domingo, 27 de dezembro de 2009

ir...

ir.
imaginar.
ser.
seu.
sentir.
voltar.
ser.
todo.
completamente.
sedento.

*tanta

sabe o que eu queria?
queria, não passar frio, queria é sentir o frio.
sem coberta, sem casaco, sem edredon.
queria sentir fome, sem ter onde comer.
queria sentir tanta sede que a garganta secasse.
que eu não soubesse quando voltaria a ter água.
eu queria sentir!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

lábio(s)

lábios abertos e sobre eles os meus.
rosa,
e sobre isto digo;
sobra água em minha boca,
choras e sorvo a sua.

lança-se para fora e acolho entre os meus,
rogo,
e sobre isto diz-me;
sobra água em mim,
eu choro, sorva-me.

sábado, 5 de dezembro de 2009

traduz.

o que digo te move em minha direção?
o que calo me faz ficar quieto ao teu lado?
o que vemos nos olhos do outro nos tira o ar?
o que sentimos no corpo do outro se repete quando sós?

o que escrevo não traduz!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

se

se
tudo
se tudo fosse...se...
se...tudo fosse se
se tudo...fosse...se
se tudo fosse...se
se tudo...fosse se
se tudo fosse se
se
fosse

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

preguiça

tenho preguiça da discusão partida
da alma convencida que uns valem, outros não.
há pena em mim. ah! pena que sempre.
por isto a preguiça.
tenho a preguiça dos esforços em pensar pouco,
em pensar demasiado devagar, em pensar muito.
tenho preguiça de ter preguiça de manhã,
e saber que poucos vão se esforçar,
que ninguém vai reparar se esta merda feder.
tenho a preguiça como alvo, pois nunca notam
que a seta tem que "dar",
que garagem não é para parar,
que quem vai na frente pode ir devagar.
tenho preguiça da tv, de criticar tv,
de criticar jornalismo, de cobrir pela internet,
o mundo todo em minutos.
tenho peguiça pois tudo parece igual.
tenho preguiça de casamento, de aniversário,
de comemoração. tenho preguiça de perguntar de quem é a festa.
todos vão ficar no outro dia com preguiça de trabalhar.
isto dá uma preguiça.
preguiça de votar, de acompanhar, de resmungar,
de sair nas ruas e gritar.
tenho preguiça.
tenho preguiça de me envolver, tenho preguiça de querer,
tenho preguiça de me entregar, tenho preguiça de esperar.
tenho preguiça de sofrer.
tenho preguiça de procurar, tenho preguiça de quem tem preguiça,
tenho preguiça de não haver.
preguiça.
tenho preguiça.
tenho a preguiça de convencer, tenho preguiça de explicar, tenho preguiça de compreeender.
tenho preguiça de pensar. tenho preguiça de ser.
tenho preguiça de escutar, tenho preguiça de falar.
e tenho preguiça da preguiça em mim.
preguiça e se não for assim que escreve?
tenho preguiça de conferir.
tenho pregui.

domingo, 22 de novembro de 2009

o que é a solidão, se não apenas abandonar-se em si mesmo?

trecho

Às vezes apagar a luz do quarto que se sai pode ser o sintoma mais forte de que algo ali aconteceu de verdade, e, é quando nos instantes antes da sombra da escuridão tomar conta, você nota que nada se moveu por sua conta. Tudo, tudo naquele lugar foi colocado por outros e por outros motivos que não os seus e que nada ali lhe pertence. Apenas a angustia de logo apertar o interruptor e sair dali. lugar de solidão. Onde você fica? Dentro ou fora onde também não há luz nem vida? Sair é a decisão seguinte ou anterior e nada pode ser pior que decidir. Decidir é viver! Percebe afinal que outras coisas não são a vida, apesar das delícias de nada perceber...

(trecho de, quem sabe um dia, um livro)é foda sentir!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

desenrole

tenho uma saudade tão intensa....
não é "grande de enorme", é extensa....
toma a forma de espiral e me enrola todo...
e enquanto faz isto vai me alisando a pele,
coroando o dia,
lavando a aura,
completando o sal,
empolgando o amanhã.
suplicando beijo,
pedindo colo,
lembrando cheiro,
olhando vazio,
dando arrepio,
copiando as falas,
relendo alegria,
surrupiando as horas,
pra que chegue logo o momento
de você me desenrolar...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

je reviens

Je reviens
Je reviens, encore
Tu n'as même pas vu
Que j'étais partie alors
Je suis revenu
Comme on rentrerait au port
Fatiguée
De passer
Par dessus bord

Je reviens
Je reviens et j'ignore
Ce qui nous ramène
Ce qui nous ramène au bord
On a déjà vu
La mer rendre certains corps
Qu'on avait dit portés disparus

sábado, 14 de novembro de 2009

bocas

boca fria,
boca fica,
boca quente,
boca sente.
corpo sua,
corpo suo,
corpo seu,
corpo sua.
movo dentro...
movo senta!
movo sinto...
movo dentro!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

fronte

defronte do que você tem,
defronte do que você vê,
coloco-me dentro de onde está.
debruço-me nas coisas que você observa,
olho para o que você quer ter.
deito-me esperando a volta,
sua volta,
de suas ganhas lutas,
suas justas.
sorrio sabendo que à sua espera,
estou eu.
durmo tranqüilo meu amor, seus sonhos sãos,
meus são.

sábado, 24 de outubro de 2009

longo horizonte

olhar pra qualquer lugar

é horizonte extenso....

e qualquer lugar é prisão.


um livro bom? é o horizonte

um dia longo? é o horizonte


qualquer coisa se torna, ponta à ponta, você

você me alonga as coisas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

trator

para mexer terra,
trator,

tratamento no meu coração,
é seu amor.

quando sulco minha terra em busca de vida,
vejo você;

arando minha mente, plantando semente,
botando o sol pra quarar,
jorrando água de lágrima,
olhando crescer a calma.

fazendo da minha vida,
amor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ai

são rosas.
são lábios.
um meu, outro meu.
bebo mel.

você? eu!

