segunda-feira, 30 de junho de 2008

xotinho

querendo que ficasse o mistério, eu lhe disse tudo que pensava. faz-me um carinho mais e me diz qual é seu segredo maior. és casada, já sei. por isto andas tão recatada e nem me admite um olhar. um sorriso já me deste e um rebolado também, se bem que este não vou contar. pra ninguém, nem pra efeito contábil. se sou eu compromissado, que te importa se nem chegas na porta pra me ver passar? eu escrevo poesia, se tens alma -o que eu já duvido - devias ler qualquer uma e enxergaria uma pontinha de tudo, que sinto bem aqui. sua amiga, de infância imagino, me disse que saiste a passear e como a cidade não é grande, saí eu a te procurar. qual não foi minha surpresa que nem consegui sair do lugar, pois estava acorrentado e ferido preso no meu devido lugar.
perdido no meio do sentido, também não pude mais nem falar. quando voltares , se quiseres conversar, saiba que tens em mim um amigo que te quis o bastante, pra agora querer so te olhar...

poesinha 1

eu não escrevo poesia. poesia, poesia mesmo não. nem busco medição, coincidência, ritmo ou mechas no cabelo. procuro é um abraço, uma pinta, sorriso despistado e uma olhada que só ela entende. entende?

fome 2

tenho a fome que seca meu corpo.
tenho a fome que toca meu orgão.
tenho a fome da carne.
tenho a carne, não tenho o corpo.
toco meu orgão.

fome 1

a fome veio e me tomou o corpo todo. era a tarde do dia seguinte e seu desleixo havia me deixado deitado, de quatro,com seu soslaio imaginade. tentei levantar e me lavar mas a fome era tanta quem nem tive a força. se estivesse aqui e eu pudesse me virar de lado e te tocar. vi você na fronha, branca, e não vi cor quase mais nenhuma que me chamasse outra atençao. só seus olhos não eram tudo. eram só.

rápido, antes que acabe a eletricidade

Fiz 63! Completados hoje, agorinha. Não sei se serão lembrados. Sei que todos foram vividos muito intensamente e nasceram de ti! Inclusive este minha flor escondida.
Imagino você no campo, uma única flor, vermelha, caule longo, duas folhinhas pequens grudam nele, não são seu sexo, mas são a parte que chamam a atenção. São seus bracinhos fininhos, fininhos que balançam junto ao seu corpo de flor, ao vento, ao mover-se, ao dançar.
Sua cabeça, está voltada para cima, buscando o sol e dela suas pétalas saem, abrndo-se para o beijo. Você balança ao vento ou é ele que se move a sua volta?

Sonho

Meus sonhos eu coloco no coração.
Mas não dentro, é atrás onde eu ponho.
Como se fosse atrás da porta.
De vez em quando eu teimo em tirar de lá.
Ou então os vejo pela fresta e temo que já não caibam tantos.
Aí eu arrumo outra porta que possa recebê-los.

domingo, 29 de junho de 2008

Clama

Ruiram! Eram duas pernas grandes, de altura e finura inimagináveis, que pisavam sem preocupar em pisar em ovos, esmagá-los, ter seu interior grudado nos pés nus. Deram passos por cima e a cada passo eles tocavam os céus com as pontas dos pés e de lá espantavam os anjos do Senhor que dali olhavam tudo e quando isto acontecia, eles espantados em si mesmos, duvidavam incrédulos do que viam ser escrito, marcado - rastros no coração de outros - no chão, piso lustrado para um casamento, que refletia a glória do céu aqui na terra. Caído, não viu que o sol, durante o dia, que não via ou o frio, que durante a noite, não sentia, eram obras dos anjos que o guardavam. Ordem do alto. Do altíssimo. E então descansou sob a sombra.Do Altíssimo.

Põe aqui as armas que usou.


Arrancou a poesia de dentro dele e a segurou no alto da cabeça. Foi carregando aquela coisa pelas ruas sem preocupar se ia secando ao longo do caminho. Enquanto ele vencia os dias, mais seus pés ficavam menores quase já chegando em suas canelas. Afundava. Sentou na sombra da noite e chorou aos pés da musa e pediu um novo calcanhar. A musa entregou, ele gostou, um cotovelo quebrado, um crânio partido e ainda lhe lacerou os dois joelhos. Abriu seus olhos tão de repente, a musa faz e desfaz, que nem deu tempo, apesar do tempo que já estava ali, para sorver toda luz amarela que entrou. Sua pele esquentou abaixo de seus olhos, a boca travou. Agora estava pronto. A respiração ainda era a mesma, a esperança queria ir embora rapidinho dali, pra que ele pudesse ir atrás.

sem plástica nenhuma

Coração embalado em plástico, meio apertado, meio folgado. Pra não morrer de vez, uma vez que a carne foi fraca, agora tem que colocá-lo na geladeira ou no freezer e esperar quando for descongelar. Pra comer, pra suar, por dentro e por fora.

Entenda

Understand
Joss Stone

Composição: J.Stone,B.Wright,A.Morris,M.Mangini.S.Greenberg

Eu espero que você entenda
Que eu não posso sempre ir quando você liga
Entenda que todos têm seus defeitos
Por favor entenda não se preocupe com quem eu estou ou o que eu faço
Porque eu entendo que estou apaixonada por você
Você entende que eu estou apaixonada por você?
Eu continuo repetindo nossa música no meu ipod, mesmo quando eu durmo e no meu sonho eu estou te abraçando sozinhos em uma ilha, só nós dois
O último cara me teve, não me tratou como devia
Ele sempre reclamava que eu estava tão distante
Não me trate desse jeito você tem que confiar em mim, porquê não vou ser comandada
Eu espero que você não esteja imaginando coisas
Eu espero que sua memória esteja cheia de bons momentos comigo
Não se venha me ver, se agora eu não posso atender o telefone
Porque você sabe que logo eu estarei voltando para casa

Liga para dar liga.

Fala!
Eu não te ligo!
Me importo!
Mas não te ligo!
Me envegonho assim.
Totalmente em você.
E em você não há eu.
Há?
Há!
Então, me liga!
Eu não ligo...

Mores amores

Minha mãe nunca me deu receita nehuma. Eu somente lembro dela saindo. Voltando eu lembro de esperá-la. Lembro, sem muita convicção, dela fazendo feijão. Agora até quase sinto o cheiro do refogado. Com alho, justiça. Lembrar é algo que me dói. O cheiro vem junto e a saudade vem do fundo da alma que é o lugar onde ficam as tristezas. Sua mãe deve ter lhe dado conselhos, modelos de roupas para por nas suas bonecas, medo de homem no escuro, medo de gente estranha, bala oferecida, ladrão de alma. E você, o que faz com as criancinhas? Deixa de ser danado, diria minha mãe e a sua devia dizer também.

A lua tá minguando mesmo ou ela já tá cheia de novo?
Perdi o tempo de contar a lua.
Acho que ela tá vindo mais cedo, depois de me ver assim tão disposto à ela.
Minguou a lua.
Eu?
Eu corei de novo quando vi que tinha decorado sua face.
De cór eu sei os dias que passei pensando em você.
Mingau na boca eu quero, apesar de não gostar, gosto só do gesto de carinho.
Que é o que preciso agora. Não quero nem saber da lua. Quero na boca, mingau e um beijo seu.

Tiranossauro

Tens me mantido afastado do que? Do bem ou do mal? Tens sentido algo parecido com uma verdade absoluta? Tem sentido ser surda ao grito que te chama? Para um pouco além de suas razões deve haver uma razão, mais justa. Será que devo esperar, palavra que chama-se tempo de dúvida? Com ela vem a dor, e eu já sinto-a. Conseguirei pensar em você sem ter um pingo de dúvida? Seu nome para mim agora é misterio. Nele eu estou envolvido todos os dias desde então. Tens prazer em me fazer esperar, ou me deixar a espera? Sua parcela talvez nem seja sua. Tens alguma convicção que não quer revelar? Algo há, eu sei, mas nada encaixa. Nada me responde. Tens este jeito para tratar o assunto? Me dê uma letra de música, de poesia. Me mande uma melodia que possa guardar. Que seja diferente da que me traz uma quase tristeza. Tens me inspirado , é verdade, mas o respirar começa a falhar. E a dúvida, esta palavra que quer dizer tempo, me interrompe, dá-me medo. O encanto não é nunca maior que a realidade que se repete todo dia. Tens se silenciado para que eu não veja que está aí? Tem algo aí escondido e você somente observa? Ou já saiste com tudo o que tens e eu grito para ninguém? Tens prazer? Não acredito, prefiro imaginar que me olhas de relance, de vez em quando. Do jeito que quem namora, meio saindo e ficando. Tens um jeito que me prende ao seu redor. Tem um tempo para ouvir-me aqui do lado de fora? Queres por um instante desvendar seu mistério? Queres mergulhar no meu?



