terça-feira, 31 de março de 2009

os tais

onde?
onde estarão os seres amenos?
os que queremos ao lado.
estarão em algum lugar especial para eles?
talvez estejam dentro do vidro de figos que Tia Corália fez.
ou devem se encontrar,
e, se sentando em cadeiras de madeira, falam de mim.
e de você.
riem-se, como meninos e meninas levadas,
e se escondendo de nós, plantam seus sorrisos belos,
suas palavras queridas, suas faces tão belas, em terras cultivadas por nós.
talvez estejam na lombada seguinte da estrada.
conheces?
nos olham distante, não vemos se nos vêmm.
quando se deitam, olhamos seus corpos verticais,
colocando seus cabelos por trás da orelha.
são meros os meus.
são manada, estas crianças,
tranquilos são, os que comem,
os que escolhem os sais, os tais, os quais.

segunda-feira, 30 de março de 2009

terra

a terra tem olho azul
e pele branca.
suas águas me entornam
e suas terras me têm.

julho de 2008, revendo

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Leite
Preciso deixar-me sair de dentro de mim.
Já.
Preciso ir a algum lugar para me observar,
de fora para dentro.
Preciso descansar de mim,
de você que está tão aqui dentro.
Solidão de dor,
de consciência,
de esperança,
de certezas tristes,
de coisas tangíveis e eternas.
Quero a companhia do passageiro,
da passageira,
do que vai morrer logo ali.
A companhia das coisas que a gente vê,
rapidamente,
e guarda na memória pra lembrar depois,
se precisar.
Desespero total a curto prazo,
melhor que pensar em tê-la sem tê-la,
de tê-la a pensar sem pensar...
Quero me aninhar em mim mesmo,
mesmo sabendo que daqui não sai leite morno,
colostro.
Nem carinho de pai.
Sinto não poder ter-me em ti.

domingo, 29 de março de 2009

primeira carta

Tento achar algo que possa ser longo o bastante para que estendas a mão
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.

sábado, 28 de março de 2009

reveja, julho de 2008

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

linda

não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/
conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/
linda!

reveja, junho de 2008

Sábado, 28 de Junho de 2008

Mais além
Conscientemente eu almejo ter seu corpo,
esquio,
escalo,
domino.
Finco minha bandeira ao alto do monte e acaricio seu manto,
e sinto o vento de seu suspiro aumentando meu contentamento em estar colado,
calado,
corpos respirando juntos,
sucessivos e conjuntos na respiração vagarosa,
prazerosa,
momentânea e completa,
já que a vida podia terminar agora.
O que seria pra manchete que ninguém entenderia,
o porque de tanta paixão,
corpos nus encontrados no ato final.
Eu te desejo como mulher que és,
como senhorinha,
como suco,
tomo-o, sorvo-o,
e para te enaltecer,
digo que és uma delícia,
carne viva e branca,
leitosa,
longa,
sem fim.
e acima e abaixo eu acaricio esta pele,
estes poros.
Tudo o que mais nos uniu separou/Tudo que tudo exigiu renegou/Da mesma forma que quis recusou/O que torna essa luta impossível e passiva/O mesmo alento que nos conduziu debandou/Tudo que tudo assumiu desandou/Tudo que se construiu desabou /O que faz invencível a ação negativa/É provável que o tempo faça a ilusão recuar/Pois tudo é instável e irregular/E de repente o furor volta/O interior todo se revolta/E faz nossa força se agigantar/Mas só se a vida fluir sem se opor/Mas só se o tempo seguir sem se impor/Mas só se for seja lá como for/O importante é que a nossa emoção sobreviva/E a felicidade amordace essa dor secular/Pois tudo no fundo é tão singular/É resistir ao inexorável/O coração fica insuperável/E pode em vida imortalizar/Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin - 1974

reveja, outubro de 2008

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

aberto
Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo,
já que não quero ou não posso respondê-las agora.
Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas.
Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver.
Pergunto ao tempo:
quanto tempo e quando?
Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso,
quando caminho pensando em você.
São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo,
ou sobre a mensagem enviada.
Pergunto à madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado,
e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois,
para ficar marcada como relevo na capa do romance que não vivi ao seu lado.
Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo.
Se é irrepreensível.
Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuarão a causar-me desamparo.
Pergunto com letras, como estas que te escrevo,
se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal.
Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar, apenas para mim.
Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo.
Se me ouve.
Ouve-me agora!
Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão,
que já não domino.
Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?

quinta-feira, 26 de março de 2009

com fundo raso.

