sábado, 20 de dezembro de 2008

tão

De tão poucas roupas,
De tão pouquíssimas palavras,
De tão grande sorriso,
De tão olhar,
De tão voz, doçura loquaz,
De tão cor,
De tão tão,
De tão,
De tanto...
Paixão!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ao seu toque

Teu toque de me recolher ao teu castelo,
encolho-me à tua escolha,
embora que me olhes como se não fosse todo teu,
furto-me de achar-me em outro local que não seja
onde sinto um afago grande em todo corpo,
ato de espera por me fazer respirar tão rápido,
como foi também depender tanto assim de ti.
Se de tua boca, atrás desta cortina,
sair meu nome,
desfaleço em pétalas como se rosa eu fosse,
Transformas-me sem querer, sem cessar,
sem ao menos me tocar,
e, se me tocares, amoleço,
e sem rígido pudor,
enrubesço,
e intumescido meu membro,
acolhe-te em ato de amor único,
belo,
e minha alma é tua,
minha vida.

palavras

Talvez eu faça uma promessa que não possa cumprir;
eu nunca vou te esquecer,
por isto quando lhe falo que vou partir,
minha mente não me deixa fugir.
Somente as ruas,
luas e estradas vão me acompanhar nisto que chamo de volta,
toda hora.
Sozinho, aqui sorrindo ao te dizer olá,
é sua luz que está acesa?
É sua voz que ouço cantar James Blunt?
É ela que sai pela janela.
Por um segundo seu mistério é o bastante pra me levantar a alma,
me levar a refletir o que fui até aqui.
Eu não sei o que minha palavra é para você.
São letras apenas, eu sei.
Não terei uma segunda chance de amar alguém como você.
Por isto me olhe com atenção.
Estou indo embora,
queria te deixar aqui embaixo um pedaço do que você me deu sem querer.


letrinha para musicar...

modos

Tenho dois modos sobre o suportar o que é evidentemente real.
Uma hora que o tempo seja já,
ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje,
amanha rápido e inesperado,
uma paisagem distante e clara de tão pura.
As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez,
já vão dois dias desde então.
O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim,
de pensar e ser pesar de não ter,
de não ter havido,
de não ser possível amanhã.
O hoje é pesado.
É todo voltado para ontem.
Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço,
perco o pudor, a estribeira.
Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro,
sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã.
Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente,
tudo é vida,
tudo é ontem e você.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

canto 1

Eu tenho um tento, um tanto
Eu tenho um canto onde eu canto
Onde ponho um tanto, mas tanto, que se não fosse um canto,
Eu escapava, eu convertia, eu me revirava.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

simples

Por onde eu andaria pra encontrar?
O que me encantaria?
No primeiro muro que encontrasse escreveria.
Com a primeira letra te diria,
naquele dia eu seria,
tua escuta,
teu calar,
teu toque,
tua colheita.
Se eu encontrar,
encantado por você andarei,
e no muro,
com a segunda letra do seu nome escreverei,
sou teu amar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

inacabando

Como terminar qualquer coisa que escrevo?
Não quero desligar como se apaga uma luz ao sair do quarto.
Afinal sei que vou voltar para lá.
Então deixo a luz acesa e eu sempre volto,
e olho para dentro dele e me pergunto:
- o que vim fazer aqui mesmo, o que eu estou procurando?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

só gritando

Posso ter o incondicional?
Posso andar na borda do Hades?
Pode ser característico do desarranjo emocional?
Querer gritar não é normal.
Não é.
Subir ladeira a pé.
Soletrar sozinho.
Alimentar de pó.
Ficar sem sentir dó.
Enraivecer e enfezar todinho.
Não é normal.
Não é.
Posso ser imoral?
Posso colocar no pedestal?
Pode ser apenas de um só?
Quero sair do pó.
Pode ser pior?
Se ficar melhor vem dor?
Quero que me veja só.
O que será do amor?
Se tudo fosse cor.
Se alguém fosse por,
um coração aqui.
Eu vou partir
Eu vou dormir.
Quero sair daqui.
Quero gritar.
Eu sou normal!

sábado, 6 de dezembro de 2008

passar o tempo

alguns anos
alguns planos
alguns vales
algumas montanhas
algum deserto.
são belos
seus momentos
os que virão
os que serão
são os seus certos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

eu, você

E foi se transformando, foi transformando-nos
Transportando a nós, e nos dando nós
E nos deixando a sós, nos deixando sós
E fomos destruindo e nos construindo com os pós
E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ver

Não era você que me via,
e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver.
Repito os mesmos gestos de toda noite,
que são os que esbarro em você.
Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada.
Aprendi a cantar,
cantando o canto pelos cantos,
pra me encantar e sonhar.
Desfaço de tudo por tudo que diria,
se pudesse meus joelhos nos seus encostar.
Sua seda no som,
seus olhos, o tom,
seus lábios, sem outros são,
e mais nada.
Embora seja ir embora o minuto final,
até o final as folhas terão seu nome.

em

Seu nome deita em meu ombro
Seus cílios me abanam
Sua boca é feliz com meu nome
Seus braços me enrolam

Sou alegre assim
Ao te ver vivendo
Farto-me bebendo
Você em mim.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

neo

Brisamente me vou.
Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal.
Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo.
Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar.
Beijocadamente disparo selos em suas imagens.
Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro.
Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito

domingo, 30 de novembro de 2008

presente

Não é somente o basta que não completa o que me resta.
É o interesse egresso do que fui neste tempo.

Me enchem as cheias e as meia luas, precursoras de luz ausente.
Metade de escuridão do outro lado que me vejo posto.

É a certeza do certo sobre o errado.
Tampando o possível, o imaginário, o abstrato e temporal tempo eterno.

Enquanto dure, enquanto em mim, em quanto ficaria as custas de ficar também aí.

São estas falas que me fazem pertencente a ti e ao tosco esboço de relacionar isto com um sentimento de um par.
Lá também estão juntas as almas de quem não é meu nem seu;
o campo do sonho, do futuro limpo.

Tênue pensamento, profético ato de ver o nosso, com o de outro que também sonha.
Resta o que me resta, para me bastar, para trocar de memória, de parar o olhar pra frente.

O ausente está presente claramente, lindamente, eficazmente verídico.
O real me assola, me enche de completo desastre, inevitável preenchimento.

O soslaio me convence.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

fotos

Esta é você.
A que me amedronta,
não sei seu medo.
Sua condição para ditar algo que eu anote em meu caderno.
Esta é a outra de você a me deliciar os olhos e arrepiar a têmpora.
Espantar a indecisão.
Prefiro as duas que nenhuma,
prefiro o olhar pra foto de que nenhum por mim.
Aquela me senta na posição em que estou,
na cama feita pra dormir.
Esta outra você,
traga pra dentro,
por dentro a trago,
foge,
traz e me dá os passos.
Solidifica e constrói,
por paciência e distância,
no canteiro do seu olhar.
Eu sou seu, você que não é outra.

sorriso diverso

Um sorriso único, certa e convicta
Em um digno olhar, clara visão
Fácil amar tanta luz, tanta razão
Momento em todo tempo da vida

Pensar em quais das faces?
Em suas posses, suas poses
Seus dedos longos, seus dentes
Suas marcas, seus de repentes

Várias e várias vezes apagar
Chorar os sem respostas
Viver pra pensar em ter
Dormir com pressa em não ser.

domingo, 23 de novembro de 2008

vôo

sempre, todo dia, tenho uns pedaços pra viver,
pra continuar pousando e voando,
pousando e voando.
meu coração decola só.
e sabe? ele sabe que o horizonte nunca será dele.
por isso o pouso.
aterrisar é buscar entre as árvores uma fruta com água dentro,
um animal entre as folhas que o devore inteiro.

sábado, 22 de novembro de 2008

sim

Sim, mas e daí?
Se não ouve o que falo,
se não houve fala?
Se engano é minha impressão e enganar é a sua?
Se preciso que precise desde o início e se você é tão precisa em não precisar?
E agora que faço com o que quis fazer se você sempre fez questão de nada fazer?
E a lua? O que falo pra ela?
E depois que você se esquecer como faço pra lembrar-me para esquecer?
É você que me trás o impedimento e o avançar, querendo ou não.
Sendo ou não, estando ou não.
E daí?

caso

Quebrou-se.
Mas o que é ainda está aqui.
Despedaçado, separado sem colagem possível.
Os pedaços são cada um de outra importância,
multiplicada em atenções e eficácia em fazer pensar.
Quero ter mãos gigantes para juntar-los ao meu coração,
enfiar-los dentro de volta, em mim.
Considero montanha e morro a mesma coisa.
Daqui das terras mineiras,
o olhar de escalada,
de subida custosa,
dá o mesmo prazer quando é por algo que leva pra longe ou pra perto.
Lavo a cabeça é no tanque, com sabão de coco,
enxáguo enfiando a cabeça toda dentro d’água,
e aproveito e te chamo pra mergulhar comigo na cachoeira,
pra lavar a alma,
pra escapar de onde me quer você.
Volto a abrir a janela grande e de vidro,
vento me mostra o frio que abraço como se fosse seu corpo.
Esquento o tempo todo meu corpo pra que te aqueça,
caso queira,
caso precise,
caso me esqueça.

escorro

A terra que piso é santa, compactada,
com a chuva dos dias de entrada do verão,
ela foi se soltando, grão a grão,
e escorrendo.
Primeiro à minha volta, eu vi,
depois por debaixo de mim.
As flores dobraram os caules.
Escorregadio o piso, caí,
tentei manter-me de pé,
segurei em plantas novas,
recém nascidas, pequenas,
mas ainda assim tentei me agarrar a elas.
De joelhos estou olhando para onde estava,
espero o sol secar a terra.
Subida de volta,
ou continuo escorrendo?