eu me deito em você,
eu me transbordo em você,
eu me raspo em você,
eu me desdobro por você,
eu me calo e me falo pra você,
eu me enrolo em você.
eu me amo em você,
eu muitas vezes saio de você
eu me encontro com você e em você,
eu acho que acho em você,
eu me molho todo pra você,
eu me paro para você,
eu me acordo e concordo em amar você,
eu me vejo ao me deixar quieto ao ver você,
de fora, de dentro de mim, por mim, por você ou por nós,
eu me sou em você...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

de joelhos

meus lábios entre os seus,
não tem como dizer.
então bebo, sorvo, degusto,
vicio e adoro.
de joelhos.
entre os seus.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

presença

eu, na verdade, não sofro com a ausência....
eu sofro é com a presença e portanto com a certeza de que você irá embora.
mas, meu amor, quando te vejo, tudo isto vai-se embora, tem que ir, para que eu tenha tudo, em tudo com você.
sou e quero ser totalmente seu para que nada mais importe ou nos distraia.
para podermos ter tanto um para o outro que nada mais nos reste a nao ser,
ser do outro...totalmente

domingo, 27 de setembro de 2009

sou homem seu

sou homem de suspirar, de admirar os porques
sou homem de ver beleza em toda beleza
sou homem de olhar vários minutos pra você
sou homem de desejos os quais seguro
sou homem de ver você do outro lado
sou homem e, na verdade, sou seu homem

sou homem seu.

uns

hoje seria o dia que os muros seriam levantados.
a divisão, a partilha, um lado aqui e outro aí.
as escolhas de rotas, tempos, bagagens, roupas e lençóis.

ternamente os olhos ateram-se ao fato de consumirem-se.
mansamente as mãos se deram ao carinho.
dormente as pernas de tanta espera, cruzaram-se.

e tudo era, em volta, e à volta; uns olhares, umas palavras, uns risos.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

eu não sei.

eu não sei se posso supor. mas suponho.
eu não sei se vê. mas eu vi...
eu não sei se. mas se sei...
eu não sei onde. mas sei que...
eu não sei aí. mas sei que aqui...
eu não sei de nós. mas sei que eu...
eu não sei do amor. mas sei que amar...
eu sei que tudo aqui é cada vez mais daí.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ENQUETE


você está na praia tempestade chegando (isto não é ruim...) você:
a) mergulha no mar
b) corre pela praia
c) entra o continente adentro
d) eu...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

sou sua mulher

Não me faça um favor.
Não me crie em sua mente.
Não me tenha. Apenas me observe fazer.
Ou ser.
Veja quantas há em mim. Não sou sua.
Sou minha e todas.
Não sei quem sou, sou alguma, sou a louca, a menina, a moça.
Sou uma mulher.
Gênero.
Única. Pessoal.
Sou a bela.
Queira-me em lembrança, em distância, em suas melhores e maiores vontades.
Meu corpo pode estar em suas duas mãos, abrindo-se e recebendo.
Minha pele te sente, minha boca tem a saliva que beberá da sua.
Queira-me pela noite inteira. Toda.
Sua.
E de manhã me deixe em meus olhares.
Em minhas considerações e sonhos.
Sou uma mulher florescente.

domingo, 30 de agosto de 2009

ligo?

- não! eu não ligo!
- como não?
- eu fico ligado o dia inteiro...
- mas então...?
- é... eu sei...
- vai ligar?
- mais?
- não pode?
- devo?
- quanto?
- como?
- quanto você liga?
- muito. eu te disse "vivo ligado".
- é...

minha escolha?

minha,
escolha.
escolha minha escolha.
escolha, minha, escolha.
escolha minha.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

vão

Há um vão entre mim e tudo que quero de amar.
Suas palavras fazem o traço para o passar.
Meus medos vão e tocam o outro lado.
Terra sua.
Você é de um pedaço aqui, dentro de mim.
Sou seu deitado em ti.
Homem agora enfim em si.
Sua causa, eu vou.



Uma única palavra (vão) me trouxe a ponte de onde te vi.

domingo, 23 de agosto de 2009

nome

Encherei minha boca com teu nome e uma frase de três palavras.
Fecharei meus olhos com tua imagem enviada,
pois somente ela quero enxergar.
Guardo,
eu guardo aqui suas três palavras, as quais quero trocar com as minhas.
E seu nome?
Como direi um nome tão lindo, tão transparente?

você

Estranho não ser você.
E nem é.
Já que sem você, não há.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

como?

é. discuto sim!
como posso concordar que com a certeza venham juntas as incertezas?
como, depois do tempo corrido o tempo pareça tão lento?
como, depois de desejar, deseje que não sinta tanto?
como pode, a entrega total, parecer abuso de confiança?
como posso ser inútil ao me descobrir útil?
como pode ser real, se desde o início parecia sonho?
como sonhar se a realidade bate a porta?
como não amar?
como não não querer?
como não ir?
como não ser o meu todo ser?
como não ser por você?



domingo, 16 de agosto de 2009

de ondas e futuro

Ontem querida, quando estivemos à beira mar, esperava dizer-lhe apenas que Vinicius estivera deitado na areia, isto há muito tempo, e que ele ainda se lembrava do que sentira. Mas quando abri o livro para ler para você o que ele rememorava, quando olhei para seus olhos e todo restante de seu corpo, eu me senti como se já estivesse relembrando algo que ainda não havia vivido. Aquelas ondas que ontem nos trouxeram tanto de tudo, aquelas das quais falávamos de serem diferentes, mas parte de um todo, sabe bem quais não e? Pois elas e você estavam comigo quando fui levado à frente , em uma viagem do tempo. E estive lá de onde olhei e vi que estava vivendo, ao lado de uma mulher, um momento que poderia já ser lindo em si mesmo (afinal amo você), mas, minha querida, eu percebi que aquilo que sentia não seria só meu. Eu iria compartilhar ali naquele instante (e eu ali no futuro saboreava o passado) uma das maiores emoções que um homem pode querer viver. A emoção de amar alguém na memória eternamente. Sim eternamente amarei você por ter me dado este momento de rememorar sem ainda ter estado lá. Ao lado da mulher que estava comigo à beira da praia, falando de ondas e poesias, eu vivi no futuro por instantes, e de lá eu vi um amor poético, uma paixão, um carinho por você, uma companhia de aventuras românticas. Amo você e seus momentos íntimos que você me dá em nossa intimidade. Vamos a praia hoje de novo?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

