esperasse que eu saisse daqui correndo
e fosse morar em coração de almofada,
com azul bordado nos seus cantos e mão sobre minha cabeça.
Acalma bichinho ferido!
Olho a estrada prá trás e me dá vontade de te chamar
pra ver onde eu tenho andado cantando
e uivando feito lobo de bosque.
Boto em você seu chapéu
e cubro uma parte do olhar
que nunca será tanque pra eu mergulhar.
sábado, 8 de novembro de 2008
certa
Prender-te em meus braços até confessares que me desejas peito a peito.
Presos em teus olhos, meus olhos vão para onde me levares também.
Se for ali que poderei te ter como doce na ponta da língua, deliciosamente saborosa, eu estarei.
Conquista-me de forma calma, passo a passo, como andasse em tuas terras.
Como se eu fosse onde deves plantar suas plantas de sabores que preferes.
E quando quiseres colher, de acordo com a estação, me pegue pela mão, me leve junto a ti para provar seus sabores.
Cante-me sua canção preferida, ensina-me teu tom, faça tua melodia em minha vida.
Constranjo-me dizer-te teu, apressado em querer ter-me conquistado por ti.
Faça-me, toma-me.
Quero-te, enquanto sou teu.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
é melhor
Devolve-la ao caminho
Fechar meus olhos ao te ver dançando
Cobrir minha cabeça a luz da lua
Fechar a boca ao cantor
Contar pra quem quer o que quero
Sumir no trãnsito quando te ultrapassar
Orar ao Santo pra te dar seu tanto
Escrever no canto do seu aroma
Escolher calado, por você.
suas coisas
seus olhos semi fechados
seu fluxo
seu refluxo
sua cor
sua dança aos treze
seus cadeados
seus cds estragados
sua crença
seus músculos
suas pintas
seus relógios variados
seus ouvidos
seus gritos
seus suaves exercícios
seus alongamentos
sua bronca
sua sandália branca
suas camisetas
suas poucas palavras
suas aulas
seus pulos
seu cabelo solto
sua roupa rosa
sua roupa verde
sua boca
seus olhos
sua voz
suas abelhas
nossa bicicleta pra ir embora
loucura
ao teu olhar no meu, me ligarei a ele com a liga da cumplicidade implicita e querida por ambos.
ao teu desejo de amar, me estabilizarei no tempo para que se decida antes de se entregar um ao outro.
às tuas festas, eu me juntarei com total alegria em saber que anos virão com a alegria de ser querida por muitos.
ao teu tempo, eu estarei distante em algum momento provável e desejo que ainda distante.
ao teu desejo por mim, darei um passo em direção ao seu um passo.
ao meu sonho este, me tenha como louco.
à minha loucura, me tenha são de desejo de ser tua toda minha loucura por te ter.
sábado, 1 de novembro de 2008
algo
Algo teu me fez.
Sou algo teu.
Algo sou
Com teu algo.
Sou teu
Meu algo.
Algo meu,
Sou teu,
Todo teu.
tentativa
Onde dou ao destino a chance de não me achar,
Onde a censura passará sem me marcar,
Onde está o amor que me cercará de concreto?
Isto tudo me tranca onde quer que eu esteja,
Já voei por causa disto mas agora estou parado,
Sentindo-me por dentro como quebrado,
Meus olhos estão fechados e o coração lateja.
A vida não contará o que não vivi,
A quem minha alma se apegou,
Nada colherá a lágrima que verti,
Estou olhando a porta que se fechou.
Não havia quem entendesse as palavras,
Quem quisesse apenas senti-las,
Para guardar um alimento que cresceu por muitos anos,
Esperando quem colhesse os ramos.
Caiu a semente na areia,
A ave que a come, voa,
E eu olho, asas abertas dela,
Escreve o nome que não é meu.
caminho
Num momento estava caminhando sob o sol,
Mas agora olho pra cima e somente vejo planetas.
Todos são distantes e não consigo tocá-los.
Já tive estrelas nas mãos,
Toquei cordas que soaram em ouvidos brancos,
Voei com o vento no alto das montanhas,
Já vi a terra se abrir para a planta nascer.
O que me trouxe até aqui,
Como construí esta parede tão alta,
Qual a cor do ultimo olho que vi,
Qual era o tom daquela voz?
Desenhei contorno em dedos longos,
Envolvi meus braços em corpos amáveis,
Amei momentos eternamente,
E passei horas esperando um retorno.