Apenas dois pontos de vista que foram vistos,
errado e maldito, gêmeos não parecidos.

Escolha outro doce, rode em volta da mesa,
a conclusão não será a mesma.

Entendimento e tempo se combinam,
esperando o saber daqueles que amam.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

era

Era surdo, era mudo, era falado.
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

seu 2

Vento sempre trouxe tristeza,
sempre levou embora saudade de nunca.
A própria saudade.
Aquela espera de alguém que chega e abraça sonhos.
Beijo com a boca ainda seca.

Vento transeunte que dá a volta em volta da casa.
E sempre volta ele mesmo
Dono de mim que me leva pra quem me queira
Pra quem brinca comigo
Dedos nas pontas dos meus.

corrige

Seu crer espanta,
sopra o sentido correto.
Suas falas deturpam,
de todo o escrito.
Sua verdade,
corrige a rota.
Meu credo,
era vento de tempestade.
Minhas falas,
foram poucas.
Meu escrito,
foi o sentido.
Meu caminho,
é o seu

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

nada 2

Ainda que haja tempo para incompreensível misericórdia,
Que seja perfeita a fórmula dos pares,
Mesmo que a paixão espalhe as folhas escritas,
Não teria, eu, o dia.

Apesar da certeza que impede o errar,
Mesmo que não seja exato escolher,
Que seja o claro sobre a escuridão,
E impossível viver o amar.

Agora não espero mais cartas,
Escrever pede notícias de ontem,
Olho para dentro do rosto,
Hoje não terei o hoje.

Os contornos serão disformes aos olhar,
O céu pesará sobre a cabeça,
As falas serão igualadas,
Sem a incerteza, viverei?

domingo, 16 de novembro de 2008

esta alegria fingida

Esta alegria fingida.

Esta fugidia de mim.

Estes dedos que chupam doces.

Restos nas pontas que agora apontam somente para mim.

Não tenho mais que deixar de escolher,

faço apostas no dia de hoje

Recolhi o resultado antes da meia-noite.

Suporto tudo,

menos a revolta pelo amanhã já escrito no livro que já me deu.

Estendo a toalha no úmido mesmo,

o cheiro que fica destoa de tudo que é de hoje.

Minha cara lavada,

minha cara do pau de ferro,

está mais dura,

mais feia,

mais cortante aos meus olhares.

Ou eu fiquei mais moço?

Depois que aprendi a jogar-me do alto de edifício,

ficou mais fácil ser passarinho,

mesmo sem as asas que criei quando me apaixonei.

sábado, 15 de novembro de 2008

fim

Quero pintar os muros,
abrir portões em seus tijolos escuros,
arrancar a grama do meu jardim,
tomar a chuva que hoje cai sem fim.
Quero subir morros com barro escorrendo em enxurrada,
quero lago transbordando e levando meus pertences,
quero que me cegue a manhã coberta de névoa fria.
Hoje em mim eu não quero nada,
quero ser nada,
quero não pensar e nem escrever.
Quero não querer,
não lembrar e nem ser.
Quero seu pensamento voando e sentindo livre queda,
ao vento,
descendo,
colhendo sua resposta,
sua melhora,
seu destino e desejo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Lua cheia

Toda hora eu vou lá na caixa.
Pra ver se alguém deixou carta, bilhete ou uma citação.
Escuto música baixinho e aquelas letras entram gritando:
tô querendo, tô parado, tô pensando.
Os muros daqui de casa já descascaram de esperar alguém subir neles
e olhar para os lados onde o sol brota.
Por onde vem seu viver.
Se ventar fosse seu nome, teria você no meu rosto todo dia.
Vi que a lua não dá fome, não faz companhia
e nem cantarola no meu ouvido.
Ela fica é me olhando como se esperasse que eu saisse daqui correndo
e fosse morar em coração de almofada,
com azul bordado nos seus cantos e mão sobre minha cabeça.
Acalma bichinho ferido!
Olho a estrada prá trás e me dá vontade de te chamar
pra ver onde eu tenho andado cantando
e uivando feito lobo de bosque.
Boto em você seu chapéu
e cubro uma parte do olhar
que nunca será tanque pra eu mergulhar.

sábado, 8 de novembro de 2008

certa

Esta tua certeza me provoca um sentimento de querer te dominar.
Prender-te em meus braços até confessares que me desejas peito a peito.
Presos em teus olhos, meus olhos vão para onde me levares também.
Se for ali que poderei te ter como doce na ponta da língua, deliciosamente saborosa, eu estarei.
Conquista-me de forma calma, passo a passo, como andasse em tuas terras.
Como se eu fosse onde deves plantar suas plantas de sabores que preferes.
E quando quiseres colher, de acordo com a estação, me pegue pela mão, me leve junto a ti para provar seus sabores.
Cante-me sua canção preferida, ensina-me teu tom, faça tua melodia em minha vida.
Constranjo-me dizer-te teu, apressado em querer ter-me conquistado por ti.
Faça-me, toma-me.
Quero-te, enquanto sou teu.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

é melhor

Posso entregar-te para sua vida
Devolve-la ao caminho
Fechar meus olhos ao te ver dançando
Cobrir minha cabeça a luz da lua
Fechar a boca ao cantor
Contar pra quem quer o que quero
Sumir no trãnsito quando te ultrapassar
Orar ao Santo pra te dar seu tanto
Escrever no canto do seu aroma
Escolher calado, por você.

suas coisas

seu cabelo preso
seus olhos semi fechados
seu fluxo
seu refluxo
sua cor
sua dança aos treze
seus cadeados
seus cds estragados
sua crença
seus músculos
suas pintas
seus relógios variados
seus ouvidos
seus gritos
seus suaves exercícios
seus alongamentos
sua bronca
sua sandália branca
suas camisetas
suas poucas palavras
suas aulas
seus pulos
seu cabelo solto
sua roupa rosa
sua roupa verde
sua boca
seus olhos
sua voz
suas abelhas
nossa bicicleta pra ir embora

loucura

ao te causar um algo, isto me dará cinco minutos de prorrogação no meu tempo ao teu lado.
ao teu olhar no meu, me ligarei a ele com a liga da cumplicidade implicita e querida por ambos.
ao teu desejo de amar, me estabilizarei no tempo para que se decida antes de se entregar um ao outro.
às tuas festas, eu me juntarei com total alegria em saber que anos virão com a alegria de ser querida por muitos.
ao teu tempo, eu estarei distante em algum momento provável e desejo que ainda distante.
ao teu desejo por mim, darei um passo em direção ao seu um passo.
ao meu sonho este, me tenha como louco.
à minha loucura, me tenha são de desejo de ser tua toda minha loucura por te ter.

sábado, 1 de novembro de 2008

algo

Teu algo me faz.
Algo teu me fez.
Sou algo teu.
Algo sou
Com teu algo.
Sou teu
Meu algo.
Algo meu,
Sou teu,
Todo teu.

tentativa

Onde eu busco o remédio para o passo certo,
Onde dou ao destino a chance de não me achar,
Onde a censura passará sem me marcar,
Onde está o amor que me cercará de concreto?

Isto tudo me tranca onde quer que eu esteja,
Já voei por causa disto mas agora estou parado,
Sentindo-me por dentro como quebrado,
Meus olhos estão fechados e o coração lateja.

A vida não contará o que não vivi,
A quem minha alma se apegou,
Nada colherá a lágrima que verti,
Estou olhando a porta que se fechou.

Não havia quem entendesse as palavras,
Quem quisesse apenas senti-las,
Para guardar um alimento que cresceu por muitos anos,
Esperando quem colhesse os ramos.

Caiu a semente na areia,
A ave que a come, voa,
E eu olho, asas abertas dela,
Escreve o nome que não é meu.

caminho

Cheguei em um lugar que não sei qual é.
Num momento estava caminhando sob o sol,
Mas agora olho pra cima e somente vejo planetas.
Todos são distantes e não consigo tocá-los.