receita

Carne maturada

Tempero

Fome

Pegue a carne, olhe para ela, de preferência com dois olhos grandes, se forem verdes, não espere amadurar. Desembrulhe e coloque sobre ela seu próprio tempero. Esfregue-se nela pelo tempo que for necessário para que desprenda seu líquido natural. Coloque-a no processador e ligue na velocidade máxima. Reduza e vá intercalando: rápido, médio, muito rápido, slow. Retire, mas não a deixe sozinha. Cubra. Deixe descansar quarenta minutos. Enquanto isto aqueça o forno em potência alta. Veja se a carne descansou em menos tempo, pode acontecer nas mais maturadas e principalmente com procedência espanhola ou judaica. Ajeite na travessa os pedaços da forma que lhe agrade. Abaixe o forno até o mínimo, a carne deverá demorar mais pra cozinhar, mas ficará (garanto) uma delícia. Em fornos mais novos aconselho a ir dando uma olhada pra ver se a carne está com aparência bem “viva”. Deixe cozinhando na sua cozinha por dois, três ou quatro dias. É isto mesmo. Demora. Mas será a comida do ano. Talvez da sua vida. Coma. E não goze ainda. Tem mais carne lá. Durma. Descanse. Coma de novo. E de novo. Não reduza esta receita. Espero que goste. É receita antiga.

msn

aiiiii

meu joelho...

carai

de novo

caí!

beneficiária de mim

sem vergonha de ser poeta, poetisa, exprimista, esgrimista,

sei lá o que é você.

sentir o começo, um suspiro profundo,

a dor do mundo,

do

menino perdido, da saudade descrita.

o despiste, do maldito tempo, do bendito agora

a razão solapante, a versão da aldeia, a veracidade

metropolitana.

Soltar o corpo nu, sexo na liteira,

maremotos trazendo bobagens,

loucuras,

santas mulheres imaginadas.

Perfeitas medusas, tranças nas pernas,

gulosas peruas, olhares seus.

Meus! Meus! Meus!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

seu

existe,
entre o que sentimos um pelo outro,
sentimentos que são ainda de um e do outro.

se conheces o seu,
se eu conheço o meu,
eles existem,
mas não vivem.

peço que me reveles o seu,
para que o seu exista em mim,
para que ele viva.

para que você viva em mim,
para que o meu sentimento seja o seu sentir,
para que a minha vida seja viva.

morto

nada é real para quem morre.
e para quem fica,
aquilo que do morto fica, o material,
torna-se surreal.

rosas

senti cheiro de rosas hoje e primeira vez em muitos anos,
não evitei a memória que este odor me retorna.
cheiro de morto.
cheiro de posse da minha própria vida.
solidão de tristeza sem consolo.
sol em dia de enterro.
despedida sem esperança de volta.
caminhada forçada.
abandono.
cheiro de definitivo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

aos saltos

- pau ao alto!
disse ela.
(antes de pular em cima de mim em um salto)

perdidos

- perdi o sono. dá pra olhar se está aí?
- debaixo das minhas cobertas?
- é...
- hummm! não sei...
- é que eu também quero me perder...
- opá!
- demorei?
- cala boca e procura, mas se você achar te mato.
- aham... dá licença.
- você é tão educaduuuuuuu...




01:55 am

ciúme de dedos

não! não são eles culpados. não os coloque entre duas colunas apesar de serem, elas, belas.
tudo é culpa minha, então me coloque no lugar destes dedos.

sábado, 8 de agosto de 2009

De outros 1

Escrevo desde os 16 anos e ainda não aprendi. Talvez pela falta de estudo, pela inconstância (paro anos e volto, longos períodos escrevendo compulsivamente x longos períodos de silêncio total). Estou iniciando minhas escritas aqui neste blog, hoje, onde obtive a promessa de poder escrever o que quisesse e com periodicidade indeterminada. Meu nome sempre foi Paulo, desde que me perguntaram a primeira vez. Lembro do meu pavor de dizer meu nome e o nome que me veio à cabeça foi este. Senti-o sonoro e seguro. Nome forte para utilizar na guerra que pretendia lutar. Sobre isto falarei mais tarde em outro post. Aguarde-me. Hoje quero dizer-lhe de mim. Como aconteceu de me encontrarem vagando, de como me alimentaram e como me tornei o homem que hoje você conhecerá. Um pouco. Vamos aos poucos para que a surpresa seja construída. Nasci em uma família grande, o quarto filho, o caçula bem educado, bem vestido, bem tratado e amado. Mimo foi a primeira palavra que percebi ser para uso negativo. Meu pai dizia sempre; - você mima demais este menino. Ele teve uma premonição talvez e não interferiu pois sua visão de futuro já havia lhe dito que não participaria de grande parte de minha criação. Perdi-o quando eu ainda não usava calça comprida. Fui criança livre, cidade grande, chicletes pregados na calçada eram arrancados e "remascados" como se fossem novos ao se colocar um pouco de açúcar. Nunca tive cáries ou infecções intestinais. Minha morte já havia passado perto e ela apenas tentaria me colher bem mais tarde, já que quando novo me visitara com uma insistência tão grande que alguns parentes diziam à mãe; coitada, ele é o último filho que ela pari. Ele era eu. Fraquinho, magrinho, tão mirrado que as agulhas atravessavam meus braços e acabavam por dar-me aos braços, a aparência que afastavam as mais experientes enfermeiras. Chocadas se recusavam em me colocar o soro, que iria me reidratar para a vida. Minhas perninhas e calcanhares ganharam sua vez. Voando para a cidade do Rio de Janeiro, pois a capital naquela época ainda não tinha o Hospital de Base. E assim sobrevivi à desidratação. Daqui, não mais mascando chicletes, fui colocado em uma escola para crianças excepcionalmente inteligentes e com pouco mais de seis meses, fui chamado à diretoria para escolher entre ficar em minha classe ou passar parar outra mais adiantada. Não sabia, mas me senti como Woody Allen ao ser questionado se aceitava sua própria circuncisão. Fiquei onde estava. Ali foi meu erro. Havia uma menina mais velha um ano, eu tinha sete para oito anos, linda, cabelos pretos, franja grande, saia azul, como todas as outras. Sua calcinha eu nunca vi, Vi-a uma vez sem nada. Estranho para mim, indefinível então. Mas marcante aquela diferença dela para as outras. Ela foi meu primeiro erro com as mulheres, dentre tantos que muitas permitiriam ou não em meus romances. Sim, desde já esclareço que sempre fui de romances. Nunca houve uma mulher que eu não desejasse casar, viver e senti-la como única e interminável. Isto até ler Vinicius (eu também escrevo poesias) e compreender que o eterno sem medida é melhor. E este sentimento de romances intermináveis, paixões avassaladoras eram alimentadas por filmes que varavam à madrugada e atravessavam meu coração e colocavam minha mente em um transe deliciosamente vago, superficial em profundidade da realidade, mas que me conservou até hoje. Sou um apaixonado. E preso dentro desta paixão, um corpo sexualmente ávido, tarado eu diria. Que se controlaria para não ser presa fácil das que desejam apenas carne e vinho. Não quero generalizar. Amo e aprecio todos os tipos de mulheres. As loucas principalmente. As perigosas, literalmente. As amorosas demais, quero distância. As misteriosas, desejo tê-las por todo tempo. Ah, meu tempo de liberdade para escrever acabou agora. Esqueci quase, tenho um tempo estipulado, única condição que me é imposta. Regras externas ao blog esclareço. As luzes precisam ser apagadas em três minutos. Eu volto depois