Já sei! Você acha que eu tiro tudo do tal de saite. Ou do tal de sítio, em português, pra ficar melhor para publicar um dia. Eu tiro é de um lugar que se chama vida. A minha eu não sei se é. Mas tiro mesmo é dos outros que o melhor lugar pra pesquisar, pra se deitar até debaixo, e esperar cair de tão maduro. Depois é so colocar pra fora. Não em forma de escremento, que é uma porqueira que se encontra em qualquer lugar, mas sim de vento que espalha sem se notar. Saio com ele descontrolado em todo sítio sem pensar.

sábado, 28 de junho de 2008

Uau!

What is the danger? What I say I want to live. Crazy, passionate. To remember always I want to dive Within you Being more lost When I find I still remember you

Este tempo

Quero estipular para o tempo que todo meu sentimento será teu,
quero estipular que não haverá mentira, que haverá paixão e troca de carinho e de carícias.
Quero estipular ao tempo que durante o tempo que durar, tudo será lembrado e no final do tempo, que chegará e terá que chegar, ficará o tempo que eu vivi um tempo, que você viveu um tempo.
E aí o tempo poderá suspirar.

o avião é mais seguro

Assim eu acho que me queres.
Você tem medo?
Eu também.
Do avião não decolar,
de você não acreditar,
de mamãe descobrir,
de ser feinho pra você,
de ficar velho,
de ser mentira sua não me querer,
de ser verdade.
Mas me fala se não.
Ou melhor não me fala não se nunca tiver pensado em mim como eu penso em você.
Aliás, tô com medo de ouvir isto, mas é melhor isto que o silêncio, o branco total ou o medo de sentir o que sinto e não ter onde escapar.
Me dá uma chance de escutar você dizer bem baixinho: eu também tô afim de você.

To be continued II

O que fará ela sair dali? Já tentara de quase tudo... O lado de fora estava pior, é certo, mas ficar ali não podia ser a melhor decisão. Lembrou de uma cena do livro Admirável Mundo Novo, em que um dos personagens tenta convencer o outro, aos berros, a sair de onde estava e não consegue. Teve receio de ter gritado demais com ela naqueles dias e talvez a tivesse assustado de verdade. Como aquele personagem de Aldous Huxley . Pensou em chamá-la pelo nome, trazer-lhe algo familiar, mas ele também tinha seu coração apertado pela dúvida, de ser ainda algo para ela, pensou nisto e o coração apertou mais ainda, e, pela segunda vez em poucos dias teve medo, muito medo. Medo que lhe fazia gelar, começava pelas costas dos braços e ia até a ponta dos dedos. Sentiu seu corpo arrepiar, seu estômago estava revirado. Toda situação aconteceu, pensou ele, por sua causa, tinham se esbarrado a pouco tempo e ele já a olhava como se fosse a única. Queria no início apenas chamar atenção para si e para seus problemas e ela nem ligou muito, mas o pouco de atenção bastou para ele se confundir e sentir-se importante para ela. Cada vez que se viam ele notava algo. Sua pinta no braço era algo que lhe atraia. Achou estranho, mas não era apenas uma marca, era um modo de observá-la e saber que aquilo fazia parte da identidade dela. No começo não deu muito crédito ao que podia acontecer no futuro, mas a medida que sentia seu mundo complicado, buscou ajuda. Onde mais, pensou, e a procurou em sua casa e quando ela o viu disse a ele que não podia ser sério e lhe perguntou o que fazia ali de novo. Quando viu que ela não dividiria seu próprio mundo e o mundo dele não a interessava, fechou a porta atrás de si. Na batida da porta a chave se trancou pelo lado de dentro e ele agora tentava de todas as formas entrar, mas ela já não lhe respondia. Estava preocupado em saber como faria para viver sem ela, sem tocá-la, sem ter ninguém para falar seriamente e sua amargura aumentou ainda mais quando chegou a conclusão que ela jamais voltaria para ele. Imaginou-a morta. Nunca mais leria o que ele publicava de tempos em tempos. Era assim que melhor se comunicavam, ele sempre pensando platonicamente e na verdade não sabia se ela absorvia, ou se lia, o que escrevia pensando nela, e ela em seu mundo que ele não tinha a menor idéia como era. Seu coração se acalmou quando lembrou que ela sempre pareceu segura, a não ser logo que se conheceram, quando ela quase desmoronou e ele a amparou, e imaginou que ela estava bem, mas no fundo ele queria muito que ela precisasse dele mais uma vez. Apenas uma vez, seria o bastante, pensou.

Solilóquio

Silêncio não obsequioso.
Silêncio prudente.
Silêncio observado.
Palavras? Não sei se o são.
Sei sim que calo não.
Silêncio esquisito, respeitável, admirável.
Até. Até? Áté!

laboratório

Sabe o que é minha flor? é que eu acho que eu tô te comovendo com minhas palavras. É que fico pensando o que passa se você passou por algo parecido, se comeu algo que não lhe faz bem lembrar, se desceu na estação errada, sei lá. Converso assim para que a conversa fique leve, meio linda e eu continue preso no raciocícnio lógico. Porque se deixar sair do modo com filtro é capaz de até eu te xingar. Sua...há, há, há. Calma... já voltei. Pois então (como se diz muito hoje em dia...), fico achando-me meio besta de dizer o que digo, e olha que não é pouca coisa. Dá uma conferida nas escolhidas, elegidas (é elegida mesmo!), enumeradas, marcadas na cor da maçã vermelha. Você afinal pensa que o que sinto (somente quando respiro é que sinto), é verdade verdadeira, passageira ou dirigida? Queres amor feinho, cheinho, com cheirinho e com carinho? Algo de gelado acontece no laboratório e que não acontece no mundo estelar, para que você não saia mais de lá.

Gelada?

Ela é de gelo.
Gelatina ou geléia sou eu.
Ela é de voz doce, seu ouvinte eu sou.
Ela é olhos, eu não posso nem olhar.
Ela não quer, eu.
Ela não, nem sei se não.
Ela senão, pois não, paixão.
Eu? Sonho não!

Mais além

Conscientemente eu almejo ter seu corpo, esquio, escalo, domino.

Finco minha bandeira ao alto do monte e acaricio seu manto e sinto o vento de seu suspiro aumentando meu contentamento em estar colado,

calado, corpos respirando juntos,

sucessivos e conjuntos na respiração vagarosa, prazerosa,

momentânea e completa, já que a vida podia terminar agora.

O que seria pra manchete que ninguém entenderia o porque de tanta paixão,

corpos nus encontrados no ato final.

Eu te desejo como mulher que és,

como senhorinha, como suco, tomo-o, sorvo-o,

e para te enaltecer, digo que és uma delícia, carne viva e branca, leitosa,

longa, sem fim e acima e abaixo eu acaricio esta pele, estes poros.

voa

saio do inferno

vou estar no céu amanhã

agora é inverno

se você bater suas asinhas

posso te ver voando

pra mim

só pra mim.

tá moleza

Coisas que eu sei:
o esfíncter arrebenta, uma hora ou outra. Acho que mais a outra do que à 1h;
alongar faz bem pra panturrilha;
água gelada é fria;
gordura bóia na água fria ou quente;
prostáta, esfíncter e a outra coisa que esquecí o nome não são a mesma coisa;
a Regina não vem;
nem a Renata, nem Camila Parker;
a professora nunca ganhou maçã nenhuma;
o Brasil tá em segundo;
o segundo tá parecendo meio;
eu não te escuto, não te vejo, bem.
meu bem;
andar sem pisar é bom;
bicicleta é moleza;
balé é dureza;
pior é o fim;
quando não te vejo.

Sementeira

Hoje, enfim, cairam as primeiras gotas.
Escorreram com dificuldades enormes, terreno rachado.
Face ocultada, não vista por você.
Preciso de água em minha terra.
Quero plantar algo aqui, que eu possa tocar.
Sem levantar da minha varanda, carinho.
Olhar e contar de pertinho.
Sem machucar, sem doer, sem espetar.
Sementeira é meu coração.
Vem colocar sua plantinha aqui, vem?

vai entender. vai...