Já tive estrelas nas mãos,
Toquei cordas que soaram em ouvidos brancos,
Voei com o vento no alto das montanhas,
Já vi a terra se abrir para a planta nascer.

O que me trouxe até aqui,
Como construí esta parede tão alta,
Qual a cor do ultimo olho que vi,
Qual era o tom daquela voz?

Desenhei contorno em dedos longos,
Envolvi meus braços em corpos amáveis,
Amei momentos eternamente,
E passei horas esperando um retorno.

Agora, neste exato agora,
Eu tenho a companhia do ausente,
Eu tenho a memória do sonho,
Passado enclausurado dentro de mim.

A chave,
Não é a mesma.
Não sou mais eu
Não ando mais só.

boca

Me beija!
Sua boca pede.
Beijo!
Quero um beijo!
Ela suplica.
Atender a este pedido é quase um pecado,
pois tampa-los à visão parece errado.
Sentir tão saborosos lábios,
tão macios lábios encostar os meus,
é ir e voltar,
ir e voltar,
ir e voltar.
Pede de novo belos lábios:
Me beija!

esquecera

Esquecer me parece uma prece de quem prefere não sentir ao ver a outra parte de quem nos vê como uma chama.
Um pedaço da alma minha,
sei não qual, une-se ao que a toca e aquela muda de cor, se transforma em algo alongado, esticado, impossível de se manter normal em forma reconhecível.
Acho que é como a alma fica dentro de mim que me incomoda o corpo.
Os poros do meu braço não sudoram normalmente,
sinto o vento sair com força por eles,
parece asa pedindo para crescer e se aventurar por onde não tem chão por perto,
onde só tem o cheiro do ar, nuvem branca e arco-íris cor de rosa.
Não dá pra ver o verde lá em baixo,
mas gosto de saber que ele está ali.
Completamente e repleto de esperança por uma segunda ou quarta chance,
eu pulo o terço pois eu sei que a terça parte é sua pra descansar e guardar o dia que é santo.
Sei salteado quais são os dias.
De trás pra frente eu lembro e de frente pra trás eu sonho.
Então eu não esqueço, não apago, apenas escrevo sem parar.
Esquecer é a fórmula que eu fiz pra lembrar sempre de tentar não esquecer.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

pasta

solução encontrada em tempo hábil é aquela que chega quando vc não aguenta,
vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado.
qualquer oba! me serve quando estou acabando.
escolho o mergulho,
tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo.
de coral? de muitas águas? são profundas?
escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.

sábado, 25 de outubro de 2008

descanso

estas marcas ficarão na areia e eu não olharei para trás.
elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta.
minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo.
olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira.
sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível.
meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria.
caminho porque preciso andar para alguma direção.
qualquer uma me satisfará.
enquanto caminho, faço.
passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei.
não era meu.
nem a flor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O que é melhor?

Uma colher de seu mel me enche de cura inconseqüente.
Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem.
Do dia de hoje.
E me basta.

como

O quê seria se não fosse eu cheio de querer?
Seria como não imaginar nem sonhar.
Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos.
Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer,
Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras.
Flores do campo sem colher para você.

domingo, 5 de outubro de 2008

Branca 1

Altiva, viva, espinha dorsal da minha vida.
Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem.
Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador.
As pontas onde terminam teus cabelos,
são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro.
Tuas mãos e pés, extremidades extremas,
pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar.
E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo.
Sua memória é eternizada em minhas,
que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás.
Em mim,
tu és tudo,
de tudo em mim.

talvez

Não quero saber nem que sim nem que não.
Quero saber de talvez.
O talvez que me excita.
O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida.
Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver.
Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez.
Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer.
Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez.
Talvez me lembra sempre você.

mulher tátil

Mulher, é certa sua presença entrecortando outras chamadas.
Ocupando espaços nas laterais e preenchendo o não vazio.
Tragando olhares redondos saídos de olhos cegos de outras.
Trazes palavras de volta, ao batente músculo meu.
Mulher, suspirante motivo sem raciocínio sobre outros dias.
Mulher em movimento, em lento mover de gravação pela lente do olho.
Mulher filha de deus, criada para inspirar.
Mulher do tato, sem meu toque és nada de tátil.
Corpo dócil, levemente leve como de nuvens brancas.
Viajas mulher.
Eu te lembro mulher,
Tu mulher que é mulher.

dever

Diz-me que devo
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.

sábado, 4 de outubro de 2008

descoberto

Eu quero estar longe
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

disto

E agora cobertos de razões,
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

há luz

o que há por trás do verde?
o que veste a rosa cor?
qual o peso que o branco suporta?
o que são as outras cores a sua volta?
molduras é o que são.
branca tela, negas meu pincel,
meus tons são seus,
por agora, por hora,
por vida que agora teima e me suporta,
por ti.
o que tens de tão verde?
de tão pura cor?

impeça

Impeça o desejo
Peça meu beijo
Aproxime do meu plexo
Negue o sexo
Sinta o que sinto
Um instante...
Sinta minha pele
Cheire meu cheiro
Olhe em mim
Bem dentro
Outro instante...
Sonhe comigo
Sonho de dois
Deite depois
Pense um pouco
Por um instante.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

aberto

Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo, já que não quero ou não posso respondê-las agora. Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas. Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver. Pergunto ao tempo, quanto tempo e quando. Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso quando caminho pensando em você. São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo, à mensagem enviada. Pergunto á madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois. Para ficar marcada como relevo na capa do romance que vivi ao seu lado. Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo. Se é irrepreensível. Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuaram a causar-me desamparo. Pergunto com letras, como estas que te escrevo, se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal. Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar apenas para mim. Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo. Se me ouve. Ouve-me agora! Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão, que já não domino. Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?

domingo, 28 de setembro de 2008

crédito seu

Quando permaneço longo tempo próximo ao intocável, percebo melhor o contorno de tudo que vai, ou o que está imóvel.
Fotografo o movimento e dou-lhe a forma de um rosto.
Ou quando quero filmar vejo o balanço, pra lá e pra cá, como se fosse cabelo dançando.
Aquelas cores verdes, marrons, cinzas ou rosas, me emocionam até eu ver outra e mais outra e depois outra.
Vou sem pés e o corpo em seguida mergulha em rasante sobre tudo que passo a amar.
Existe silêncio na voz mais gritante, existe melodia nas folhas que caem.
Há uma doçura no vento e caminhar contra ele é me levar ao destino que me quer.
Espero, sem perder a esperança, pois ela me vem sempre que me lembro, sempre que sonho, sempre que imagino, sempre que desenho seu contorno, de seu rosto, em tudo que acredito agora.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

aperta meu ombro

O teu braço dá a volta e me aperta do lado contrário,
Do lado de lá eu te olho e não vejo teu olhar,
Acelero o mais que posso mas levanta a cabeça e deixa-me,
Quando mergulho não escuto e não vejo o meu desejo,
Mas te vejo dentro de mim.
Como partir sem saber se me quer,
Sem olhar para trás e esperar que venha me ouvir.
Escuta agora meu pedido de perdão.
Mando embora o que não pode ser seu,
O que não podia aparecer.
Você caminha sobre os paralelepípedos,
Atravessa a mata fechada e reservada,
E eu quieto escrevo no ímpeto,
Não estou só, estou somente esperando o não.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

dizer

Difícil é dizer sabendo que não poderia ser dito,
Ter sentido é o inverso do que sinto.
Minhas são as dores de ter o querer em todo tempo,
Temer o que não vejo e que está em todo lugar,
É o que eu não entendo.
Onde abandonar, quando largar na caminhada o que pesa,
Com que pesar penso em não carregar,
O que completamente me esvazia,
Constantemente é assim que me vens renovar.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

vírgula

Por ter robustez a tua imagem em mim,
De ser densa vontade de querer-te,
Para ser feliz enquanto sonho,
Em sentir-me louco por não querer te perder,
De tanto entender que não queres querer;
Coloco um ponto acima da vírgula,
Um suspiro ao juntar cílios,
Uma palavra atrás da outra sem parar,
Um sentido, um sentir na vida sentir.

aqui

Nego até a morte o desprazer de não te dizer
Abro meu abraço e te abarco neste ser
Abaixo da mentira que me diz estou eu
Seguro o véu pelo instante de ver
A passagem fecha depois que entro
Retorno do nada
Canso de pensar quatro vezes
Antes de olhar por trás de mim
E você não está aqui.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Poema de Ken Drew

Esse mundo tão sombrio
Escuro e desconhecido
Transpõe-se á cada instante
Incandescido á cada grito
em cada gemido de horror
Absorvido em minhas alusões
Desconexo
é o sentido da vida
e nela como um todo
a semelhança com nossa eternidade
e mesmo q seja tão bela
navega por de trás dos nossos olhos
e simplesmente
a vemos passar

precisa

Principio de alegria e tchau
A seleção de sua alma faminta
Mira em mim o milagre
Sei que você me quer mais.
O dobro de dar
A dobra na dor que me dá
Sem alguém pedir de novo
No sul é frio pra mim.
Moro relembrando
O homem sou eu
E volto pra cá
Durmo debaixo da escada.
Subindo pra casa
Subindo pra casa
Eu
Eu subindo pra casa.
Olhe pra mim
Estou em casa
E vivo por isto
Eu vivo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Poema de Ferreira Gullar

Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sinais

Chinelo no branco de meu piso
Calça no verde da minha grama
Flor rosa na roupa
Óculos escuros no seu sol
Sorriso ao me ver, ao te ver
Toque na mão sem querer
Material guardado no cesto
Bailado estampado
Silêncio quebrado

terça-feira, 16 de setembro de 2008

letra

Ao ler não acontece de perder
Relembra toda a esperança.
Algo muda pois precisa ser trocada
Já que a rega não vem.
De quem é o que produz calada?
São meus os não escritos?
Tens algo que não é meu
Mas eu já dei o que te pertence.
Seu pedaço em mim
Será sempre, unicamente teu.

cristal

Não posso mais dizer o que penso
Quero estar e viver.
O silencio que se fez
Transforma em cristal tudo que faço.
É leve o que levo até lá
E a dor me trás de volta até aqui.
As fotos são inocentes e mesmo assim incendeiam
Troco tudo por quase nada que tem guardado.
Traga as imagens que criei
Deixe um pedaço do que é seu.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

o céu

Quero te dar umas palavras pequena dama
O céu não posso te dar
Nem te levar para comigo voar
Não te darei promessas de amor agora
Pois não sei o que é te amar
Não tenho impressão que o porvir é todo seu
Quero apenas ficar quieto ao lado teu
Calado, sem música, sem luz de cinema
Do seu jeito
Quero me cegar
Para perto você chegar.

uma parte

Onde é que está o mar que eu ouvi por sua causa?
Onde está a luz que você ligou em mim?
Onde está sua respiração que eu escutei atento?
Eu quero voar pra te encontrar lá naquele lugar
Onde o rei fala comigo
Onde minha vida não tem divisão
Eu quero encontrar com minha dama
Que me alegra e anima minha vida
E se eu passar desta volta que o mundo deu
Eu voltarei a respirar por você
Onde está a mágica de sonhar?
Onde ouvir a musica que lhe escrevi?
Qual linguagem falar?
Você precisa entender que uma parte de mim é você.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

finjo

Finjo gostar mais de mim quando digo que não te quero nos minutos que te vejo.
Nos outros todos te quero todos os outros.
Quando vejo que te vejo é que eu ensejo que a minha vida seja este momento.
Impeço o seu pedido dentro de mim pois te desejo mais que seu desejo.
Eu prevaleço e venço as vezes que distraio e me guardo de me querer bem.
Dentro está o que é minha expectativa de dar a parte que não me cabe guardar.
Diz-me se é falso, o que sua experiência diz, o que te digo em poesia.

é

É uma lembrança que vem do cheiro do vento, de perfume no cabelo.
É aperto de pensar se vem de novo o novo, o bom gosto de saliva, de boca na boca.
É saudade de pensar saudade, inocência de perguntar quando vem, quando ver.
Lembrar suave de suave tocar no braço, nos dedos e voltar.
Na pergunta profunda sem palavra alguma feita no olhar nos olhos.
É a saudade da saudade da distância que ainda não existe e falta quando o outro há.
É ver e simples gostar de precisar ter de quando e de vez.
É pular o minuto seguinte se o telefone não toca e a rede não chama.
É você. Sou eu.
Só eu. Só você.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

janela / 1

Tua, é minha janela que debruço, e de lá faço versos,
declamo quando tu passas em seus passos de dança.
Tua janela é meu pouso, descanso e sono.
Sonho em te ouvir me ouvindo no meu peito.
Esta janela é a moldura do homem que sou,
na parede que me colocaste.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

saber

Seria inútil saber, neste agora, saber
Que tudo é inútil saber
O que você pensou e calou.
Será inútil dizer, amanhã, saberá
O que você quis dizer
Se você amanhã amará.
Será consolo pensar, ontem, eu já sabia
Que tudo que é inútil pensar
Se você não dizia
O que você não queria.
Será útil pra nós
Será amanhã pra você
Será ontem só.

domingo, 31 de agosto de 2008

é sua.

Não posso deixar de anotar que vi seu olhar.
Não sei bem o que vi, mas vou tentar dizer.
Bela!
Seu seio no vão, não em vão, e sim pedaço de amor.
Seu cabelo, desfilo contigo em qualquer lugar.
É minha, é minha musa.
Minha lady, meu leite, doçura.
Brava mulher, sua vida é linda.
Apaixonado eu te diria que minha vida é sua, se seu eu já fosse.
Incesto ao certo ou incerto amor.
Carinho, tato e músculo.
Admiro sua verdade, sua coragem, seu silêncio e entrega.
À sua vitória, sou seu general, sargento, ajudante-de-ordem.
Quero você nos meus braços, no meu colo, na minha boca e na minha poesia.
Você é personagem, personalidade que ainda não conheço.
Não te perco para a razão.
Soletro seu nome na porta do céu.
Abra!
Ela, minha vida está aí!
É momento, mas é pesado, embalado e despachado.
Entregue em minha memória quando preciso ser feliz.

vou

se a espera é pena para escrever
sou papel sobre a mesa e espero seu peso.
se o silêncio é sua mente pedindo tempo
minha conquista será minuto a minuto.
se for tudo o que quer para o resto de sua vida
eu darei o passo seguinte.
se for apenas seu sonho, se for apenas minha imaginação
algo já está no ar.

você baila no ar

Você baila no ar
Leve.
Me leva de forma óbvia
Eu falo.
Sua voz é foz
Enche meu tempo.
Meu apelo após
E durante supre.
Imagem esbelta
Lisa e bela.
Fechas os olhos
O sol é seu.
Roupa verde
verte a rosa.
Para casa
Escola e decola.
Alonga o pesar
Por ser o poder
Dizendo não.

sábado, 30 de agosto de 2008

Seja gaia

Sorrir, sorrir e ir.
Leva-me e deixa a expressão completa.
Sorrir em sua insuficiência... se é finito o sorriso que se complete quando o frio chega
Seja-me suficiente, e me deixa repleto de ti
Não gosto da plenitude... tudo que é pleno se limita...
Mas no instante em que tenho, não tenho o limite em mim.




*autora anônima (ou como queira)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Leve

Paciência do meu beijo no seu rosto
Concerto da sua voz
Seus olhos eternos
Seus braços insistentes
Suas pernas no balé
Seus cabelos seus
Sua pele leve.
Esperança do seu toque no meu braço.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

como salvar?

Lógico que eu não quero o fim da minha vida
também não a quero dividida entre terços e quintos
onde arranco o ouro,
onde no pedaço no asfalto
pratico o assalto
e me espalho no resto do dia.
Um carro arranca comigo e outro vai para outro
E eu dando adeus da janela com os olhos molhados
Onde eu lavo minha garganta
Onde canto no canto
E me escondo um tanto
Que me sobra no pouco tempo que tenho.
Help eu grito e nem o editor entende que paro pra me ouvir
Minha escolha encolheu minha vida
Tudo ficou importante e desinteressante
Cheira a ver com dois olhos e não aos pares
Impeça-me de parar, me peça para ir
Não toque meu lápis
Meus dedos
Meu ser, meu laptop te esconde.
O local não existe mais para voltar e eu não quero minha vida de volta
Aquela já acabou
Outra música que tocar será minha preferida
Outra hora
Outra espera
Outra eu quero
Eu quero outra vida.
Agora ou depois, tanto faz.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

me trouxe

A flor quem me trouxe?
Foram as águas que trouxeram.
A flor preferida quem levou?
Foram as primeiras águas quem levaram.
Em qual olhar mergulharia tão fundo, tão fundo?
Em seu mundo, em seu mundo.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

alvo

Se a palavra revelou o alvo
Se a alma suportou o erro
Se o perdão me aproximou de ser
Eu me rendo inteiro
Eu me detenho
Eu sou todo seu.
As estrêlas criadas
Os mares imensos
Todas as montanhas
Todo ser que aqui habita
Deveria saber
Meu desejo agora
Poder te conhecer e reconhecer.
Eu não sei o que sou
O que virei a ser
Qual será o sentido
E o que pretendo
Com tudo isto.
Dizer que ainda espero
Sonhar com o que eu quero
Com o que me deste
Naquele instante
Em que te conheci.
Você está em mim
Na ponta dos meus dedos
No fundo do meu coração
Em todos os sentidos
Você simplesmente é.
Mesmo sem te ver
Sem ouvir sua voz
Sem sentir o toque
Sua presença ocupa meu viver.
Seu poder de mudar meu mundo
E mudar minha sorte
Trazer a alegria
Torna-me mais forte
Para eu viver.
Sem você nada é completo
Por isto eu espero
Estar mais pleno
Com o seu amor.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Resistência

A minha insistência é parte do lamento do que criei
Minha tristeza é parte do que sonhei pra nós
E agora vem o tempo de chuva e ficarei mais em ti do que em mim
Eu sou de você a partir do momento que me lembro de pensar
Já nem sei o que falar pra te convencer que eu sou assim

Porquê jogar fora o que eu arranquei de mim?
Pois as coisas são assim, você diz
Mas falar me exercita a mente e eu não deixo para semente o que é seu.
Se morrer o que há em mim o que darei pra você?