Agora, neste exato agora,
Eu tenho a companhia do ausente,
Eu tenho a memória do sonho,
Passado enclausurado dentro de mim.
A chave,
Não é a mesma.
Não sou mais eu
Não ando mais só.
boca
Sua boca pede.
Beijo!
Quero um beijo!
Ela suplica.
Atender a este pedido é quase um pecado,
pois tampa-los à visão parece errado.
Sentir tão saborosos lábios,
tão macios lábios encostar os meus,
é ir e voltar,
ir e voltar,
ir e voltar.
Pede de novo belos lábios:
Me beija!
esquecera
Um pedaço da alma minha,
sei não qual, une-se ao que a toca e aquela muda de cor, se transforma em algo alongado, esticado, impossível de se manter normal em forma reconhecível.
Acho que é como a alma fica dentro de mim que me incomoda o corpo.
Os poros do meu braço não sudoram normalmente,
sinto o vento sair com força por eles,
parece asa pedindo para crescer e se aventurar por onde não tem chão por perto,
onde só tem o cheiro do ar, nuvem branca e arco-íris cor de rosa.
Não dá pra ver o verde lá em baixo,
mas gosto de saber que ele está ali.
Completamente e repleto de esperança por uma segunda ou quarta chance,
eu pulo o terço pois eu sei que a terça parte é sua pra descansar e guardar o dia que é santo.
Sei salteado quais são os dias.
De trás pra frente eu lembro e de frente pra trás eu sonho.
Então eu não esqueço, não apago, apenas escrevo sem parar.
Esquecer é a fórmula que eu fiz pra lembrar sempre de tentar não esquecer.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
pasta
vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado.
qualquer oba! me serve quando estou acabando.
escolho o mergulho,
tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo.
de coral? de muitas águas? são profundas?
escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.
sábado, 25 de outubro de 2008
descanso
elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta.
minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo.
olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira.
sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível.
meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria.
caminho porque preciso andar para alguma direção.
qualquer uma me satisfará.
enquanto caminho, faço.
passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei.
não era meu.
nem a flor.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O que é melhor?
Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem.
Do dia de hoje.
E me basta.
como
Seria como não imaginar nem sonhar.
Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos.
Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer,
Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras.
Flores do campo sem colher para você.
domingo, 5 de outubro de 2008
Branca 1
Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem.
Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador.
As pontas onde terminam teus cabelos,
são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro.
Tuas mãos e pés, extremidades extremas,
pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar.
E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo.
Sua memória é eternizada em minhas,
que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás.
Em mim,
tu és tudo,
de tudo em mim.
talvez
Quero saber de talvez.
O talvez que me excita.
O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida.
Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver.
Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez.
Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer.
Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez.
Talvez me lembra sempre você.
mulher tátil
Ocupando espaços nas laterais e preenchendo o não vazio.
Tragando olhares redondos saídos de olhos cegos de outras.
Trazes palavras de volta, ao batente músculo meu.
Mulher, suspirante motivo sem raciocínio sobre outros dias.
Mulher em movimento, em lento mover de gravação pela lente do olho.
Mulher filha de deus, criada para inspirar.
Mulher do tato, sem meu toque és nada de tátil.
Corpo dócil, levemente leve como de nuvens brancas.
Viajas mulher.
Eu te lembro mulher,
Tu mulher que é mulher.
dever
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.
sábado, 4 de outubro de 2008
descoberto
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
disto
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
há luz
o que veste a rosa cor?
qual o peso que o branco suporta?
o que são as outras cores a sua volta?
molduras é o que são.
branca tela, negas meu pincel,
meus tons são seus,
por agora, por hora,
por vida que agora teima e me suporta,
por ti.
o que tens de tão verde?
de tão pura cor?
impeça
Peça meu beijo
Aproxime do meu plexo
Negue o sexo
Sinta o que sinto
Um instante...
Sinta minha pele
Cheire meu cheiro
Olhe em mim
Bem dentro
Outro instante...
Sonhe comigo
Sonho de dois
Deite depois
Pense um pouco
Por um instante.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
aberto
domingo, 28 de setembro de 2008
crédito seu
Fotografo o movimento e dou-lhe a forma de um rosto.
Ou quando quero filmar vejo o balanço, pra lá e pra cá, como se fosse cabelo dançando.
Aquelas cores verdes, marrons, cinzas ou rosas, me emocionam até eu ver outra e mais outra e depois outra.