Tem umas musiquinhas que se não fosse a hora da madrugada e o frio que sinto um pouco acima da minha cintura, eu teria percebido antes...
Tem uma que fala assim: "eu não veria flores dentro de mim".
Se eu te amasse tanto assim eu também diria isso...
Outra diz: "big girls don't cry"
E ainda: "te amei no meio do temporal e fui além do vendaval"...
Interessante como a mente acompanha o que estamos pensando, ou querendo e sentindo.
Um amigo dizia que o homem, ser, faz apenas o que é de interesse próprio.
Eu não concordo muito e nem sempre...
Afinal quando é de interesse de muitos ou de alguns, ou de ambos, o que parece interesse próprio acaba se tornando...da maioria.
Não tem como ser individual?
Amar sozinho, apaixonar-se sem apaixonar o outro, libertar-se com a mesma facilidade que se prendeu.
Lembrei de outra música: "como se eu fosse flor, você me cheira"...
É de uma sinceridade purinha, purinha. Cheirar ela e se lembrar da flor.
Ou ao contrário.
Imagina a cena: você andando no campo, vê uma flor, cheira-a e se lembra da outra. Flor.
Dá até poesia...
Ando pelo campo
O vento me toca
Sinto o seu tocar
Procuro
Vejo uma flor
Vejo você
É...tá beeeem fraquinho. Mas foi sincero.
O lance é que sinceridade não é o bastante. Tem que ter arte neste meio musical .
Se bem que, estando eu, no estado que estou, hospitalizado, qualquer coisa me levanta o astral.
Liga na Ivete e fala pra ela passar recibo pra você que eu não posso ir!

Desaparecido

Fiz algo parecido.
Passado, me procurou estes dias.
Conhecimento, um toque, uma carícia, um beijo, mãos nas mãos e nada mais.
Foi para sempre lembrado, insistido, ligado, desligado, procurado.
Machucado.
Tempos em tempos.
Tempo volta e me cobra o perdido.
O largado.
O absurdo da paixão.
A consciência roubada, o cativeiro.
Nunca te libertei.
Agora presos, você, que mal conheço.
Eu, que nem conheço-me.

prazer

ouvi agora uma música que fala, mais uma, do que está acontecendo no mundo. Meu.
como somos ligados, parecidos, apesar das distância. Não todos.
penso nos beijos, únicos, que nunca aconteceram. Não pra mim.

todas são

confesso em pé mesmo, encostado na parede, junto ao pó, na junção.
confesso a mim, primeiro, a você, agora.
já havia acontecido, já havia sofrido, já havia esquecido.
respiro com dificuldade, suspiro sem parar, descompasso a batida.
esperei, me deitei, pensei e vi o dia chegando e me levando de novo e de novo.
porque, não me fala, não me toca, não espera, não quer que te leve.
leve seria se me ouvisse, se me olhasse e me ajudasse, a esquecer, a não te querer.
pensas; olhas menos e sentes mais.
confesso não me lembrei como era estar junto à parede, sozinho, perdido, amoroso.
me liberta agora que estou ajoelhado, querendo ser calado.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Quarto

Fala a verdade pra galera, eu e você no caso. Achas indecente que andemos juntos, lado a lado, pelo parque de mãos dadas? Hoje em dia é incomum isto, eu sei, mas sei que os tempos mudam. Não quero que me fale tudo que pensas mas podias me dizer se o quero é impossível ou similar. Rogar aos céus, eu sei muitissímo bem, não pega bem. Por que nosso caso é de pecado, mas o que fazer se meu coração não estava no altar quando eu te vi? Se falares comigo o que deves, talvez eu me comporte melhor e até me torne seu amigo menor. Hum... Não sei não, acho que acabaria te amando, pois eu nunca vi um coração tão cíclico como este que lhe fala. É! Cíclico! De tempos em tempos, como um relógio, ele dispara um alarme em mim. E torno eu a me apaixonar. Coração de prata, eu boda, ele bóda. Não sei se a nobre gatissíma poderia me explicar esta doença, ou talvez tratá-la com algum remédio federal, mas seria ótimo tê-la, pelo menos como minha enfermeira diarista. Não te daria um emprego, te daria trabalho... Mas se você quiser pode me despedir agora, sem me dizer afinal se quer andar comigo de modo jovial. Daquele jeitinho que andam os que querem se conhecer. Com risinhos, namorinhos, beijinhos e arrepios bem pequeninos sem muito mal...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Chegou

Cada dia que passava eu achava que seria aquele o dia. Cada vez que ouvia algo lá fora eu respirava mais rápido e corria até a porta e procurava de onde vinha. Era você, era o vento ou era eu cochilando mais uma vez? Você já respirou como se fosse pela barriga? O ar parece que tá todo lá e nossa respiração fica pesada. Fiquei até cansado de subir até aqui. Não quero mais sentir dor de cotovelo por que lá eu não consigo morder e nem ver direito o que me dói. Quero sentir dor de partida, de parto talvez até, mais uma vez só e basta. Quero ver a lua como ela realmente aparece no céu. Tô cheio de vê-la tão cheia de mim e de você. Mas que ela é bem bonita em dia frio com você pertinho, isto ela é. Mesmo se é só quando estou com os olhos fechadinhos, fechadinhos. Tentei falar com você até por telepatia, para ver se algo acontecia, se eu ganhava tempo, se respirava melhor, se parava de pensar lucidamente, se me copiava em seu desktop, se me parava no sinal, se me atropelava sem me ver, se me cantava sem eu notar, se me matava de gozar, se me sentia ao seu redor, se me escrevia um scrape, se me add, se me punha um depô, se me ouvia te gritar, se fazia chover, se sentisse frio, se eu pudesse ir até você, se eu não estivesse aqui e sim aí. Mas durona de coração bom, me colocou no meu lugar que é aqui. Nada é pior do que não poder te ter. Mas ter pra você, não acrescenta linhas na sua mão, nem rugas no seu belissímo rosto de princesa holandesa, nem poderia porque seria um pecado. Eu sei. Acho um desperdício jogar fora tanto o "se" como também é uma loucura aproveitar o "sim". Ah! Sim! o silêncio é sábio, a espera é para o paciente. Já sei! Serei paciente e esperarei a perfeição em matrimônio, em patrimônio, em patermônio e não esperarei para ficar mais doente. Eu quero uma doutora! Em psicologia, em desportos, em balé, em capoeira, em fazer sorrir e sorrir, em simpatia, em alegria, em que sorriso, em que voz deliciosa, em sabedoria, em dizer não em não dizer sim, em me gostar, em me suportar, em me fazer sonhar, em sem perceber, em sem me fazer esperar, em me inspirar, em me fazer sofrer e em me fazer de paciente, sem doença. Quero cheirar a doce memória de algum dia ter tido você quase minha, em mim. Apenas pra você menina do apartamento 27, eu falei baixinho no hall do prédio, perto da piscina, você lembra? Preciso te falar 10 minutos... E foram anos, os dias que te imaginei.

Terço

Que será que pensa minha flor?
Serei sonho?
Serei verdade?
Se é meu o sonho, quem me acordará?
Se não me crês, algum dia conhecerá a verdade?
Se desejo te tocar, que farei com o desejo quando acabar a vontade de querê-lo?
Serás silêncio sempre?
E se falares, eu saberei e quererei ouví-la?
Virás?
Partirá ao mesmo tempo que eu.
E não nos veremos mais.
Enche-me de ti. Tenho toda sede que tiver como me saciar.
Toca-me bem fundo com sua beleza e com o tanto que quero ouvir-te dizer.
É verdade quase total o que te digo, pois nem sei o quanto louco e insano pareço.
Quase bobo. Quase bebo o que escorre. Me diga logo que não é possivel sorver de ti.
Dois passos meus pra cá e seus três pra outro lado. Onde andará a flor?
Será bela pra outros, será ela sem ser minha. Juntos com outros seremos nós?
Socorro busco fora de mim mesmo e estendo os braços para você, fiel da minha balança.
Neste instante tudo é somente você.
Que estranho, chato, inesperado será se não for como quiseres.

quarta-feira, 25 de junho de 2008


"Se alguém te louvava,
De gosto me enchia;
Mas sempre o ciúme
No rosto acendia
Um vivo calor
Marília, escuta
Um triste Pastor.