Arritmia, seu carinho é sua voz.
Sossegado, sou eu pensando em nós.
Esperando, a solução a sós.
Eu procuro a saída ou a porta da entrada por onde eu vim.

Se eu não falasse, seria falsa a promessa que fiz
Manter fechada e murada minha casa.
Resistência, é você quem faz,
Poesia, fui eu quem fez.
A paixão só está em mim.

baixinho

Você está sozinha?
Você pode chorar baixinho?
Pode ir lá para fora?
Eu não.
Podemos agora chorar juntinhos,
Podemos sentir o principio do frio,
pensar que nada acaba.
Antes de querermos,
de podermos.
Ser.
Um tanto que nos baste,
por um momento,
por nós apenas.

Peça

Cópia da cópia que está,
simulacro será teu nome para mim,
produzindo a ilusão de amor.
Tu, imagem,
oposta a realidade me enlaça.

Ultrapasso meu senso,
desfaço meus próprios teores,
em determinado momento.
Tua, é minha,
aponho-a em tua mente.

Entendo a posse da razão,
que está em ti, não em mim,
a necessidade sim.
Tu és,
agora és,
sempre serás a incógnita.

sábado, 16 de agosto de 2008

instantes

não escrevo mais como antes. antes eu a achava atrás das letras. por sobre as palavras eu a deitava./ não consigo fechar os olhos mais. não lembro de sua voz. não sinto seu cheiro./a busca acabou comigo. não sei quando termina. você não está na próxima curva./não pareço com algo semelhante. não sou da forma desenhada em sua mente. seu olhar não me fixa./instantes. palavras. audição apenas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

alternativa

Poderia apenas pensar,

Sem tocar em ti.

Poderá viajar sem mim,

Sem abraço no frio.

Assim eu sofrerei por não ter nada.

Neste mundo eu encontrei você

E você parece que está aqui

Você parece que está ali.

Eu não te conheço pra te falar que te admiro

Mas que alternativa eu tenho?

Não sei, não sei.

Prefiro a mentira,

Se me disser que não quer minha companhia.

Sua boca eu espero, sua boca macia

Na minha.

Que sonhos eu tenho com você.

Poderia pensar apenas em ter você,

Apenas em mim.

Que alternativa eu tenho?

palma

Queria abrir minha mão e ver você

Como vi hoje.

Ou decorar sua voz baixa

Quase um sopro, um me socorre.

É assim que te vejo às vezes

Uma flor, uma delicadeza.

Você me empolga, me desacelera

Me toma quase todo os motivos.

Sabe que hoje te beijei?

Com os olhos te dei um pequeno beijo.

É assim que eu tenho você

Se você me tem.

 

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Uma mensagem imperial - Kafka


O imperador – assim dizem – enviou a ti, súdito solitário e lastimável, sombra ínfima ante o sol imperial, refugiada na mais remota distância, justamente a ti o imperador enviou, do leito de morte, uma mensagem.

Fez ajoelhar-se o mensageiro ao pé da cama e sussurrou-lhe a mensagem no ouvido; tão importante lhe parecia, que mandou repeti-la em seu próprio ouvido. Assentindo com a cabeça, confirmou a exatidão das palavras.

E, diante da turba reunida para assistir à sua morte – haviam derrubado todas as paredes impeditivas, e na escadaria em curva ampla e elevada, dispostos em círculo, estavam os grandes do império –, diante de todos, despachou o mensageiro. De pronto, este se pôs em marcha, homem vigoroso, incansável.

Estendendo ora um braço, ora outro, abre passagem em meio à multidão; quando encontra obstáculo, aponta no peito a insígnia do sol; avança facilmente, como ninguém. Mas a multidão é enorme; suas moradas não têm fim.

Fosse livre o terreno, como voaria, breve ouvirias na porta o golpe magnífico de seu punho. Mas, ao contrário, esforça-se inutilmente; comprime-se nos aposentos do palácio central; jamais conseguirá atravessá-los; e se conseguisse, de nada valeria; precisaria empenhar-se em descer as escadas; e se as vencesse, de nada valeria; teria que percorrer os pátios; e depois dos pátios, o segundo palácio circundante; e novamente escadas e pátios; e mais outro palácio; e assim por milênios; e quando finalmente escapasse pelo último portão – mas isto nunca, nunca poderia acontecer – chegaria apenas à capital, o centro do mundo, onde se acumula a prodigiosa escória.

Ninguém consegue passar por aí, muito menos com a mensagem de um morto.
Mas, sentado à janela, tu a imaginas, enquanto a noite cai.

domingo, 10 de agosto de 2008

Você diz agora

Não sei o que despertou você gostar de mim,

não podemos ter futuro.

Eu sei o seu passado e seu presente.

Portanto não peça que eu vire meu mundo

ou que perca a cabeça.

O retorno e logo ali, volte e me esqueça.

Você sabe bem o que falar o que tem dentro,

mas em mim não há nada acontecendo.

Por favor me entenda,

é assim meu momento.

As palavras falam a sua verdade mas mentem sobre o que virá.

Sei que parto seu coração quando não falo,

por isto te ligo na terça,

mas ouça o que te falo agora.

O retorno e logo ali,

volte e me esqueça.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

início e fim

Transformo pedido em  acontecimento de fato, pois meu lado prático diz que não posso evitar o que me mandas. Esforço-me em tratar o não feito como sonho. É melhor para meu descanso, quando desço as pálpebras e não me chegam seus pertences. O que é seu continuará em algum lugar sendo seu, sabendo ou não, embalando ou não. Estranho não descobrir o que me tranca dentro de você e o que me deixa de fora da  minha vida. Estar na rua, com o sol que passa a ser seu, a ter uma cor que é sua, um calor que me lembrarei quando precisar de saudade, de ondas de delícia, de sabores inesquecíveis. Como não caber, como não sofrer o que me deu o gozo de ser seu, sendo tudo apenas meu. Concordo apenas durante o tempo que desço mais fundo. Agarrar algo para quê? Tudo que me toca o coração está no percurso, no caminho, na parada. Por onde eu vou. Acompanha-me a sorte de ouvir sua voz, seu sorriso, o cabelo que se incomoda com a moda da cor. Não me mudo, não me movo, não pisco o olho sem antes ver se perco o foco. Meu ângulo ou ponto de vista não é único, mas não desvio olhar de quem me inspira. Respiro, pausado, entrecortado. Espasmos de lucidez, loucura permanente querendo descanso, recreio. Tolero o tempo apenas quando não é você na memória. Nas suas horas ele não existe. Apenas vejo o fim do tempo e sei que nada aconteceu da sua parte. Como prometeu. Quero jogar no campo, nos campos, nas árvores, entre as folhas e folhagens tudo o que foi desperto, tudo que me faz duvidar, tudo que me faz entristecer. Devo? Onde estão as palavras desta peça, monologo, que choro por não ouvir? Amanhã está tão longe para mim que não sei se quero que exista. Que sabedoria é esta que não fala, não compreende, não repreende, não suspende. Apenas suspeita a espreita que há em todo o dia. Transforma seu silêncio em pedra sobre pedra, algo que não se sufoca, não comporta, não se comporta. Inaudível não. Inteligência estratégica, revolucionária. É assim que deve ser? Onde está esta receita, virão também as respostas de todos os porquês?

doação

Pensamentos confusos e contraditórios.
Escolher não dói, diz, o depois é que vem em cima./
Qual a força maior?
O agora sem saber é menor que o depois sem?/
Não escolhi quem podia ver o que vejo e não escolhi você para dar agora o que sinto./
Dar para quem está no pensamento ou para a presente?
Apenas dar, doação, pedaço, sentido da vida e por ela./
Admira-me pela divisão em par./
Sou assim justo comigo.

em você

já fui sim/
assim fui a fundo
e justo/
agora retorno.
até escuto sons
que não vem/
que não são.
Procuro fora/
tudo agora/
que está em você.

grato

Eu já seria grato se a tivesse na escada, no altar, no escorregador.

Mas tê-la tão gata!

Ah meu Deus isto seria a maior graça!

inteira como poesia

A poesia sozinha não é capaz de conquistas.

As palavras sozinhas muito menos.

O que conquista é entrar,

é se sentir imensa,

se sentir suspensa,

se sentir intensa,

se sentir inteira.







Se sentes algo ao ler,

e que algo preencheu,

ou andou junto com o pensamento,

ou com a ausencia.