Vou sem pés e o corpo em seguida mergulha em rasante sobre tudo que passo a amar.
Existe silêncio na voz mais gritante, existe melodia nas folhas que caem.
Há uma doçura no vento e caminhar contra ele é me levar ao destino que me quer.
Espero, sem perder a esperança, pois ela me vem sempre que me lembro, sempre que sonho, sempre que imagino, sempre que desenho seu contorno, de seu rosto, em tudo que acredito agora.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
aperta meu ombro
Do lado de lá eu te olho e não vejo teu olhar,
Acelero o mais que posso mas levanta a cabeça e deixa-me,
Quando mergulho não escuto e não vejo o meu desejo,
Mas te vejo dentro de mim.
Como partir sem saber se me quer,
Sem olhar para trás e esperar que venha me ouvir.
Escuta agora meu pedido de perdão.
Mando embora o que não pode ser seu,
O que não podia aparecer.
Você caminha sobre os paralelepípedos,
Atravessa a mata fechada e reservada,
E eu quieto escrevo no ímpeto,
Não estou só, estou somente esperando o não.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
dizer
Ter sentido é o inverso do que sinto.
Minhas são as dores de ter o querer em todo tempo,
Temer o que não vejo e que está em todo lugar,
É o que eu não entendo.
Onde abandonar, quando largar na caminhada o que pesa,
Com que pesar penso em não carregar,
O que completamente me esvazia,
Constantemente é assim que me vens renovar.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
vírgula
De ser densa vontade de querer-te,
Para ser feliz enquanto sonho,
Em sentir-me louco por não querer te perder,
De tanto entender que não queres querer;
Coloco um ponto acima da vírgula,
Um suspiro ao juntar cílios,
Uma palavra atrás da outra sem parar,
Um sentido, um sentir na vida sentir.
aqui
Abro meu abraço e te abarco neste ser
Abaixo da mentira que me diz estou eu
Seguro o véu pelo instante de ver
A passagem fecha depois que entro
Retorno do nada
Canso de pensar quatro vezes
Antes de olhar por trás de mim
E você não está aqui.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Poema de Ken Drew
Escuro e desconhecido
Transpõe-se á cada instante
Incandescido á cada grito
em cada gemido de horror
Absorvido em minhas alusões
Desconexo
é o sentido da vida
e nela como um todo
a semelhança com nossa eternidade
e mesmo q seja tão bela
navega por de trás dos nossos olhos
e simplesmente
a vemos passar
precisa
A seleção de sua alma faminta
Mira em mim o milagre
Sei que você me quer mais.
O dobro de dar
A dobra na dor que me dá
Sem alguém pedir de novo
No sul é frio pra mim.
Moro relembrando
O homem sou eu
E volto pra cá
Durmo debaixo da escada.
Subindo pra casa
Subindo pra casa
Eu
Eu subindo pra casa.
Olhe pra mim
Estou em casa
E vivo por isto
Eu vivo.
sábado, 20 de setembro de 2008
Poema de Ferreira Gullar
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
sinais
Calça no verde da minha grama
Flor rosa na roupa
Óculos escuros no seu sol
Sorriso ao me ver, ao te ver
Toque na mão sem querer
Material guardado no cesto
Bailado estampado
Silêncio quebrado
terça-feira, 16 de setembro de 2008
letra
Relembra toda a esperança.
Algo muda pois precisa ser trocada
Já que a rega não vem.
De quem é o que produz calada?
São meus os não escritos?
Tens algo que não é meu
Mas eu já dei o que te pertence.
Seu pedaço em mim
Será sempre, unicamente teu.
cristal
Quero estar e viver.
O silencio que se fez
Transforma em cristal tudo que faço.
É leve o que levo até lá
E a dor me trás de volta até aqui.
As fotos são inocentes e mesmo assim incendeiam
Troco tudo por quase nada que tem guardado.
Traga as imagens que criei
Deixe um pedaço do que é seu.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
o céu
O céu não posso te dar
Nem te levar para comigo voar
Não te darei promessas de amor agora
Pois não sei o que é te amar
Não tenho impressão que o porvir é todo seu
Quero apenas ficar quieto ao lado teu
Calado, sem música, sem luz de cinema
Do seu jeito
Quero me cegar
Para perto você chegar.
uma parte
Onde está a luz que você ligou em mim?
Onde está sua respiração que eu escutei atento?