Se estavas alegre,
Dirceu se alegrava;
Se estavas sentida,
Dirceu suspirava
À força da dor.
Marília, escuta
Um triste Pastor."

Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga

Tristinho ou Alegrinho

Que saisse logo de dentro de mim o que eu queria falar.
Não sei se a cena seguinte mudou por causa deste desabafo. Eu não me senti melhor nem pior. Apenas declarei e confesso que me senti um pouco ridículo, no frio todo que está fazendo, me descobrindo assim. Mas é este meu papel nesta história, meio Tristão, meio Dirceu. Senti mais tarde que quanto mais eu me aproximo da vida real, mais impossível fica representar o papel que eu tanto quero e que tantos sonham, noites e dias, o de um homem apaixonado. A esperança é que encontremos alguma saída que me faça crer que nada foi em vão. Sei que chorarei em algum momento desta história, pois eu a considero triste, e eu imagino que já sei o final. Não temos onde representar ou ensaiar e não temos experiência nesta arte. Preferia dar a volta e encontrar com você em outra história, talvez de amizade entre um homem e uma mulher. (Ai! que mulher linda). A arte é exposição de tudo e me expor, mais uma vez te digo, apesar da minh'alma de artista, é muito doloroso estar quase nu nestas cenas. Isto mesmo tendo tanto prazer representar com você, ou melhor, para você, já que não sei se você me considera parte da sua história de alguma forma. Bem, a hora chegou, e acho que passe rápido de ator coadjuvante para artista principal. E não sei se terei minha Isolda ou minha Marília. Preferia que fosse você mesma.

Segundos

- Faaaala!
Gritei pra ela.
E ela fingindo interesse:
- Nããããão!

Primos

Sonhei esta noite com você flor.
Estavas de verde e rosa.
Seu cabelo brilhava ao sol do inverno que começou.
Minha mão esquerda tocou sua mão direita.
Suspirei receando que fugisse.
Espera!
Quero lhe dar algo, entregar um pedaço de mim.
Toma, eu disse.
E lhe dei um livro todinho escrito por mim.
Podes não ser minha, mas és minha musa.
Inclusive nos sonhos.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Oras! Sempre as horas

No entorno da sua blusa verde me entornei e me enrolei ao falar-lhe as primeiras palavras. Ela me fitou com seus grandes olhos. Eu nunca a tinha visto tão tão bela e sedutora. Seu olhar me afastou, mas a vontade de falar-lhe fez resistir e insistir.Ela era a mulher mais linda, com certeza, da festa. Ela sabia disto e não se esforçava. Era naturalmente chamativa sua beleza. Agora que a via de novo tão próxima não sabia o que dizer, onde colocar as mãos. Sabia que se demorasse a falar-lhe, ela seria chamada para novos fotos, eram muitos fotografos que queriam fotografá-la, e eu queria, na verdade levá-la para fora no jardim onde eu poderia dizer que sabia de tudo. Seis meses antes deste encontro as coisas não seriam como agora tão confusas e claras ao mesmo tempo. Eram tempos que havia apenas trabalho em minha cabeça e agora, cansado, era a hora de descansar em algo. Os dias, naquele tempo tão quentes, eram mais longos e quando eu chegava e a encontrava em casa, era como se meu mundo mergulhasse em algo viscoso, que me engolia e entorpecia. Não sentia quase o gosto da comida e a cama não era o melhor lugar para descansar. Ela quase nunca me procurava para fazermos amor e apesar do meu cansaço eu dormia virado para o lado contrário, sempre esperando seu toque em meu ombro, mas isto nunca conteceu. Eu já não a olhava nos olhos. Meu maior receio era de que percebesse que a aventura que haviamos proposto viver, tinha acabado. Sei que para ela não seria difícil, mas para mim seria terrível. Eu não a amava mas a paixão não tinha acabado dentro de mim. Por isto era tão difícil olhar em seus olhos e confessar que eu havia fracassado em fazê-la viver feliz ao meu lado. Depois de algum tempo ela começou a viver como se o amanhã fosse certo e isto me irritava, pois os dias eram para mim únicos, incomparáveis. Não sei me esforcei para lhe mostrar claramente isto, ela não prestava atenção mesmo. Quando sentia seu perfume nos cabelos ou em suas pernas e lhe falava isto, ela apenas ronronava e não me desafiava para dizer mais. Desafio. Era isto que sentia ao me aproximar dela esta noite. Senti meu corpo todo e me pus ereto para mostrar confiança. Ela me demonstrou em um olhar que estava na defesa. Perguntei-lhe porque não respondia meus recados e ela se fez de desentendida e desinteressada em responder. Dei de ombros, não fazia diferença agora. Eu tinha lhe escrito dezenas de vezes e nunca me respondeu, nem de forma indireta, se havia algo que lhe havia tocado. Esbarrei de leve em seu vestido verde e toquei a ponta do meu sapato em sua bota. Pedi-lhe desculpas como quem esbarra em alguém na rua. Sem esperar resposta. Tinha pressa e falei-lhe no ouvido chamando para irmos para o jardim, apesar do frio era o melhor lugar. Queria vê-la novamente sob a lua, tocar seus cabelos, agora cacheados e de outra cor. Estava linda. Quando a conheci era a mais bonita e comunicativa da turma e seus amigos diziam que era muito inteligente. Acabara de se formar e já trabalhava, muito. Eu fiquei impressionado com ela desde o início, tão nova e batalhadora. Em sua cidade, no interior do estado, era a princesa de todos. Talvez se sentisse assim nesta festa. Todos estavam de olho no que ela iria fazer nos próximos dias. Era uma artista, uma star, uma pessoa que todos fitavam e obedeciam como escravos. Ela gostava disto naturalmente e seus gestos no meio daquilo tudo eram suaves, naturais. Mas fortes e marcantes. Diziam que ela malhava muito para manter seu corpo tão magro. Vendia saúde. Em outros tempos eu a teria seduzido e levado para longe daquela festa. Mas hoje, não sei se conseguiria tocar-lhe. Estava velho e fora de forma física e meus olhos, o mais chamativo que ela achava, estavam cobertos por grossas lentes. Antes eu a carregaria com facilidade. Como daquela vez na praia em que a carreguei para mostrar como eu era forte. Exibicionismo puro. Os jovens são assim. Ela confiava em mim e eu me entreguei a isto com todo empenho. Susteia em mim durante todos aqueles anos. Mas agora ela não precisava de mim para contar-lhe histórias durante os acampamentos, na fogueira, ou durante as viagens que faziamos para o norte todos anos. Como eu a amei. Foi amor a primeira vista e eu disse para todos que a teria, e nossos amigos me disseram que ela amava outro. É paixão, apenas paixão eu disse. Convicto disse que ela me amaria. E me amou. Chorava quando minhas viagens demoravam mais que o programado e quando voltava faziamos amor de modo inexplicável. Para quem já estava junto a tanto tempo. Aquele momento no salão de festas de um elegante hotel, não podia ser rápido como teria que ser. Estava ainda apaixonado por ela e queria dizer-lhe isto pessoalmente, mas ela fugiu durante vários dias não ligando nem quando lhe mandei flores. Do campo, pois nunca lhe mandei rosas. Achava que era pouco para demonstrar como eu a amava e admirava. A vida sempre foi corrida para mim e não poderia de forma alguma deixá-la ir sem explicar o que havia acontecido, assim tão rápido . Porque eu voltara e mais ainda porque eu tinha deixado tudo para outro. Ela se adaptou rápido. Foi isto que me fez não voltar logo em seguida. Quando soube que ela era feliz com outro, eu mergulhei para dentro de mim e descobri que ninguém é tão profundo. Ademais eu já me conhecia e o que eu sempre quis era me mostrar, deixar que ela me visse, transparente e totalmente. Sou dela. Mas nós não sabiamos mergulhar juntos. Nado sincronizado não foi a escolha certa. Quando a fitei na festa senti que ela não acreditava em mim e por isto preparei-me para o pior.

Se eu, ou se...

Se me pedires.
Se me permitires.
Se me olhares.
Se me tocares.
Se puderes.
Me pedir.
Me mandar.
Me enviar.
Eu irei.
Eu virei.
Eu falarei.
Eu arrepiarei.
Eu poderei te falar tudo.
Se quiseres ouvir.