sssssssss

ssssssssss
acompanham os sorrisos,
acompanham a saudade,
são todos suspiros,
estão em pares,
por isto são plural.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

feliz em te ver feliz

Saber se o outro está feliz, não interessa a mim primariamente. Interessa ao outro se saber feliz, sendo ele próprio feliz consigo. Eu sou apenas o feliz observador de uma pessoa que tenta ser feliz na companhia de si própria.

quanto mais

Quanto mais próximo do impossível, mais invade-me o desejo de ser tudo.

Assim tenho inteiro, o sentido das coisas que me fazem ser completo,

a esperança de viver totalmente daquilo que me sempre moveu.

É esta paixão,

esta coisa absoluta, absurdamente viva, que quando permitida,

vorazmente nos engole.

E em troca de ser alimentada,

suspende no ar os que vivem poucos anos.

Mas tanto vivem,

que os anos não existem.

Quero-a, desejo-a, amo-a,

e ser tanto assim,

por tão pouco tempo e tão curto tempo,

que minhas vontades, minhas vidas, junto-as e entrego, me dou para conhecer as suas.

Acompanho-a,

minha,

por estar em tão grande vontade de viver e de ser este ser que cria, pensa, vive e observa.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

fortaleza

Não foi o corpo (apenas chamariz vestindo já o negro),
que primeiro minha visada observou na fortaleza.

Foram os olhos (miras de mirante futuro),
que me levaram ao mergulho do qual ainda não saí.
Fitei-os longamente e engoliram-me braços (entregues desarmados).

E o coração (como sendo a antiga sede da alma),
não se quis sozinho e acompanhando o pensar quedou-se (e aí está),
esperando um toque dos dedos seus.

Em seguida, vi o riso (que ainda hoje criança permanece),
dizendo-me:
- quero ser, quero ser.

E quando dentro (como se dentro carregasse o outro também),
vi seu corpo,
completo,
belo,
significante (coberto de descobrires).

sexta-feira, 31 de julho de 2009

penha

Guardar o resto dos verbos para que seja entregar,
em mãos.
Às tuas, sou teu.
Em olhar-te nos teus grandes, encimados por duas negras curvas,
chamam-me.
Entregue-me ao riso,
os teus,
que fazem os meus.
Derramo-me à sua frente, agacho-me, beijo-te os lábios.
Tu sabes a sede,
aonde será minha coberta,
o cruzar das pernas,
a coluna que não suporta o corpo, mas a ti.
sim!
Mente, mente... ah! a mente...
Diga-me se a verdade desce a penha,
à segurar pelos dedos a vontade do voluntário para o amar.
Sustenta-me na palma de tua palavra, a não dita.
Sigo-te por entre ti,
volteio ao seu redor,
encontro-me por buscar-me com tão grande entrega.
Sou preso em ser liberto para te admirar.
Guardo ainda o verbo encontrar.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

observada

nonsense
surreal
surpreendente
sensacional
genial
geniosa?
e ainda desfila pelada na minha sala!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

*quiz. é um quiz!

oculta
a culta menina
vernacular.
aprendendo amor
amor?
desilude
compreende.
questionamento
em todo momento.
poetisa
musa.
moça esboçada
sorriso.
universal religação
baixo louva
doze sons em outro.
instrumento de inspiração
em fases postais.

domingo, 26 de julho de 2009

li!

é.... que....
bem... err...
olha.... sabe...
eu.... você não...
mas... bem...
aqui... então...
olha... hum...
oi?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Crisálida

Aonde ir sem encontrar papéis virtuosamente solitários?
Gostosos de se tocar como seda,
seda que me avermelhe as mãos.
Como se a vergonha fosse somente minha ao tocar fora dela.

E mesmo ainda sob ela, eu sinta, ela. E que ela me sinta.

Aos trinta, quarenta;
ao descanso irei,
terei todo tempo para olhar e ver o olhar coberto pelo verde.
Espantosa maneira de me olhar.

E eu serei quedado ao me sentir vertical, onde as pernas tremem e não caio.

Pronto para morrer nas alegrias corporais expressas,
conduzidas por palavras também,
audíveis apenas também após sessenta dias.
Pelos mortos cansados de esperar.