Eu quero voar pra te encontrar lá naquele lugar
Onde o rei fala comigo
Onde minha vida não tem divisão
Eu quero encontrar com minha dama
Que me alegra e anima minha vida
E se eu passar desta volta que o mundo deu
Eu voltarei a respirar por você
Onde está a mágica de sonhar?
Onde ouvir a musica que lhe escrevi?
Qual linguagem falar?
Você precisa entender que uma parte de mim é você.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
finjo
Nos outros todos te quero todos os outros.
Quando vejo que te vejo é que eu ensejo que a minha vida seja este momento.
Impeço o seu pedido dentro de mim pois te desejo mais que seu desejo.
Eu prevaleço e venço as vezes que distraio e me guardo de me querer bem.
Dentro está o que é minha expectativa de dar a parte que não me cabe guardar.
Diz-me se é falso, o que sua experiência diz, o que te digo em poesia.
é
É aperto de pensar se vem de novo o novo, o bom gosto de saliva, de boca na boca.
É saudade de pensar saudade, inocência de perguntar quando vem, quando ver.
Lembrar suave de suave tocar no braço, nos dedos e voltar.
Na pergunta profunda sem palavra alguma feita no olhar nos olhos.
É a saudade da saudade da distância que ainda não existe e falta quando o outro há.
É ver e simples gostar de precisar ter de quando e de vez.
É pular o minuto seguinte se o telefone não toca e a rede não chama.
É você. Sou eu.
Só eu. Só você.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
janela / 1
declamo quando tu passas em seus passos de dança.
Tua janela é meu pouso, descanso e sono.
Sonho em te ouvir me ouvindo no meu peito.
Esta janela é a moldura do homem que sou,
na parede que me colocaste.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
saber
Que tudo é inútil saber
O que você pensou e calou.
Será inútil dizer, amanhã, saberá
O que você quis dizer
Se você amanhã amará.
Será consolo pensar, ontem, eu já sabia
Que tudo que é inútil pensar
Se você não dizia
O que você não queria.
Será útil pra nós
Será amanhã pra você
Será ontem só.
domingo, 31 de agosto de 2008
é sua.
Não sei bem o que vi, mas vou tentar dizer.
Bela!
Seu seio no vão, não em vão, e sim pedaço de amor.
Seu cabelo, desfilo contigo em qualquer lugar.
É minha, é minha musa.
Minha lady, meu leite, doçura.
Brava mulher, sua vida é linda.
Apaixonado eu te diria que minha vida é sua, se seu eu já fosse.
Incesto ao certo ou incerto amor.
Carinho, tato e músculo.
Admiro sua verdade, sua coragem, seu silêncio e entrega.
À sua vitória, sou seu general, sargento, ajudante-de-ordem.
Quero você nos meus braços, no meu colo, na minha boca e na minha poesia.
Você é personagem, personalidade que ainda não conheço.
Não te perco para a razão.
Soletro seu nome na porta do céu.
Abra!
Ela, minha vida está aí!
É momento, mas é pesado, embalado e despachado.
Entregue em minha memória quando preciso ser feliz.
vou
sou papel sobre a mesa e espero seu peso.
se o silêncio é sua mente pedindo tempo
minha conquista será minuto a minuto.
se for tudo o que quer para o resto de sua vida
eu darei o passo seguinte.
se for apenas seu sonho, se for apenas minha imaginação
algo já está no ar.
você baila no ar
Leve.
Me leva de forma óbvia
Eu falo.
Sua voz é foz
Enche meu tempo.
Meu apelo após
E durante supre.
Imagem esbelta
Lisa e bela.
Fechas os olhos
O sol é seu.
Roupa verde
verte a rosa.
Para casa
Escola e decola.
Alonga o pesar
Por ser o poder
Dizendo não.
sábado, 30 de agosto de 2008
Seja gaia
Leva-me e deixa a expressão completa.
Sorrir em sua insuficiência... se é finito o sorriso que se complete quando o frio chega
Seja-me suficiente, e me deixa repleto de ti
Não gosto da plenitude... tudo que é pleno se limita...
Mas no instante em que tenho, não tenho o limite em mim.
*autora anônima (ou como queira)
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Leve
Concerto da sua voz
Seus olhos eternos
Seus braços insistentes
Suas pernas no balé
Seus cabelos seus
Sua pele leve.
Esperança do seu toque no meu braço.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
como salvar?
também não a quero dividida entre terços e quintos
onde arranco o ouro,
onde no pedaço no asfalto
pratico o assalto
e me espalho no resto do dia.