Agora, depois das águas

Você é a pedra que vi no meio do mar.
Ele me tinha.
Deixei que suas ondas me levassem, como sempre.
Mas, mal ele sabia, que eu já te via entre espumas de suas ondas.
Vagas.
Não me sentia náufrago, já que eu dormia, embalado por aquele mar.
Sua maresia me inspirava a ir mais longe.
Eu sabia que devia.
Mergulhei várias vezes, olhei pra cima e vi.
Luz do sol entre suas águas.
Eu tinha que sempre voltar?
Eu não sou do mar, minha natureza não me enganaria.
Eu te veria!
Várias ilhas, rochedos, continentes há neste mar.
Eu tenho onde ir.
Agora não há escolha minha pequena rocha.
Depois do toque em suas bordas e depois de vê-la em pleno poder em meio a tantas águas.
Preferi te abraçar como quem encontra salvação.
E porventura não eres?
Olho de volta para o mar e sei que terei que voltar.
Escolho agora lucidamente e loucamente.
Me deito sobre ti.

Ai! Tô vivo!

Tinhas razão minha flor, quando me disseste que ainda a veria sem a coberta da paixão.
Te confesso, não creditei a você a experiência em ver através do véu que está sob seus olhos.
Pintei hoje as casinhas pra que você escolhesse a que mais gostasse.
Imaginando-te deitada ali e ouvindo as músicas que compus pra ti.
Te afirmo com todas as letras: todas as palavras vieram por sua causa.
Ter em outra é possível, eu sei, mas em ti a emoção abalou meu ser minha flor.
Silêncio na distância é o muro que escolheste para não me deixar passar,
mas o que faço se quanto mais eu me calo, mais me dá vontade de ter.
Tens razão ainda se me falas de que elas virão comigo, as damas da noite.
Mas se elas não me atraem com seu perfume, o que eu faço se teu cheiro é que me inspira?
Andar por aí procurando seu sinal, seu rastro, uma imagem sua antiga que seja, parece um jogo cansativo para quem já não tão bem caminha.
Não é a idade, meu bem, é a certeza que você tem razão de novo quando me dizes que me engano e me gasto à-toa.
Saiba, minha flor, que o coração que tú alquebra, é o mesmo que te escreve.
E que se ficarem escritas estas palavras, jamais entenderá se tens toda razão de não me dizer sim.

domingo, 22 de junho de 2008

Duro é saber que uma hora páro de sentir

Os cachos de banana estão quase maduros e talvez Paulinho venha buscar o seu que lhe prometi. Quando saí para procurar a lua, lembrei que prometi a ele, já vão quase dois meses.
Sempre aspiro alua pra dentro de mim quando preciso de ar. Falta oxigênio no cérebro destes loucos que não param de pensar.
Fiz bacalhau hoje. Não paro de pensar um minuto em escrever. Já vão seis dias que as palavras saem de dentro de mim.
Li certa vez que escrever doia. Nunca entendi assim, pois pouquissímas vezes me doeu tanto escrever quanto tem sido. Meu filho disse que o bacalhau ficou um pouco salgado. Também com tanto sal no mar, eu lhe disse. Li também que escrever era como ter um filho, um parto.
Algo que sai de dentro de mim meio arrancado, já não quero muitas vezes que nem exista alguns sentimentos. Negação. Sobrevivemos como podemos.
Que saudade do quê não sei.
Talvez seja saudade da incerteza. Da certeza do nada, da feliz coincidência em tudo. Em todos que encontrei e que me diziam algo novo como por exemplo: olha o céu que lindo com a lua clareando.
Meu peito dói. Acho que é solidão de mim mesmo.
Vontade de voltar a pular a linha de trem em Santa Tereza, chupar bala de um centavo vendida na venda de Dona sei lá, não me lembro. Comer frango chupando os dedos na casa da Tia Maria e vendo a Mercês sorrindo com os olhos. Acho que não tinha os dentes.
Ai meu Deus, que dor gostosa.
E aquela moça bonita toda airosa que meu cachorro assustou quando ela passou? Eu sei que ela vai passar pela minha rua e me dizer bom dia. Mas nem vai olhar pra dentro do meu jardim. Poesia na varanda da minha casa ela nem quer ouvir falar.
O bacalhau não tava salgado. Faltava tempero. A vida tem que ir sendo temperada, para parecer palatável. Tem que também pintar e enfeitar para parecer bonita.
Aparência é tudo, seja qual for sua preferência. Vai escrevendo que uma hora sai o filho, uma hora pára de doer. Ou então eu paro de sair de dentro de mim e me mostrar no meu jardim.
E as bananas? não estão ainda verdes no meu quintal? será que Paulinho vai ficar feliz quando ver que eu lembro?

sábado, 21 de junho de 2008

To be continued

Tânia e a Fonte Seca

Resolveu parar. Havia dirigido, pensando nela, é claro, durante muito tempo.
Não tinha certeza se teria combustível suficiente para atravessar um imenso deserto que agora ele via pela frente. A noite era fria. Embora a lua estivesse minguando, como suas forças, o clarão fazia aparecer sombras aqui e ali.
Dirigir a noite sempre foi um problema que tentava evitar pois exigia uma concentração muito grande, sua cabeça dilatava. O esforco para se concentrar na estrada era enorme, esforço que ele não queria . Sua atenção estava quase toda voltada durante toda a viagem as últimas palavras que ele ouvira dela.
Estivera com ela muito próxima de seu rosto, chegou a aspirar do mesmo ar que respirou. Olhou seu perfil meio duro, seria sofrida? Era bonita sem dúvida, estava descobrindo outros pontos de seu corpo para que gostasse mais ainda dela. Os seres humanos são assim, pensou ao se notar observando sua orelha, seus cabelos cacheados, suas pintas, seus detalhes. Detalhes.
Os seres humanos são assim, olham os detalhes.
Forçou as costas contra o estofado do carro parado debaixo da árvore. Não fazia sentido parar debaixo desta árvore enorme, parecia uma aroeira, mas não era da luz da lua que ele procurava se proteger. Queria abrigo. Imaginou-se sentado ao lado dela, como mais cedo naquele mesmo carro, será que conseguia sentir seu cheiro? e se ajeitou no banco, como se esperasse que ela reclinasse seu corpo até o dele. Tocou seus cabelos a primeira vez e seus dedos procuraram o couro cabeludo, suas mãos tocaram sua nuca e sentiu o corpo dela se aninhar no seu peito. Estava dentro dele aquela mulher que quis para si.
Não teve dúvida que ela era parte dele ali naquele momento. Suspirou fundo o que fez seus dorso abaixar fortemente e ela fez um levissimo ruído. Você é linda pensou em dizê-la, mas ainda era cedo para confissões tão óbvias. Tinha este tipo de pensamento constantemente, achava que pareceria um tolo se dissese que já a amava. Riu de si para si. Ela notou o sorriso nos seus lábios, ele era quase transparente para todos, ele achava, e ela lhe perguntou por que sorria.
Começou, ela agora queria que ele fosse dela. Tudo era assim mesmo: tudo é somente nosso, nós somos donos únicos, senhores poderosos e supremos até que se torna necessário compartilhar o momento. Aquilo ali era o momento dele e se permitisse que ela tivesse exatamente o mesmo prazer que ele estava tendo, eles teriam que se amar. Amor compartilhado era muito grande para ele querer sentir no momento.
Afastou seu corpo e a olhou nos olhos, lindos como um fundo de mar Mexicano que vira em uma foto de turismo, era louco pra mergulhar, agora tinha com quem sonhar isto de novo, e então pegou em seus braço, sentiu sua carne em suas mãos, como era macia e lisa sua pele branca, aproximou seu rosto de seus lábios, como eram sedutores, pareciam ter sidos desenhados para serem beijados delicadamente e massageados por lábios como os dele. Pensou que talvez nem soubesse beijar mais, mas molhou o lábio superior com a ponta da líingua e este o inferior e sentiu um leve gosto de café. Não devia ter tomado nada. Aquela boca estava esperando algo grandioso. Então tocou os lábios dela e respirou fundo, junto com ela, e o tempo acabou...