Se causa um suspiro,

se surpreende,

surpreso espero.

um, dois

Os olhares enganaram. Do outro lado os olhos não viram o que não queriam ver. Foram se encontrar e não disseram. Não podiam se ter.





Tudo é falta. Tudo é desassossego, esta palavra que sopra. O coração não olha nem mede conseqüência, por isto tromba, tropeça e se engana. Sabedoria vem de saber, esperar e pesar. O coração? Só pesar.

brancos

Um dia ela chegou e me viu. Ou eu a vi primeiro, não sei. Nos tocamos ao sermos apresentados e logo em seguida eu já a observava. De forma contínua. E eu não parei mais. Boca e o sorriso nela eram algo que chamavam a atenção. Era como se fosse uma banda tocando. Impossível não olhar para seus lábios quando ela falava. E o som que saia dali, imagino como lembrar para sempre...Suas mãos e gestos davam voltas no espaço. Seus braços davam a harmonia. Desenhos apareciam. Acho que seus eram brancos...

terminal 1

Estou terminal. A data para o desgosto já existe. Mas ainda tenho tempo para lhe descrever o pensamento. O todo sentido, imaginado e sonhado. Qual a sua verdade?

guarda

Vi duas irmãs andando em círculos e me lembrei que existe uma parte sua que não é minha. Vi o sorriso que deu e nem te conto que seus pontos comigo dobraram de valor. Pergunto a Deus se meu passo em sua direção deve ser contado e nem paro para ouvir a resposta. Tenho conhecimento e conheco a palavra que virá. Já pedi, sem muita convicção, que me guarde de tudo o que minha alma pede. Subi um dia pra parte mais alta e vi você lá e me senti tão bem que quase nem desço mais. Chamei seu nome três vezes, chamei pra te mostrar o que me comove o coração. É rápido o que nos marca. Vem ligeiro, carimba a memória e nos liberta o sentido.

perco

Tenho onde guardar seus mistérios e confortá-los junto aos meus sonhos.

Busco sinais que me digam que sim, que não.

Apareço, vivo, e nem sei onde me ponho.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

admirar-te

Duradoura espera por salvação, por amor, por atenção.
Praia de chegada, alicerce robusto, árvore centenária.
Admirável reação, incólume sorriso marcado, descanso e riacho.

tocar-te

Ver o intocável foi insuportável.
Tocar o inconseqüente me parece espera.
Esperar somente por mim é somente dor.
Duvidar do que acredito é acreditar na cura

duas vezes

Certas coisas são somente nossas, tão nossas.
Não divido com ninguém se encontro algo, quando caminho sozinho.
Em meus recreios da vida, vejo lua, menina, músculos de suas pernas.
Se esbarro, se encosto de leve em uma de suas mãos a vida acaba.
Bem que poderia, pois me bastaria.
Sei que a música vai acabar, a água parecerá seca, todos se dispersaram.
Ficarei sentindo que não acabou, tenho meu sustento, alento, regato e descanso.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

voz

ouvi uma voz, uma vez.

de novo eu ouvi esta voz.

esta vez.

e senti.

como antes.

árvore, balanço, castelo, mar, comida, tempero, alegria, momento...

...suspiro.

você.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

não é perfeito

Isto não é perfeito para mim.

Peço apenas que me deixe sorrir.

Chega de deixar eu sair na noite.

Eu estou a sua procura

Pare de me deixar ir.

Isto não é bom para mim.

Eu penso que chorar é meu jeito.

Mas isto não é perfeição para mim.

Se você tem um motivo

Fale para mim.

Mexa-se agora ou ficaremos parados

Sem sermos perfeitos

Isto não é perfeito pra mim.

eu

minha vida é cara demais para mim. minhas conquistas não são minhas, são do mundo que vivi. faço questão de marcar as pessoas, assim como fui marcado por várias. amo, quando amo. se você acha interessante me observar, não imagina o quanto gosto de observar você. não tenho amigos no momento, tenho interessados em me curtir. eu sou assim. ou não. depende de você.

ouve-me

você.

ouve-me.

povoa-me o pensamento, mas não domina, não conquista.

estou entregue, sem munição, sem governo.

deitado entre corpos mortos e sem voz, sem túmulo, sem oração.

minha bandeira eu guardei para que, conquistado, eu a entregue, sem remendo, com suas cores e uma lua no canto superior esquerdo.

sábado, 2 de agosto de 2008

Memoria

E quando chegar a noite

e ainda faltarem varias horas

para o outro dia?

Quando saio para me encher de memoria.

O que farei se tiver que buscar em mim

as respostas, a resposta, quais respostas?

Pra que respostas se a alma já entorna?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Duas

a poesia me entorta o corpo, me dobrando os braços até eu confessar: eu quero! vou colocar fogo no seu corpo. vou molhar seu sofá. vou espantar as proximidades. ter a nudez esfregando seu corpo. e se sobrar um tempo, lá no finalzinho, quero te amar. mas só um pouquinho.




outra
as mulheres de duas mãos. elas se desdobram em atenção. olham tudo, mexem rápido com seus indicadores decidindo, apontando e escolhendo. quem aquecer, quem esquecer, quem soletrar...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Não

Vivo sim,
se vivo pra contar,
eu vivo sim.
Se eu tenho um papel eu canto assim.
A imagem do teatro eu tenho aqui,
e se conto tudo,
isto não é só por mim.
A lenda será também sua,
em mim.
Agora é inútil dizer tanto,
quem nos ama nos separa,
amanhã não viverei mais este tanto.
Bom dia para a decisão.
Não é importante um sinal,
hoje o que nos separa me diz claramente não.
E você, vê meu sinal?
Os batalhões que passam,
são feitos de espuma do mar.
O amor não tem a partida,
apenas a chegada.
Eu vivo sim.
Até o fim.

domingo, 27 de julho de 2008

dito

Para que dizer?

tudo já foi dito,

foi sentido,

foi absorvido.

 

Pelos poetas,

pelos amados.

Mas não é meu este ditado.

 

Para que sentir?

Não deve ser gritado,

é sem sentido,

não pode ser amado.

 

Pelos poetas,

pelos amados.

Este é o veredicto.

 

sexta-feira, 25 de julho de 2008

meia-noite

Eu preciso que abra a porta por um momento
Preciso te ver face a face,
preciso que mude esta história.
Não fui eu que a escrevi,
Por isto a acho tão estranha.
O universo é grande
Mas nem isto cabe o que tenho sentido.
Nem mesmo o maior calor pode derreter,
Nem a força maior pode derrotar,
O que sinto neste dia.
E agora o que quero é que de novo venha
E me faça entender esta história.
Retorne-me seu calor
Porque somente eu sei o frio.
Perdido estou sem você,
Nem enxergo seu caminho.
Quando a meia-noite chegar,
Não sei se estarei pronto.
Tenho a esperança que me ligue nesta hora
Porque eu sei o amor que tem para me dar.
Você tem me procurado mais do que eu,
Por isto me sinto doente, não consigo te ver.
Eu preciso da sua cura ,
Antes da meia-noite.
Uma pequena luz me trará a resposta
Que preciso para entender esta história.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

nada é tudo

Meu filho saiu carregando a bananeira que cortei ontem. Ele gosta de fazer força. Eu também. Faço uma força enorme pra esquecer. Saio andando pra ver se me sai a lembrança, a doença que me mantém vivo. Eu preciso dela por agora. Mimetismo. Com ela eu vejo as fotos antigas com mais contraste. E as mais novas, nem preciso retocar. Tudo na minha vida é lembrança. Do que já foi, e o que ainda há de ser ponho mais pra frente , pois penso que não verei as coisas prontas.Vejo que as flores aparecem sem ninguém pedir. Meu olho tá ficando treinado em ver coisa bonita. Ou tá tudo lindo ou eu só ando em lugar bom. Não existe nada mais bonito que um olhar. Que eu dou ou que alguém olha. Onde ficarão tantas memórias se eu não conseguir escreve-las no papel? Se ficarem só comigo, elas fizeram bem em nascer? Não posso deitar, nem tomar banho de sol, nem suco de abacaxi enquanto eu não der um nome pra rosa. Aquele cacho de banana eu separei para Paulinho. Tem algumas coisas tão belas nesta vida que não agüento ficar olhando. Tenho que dizer logo que eu apaixono. É uma obrigação para quem sabe que não é nada nosso.

terça-feira, 22 de julho de 2008

você. é você mesma!