- Ela?
- Sim!
- Não há vejo.
- E o desejo? Passou?
- Por mim. Ele passou. Mas está aqui ainda.
- Agarrou?
- Ela? Quis. Mas não.
- Não! Não ela. O desejo.
- Ele é que me agarrou. O leme.
- Leme? Com este vento...
- Vai me levando com vela é tudo.
- Reza?
- Não, raso. Raspa no fundo do meu casco.

domingo, 22 de março de 2009

assim, sim.

eu te amo.
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...

short

me abrace,

com suas,
pernas
assim,
e me tenha
entre si.
e entre
nós
apenas
saberemos
o gozo
de
olhar.

cruzeiro

Contentei-me com a morte de parte,
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.

sexta-feira, 20 de março de 2009

já vais?

assim como estou, eu digo sim.
talvez nem tenha tempo,
jaz com o tempo que não tem.
e já, que tens a doença,
eu tenho a cura.
mas, por favor não me curra,
a minha insistência de ser.

quinta-feira, 19 de março de 2009

em instantes, num piscar de olhos

dantes, não tinha o antes de te conhecer.
antes que seja, que sejam instantes de prazer.
prazeres antes, que seja antes de perceber,
que tudo que é antes, dura um instante.
e que durante, sejamos amantes de nos conhecer.

estas

o que haverá
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.

terça-feira, 17 de março de 2009

nem um pio

já havia dito de sua parte que cabia-lhe dizer-me. a parte que cabia-me ouvir de ti. quanto ao restante, moroso monstro do desapego, enfia no saco de tua viola desafinada. criação estupenda, inata, de tu, coruja barulhenta.

quinta-feira, 12 de março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

ainda não finda

Acho que não me convenço,
quando não me estabeleço,
ou me desfaço daquilo que não esqueço.
Quando fui apagar a luz do jardim é que me lembrei,
ao olhar pra cima e ver a lua clareando o céu,
que eu ainda tenho que lustrar e encerar a mesa grande,
aparar as plantas mortas,
controlar o arremesso da bola de basquete em um aro que não para de diminuir.
Depois, deitar no berço esplêndido do seio branco.
Imagino até hoje,
que seu céu nos terá,
juntos,
debaixo dele.
Meus braços me cansam quando estico pra pegar qualquer coisa,
catar uma fruta,
repor um passarinho que caiu do ninho.
Para melhorar este sintoma da dependência de querer pegar coisas impossíveis,
aposto na ajuda de pessoas amáveis que possam entender que eu preciso ser admirado.
Mesmo caído,
mesmo sem surtir o efeito que quero,
quando olho para o alto e simplesmente peço,
com olhos, nem uma palavra digo,
eu ofereço meus escritos,
minha vida à procura de seu amor.
De qualquer amor.
Passageiro,
ligeiro,
sem vergonha de dizer que acaba,
que ficou teso ou que orelha não escuta o que a boca fala.
Volto para o céu, e, ver aquela claridade,
se expondo,
se consumindo,
sem se importar que se acaba,
me coloca em uma posição de giro,
de satélite naturalmente atraído por alguém que,
por não ter sido,
me será um céu.
Uma lua atrás da outra.

domingo, 8 de março de 2009

internacional

não acredito nisto. nisto de um dia apenas. parece que tudo muda em função de um dia. plantões são criados para que se atenda à memória de última hora. flores enviadas, criando situaçõe almejadas antes. de qualquer forma camas arrumadas. leitos maculados e maculosos. vazio em relacionamentos o mundo desperta para mais um dia. internacional.

são pensamentos

Eu quero uma morada nova.
Onde eu não tenha que trancar a porta,
nas noites como estas de verão.
Não mais que o tempo sentido.

Não há o que imaginar,
do que ainda não vivido.

Quero platéia de dois.
Para olhares únicos,
somente dois de copas.
Sem comentários depois.

Comida na mesa,
carne servida e mordida.

Vou ter seu olhar em minha expressão.
Como amantes de muitos anos,
um pedaço de ser em outro.
Poesia em fases da lua.

vamos

Cada vez que te vejo,
é como eu vejo seu desejo.
Estampado em você,
está um pedaço igual ao meu,
correndo e se jogandode encontro ao que almejo.
E quando tudo separa,
ou quando vem a solidão,
me esforço,
como agora,
para ser mais sim do que o não.
Agite-se pelo consolo,
busque a mão que conforta,
veja com o que realmente importa,
e a volta será bem menor,
que os 18.000 metros da lagoa.

sábado, 7 de março de 2009

mensagens

Umas metades,
ficam cheias de amor,
pintadas de toda cor,
conquistadas pelo outro.
Outras partes,
estão à beira.
cheias de necessidades.
repletas de vontades.
Fechadas conversas,
que espantam,
ditas pelas metades,
incompletas mensagens.
Cortes estranhos,
cortam entranhas,
corações raspados,
arrancados pedaços.
Ligar as metades,
ligar as máquinas,
ligar o conquistado,
ligar para o outro.
Do outro lado.

quinta-feira, 5 de março de 2009

irá?

na ira apenas para rima.
na ida para ir na mira,
mira na ida.
as águas da rainha,
as anáguas da menina.
da antiga que não queria,
que não queria ser antiga,
com anáguas a menina.
apenas pra não gritar,
(qual o nome da pequenina?)
o quanto ela queria.

tá?