Quelita

Esticou seu corpo dentro da barraca e sentiu suas costas estalando baixinho e seu contato com o fundo do chão duro de terra o fez querer levantar logo. Aquela hora, 5 e pouco da manhã , era a hora que mais gostava, pois se sentia dono daquele acampamento. Ninguém ainda havia se levantado e podia fazer o que quisesse. Sempre sentiu isto em acampamentos; meio líder de tudo, responsável por todos. Aliás sua vida dali pra frente seria cada vez mais o de sempre estar a frente e as pessoas ainda lhe cobravam e delegavam esta posição. Esticou os braços e seus dedos esbarraram no tecido leve da barraca fazendo-o flutuar e sentiu um ligeiro gozo de prazer na vida. Estava em boa forma fisica, apesar da bebida e de algumas drogas leves que usava quando algum amigo lhe trazia. Sua natureza era contrária aquilo, mas mais uma vez o líder precisava ser parecido com seus liderados e usava aqueles pequenos, ainda, vícios para controlar a situação e muitas vezes usou e perdeu a noção de qualquer parâmetro incutido nele desde cedo. Mas naquela manhã ele não estava drogado ou tinha bebido, estava embriagado de prazer com o cheiro de dentro da barraca, acabara de fazer sexo e a temperatura de seu corpo estava ainda morna pelo esforço. Seu esperma havia se derramado e ainda sentia a umidade em seu corpo. Meio quente, meio gelado. Estranho que sentisse ainda pequenos prazeres como tocar naquele tecido, ou como agora, aspirar o docíssimo gosto do ar que começava a soprar lá de fora para dentro. Aspirou profundamente o ar frio da manhã e sentiu sua bexiga cheia; tudo era prazer naquele momento. Fez um esforço enorme para sair do torpor de prazeres que lhe dopava. Alguns atos mecânicos eram chatos pois pareciam obrigação. Estava um pouco cansado de regras, metas; havia feito isto durante os últimos vinte anos de sua vida. Sempre liderando equipes, pessoas, estabelecendo prioridades. Sua prioridade agora era ele e a delícia de viver solitário e consigo mesmo. Olhou o fecho da barraca e o abriu. O ar gelado entrou junto com a visão do topo das arvores, estava acampado em um alto de um plato que dava de frente para o vale que em sua volta tinha dois morros não muito grandes, mas que dava impressão que estava no sopé de uma vagina. Sorriu, era uma boa visão. A vida não era bem aquilo? O sexo era uma delícia que lhe exigia cada vez menos esforço de concentração e cada vez mais a atenção em cada detalhe lhe dava um controle sobre o qual tinha sempre quis...

Oração
Eu penso em ti Senhor agora que preciso de sua ajuda de novo.
Não tenho tido tempo pra pensar em Ti.
Mas sinto sempre seu toque de amor.
Sobre minha cabeça seu óleo me tem conferido a autoridade de seu amor.
Abra meus olhos para esta missão.
Desperdicei suas bençãos até aqui, mas suas mãos nunca estiveram distantes.
Nem seu amor acabou.
Porque seu amor é forte o bastante pra me carregar em suas mãos até suas terras Senhor.
Me faz livre em sua terras Senhor, pois é isto que espera meu coração...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Adelmo Campos for Red and Blues


Ficaram velhas depois que foram deixadas no fundo do porão da casa.
Nos dias que a porta se abria, elas olhavam para a luz que entrava, amarelada, cor de sol forte, e viam, junto com a poeira que se levantava, a silhueta que achavam ser dela.
Mal viam direito quem era e o vulto ia embora deixando-as vê-lo apenas pelas costas.
Muitas vezes, quando se reuniam, nos inícios da manhã, que o inverno fazia estar especialmente fria, reuniam-se e trocavam suas impressões sobre os acontecimentos últimos, idéias de vida longa, sorrisos raros e se achavam eternas. Etéreas que eram, na verdade, tinham vida apenas quando a porta se abria. Certa manhã quando acordaram, mal tiveram tempo de abrir seus olhos. Ouviram apenas o barulho da porta se abrindo. Foram colocadas em uma caixa de papelão, que cheirava ardido e doce, mijo de gato e mofo, como costuma ser este tipo de cheiro, abafadas para não gritarem. Depois viram uma luz forte vindo de uma fresta da caixa, e acharam que enfim veriam-na sob a luz do sol, mas a luz era amarela e azul. Cheiro de álcool tomou seus narizes, a fumaça entrou ardendo em suas gargantas, seus olhos não lacrimejaram, ardiam. E então choraram pela última vez. Já estavam todas juntas, derretidas, ardidas, esturricadas, quase virando fumaça, quando a caixa se abriu e puderam ver a aquela que havia incendiado suas vidinhas. A musa!

Adelmo Campos, eu mesmo

Sempre penso, quando leio Adélia Prado, como ela criou aqueles poemas maravilhosos, que nos fazem abrir a porta à paixão.
Que nos levam pra dentro de jardins, no meio de árvores com frutas, cheiro de terra molhada e mulheres nas varandas.
Quando leio Adélia, é como se eu falasse de dentro do meu coração.
Adélia você viveu tudo isto?
Sentiu o coração disparar e quase parar quando se apaixonou com perdição e sem permissão?
Quase chorou ao imaginar que não veria o outro da sua vida e nem teria para sempre o outro?
Qual paixão viveu Adélia?
O encontro de olhares de cumplicidade, o tesão ao se aproximar sem mais nem menos, meio animal.
Sem raciocínio lógico.
Lógico que pensando somente no outro.
Você sentiu amor eterno e imaginou a caminhada lado a lado?
Fez contas do tempo sem se importar se não o tivesse?
Você me faz voar Adélia.
Meu rosto fica quente e enrubesço quando leio seus íntimos poemas.
Arranca de mim um pedaço que acabaria eu doando para outro.
É como uma mordida que dou nas coxas de minha amante.
Toma minha amada: é sua esta minha vontade.
Ai! eu quero febre!
Sem cura, que dure, que eu supure.
Que meus poros destampem e saia todo meu suor.
Para o meu amor.
Como o seu Adélia.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Adélia Prado, a própria

PARA O ZÉ

Divago, quando o que quero é só dizer te amo. Teço as curvas, as mistas e as quebradas, industriosa como abelha, alegrinha como florinha amarela, desejando as finuras, violoncelo, violino, menestrel e fazendo o que sei, o ouvido no teu peito para escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo o teu coração, o que é, a carne do que é feito, amo sua matéria, fauna e flora, seu poder de perecer, as aparas de tuas unhas perdidas nas casas que habitamos, os fios da tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto: "Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros". Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível. Te alinho junto das coisas que falam uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como o desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece, tira de mim o ar desnudo, me faz bonita de olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega, me dá um filho, comida, enche minhas mãos. Eu te amo, homem, exatamente como amo o que acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho. Amo até a barata, quando descubro que assim te amo, o que não queria dizer amo também, o piolho. Assim, te amo do modo mais natural, vero-romântico, homem meu, particular homem universal. Tudo que não é mulher está em ti, maravilha. Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos, a luz na cabeceira, o abajur de prata; como criada ama, vou te amar, o delicioso amor: com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso, me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles eu beijo.



O SEMPRE AMOR

Amor é a coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele falo palavras como lanças.
Amor é coisa mais alegre
amor é a coisa mais triste
amor é a coisa que mais quero.
Por causa dele podem entalhar-me,
sou de pedra sabão.
Alegre ou triste,
amor é a coisa que mais quero


AMOR VIOLETA

O amor me fere é debaixo do braço,de um vão entre as costelas.Atinge o meu coração é por esta via inclinada.Eu ponho o amor no pilão com cinzae grão de roxo e soco. Macero ele,faço dele cataplasmae ponho sobre a ferida.
Uma noite de lua pálida e gerâniosele viria com boca e mão incríveistocar flauta no jardim.Estou no começo do meu desesperoe só vejo dois caminhos:ou viro doida ou santa.Eu que rejeito e exproboo que não for natural como sangue e veiasdescubro que estou chorando todo dia,os cabelos entristecidos,a pele assaltada de indecisão.Quando ele vier, porque é certo que ele vem,de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?A lua, os gerânios e ele serão os mesmos- só a mulher entre as coisas envelhece.De que modo vou abrir a janela, se não for doida?Como a fecharei, se não for santa?

O HOMEM COM A FLAUTA

"Uma noite de lua pálida e gerânios ele viria com a boca e mão incríveis tocar flauta no jardim. Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos:ou viro doida ou viro santa. (...) De que modo vou abrir a janela, se não for doida?Como a fecharei, se não for santa? (...) Para o homem com a flauta, sua boca e mãos, eu fico calada. Me viro em dócil, sábia de fazer com veludos uma caixa.O homem com a flauta é meu susto pênsil que nunca vou explicar, porque flauta é flauta, boca é boca, mão é mão. Como os ratos da fábula eu o sigo roendo inroível amor. O homem com a flauta existe?"