Crisálida muda o mar e se envolta ao nele se voltear..

domingo, 19 de julho de 2009

envolto

Às vezes, sangue.
Muitas vezes, água.
E, estes,
esvaem,
deságuam
e desandam sem parar.
E tomam os caminhos abertos,
que em curvas parecem que não vão.
Mas nunca ficam parados,
transbordariam no seu incessante.
E nas bordas,
sangue e aguaceiro,
convertem palavras em amor.
Em amor de rio cheio,
vida, verbo de ser.
Ver desde a margem é paixão fulminante.
É chamada para mergulhar.
E levando consigo, para sempre,
o que já não é meu,
congela o sorriso na felicidade.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

entretantos

Se pudéssemos além,
e não apenas o dizer-nos?

Enchermo-nos de zelos,
se pudéssemos,
em nossos termos, ter-nos.

Ser o tanto,
tanto que fosse,
sem o entretanto.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

frases

faço frases, não mais que quatro, que não anoto.
várias... uma depois da outra...
não acho desperdício não anotá-las.....
procuro algo perfeito pra te falar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

posso?

Suspiro calada, sonhando acordada enquanto não durmo.
Durmo sonhando para acordar suspirando enquanto tento calar.
Calo enquanto tento falar o quanto te amo.
Te amo para falar o tanto que não posso.
Não posso te amar calada enquanto tento falar que não posso...
Posso não falar o quanto te amo enquanto tento pensar.
Penso em calar enquanto... sei que não deixo de te amar.
Mas enquanto te amo te falo, o tanto.


(de uma mulher, para um homem - lógico!)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

pior?

que será pior
será sonhar
será não ter
ser o outro
sem ser
será
sonhar
o pior
saber não ter

quinta-feira, 9 de julho de 2009

como você?

beijo-te novamente à beira da janela,
em seu quarto.
amo-te loucamente no fio da linha,
aqui e ali.
foi quando tive seu corpo entre o meu,
o meu no seu espaço.
encosto-me em seus seios em breve,
brevemente espero.
minha, quero mansamente suas mãos,
em mim, seu.
troco suores solitários,
pelos seus solidários aos meus.
andei em volta de suas palavras,
escolhi segui-las.
e agora eu sinto,
muito.

*sacrificado dia

tem um pedaço de mim que é sacrifício.
oitava parte, de dez oitavos, entrego à carnificina do diário.
o que sobra jogam pedras em cima.
me fazem um altar.
sou santo, separado para vagar,
sem esbarrar as asas, entre as cortinas que abaixam.
pois, da altura, deus me olha esperando eu voltar-me. a face escondida de vergonha.
ainda dá tempo de voltar?

domingo, 5 de julho de 2009

2 dias

se houvesse um cheiro compartilhado, poderia buscá-lo aqui próximo.
há aquelas palavras rodeando que não se juntam.
sétimo, quase todo dia esperando, o seguinte.
primeiro, quase inteiro, nas últimas horas impossíveis.
se há algo por dizer, digo hoje. venha buscar-me.

*tempo

prefiro assim. seguindo sozinho corro riscos maiores. nem tenho que olhar pra trás.

sábado, 4 de julho de 2009

fome

Eu tenho isto em mim. Esta coisa inexplicável. Um sentimento que vem e vai.

Às vezes sinto como se o passado não fosse possível ter vivido.

A saudade é tão grande, tão forte a força com que vem, que literalmente o coração para.

Às vezes o querer é demais.

É querer uma tarde calorenta, suor de sexo, de paixão, de não querer saber se outro dia vem.

Ou se outra tarde se foi.

Tardes silenciosas com olhares cúmplices com motivos iguais em tudo.

Fome.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

suspende

não acho que seja o bastante,
para bastar,
os instantes colocados (o meu sobre o seu).
venha o corpo,
venha a voz,
vejo os olhos (partidos, enviados. aos pedaços compartilhados).
sei do caber,
do espaço que ainda há (mas, do outro lado cabendo, conterá?).
lembro vagamente, (memória tenta o futuro),
da viagem na serra onde ouvi a voz da infância (o passado nos contenta).
falo vago,
viajo ao som do que completa minha fala,
me suspende... (suspiro)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

luto

na noite, a chuva levantou os cheiros de memórias invisíveis.
sobrepôs anos sobre o dia.
não houve imagens que fizessem o descanso chegar.
em vãos secretos deitou seus olhos.
esperou as horas comuns dos trinta dias incomuns.
lutou contra o luto falso.
(no outro dia estava entre cristais, madrepérolas e sedas)
(sentido perfeito, único, novo e prometido)
junto mais palavras por sentir?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

tempo?

e se viraram
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

romaneio

Passantes mãos em pianos mudos,
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.

domingo, 21 de junho de 2009

*bicicleta velha

bicletaaaa!
recupera da dor!
trás a flor...
desacelera agora!
tá frio?
sinto nada!
amar?
não dá amor....

quarta-feira, 17 de junho de 2009

*não quero o tempo, todo

Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.

terça-feira, 16 de junho de 2009

não, você.

Não te esqueço nem quando não tento

Não te quero mais do que muito mais

Não te vejo mais do que dentro de mim

Não te espero há muito tempo daqui

Não te beijo assim desde amanhã

domingo, 14 de junho de 2009

algo de bom

quero algo de você em mim,
talvez sua calma, sua voz calma,
seu jeito de tocar minh'alma.

quero seu azul do mar,
o verde do campo de seu olhar,
suas cores de todas as roupas.

quero algo de mim em você,
minha completa entrega,
meus planos mirabolantes,
meus amanheceres desde a noite.

queria algo do amor em nós,
algo de amar nas palavras,
algo de completa ilusão.