seria capacitado de amores
teria todos os detalhes
comeria todos seus gostos
viveria réu na paixão
quantos?
oito dias.

habitarás a caixa

habitarás a caixa vazia
apenas forrada da vontade
de ser algo para ninguém.
viverás em memória querida
no alto do mastro
que única de longe seria.
acreditarás no consenso
de todo um coração
único que seu seria.

outro

são vazias
são curtas
não escutas
não lês
sim vês
sim és
são nada
são parcas
são tantas
não paras
não para...

soluto

não piscou
sim doeu
não mexeu
sim mexeu
com eu.

põe vírgula pra mim na minha vida

a solidão me pegou desacompanhado
sem luz que da lua era crescente
e não tinha música pra dar
desembrulhada de papel fantasia
minha penada saiu sem alma
minha escrita se partiu
conduz o nó arrastando
na garganta o amargo

terça-feira, 3 de março de 2009

eu falo. e você?

Considerando a hipótese, que está sendo considerada muito antes de ser verossímil, de que suas palavras, as mais belas que tenho ouvido, lido e compreendido, estas mesmas que me colocaram onde estou guardado, local preferido entre aqueles que trocaram o certo quase seco, pelo duvidoso momento de águas tempestuosas, local o qual também chamo de 'quente mas gostoso', pois estas palavras tão sensíveis e calorosas, tão meigas e saborosas, tão cheias de mensagens de esperança de um relacionamento de mútua compreensão, elas tem, as palavras, sido o meio que me tem enfaixado os machucados, esterilizado-os e colocado vicvaporub onde é necessária uma ação mais profunda, e que tem me causado um prazer de horizontes infinitos, embora eu acredite que tudo isto é fantasia de quem precisa, como eu preciso, de modo incomensurável e sem medita cabíveis a partir de compreensões sem paixões ou sem olhares de condescendência quando o nível do óleo baixa de repente, e a gente sente que tudo mudou e pensou em um dia acreditar que tudo era pra sempre, mas, porém, contudo, todavia, entretanto, muito antes pelo contrário do que foi estabelecido pela 4ª emenda da constituição americana, mesmo assim eu confesso, sob pena de não quebrar nenhum tipo de juramento, já que eu, de modo algum, jamais, juraria sobre nada o que na terra há, já que tudo é Dele, e sabendo e sabido que tudo que eu disser aqui será publico e até publicado, e já temendo ser tomado como martír de situações inexplicáveis e causais, chegando até mesmo em vias de fato e romanceiramente colocáveis em livros, eu digo que viver sem esperar por você, fazendo compnhia vendo a lua, cheirar mato molhado sem seu narizinho por perto, ter dedos nas mãos sem os seus tocar, sonhar com um dia mais bonito que hoje, sem poder te contar...não dá, não rola, não me convence que a vida é bela e quem ganha o oscar é quem merece, portanto meu bem, em resumo, de modo bem simples e sem fisiologia, digo, sem ser prolixo, eu digo, eu tenho certeza que um dia, eu vou parar de dizer que te amo.

reveja 06 de julho de 2008

Você tem a conta na cabeça,
me diz o que é o amor.
Não tem então um componente de solidão?
Não fala o amor a língua da paixão,
das línguas,
corpos,
braços,
pernas,
pensamentos,
os entrelaçados,
entre si trocados,
saliva,
suor,
cheiro,
medos,
sabor e receitas que não dão certo?
Não sussurra o amor por detrás da porta,
olhando de longe,
sentados no banco da praça,
enquanto quem é, passa.
Enquanto esta,
não sei onde está.
Sei sim! sei que aqui bem dentro!
Do sabor que se vai da comida,
não fala o amor?
Ele não comenta que a falta deixa doente,
dentes travados,
estômago revirado?
Eu já ouvi dizer também que o amor tudo suporta,
tudo crê,
não deseja o mal e que ele será ainda,
depois de tudo.
Acima da paixão.
Que venha logo.

domingo, 1 de março de 2009

ai pai... Esta realidade eu não quero não...


O tabloide inglês 'The Sun' publicou nesta sexta-feira (27) fotos do ator-mirim indiano Azharuddin Mohammed chorando após levar uma suposta surra de seu pai na favela em que mora em Mumbai, na Índia. De acordo com a publicação, o garoto - que foi recebido como herói no país após a vitória do filme 'Quem quer ser um milionário?' no Oscar - teria apanhado por ter se recusado a sair de casa para atender os jornalistas e curiosos que se aglomeravam no local. (Foto: Reprodução/The Sun)

coisos

canção cansa quando alcança o máximo da lembrança
certas cartas cortam o coração quando releio-as
suspiros suspendem o momento de seguir em frente
luas lutam entre ser a mais demorada para ir embora
lágrimas levam poeiras para minha camisa branca

como água...

o amor não é porto de chegada,
apenas de partida,
(sem destino)
é também de parada,
(rápida)
o amor não me convence
não lhe dou tempo,
não me gruda mais na pele,
chega e vai,
(como água da Copasa)