CANÇÃO DE JOANA d'ARC

A chama do meu amor faz arder minhas vestes. É uma canção tão bonita o crepitar que minha mãe se consola, meu pai me entende sem perguntas e o rei fica tão surpreendido que decide em meu favor uma revisão das leis.


A MEIO PAU

Queria mais um amor. Escrevi cartas, remeti pelo correio a copa de uma árvore, pardais comendo no pé um mamão maduro - coisas que não dou a qualquer pessoa - e mais que tudo, taquicardias, um jeito de pensar com a boca fechada, os olhos tramando um gosto. Em vão. Meu bem não leu, não escreveu, não disse essa boca é minha. Outro dia perguntei a meu coração: o que que há durão, mal de chagas te comeu? Não, ele disse: é desprezo de amor.


OS LUGARES COMUNS

Quando o homem que ia casar comigo chegou a primeira vez na minha casa,eu estava saindo do banheiro, devastada de angelismo e carência. Mesmo assim,ele me olhou com olhos admiradose segurou minha mão mais que um tempo normal a pessoas acabando de se conhecer.Nunca mencionou o fato. Até hoje me ama com amor de vagarezas, súbitos chegares. Quando eu sei que ele vem, eu fecho a porta para a grata surpresa.vou abri-la como o fazem as noivas e as amantes. Seu nome é: Salvador do meu corpo.

PSICÓRDICA

vamos dormir juntos, meu bem, sem sérias patologias.

meu amor este ar tristonhoque eu faço pra te afligir,

um par de fronhas antigas onde eu bordei nossos nomes com ponto cheio de suspiros.

ENREDO PARA UM TEMA

Ele me amava, mas não tinha dote, só os cabelos pretíssimos e um beleza de príncipe de estórias encantadas. Não tem importância, falou a meu pai, se é só por isto, espere. Foi-se com uma bandeira e ajuntou ouro pra me comprar três vezes. Na volta me achou casada com D. Cristóvão. Estimo que sejam felizes, disse. O melhor do amor é sua memória, disse meu pai. Demoraste tanto, que...disse D. Cristóvão. Só eu não disse nada, nem antes, nem depois.


Continua depois, não agora...ai, ai...

Vermelhos e Azuis

Estranho achar que ouvi algo, quando nem mesmo houve o que pudesse contar mais tarde.
Achei que poderia contar uma história e viver outra enquanto recebia daqui minhas melhores memórias.
Senti que precisava e precisava eu também.
Mas confesso que tudo é um pouco do sutil engano do necessitado: ter o que não terei.
E nem poderei dar-me. É apenas mais uma piada da vida. Não deixa de ter graça, esta sua graça.
Que graça!
Confesso também que continuo a querer lhe mostrar meu mistério, meus segredos.
Deixar você na dúvida.
Para encontrar em outros a resposta.
O que tem dentro de você?
A gente nunca sabe.
Apenas nos dando descobrimos que o outro é um espelho.
Meio distorcido, apenas isto.
Nada mais.
Poderia ter sido mais.
Eu nunca vou entender.
Mas gostei de seus olhos, sua cor, seu corpo, sua voz. Dizer isto dói.
Ter motivos para dizer mais ainda.
É tudo uma loucura.
Um suspiro existe sempre, mas o que inspira nem sempre.
Queria mais.
Bem mais.
E isto para quê, por quanto tempo?
Chega de torcer para que algo aconteça, que você apareça e diga que não aceita a pressão.
Que não quer saber de saber.
Preferia não ter mergulhado em águas tão profundas.
Mas eu já estive lá e sei que você também.
Apesar de não estarmos juntos ali.
Havia algo em seu mergulho?
Sei que tudo isto é errado pra mim.
Mas não sei se para você valeria a pena.
É tudo agora uma história pra mim.
Será engraçado se você nunca tiver pensado nisto.
Queria ter lhe tocado mais.
Queria ter lhe apertado fortemente algumas vezes.
E sentido sua boca.
Mas se houvesse que ter você, como seria para você se me tivesse?
Isto é apenas uma música que parece com algo que já senti.
Isto é apenas uma música que toco para você.


Se eu pudesse levar seu olhar para algum lugar.
Num piscar de seus olhos,
assim.
Nao, não abra ainda.
Queria que, se pudesse, sua lembrança fosse de mim.


Distante do olhar você escolheu ficar
Caminhando em sua direção eu formei seu rosto
E te vi tão sólida.
A imagem se fez aqui tão perto
Que quase te toquei com minha mão.
Mas você se afastou de novo.
O que está te fazendo correr?
Todos estamos indo para algo
Sentiremos realmente algo quando chegarmos lá.
Adormeça um pouco aqui no meu braço
E sinta o que sinto ao ver mais de perto.
Respire comigo, devagar e profundo.
Não te quero por toda vida.
Apenas o tempo para te dar de tudo o que sou.


Não quero a dúvida
Nem a escolha
Nem a resposta.
Parte, eu não aceito
Volta, eu te quero.
Defeito, origem, idade
Definidos, infinitos, passageiros
Que importa?
Seu corpo, seu olhar, caminhar
Perfeitos, longe, lembrança
Qual sorte eu tenho de sonhar
Em ter, saber, tocar.
Agora satisfará o tempo.
Não provar seu abraço em mim
O seu abraço, não o meu no seu
O gosto da sua boca, saliva, língua.
Posso te marcar
Deve me marcar.
Olha de longe e sente a saudade
Sente a febre de quem não espera o remédio
Quem não aceita a cura.
Quem não saber parar
Pensar ou calcular.
Olha árvore, pássaros, nuvens de chuva,
Frio e calor na pele.
Por lembrar, sentir e notar
Não te esqueço.
Não passa, não passou, não passei
Pois não parti, eu.
Nem você, sonho.
Eu sonho.

Fazer o quê?
Me disse ela.
Fazer de quê?
De louco,
Espero que seja.
Abrir quatro paredes em volta
Trancar a porta
E deixar suar.

A escolha lúcida
Do tempo que manda
Da escala da justiça
Do de acordo com o contrato
Da solidez
Do ócio
Tédio
Lucidamente
Candidamente
Eternamente
Já que a vida não é nossa
Passageira que passa
Por mim...
Não estarei tão longe que ela não me veja.

Não quero toda você
quero te dar todo o meu.
Eu indo, você vindo, não importa se tem ordem.
Interfere em mim para sempre, e eu apenas quieto a te observar.
Crescendo e sendo o que virá à ser, me alegro em tê-la apenas em mim.
Não preciso tê-la, apenas fazer-te.
Fazer parte do que te fará indo.
Quero vê-la vindo.
Até mim.
Mas sei que não por fim.

Escolhas que fazemos.
Não escolhemos nada, apenas vamos até onde os outros não tiveram coragem, ou até onde não tivemos medo.
Caminhamos resolutamente até onde queremos ir e nos deparamos com muros.
E os destruimos ou até pulamos.
Isto se não tivermos ao nosso lado alguém para nos distrair, mostrar outro caminho menos difícil. Outras opções.
As mais difíceis ou mais fáceis, depende do estado de espírito, do seu grande interesse ou desinteresse.
Escolhas, dependem da distância, da necessidade.
De querer, de gostar, de depender, de querer sofrer ou sorrir.
Esperar ou não, depende da pressa, da falta de noção do tempo, ou de um quase completo controle do dia que você vive.
Amanhã ou para sempre.
Não temos certeza nestes tempos.
Presente é para sorrir enquanto se desembrulha, enquanto abre a caixa e olha para o outro.
Compartilhar os momentos que são rápidos, quase imperceptíveis, se não estivermos atentos ao outro.

É como pedir desculpas ou perdão.
É como esperar que alguém veja ou sinta que a conta já está no fim(ou não).
Meus olhos quase choram por trás do meu sorriso, por trás das minhas palavras.
Há paixão em cada instante, esperando que alguém sinta, que você sinta o mover dos meus olhos.
Estou procurando o depois da palavra, o antes da emoção.
A resposta do instante.
A emoção logo após.
O motivo para não deixar.