j.b. de oliveira

teima mas não aposta. meu avô dizia. acho que foi dele que ouvi isto a primeira vez. e me disse mais, muito mais me ensinou meu avô jb. lembro dele sentado no sofá junto à luz do abajourt, em sua imensa sala de visitas, apartamento gigantesco no centro da cidade, lendo ou estudando. sempre foi assim e no final da vida, já sem poder ler por causa da vista, me chamava para falar de suas várias leituras de dicionários cheios de papéizinhos laranja, com anotações de erros e ausência de palavras que ele apontava com precisão. e, antigamente, lendo os filósofos gregos, em alguns casos no original grego arcaico, me falava da filologia e etimologia das palavras. quando me viu interessado em uma enciclopédia/dicionário, quando eu tinha pouco mais de 14 anos, imediatamente encomendou-o pelo correio. lembro de, ao abri-lo, e ver as bandeiras dos países reproduzidas na contra capa, ter um prazer enorme. ficamos eu e ele adivinhando o nome dos países em uma espécie de competição. meu avô ganhou. e ganhava todas, ou quase todas. poesia ele escrevia. textos? também. acho que não gostava da figura de drummond. anos depois eu sorria ao lembrar disto, quando li os primeiros poemas do poeta de itabira. contos, estórias fantásticas, contava a história com uma vivacidade que sempre me imaginava lá. era um grande homem. meu modelo de homem. ele foi meu papai noel durante vários anos. com carta datilografada e assinada. desconfiei quando vi sua letra inconfundível, mesmo somente assinada; papai noel. me dizia meu avô noel "marcos, não lhe posso dar tudo que queres, apesar de merecer, pois sei que tem sido um bom menino, obedecendo sua mãe e a ajudando com seus irmãozinhos, pois tenho outras crianças para dar presentes e não seria justo eu dar tudo apenas para algumas"
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.

terra

Quem me dera ser, a terra, a sede de minha terra.
Corpo.
Que me fizera a chuva caudalosa?
Braços.
Quanto aos sons contínuos,
Ouvir.
O que daria ser, você, raiz da planta.?
Abraços.

sábado, 13 de junho de 2009

suã com arroz

Acordei e não vi nada seu

Na noite anterior, não tive suas unhas pintadas, elas, marcando sua pele, a minha.

Meus dedos fizeram letra, fizeram palavras, fizeram frases que enviei por aí.

Acordei e meu corpo não tinha suor, seu.

Meus olhos olharam em volta e não deram de cara com os seus.

VTNC.

Que horas saiu o avião que me atropelou?

Acordei e pensei: onde está minha tabela periódica?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

rio 1909

- não! eu não posso sobreviver sendo o tenente dilermando de assis!
- mas você agora tem a esposa dele, anna!
- sim! mas euclides da cunha, o seu marido, morreu!
- então?
- somente sou dilermando com euclides vivo!

on line no laptop

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OS do dia

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kkkkkkkkk

?

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!!!!!!

online empresa

OS

OS faturamento

PQP

msn

dani

pedido

OS Faturamento

ainda

msn

gmail

gemo

gmail

OS faturamento

fuck

gmail

Y

valentine

e para os namorados neste dia?
fodam-se!






foder -
(latim futuo, -ere, ter relações sexuais com uma mulher)
v. tr. e intr.
1. Cal. Ter relações sexuais.
v. tr. e pron.
2. Cal. Deixar ou ficar em mau estado, destruído ou prejudicado.
Cal. foda-se: expressão designativa de admiração, surpresa, espanto, indignação, etc.

Sinónimo Geral: fornicar


quarta-feira, 10 de junho de 2009

deste-me

desde a boca. desde o filme. desde o riso.
desde o desdenhar. desde a madrugada.
desde o pé. desde a cabeça. desde o coração.
desde a solidão. desde a fome. desde a estrela.
desde a imagem. desde o ilógico.
desde o quando. desde o tanto. desde o quanto.
desde o longe. desde a ausência.
desde hoje.
desde ontem.
desde que não haja amanhã.

sensível

sara, sana, somos, sei, soma, santa, senta, sinta, some, sinto, sim, só, ser, sumo, suco, sorvo, solto, salto, seixo, sua, seu, sexo, sal, sou, sol, sabor, saber, saciar, saia, seco, simples, solo, soa, suave, sorrir, solto, sutil, saída. saco.

tentando

você tenta me adivinhar.
você tenta me conhecer pelas frases.
você tenta me tentar.
você tenta me achar entre um sorriso e outro.
você tenta se achar em si.
você tenta se mostrar sem dor.
você tenta se calar do amor.
você tenta se tocar sem mim.
você tenta não ser apenas se.
eu tento, eu tento ser sem o corpo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

falei

Quanto tempo eu tenho antes que descubra o quanto terei de você em mim?

Isto!

É isto que me faz suspirar mais alto, me faz sorrir sozinho, me dá vontade chegar mais tarde (o mais tarde).

Engulo o dia pra sentir-me sentado, com os dedos postados em direção à você.

Como é ter alguém tão distante, tão presente, tão ausente e tão dentro de mim?

Quero já.

Não o ainda não, não o não vou ou não vou voar.

Não precisa de me tira, não precisa de mentira para me agarrar, não precisa precisar de mim.

O tanto que quero deverá bastar.

Quero a estória da história escrita sem ter que ser amanhã. Tenho ar somente para hoje.

E quero respirar com você; à beira, sob, sobre, dentro, em, na, no, com.


(esta é daquelas!)

boca

esta boca não é sua.
é minha.
é suja.
limpa, vai.
não deixe que discorra!

domingo, 7 de junho de 2009

papos


wall diz:

 que mulher linda

 assim

 tipo... só pra observar...

the unforgiven diz:

 essa mulher linda é a greta

 diva

wall diz:

aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

the unforgiven diz:

 não gostou?

wall diz:

 tô sem aire

the unforgiven diz:

 pq?

wall diz:

 nada, nada, nada

 nada é importante

 sem greta

 ela morava em new york, não é?

 no fim da vida...acho que ela dizia...

 please,”

the unforgiven diz:

 ah, detalhes da vida dela eu num sei

wall diz:

“me deixe sozinha”

 e eu aqui sem dinheiro da passagem

the unforgiven diz:

 é ela mesma!!!

 "I never said 'I want to be alon', I've said 'I want to be left alone', and that's all the difference"

 wall diz:

 traduz aí...vai minha nêga

the unforgiven diz:

 hahahahaha

 preguicinha

 mas tá

wall diz:

 já fiz

the unforgiven diz:

 "Eu nunca disse "quero ser só", eu disse "quero ficar só", e tem toda uma diferença"

wall diz:

 na memória

 caramba

 e ela comia o quê?

 será que olhava pra janela

the unforgiven diz:

 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 como vou saber???

wall diz:

 enquanto dava garfadas?

 ou colheradas (sinal de preguiça...kkkk) em seu prato de comida?

 sabe?

 aquele olhar de...