Estou cansado de procurar. De procurar nas florzinhas um rosto iluminando os lugares. De procurar na paisagem uma passagem de tempo para um lugar em que não estive ainda. Estou entediado de buscar uma palavra só que me abra a verdade que nem saberei ouvir. Estou sentindo uma chateação imensa ser somente eu o que não sabe o que está acontecendo. Atrás dos morros eu fui e vi você lá. Quando estou quase querendo seu rosto, você aparece tão perto. Anda onde eu ando, mas não te vejo, não te apanho na árvore. Fruta, flor, linda. Sinto o frio que sente, sinto o sol que sente. Tem companhia para amanhã e para hoje também? Estou pedindo um colo, um ombro, um olhar de será possível.

em você

não me importo se é como é. se é como quer. se durmo e acordo sonhando.
se ligar não é o forte. se dúvida é meu nome. se respirar sempre é difícil. se a lua é só minha. se minhas caminhadas não acabam. se a paisagem não é dividida. se a comida sempre sobra. se o sol acaba sempre mais cedo. se todo som é o seu. não me importo pois vou vivendo. se ficou algo em você.

domingo, 20 de julho de 2008

seu

meu ponto de fuga são seus olhos. sua voz. seus sonhos. sua lógica que não quero entender./
meu sonho que sei passageiro. minha vigília. meu sono, sonho e despertar. minha refeição.
minha amante. meu sexo indisponível. meu toque suave na pele. /
minha volta ao caminho. minha vitória. minha musa. você é o que não sei. desconheço./
minha distância. meu ponto de chegada em todos os dias. minha bandeira. meu alcance./
meu ânimo vem de algo seu. indiscutível. inegociável. intransponível. /
flor, flores, água, de fora, aqui dentro. você me lembra, hoje, meu ontem. /
você é meu livro, minha poesia e meu porto./
seu futuro é seu. e desejo que seja o seu.

sábado, 19 de julho de 2008

sorriu?

Sou homem. Cobiço seu corpo como sexo, remediável apesar. Desejo conhecer sua mente de mulher, seu sentimento profundo, medos, sonhos perdidos, adiados e transponíveis logo ali. Abraço seu abraço não como fazem outros, e sim como outro faria se minha fosse. Seu sorriso é boca para meu beijo, meu gosto e o seu hálito. Quero seu cabelo dividindo meus dedos e na palma da minha mão. O que digo, diria em qualquer outro momento, pessoa. Mas não estou em outro lugar do mundo e sim aqui. Pode acontecer somente para um e o outro a inspirar para o próximo. Quem estará com você no seu momento, jamais serei eu. Mas não haverá perda enquanto não houver seu ganho. Tenho a impressão, espero que falsa, que não existe nenhum tipo de perda para você. Inspirar a amar e ser amado toca a fila a andar. Gostar penso ser temporário. Por isto o tempo que fosse para mim seria o que me bastou. A outra preocupação é mais de ego, de estudioso, de filosofo; você em algum momento sorriu?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bastião

Comunicado estou. Ela já partiu. Está em outro. Eu é que continuo a tentar pensar como poeta. Profundo no sublime momento de falar, dizer-me, contar e vomitar. É meu. Tudo. Subir ao monte e deitar. Mergulhar, era. Deitar e sentir que, acima, virá algo pesado a sobrepujar, compactar ao solo, ao real, irreal, passagens e passagens. Gosto de mim e me preciso vivo, por isto estou presentindo, que, vivo valho o valor do daqui a pouco, logo ali, na segunda em diante. Pedir ao poço que repita a operação, será pedir demais? Olhar o deserto sem saber se falta pouco, me falta muito. Ainda. Mas a faina, entediada, me chama de volta. Cheio estou no vão entre as pernas e basta-me que me sente e descanse de todo, de tolos, de ouros e brincos que não serão meus. Basta. Basta isto e serei. Eu, meu último bastião.

Acena

Como miragem,

apagando

ao ser concreta.

Como quem chega,

inesperada

surpresa.

Necessidade criança,

desligada,

sem vida.

Amores vistos

desentendidos

inexplicáveis.

Agora partida,

adeus,

aceno de mão, não.

Mas a vida,

mais a vida,

mais da vida.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

trocada

Onze da noite e alguém me chama lá fora. Vejo rosa vermelha no meu jardim. Na manhã que chegou aqui ela plantou algo. Não sei o que foi. Mas nasceu. Meu coração ficou igual boca de peixe procurando ar do lado de fora d'água. Abertinho da silva. Quando encostei em sua cintura a primeira vez achei que ia me chamar pra dançar. E não parei até agora. Uma hora é tango outra música brasileira mesmo. Pra prestar atenção na letra. Nas coisas que dizem os poetas, trovadores. Enxergo você com um olho só. O outro fica saindo pra passear. De soslaio. O tempo todo eu busco uma imagem, uma escultura. Só tem a sua nas lojas da internet. Criei um tal de blog pra colocar as rosas que achei no meu jardim quando fui lá fora com você.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Grata esperança

não tem a graça se a esperança é fraca,
se memória quase apaga sua imagem. olho idealiza e já nao é o bastante.
perfumes marcando seu cheiro qualquer,
não sei qual é.
leio textos diversos achando seu entendimento,
eu não compreendo.
navego os lagos próximos e na terra me perco.
você me vê?
esperar escrever é da graça.

terça-feira, 15 de julho de 2008

sem


amigo chamou-me hoje pra sair.
cheguei até o portão e já meu deu vontade de ficar em casa.
quis ficar pra sentir saudade de você. do cheiro do seu corpo no meu quarto de cérebro.
é aqui que está tudo que tenho de você;
essse cheiro que imagino e aspiro profundamente, sua roupa de trabalho e seu suor nela, os fios de seus cabelos no banheiro,
- toquei-os esta noite? - , seu sorriso enviezado, engraçado e natural.
lá está sua presença, inerte como na foto, pintada, eterna.
até eu me lembrar novamente e perceber que nunca esteve fora deste quarto.
apenas aqui.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

ainda não?


não estou onde você está provavelmente. onde imagino e sonho que esteja./ eu sei que é onde eu estava antes, não sei se você sabe disto. mas você sabe que eu te encontrei do lado de fora./ frio, é este o mundo, as pessoas não tem cores, nem nomes, nem formas./ não esquecí outro. a água que bebi, a canção que ouvi, tudo em mim. sendo tão pequeno./ de uma vez só aconteceu comigo, não sei se com você foi assim./ quando coloquei o pé na trilha eu não olhei para trás, mas o que vinha comigo me pegou quando eu menos esperava. e então veio o tropeço. / escapei de me machucar mais, de outras vezes, de outras formas. não sei se com você foi diferente./ talvez você entenda o que te faz estar assim calada e distante./ e assim será minha vida. entregue a quem é realmente importante, que me dará verdadeiramente a vida./ meu lado carne e paixão não me escapa. não sei se com você é assim./ minha pergunta deveria ser feito de forma direta, sem intermediários. a resposta não é sua.

sábado, 12 de julho de 2008


eu te asseguro que sua dúvida é a mesma que a minha,

se você também não se sente forte,

se você também se encontra perto de mim,

se você se sente pequena perto do seu problema,

eu te asseguro que eu também sou assim./

se sua a dor aumenta e não diminui,

se paixão se parece cada vez mais com um vazio,

se você não encontra chave pra sair daí,

se você se parece uma criança sem mãe,

eu te asseguro que minha dor se parece com a sua./

se você não sabe de onde vem nem para onde vai,

se seus dedos escrevem sempre a primeira letra na janela,

se a segurança da certeza já não existe,

se teu irmão não tem mais respostas,

eu te asseguro, meu futuro está parecido com o seu./

se soldados te cercam,

se você verá a glória,

se a salvação chegará a tempo,

se você será carregada,

te asseguro que sim./

se acha que não me pareço com você,

se acha que o que sinto é pouco,

se acha que eu te esqueço,

eu te asseguro que não./

se quer ter seguranca eu te seguro,

eu sou como você.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

tanque

tateando...
olho semi-fechado...
atento ao som...
seu som...
gravando...

você é no momento meu único momento
você é meu momento único
você me movimenta meu dom
você me condiciona.

é agora...
e agora...
será seu...
meu olor, meu tom, minhas cores...

queres me ouvir falando isto ao seus olhos?
não precisa tatear.
me grita.
eu estou quase pronto.

linda


não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/linda!

juros


Sou pedra e ao sol estabilizo minha temperatura e espero-te meu camaleão. Deita sua suave barriga, lisa, nuvem de algodão, doce, esbelta e bela. Seu andar sobre mim é de ontem que eu me deleito, delito e espero.






Borboleteia aqui pro meu lado e te mostrarei que vale mais o pouso que seu vôo solitário.





Você tem a conta na cabeça, me diz o que é o amor. Não tem então um componente de solidão? Não fala o amor a língua da paixão, das línguas, corpos, braços, pernas, pensamentos, entrelaçados, entre si trocados, saliva, suor, cheiro, medos, sabor e receitas que não dão certo? Não sussurra o amor por detrás da porta, olhando de longe, sentados no banco da praça, enquanto quem é, passa. Enquanto esta, não sei onde está. Sei sim! sei que aqui bem dentro!
Do sabor que se vai da comida, não fala o amor? Ele não comenta que a falta deixa doente, dentes travados, estômago revirado? Eu já ouvi dizer também que o amor tudo suporta, tudo crê, não deseja o mal e que ele será ainda, depois de tudo. Acima da paixão. Que venha logo.