Você dorme na noite em que eu saio para te buscar.
Eu sonho enquanto ando na calçada, pensando em você, eu não te idealizo.
Apenas penso em você sem parar, sem saber se sonhas comigo.
Ou ser o que quer que eu seja, ou me perder em mim mesmo.
Sem você é assim.
Ainda que eu caminhe até amanhecer eu não sei se vou acordar.
Se vou te ver assim também.
Sem sonhar, olhando nos meus olhos dentro do mesmo lugar que nos vemos.
Vem, levanta os braços para nosso momento.
Nao fuja deste instante em que desejo você andando comigo.
Tocando mão a mão, o momento é maior que o destino.
Quando penso que não sonha no seu sonho, vejo a realidade do futuro.
Ou ser o que quer que eu seja, ou me perder em mim mesmo.
Sem você é assim.

Sim, sem razão aparente
A visão que tive foi o motivo
O início foi permitido num único toque
Suave, quase imperceptível
Se eu não percebesse
Se eu não quisesse
Se não esperasse ou precissase
O que houve naquele momento?

Naquela hora, enfim, chegou a hora da fala na cara
das palavras faladas, pensadas, remoídas, pesadas.
E pesada sai a voz.
Contei a historia pensando na última página.
Nao escrita, mas, ali caíram as palavras.
Uma a uma foram montando o fim.
E pesada saiu a palavra.
Foi quando disse que nada faria.
Parto, completou.
O frio me tomou os braços
Não antes de esperar que você se virasse.

Sim eu quero seu beijo
Pra jogar dentro
Pra sentir no fundo
Pra sentir sempre
Quero te apertar em mim
Sim!
Sentir seu cheiro
Que não conheço

Assim?
Sem fim.
Parece um vazio cheio de dúvida, um princípio sem início, um fim sem marca.
Palavras ditas sem saber se foram sentidas.
Se tocaram.
Se farão diferença em alguma vida alguma vez.
Um dia, uma lembranca.
Acabou? Começou? Terminou?
Uma cólica no coração de vez em quando.
Mas por favor, não sempre.
Sorrir para não rir.
De tudo.
Perdido ou tudo perdido.
Não quero que nada seja jogado fora.
Quem somos?
Afinal, não saberemos?
Afinal aconteceu.
Ter sentido sem ter sentido mais.
Eu vivi!
É seu, o que ficou aí em você.
Fusão do que é confuso.
Mas é exatamente assim que acontece.
Depois é que vemos os defeitos de fabricação ou de uso.
E ai sublimamos, subvertemos, sonhamos.
E montamos o circo de lona vermelha e amarela, de preferência.
E, afinal, é tudo feito para que se tenha uma boa lembranca, um bom ânimo, alguns sorrisos.
E muita emoção.
Você já desceu um morro em desembalada carreira?
Sem freio.
Merde!
Onde está meu rolimã?
As minhas melhores palavras.
Devia ter pensado mais, falado melhor, ter corrido mais riscos, cuidado mais dos meus joelhos.
Êpa, isto é outro assunto...
Escrever é a parte que dá lucro neste tipo de investimento.
Pra impressionar escreverei.
Quero ser lido por alguém que leia pensamentos e os publique em sua vida afora.
Acho que somos todos assim, um pouco de muitos.
Apenas isto já valeu na pena, na verdade.
Contentar com que vivemos à cada dia.
Vem do tempo que vamos vivendo.
Queria dar o que tenho em mim.
Mas olha que coisa: a gente pode dar isto para qualquer pessoa.
Mas qualquer pessoa não serve.
Não?
Fica nos outros, muito mais de nós do que em nós mesmos.

dentro, fora
dentro, amor
fora, paixao
dentro, solidao
fora, companhia
dentro, equilibrio
fora, impulso
dentro, falado
fora, calado
ou nao?

resistindo
Lembre-se: andar é um processo, e, como um processo, tem que ser feito um item de cada vez, no seu momento certo, na velocidade indicada etc. É claro que a vida não é exatamente como uma bula, mas, convém que andemos com menos ansiedade e com mais prazeres diários e pequenos (olhar as árvores, bichinhos, amigos, bate papo). Desta forma acostumamos a desacelerar e respiramos até mais devagar. E também é essencial que tenhamos o tempo nosso com Deus. Falado? Respire fundo, e, lembre-se, a vida é você consigo mesma numa boa!

Você não atende o chamado do sim, e nem liga pra dizer que não
Eu me mexo o tanto que você quer, mas você não se movimenta pra cá.
Ouço sua voz com meu nome, e você? percebe o tom do seu na minha?
Deixa pra lá: você não entra mesmo.
Entra e vamos deixar as águas nos levarem.
Isto esfriará no inverno, a flor murchará.
E nem um cheiro darei.

Não tenho o direito de deixar sair de dentro de mim o que sinto.
Não posso sentir o que sinto, pois eu sei, ja passou.
Não posso deitar sobre você o que sinto.
Pois já não sou eu somente a partir de então.
Somos dois, inseparáveis para sempre.
Presos quando lembrarmos.
Partir e partir é melhor.
E olhar de longe.
Pois voltar, afinal, sempre é bom.
Mesmo que não seja você que esteja lá.

Como resistir se sentir faz parte de existir?
Manter-se quieto em certos momentos é bom, mas quando chega ao, que na verdade você busca, o interior todo se agita.
Aos poucos os sentidos vão sendo permitidos: a visão se apura (vemos até os poros), os movimentos são medidos e acompanhados.
O tato.
Ah! quase nada há maior que o toque de pele, que, quando ocorre, pedimos para que não acabe. Sentimos a pele do outro escorrendo para fora.
E vamos junto...
E a percepção de tempo?
Esta diminui e aumenta de acordo com nosso interesse: longe por muito, perto por pouco.
E achamos até que não é o bastante, a falta aperta o peito.
Mas no fundo, lá no fundo que não queremos que não exista, está o tempo adormecido.
E quando ele acorda?
Quando fechamos os olhos e nos tornamos, que pena, nós.

Havia um casal de amigos que com quando se encontrava parecia que tinham arrastado o pé no carpete ao andar: saia até faísca. De verdade, eu vi. Em outro dia apareciam doentes, ou quase, com quase quarenta. De febre. A pele ficava até vermelha. E foram se enrolando, se enrolando feito macarrão um no outro. E foram se relando igual queijo parmesão no ralador. Aliás voltando ao macarrão, acabaram tão enrolados, embolados, que subiram ao altar. Ela com o seu, e ele com a dele.

antes e outros

Nasceu não pra isso
mas, tá na chuva.
E escorre a água...
Por seu corpo passa a água.
Não passa nada por sua mente.
Mente?
Não mente!
Se ela tem mente, não tem mente pra ver que tá na chuva.
Sai da chuva!!!
Não importa, tá morta!
Ou quase.
Ensopada?
Ainda não.
Seu couro é grosso.
Ademais não chegou a hora, da morta
A vaca tá perto do brejo.

Acordei
levantei
tirei
sentei
migei
caguei
limpei
coloquei
escovei
lavei
molhei
penteei
comi
dormi
morri.

Cá não se come
cá, chove
Lá, ela cava
e depois lava
Cá, já se lavou a rua.
Lá, ela descasca a lavada, e depois a come.
A mandioca...janeiros/2008

O que mais?
Quer mais?
Falta ar.
Sobra tempo.
Um olho vê, o outro sente.
Espera a resposta, fala antes da volta, não retorna, nem vai, não me solta.
Veja se se solta.
Se solta, talvez, me solta.

A leveza de imaginar algo momentâneo, experimentando o novo, acreditando que será completamente impossível e saudável.
Será uma aventura mergulhar.
Inconcebível, inaceitável, inesperado.
Fora da justiça, sem muros, arames farpados.
Seu coração está na montanha russa em desembalada carreira.
Em seguida a queda e o silêncio.

Quando eu era novo pensava em morrer fazendo sexo, hoje, acho que ainda posso pensar nisto. Seriamente. maio/2008

Eu vi você em seu mundo.
Parecia tão tranquilo que pensei se devia deixar entrar o temporal.
As imagens são assim; lindas, tolas, alegres e algumas nos revelam!
Se agora entrasse em seu mundo, qual seria a imagem que ficaria?
Ao longe sorrindo.
Seus olhos.
Contra luz do sol.
Dormindo no meu abraço.
Dançando.
As imagens vão formar algo que queremos perfeito.
Mas e o temporal vem, eu creio que ele virá.
Sairemos somente ilesos se tornarmos a nós mesmos.