 -bosta de vida,

 mas, eu me amo, mais que a odeio

 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

 vou editar este e publicar!!!!

 

sábado, 6 de junho de 2009

raio x

não!
não tire as partes óbvias,
as coxas, bundas ou seios.
não tire o revistar,
o raio-x,
o tridimensional olhar.
nem as apalpadelas.
não me prive à...
não me tire elas!

poliédrica

estou te testando
pra ver até onde estica.
pra ver se você complica
pra ver sua cinta liga.
estou me inventando
pra você ficar tentando me achar.
estou aqui parado
pra me sentir tentado com seu olhar.
quero ficar também desconfiado
encostado na parede com você por fora.
escuto sua voz nestas musiquinhas que te mando
me dizendo quase rouca "você...eu, eu, sou louca".
estou me esquivando e pouco me lixando
se ficar lógico pra você.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

com fitar

sua certeza absolutamente correta,
ancorou-me na verdade na qual sempre estou.
apenas imagino se sua pouquíssima permissão por mim imaginada,
seria toda assim mesmo ou parte da verdade desejada por mim.
não poderia ser a verdade absoluta,
escondida em sua vastíssima estória de fugas planejadas.
contemplando as vestimentas preferidas pela estrela de toda minha vida,
como diria o poeta itabirano, que também imaginou a pedra no caminho,
pois é que,
quando meus olhos fitam novamente sua beleza de cores iguais as escolhidas,
refaço-me semipoeta,
e encolhido dentro de uma paixão desmedida,
como deve ser o reflexo de minha vontade de tê-la como a escolhida,
tenho-me refeito da falsa vontade de que tudo por você sentido já tenha passado.
e passado e pasmado,
olho a mesma lua não mudada.
e é como se uma semana apenas tivesse ultrapassado o peito.
o coração,
a fácil explicação e força de expressão de quem deseja o amor inteiro,
por inteiramente entregue a alguém que tornará e tornará e tornará.
como uma força necessária para que as fantasias alimentem o homem,
o espaço,
a vida.
o meu viver.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

não era para ser agora

só é ruim quando paro de fazer...e então tenho que pensar...
o acordar, pra vida desacelerada, me dói...
me coloca extenuado ao lado dela...
a vida...
e o corpo diz..."a alma não suporta, descrê, enredada fica".

segunda-feira, 25 de maio de 2009

canto

coração tem canto?
coração, tem um canto?
canta o coração?
canto ao teu coração?
te encanto o coração?
me encantoa o coração!


inspirado no post de talita:
http://historiadaminhaalma.blogspot.com/2009/05/da-faxina.html

domingo, 24 de maio de 2009

copie, cole no comentário e coloque SUA pontuação

sua certeza absolutamente correta me ancorou na verdade na qual sempre estou apenas imagino se sua pouquíssima permissão por mim imaginada seria toda assim mesmo ou parte da verdade desejada por mim não poderia ser a verdade absoluta escondida em sua vastíssima estória de fugas planejadas contemplando as vestimentas preferidas pela estrela de toda minha vida como diria o poeta itabirano que também imaginou a pedra no caminho pois é que quando meus olhos fitam novamente sua beleza de cores iguais as escolhidas refaço-me semi-poeta e encolhido dentro de uma paixão desmedida como deve ser o reflexo de minha vontade de te-la como a escolhida tenho-me refeito da falsa vontade de que tudo por você sentido já tenha passado e passado e pasmado olho a mesma lua não mudada e é como se uma semana apenas tivesse ultrapassado o peito o coração a fácil explicação e força de expressão de quem deseja o amor inteiro por inteiramente entregue a alguém que tornará e tornará e tornará. como uma força necessária para que as fantasias alimentem o homem o espaço a vida. o meu viver.

domingo, 17 de maio de 2009

tem

não tem coca
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

conhece?

Admiração
(Paulinho Moska)
Meus olhos, famintos, não se cansam
de te acariciar
Procuram sempre um novo ângulo
pra te admirar
E sonham mergulhar na sua boca de vulcão
Provar todo o calor que há na sua erupção

Escorregar nos rios claros
das margens dos teus pêlos
E encontrar o ouro escondido
que brilha em seus cabelos
Devorar a fruta que te emprestou o cheiro
E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro

Esquecer o espaço, o tempo e o viver
Perder a noção do que é ter a noção do perder
Se um dia eu fui alegria ao te conhecer
Agora canto porque sinto a dor de não te ter

quinta-feira, 14 de maio de 2009

sabendo

Dormi tarde e me ocorreu de sonhar, com mãos,
Explico, e se eu justifico, é por ter a observação.
As mãos me tocavam nas costas das minhas,
Por debaixo dos panos das mesas.
E era o coração na boca,
Como se já o fim.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

nem...

nem tanto, nem tão.
apenas o bastante para parar.
apenas o basta quereria.

nem sim, nem. 
não!
o nem, para mim,
disjuntiva, a sua conjuntiva.



sábado, 9 de maio de 2009

ah! portugal... faltam poucos dias...

Amália Rodrigues
Composição: Artur Ribeiro - Ferrer Trindade

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça

Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir, podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem espero

Se eu gosto ou não, afinal
Isso é comigo
Mesmo que peças
Não me convences,
Nada te digo

De quem eu gosto...

terça-feira, 5 de maio de 2009

pra ler enquanto canta e me espera voltar (férias, sem posts...)