Um carro arranca comigo e outro vai para outro
E eu dando adeus da janela com os olhos molhados
Onde eu lavo minha garganta
Onde canto no canto
E me escondo um tanto
Que me sobra no pouco tempo que tenho.
Help eu grito e nem o editor entende que paro pra me ouvir
Minha escolha encolheu minha vida
Tudo ficou importante e desinteressante
Cheira a ver com dois olhos e não aos pares
Impeça-me de parar, me peça para ir
Não toque meu lápis
Meus dedos
Meu ser, meu laptop te esconde.
O local não existe mais para voltar e eu não quero minha vida de volta
Aquela já acabou
Outra música que tocar será minha preferida
Outra hora
Outra espera
Outra eu quero
Eu quero outra vida.
Agora ou depois, tanto faz.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
me trouxe
Foram as águas que trouxeram.
A flor preferida quem levou?
Foram as primeiras águas quem levaram.
Em qual olhar mergulharia tão fundo, tão fundo?
Em seu mundo, em seu mundo.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
alvo
Se a alma suportou o erro
Se o perdão me aproximou de ser
Eu me rendo inteiro
Eu me detenho
Eu sou todo seu.
As estrêlas criadas
Os mares imensos
Todas as montanhas
Todo ser que aqui habita
Deveria saber
Meu desejo agora
Poder te conhecer e reconhecer.
Eu não sei o que sou
O que virei a ser
Qual será o sentido
E o que pretendo
Com tudo isto.
Dizer que ainda espero
Sonhar com o que eu quero
Com o que me deste
Naquele instante
Em que te conheci.
Você está em mim
Na ponta dos meus dedos
No fundo do meu coração
Em todos os sentidos
Você simplesmente é.
Mesmo sem te ver
Sem ouvir sua voz
Sem sentir o toque
Sua presença ocupa meu viver.
Seu poder de mudar meu mundo
E mudar minha sorte
Trazer a alegria
Torna-me mais forte
Para eu viver.
Sem você nada é completo
Por isto eu espero
Estar mais pleno
Com o seu amor.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Resistência
Minha tristeza é parte do que sonhei pra nós
E agora vem o tempo de chuva e ficarei mais em ti do que em mim
Eu sou de você a partir do momento que me lembro de pensar
Já nem sei o que falar pra te convencer que eu sou assim
Porquê jogar fora o que eu arranquei de mim?
Pois as coisas são assim, você diz
Mas falar me exercita a mente e eu não deixo para semente o que é seu.
Se morrer o que há em mim o que darei pra você?
Arritmia, seu carinho é sua voz.
Sossegado, sou eu pensando em nós.
Esperando, a solução a sós.
Eu procuro a saída ou a porta da entrada por onde eu vim.
Se eu não falasse, seria falsa a promessa que fiz
Manter fechada e murada minha casa.
Resistência, é você quem faz,
Poesia, fui eu quem fez.
A paixão só está em mim.
baixinho
Você pode chorar baixinho?
Pode ir lá para fora?
Eu não.
Podemos agora chorar juntinhos,
Podemos sentir o principio do frio,
pensar que nada acaba.
Antes de querermos,
de podermos.
Ser.
Um tanto que nos baste,
por um momento,
por nós apenas.
Peça
simulacro será teu nome para mim,
produzindo a ilusão de amor.
Tu, imagem,
oposta a realidade me enlaça.
Ultrapasso meu senso,
desfaço meus próprios teores,
em determinado momento.
Tua, é minha,
aponho-a em tua mente.
Entendo a posse da razão,
que está em ti, não em mim,
a necessidade sim.
Tu és,
agora és,
sempre serás a incógnita.
sábado, 16 de agosto de 2008
instantes
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
alternativa
Poderia apenas pensar,
Sem tocar em ti.
Poderá viajar sem mim,
Sem abraço no frio.
Assim eu sofrerei por não ter nada.
Neste mundo eu encontrei você
E você parece que está aqui
Você parece que está ali.
Eu não te conheço pra te falar que te admiro
Mas que alternativa eu tenho?
Não sei, não sei.
Prefiro a mentira,
Se me disser que não quer minha companhia.
Sua boca eu espero, sua boca macia
Na minha.
Que sonhos eu tenho com você.
Poderia pensar apenas em ter você,
Apenas em mim.
Que alternativa eu tenho?