O Que Será (À Flor da Pele)
Milton Nascimento
Composição: Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

sábado, 2 de maio de 2009

mulheres

Amo as mulheres
Amo o fato de não viver sem elas
Amo-as por parecerem bonitas
E por quererem parecer
Amo as mulheres pois seu toque
Tem-me feito arrepiar
Amo as mulheres e seus medos
Sem razão
Amo suas certezas e sua coragem
Com emoção.
Amo seus olhares pedintes
Amo seu aceite com dor
Amo a forma de dizer não agora
Amo a espera por mim depois
Amo as mulheres por usarem saias
Amo seus vestidos
E suas camisetas brancas.
Amo!
Amo apaixonadamente
E me entrego totalmente a elas
Meu ser, minhas fraquezas
Amo seus penteados por elas
Amo seus cabelos por mim.
Amo suas perguntas
Amo suas poucas respostas.
Amo a jovialidade somente nelas
Amo a destreza de andar
Em sapatos inclinados.
Amo seus espelhos mulher
Amo seus filhos
Amos como ama seus pais
Amo você mulher que me toca
Move-me, me incita
Amo que me chame de amor.

carros pretos

os carros, hoje,
são todos pretos.
as motoristas, desde ontem,
não são ruivas.

erato

mito.
minto quando omito
que me usas,
quando és musa,
ó erato.
anda,
levanta.
um passo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

beija eu

sonho tanto eu beijando sua boca,
que tenho ficado rouco
de gritar ao acordar,
me beija de novo! me beija de novo!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

em tudo, um pouco

cortou o cabelo...
nova maquiagem
trocou o carro
pintou as paredes
renovou os móveis
encapou os livros
escutou as músicas
degelou a geladeira
colocou novo lençol
lavou os talheres
regou as plantas
comeu e bebeu
falou no msn
olhou para o céu
tudo havia mudado

ingrata

duas noites passei aqui
dentro de suas pernas
por suas coxas escorri
meus culhões amassou
minha boca em cima
sua boca em baixo
e dizes que não estive em ti?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

disléxica

quero uma esteira
busco uma cadeira
busco a coisa inteira
pra viver aqui.

dá-me sua orelha
não me dá rasteira
pata de coelho
a viúva chora.

quero ser criança
e fazer lambança
tapa na orelha
pra me curar balanço.

solitário errante
passeio pela serra
pedalada na lagoa
sem olhar magoa.

pego na estante
deito no seu prado
sufocante aldeia
saio pois venci.

minha dor volteia
faz mirabolante
parte desiludida
escrevo o que perdi.

terça-feira, 28 de abril de 2009

descolorido esperando a lua

como irreal é a busca em um ponto de norte a sul, leste a oeste.
por cima ou debaixo da coberta não encontro tanto sossego,
coberto estou de sonhos.
acordado.
sem acordo vi olhos e chinelos indo e deixando tudo sem saída,
eterno, estrada comprida, fila sem fim.
desalento. preguiça.
aceite por ódio, matança, desfiliação,
mas sem compreensão, sem entendimento, sem trocados de palavras,
sem discusão, nem dircurso curto,
sobreviver apenas por bobo.
aliás por enganar o ser,
escrevendo,
lendo, comentando as mesmas dores,
do pisão no rabo sem ponta.
exterminar o sentimento, sentindo tudo,
caroço na mão,
dor no cotovelo,
apoio de cabeça pesada e mais motivos.
ai! não querer dor é fácil.
tê-la mais ainda.


sempre tem alguém que me dá uma dica!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

domingo, 26 de abril de 2009

tâtonner

réunion.
testaments.
là-bas?
besoins.
l'égalité.
rechercher.
être?

estou

frio,
frio congela o sentimento,
na lembrança,
de ter um momento, feliz,
observando o movimento,
de querer tudo de uma vez só.



ana, obrigado por me lembrar.

sábado, 25 de abril de 2009

dialógicos 1

- dá?
- não dou!
- dou?
- dá!

certeza, apenas hoje

me baste.
por tantas horas de um único dia.
não lembrarei de ontem.
não quero o amanhã.
sou seu.
apenas hoje.
te basto?


este texto é um comment feito no blog da talita

terça-feira, 21 de abril de 2009

brincando

diria em teus olhos
se o olhar estivesse tão perto

teus dedos estão no meu espaço
toque-me

com palavras surreais
rápido que esta fase passa.

nem eu

oferta na feira da vida, ela não vira, não olha, não aceita.
é muito barulho, vozes iguais, roucas, agudas, enlouquecidas palavras.

ritmo igual para todos os saídos de universidades, internatos rurais, escolas dominicais.
onde dividir a escolha, o caminho, as pessoas, diferenciar o que é meu ou do outro.

oração, reza, zen, medito, penso, filosofo.
filósofos, pastores, padres, mestres, quem são os indicadores perguntam todos.


onde? qual o caminho seguir? qual sacrifício? nenhum? por quem?
a face dos irmãos são parecidas demais. tornam-se mais comuns que os outros.

esta pele nórdica, estes olhos, céus!
este texto perdido, lembrando-me, por onde fui?

domingo, 19 de abril de 2009

ainda

os olhos em minhas costas, imaginação,
levaram-me a escrever trezentas cartas, duas poesias, quatro contos curtos.
onde conto o gasto do tempo; dezesseis horas no máximo e no mínimo,
o choro compulsivo e obsessivo por alguém que queria a mão na nuca,
o agachado ao lado.
era pouco.
mas era o muito que queria,
fazia o sentido parecer ser todo o sentido da vida, naquele momento.
era.
pelos olhos, pela vontade, que pensava ser igual,
que foram vistos juntos em bares, em vales, serras, cachoeiras. em camas nunca.
não houve tempo, o chão via as roupas e as paredes e móveis receberiam os corpos.
e as janelas? fechadas, cortinas abertas; para o ar não entrar,
os cheiros não saírem e os olhos, de alguns, verem:
o único momento que eram tudo, todos, o mundo, a vida.
sair e ter uma vida normal, depois de serem o mesmo ser, parece simples demais. mundano demais. tem que ser diferente.
então abro os olhos.
imaginar-te é ainda uma vergonha, uma tristeza de amanhã, já hoje.
desde ontem.
deve-se ao sofrido, meu sofrimento?
devo render-me silencioso ao que chamo de "não sei"?
conhecida por muitos, quase trezentos e cinqüenta, não a conheci, nem reconheci quando disse nada.
nada.
algo que precisamos, alguém que queira dá-lo.
alguém que queiramos dar-nos.
não sei. ainda não sei.
certezas de dúvidas que depois, de anos, se esquece, se desdenha.
arrumas outras. outra.
ou a mesma.