Não era para ser quase nada.
Não era para ser dor não era para ser amor, era passageiro.
Não era para ser inteiro, completo.
Nem complexo, mas fitei seu plexo.
Perplexo seu sexo eu descobri.
Mulher mais bela, quase fera.
Defesa terei depois, agora não sinto nada, nem dores.
Sinto-me devorado pelo sua pose, ataque.
Sou presa fácil do seu olhar.




Cansado, cansado, cansado.
Carrego a bandeira por estar colada em mim. Entregue por sei não quem.
Quero fincar na terra seu mastro, arrancar o pano, símbolo de nada, mas eu mesmo me olho. Olhos grandes de profecia, ainda não cumprida, comprida a história. Viro para trás, quem me segue? Ainda poucos, que são muitos para entregar. Qual terá o mesmo prazer inicial que tive? Meu Deus ela é minha mesmo! Não posso dá-la para meu irmão?




Coloquei a bandeira no mastro.
Abri as janelas que dão pra rua.
Arrumei as gavetas do armário do corredor e ajeitei a cama alisando sua colcha e travesseiro.
No banho, lavei meu corpo com esmero, no cabelo passei colônia.
Vesti roupa de festa, de igreja, de casório.
Olhando no espelho me senti bem. Para você.
Hora, dia e noite veio.
Em alguns eu choro.
Em todas e todas eu espero.
Então escrevo para o próximo instante.
Deito e a cantiga começa de novo.



Fico na horizontal logo.
Cubro com panos e fecho olhos./
Rápido quero.
Não dou tempo para que venha./
Abro olhos no meio da primeira parte do dia.
O porque vem e abate. O onde esmaga./
Vertical me vem.
Solto, pois se solto, o alívio vai junto./
Alcanço, toco, relevo.
Sopro onde entra o som/
Relevo, entendo, suporto.
Vertical eu sou.
Na manhã seguinte ainda te quero.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

quase


não se preocupe, o tempo passa, as pessoas se lembram de você de um jeito ou de outro, isto não faz diferença pra você depois de algum tempo. alguém sempre gosta de você e você de alguém ou muito antes pelo contrário. você vai trabalhar, namorar, casar, descasar, namorar, noivar, desnoivar, apaixonar, provocar paixão e depois tudo isto será lembrança pra você, ou não. suas costas vão doer, os joelhos talvez, a vista vai cansar e talvez não aconteça nem isto. portanto usufrua do seu corpo agora, malhe, exercite-o, descanse-o e mostre-o para quem você ama. ame. ame como se não houvesse amanhã, o que é verdade, beije bastante, sinta a pele do outro, cheire, olhe nos olhos, os sentidos vão se acabando, só amor vai permanecer. tenha filhos, grave neles o melhor seu, trate-os como crianças, enquanto forem, pois depois será a vez deles com você. faça muito carinho, beije-os, morda-os. isto será de grande ajuda para eles quando eles começarem realmente a vida. apaixone-se pela vida, por pessoas, por luzes, sons. isto será sua boa memória mais tarde

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pedra


Quase fiz estátua.
Busto em praça eu fiz e fiquei rodeando,
amando,
olhando cada firme traço,
sulco.
Pedra,
dura,
impávida e insolente.
Eu dizia,
move-se,
fala,
mente./
Quando imaginava seu corpo via-o como é;
branco no mármore,
deusa,
sorriso no branco de seus dentes,
marfim, para mim./
Tolo, tolo, tolo.
Dei voltas e afogado em terra terminei sufocado,
aprisionado,
não para sempre.
Mas para você./
Musa,
olhar que me vê,
me toca quando olha,
não olha e me apavora./
Dia sim,
dia não.
Cinco dias passados e eu passado,
passado vivendo dos dias sim./
Desço dos carros,
aviões,
caminho a pé ouvindo o que canta em seus ouvidos,
já picados,
lindos,
detalhados em mim,
acreditas? - e traduzo, leio, penso, comento e te vejo nelas, é ela!/
Não será a perda,
não tive, o pior.
Será o tempo,
perdido,
lançado,
rompido,
não contado e com a rima ter sofrido,
o pior./
Em vão todos estes dias.
Parado,
esperando a doença,
a entrega,
seu calor,
rubor,
sua paixão.
Louca,
desligada de tudo,
chorada,
inerte,
febril!/
Podes ser de alguém que não será assim?

De você


Queria poder me escusar ao ter partido. Pra cima de tudo. Pulado por cima das cercas. Por ter subido em cima do muro e observado seu jardim, sempre no inverno pra mim. Somente pra mim. Quero me escusar por ter lhe dito o que disse sobre a vida aqui dentro. Quem me perguntou sobre o que estava aqui? Para você, você e você.

denies


I do not deny any future one.


Look me in the eye and tells me what is.


What prevents you from me talking and see what you want.


What future you reserve for me? I do not want anything I ask her only his word to me.


When will the cold or heat that makes me?


People already look and see me as a patient man.


But I'm with you and I know that I cure.


I need only get me a chance to explain or get yourself understood.


The morning seems more cold, solitary and silent.


You seem well and this leaves me without knowing where I am going by.


Not to deny that I am entitled to say that there was something.


I do not deny any future one. Look me in the eye and tells me what is.




Letrinha para musicar no inglês é claro! PS traduzido para o inglish, sem medo de ser feliz...

De fora

Por dentro ela se moía e se apertava em si mesma. Não achava saída nos pensamentos ou elevando seus olhos. Esperou paciente que parasse tudo. Mesmo que demorasse teria tempo então para esquecer. Nãoo diria que sofria muito, mas sentia-se terrível de qualquer forma. O estômago voltara a revirar, refluxo já diagnosticado. Fez força para que não sentisse dores. Precisa mesmo descansar e as férias a faria esquecer. Ou lembrar, não tinha certeza ainda. Não entendeu porque mas os últimos dias tinham sido com tantos ventos em sua vida que achou que iria perecer vítima de uma espécie de vendaval. Na proa do barco da sua vida havia um timão, sua fé, mas aquele sopro não era comum. Distanciar-se do porto seguro de sua mãe não tinha sido fácil a algum tempo, mas nada se comparava com o que acontecia atualmente. Achava que tudo era por ação ou omissão dela própria. Um amigo lhe disse que os fatos acontecem independentemente de estarmos próximos ou distantes. Lembrou disto e se acalmou. Queria descansar em sua terra natal, espécie de porto, ilha e fortaleza. Era uma catarse, purificação ir para lá. Os amigos, parentes iriam lhe trazer força. Mas sabia que lá teria que se encontrar com algo que lhe faria pensar. Teria a energia necessária para quando voltasse resolver o que deixava para trás agora? Ou levava consigo aquilo?

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Riminhas


Olha, não me importa se você se comporta como quem pouco se importa. O que importa é o que comporta aqui dentro da minha porta. Não me venha com cara torta se eu tento arrombar a porta do seu coração. Abre a cortina pelo menos e me consola.

Mata

Quero não dizer nada e esperar seu dito. Mas o tempo parece ser só meu e aí eu teimo. Arranhado pelas folhas e galhos desta mata, me abaixo, desvio e me contraio todo para sair do lado de lá. Passei uma vez dentro de outra e me lembro de nunca ter olhado para cima e buscado orientação lá do alto, talvez por isto a falta de costume de pedir revelação, perdão. Só o desejo de entrar no não conhecido, no frio sem sol, no cheiro sem ver o que é, em segurar-se sem saber em quê. Sem saber. Talvez algo venha atrás e por isto corro mais rápido que o necessário, sinto além do necessitado, parecido mais com o quero ser do que sou. Não deixei cair nada no caminho, meus sapatos estão sujos ou estou muito marcado? Antes de sair, eu já quero voltar com alguém.

Perdemos tempo sendo.Presos no mundo de outros, enquanto tudo acontece ao nosso redor.
Dentro de mim há algo que não me pertence e eu quero dá-lo à você.
Estou angustiado pois eu não sei quanto tempo vou agüentar na superfície.
Pegue umas tesouras na mesa, pegue-as. Venha recortar minha revista. Tenho tudo pra te dar e me reconhecer em você.
Minha vida não me presta se estou sozinho em mim mesmo.
Ah! quanto tempo não sinto-me tão em mim.
Suave tristeza é quanto sai daqui, mas o muito ainda está lá dentro.
Venho me aproximar de outros para que me veja neles, para ter certeza que tambem sou tolo o bastante pra crer.
Não quero brigas, ciúmes, muito menos lisonja, quero apenas um pouco de você em mim. Ou um pouco de mim andando com você.
Chega de andar pelas ruas ou voar de avião pensando que algo vai acontecer.
Se não quiser fazer comigo vou entrar de volta e ficar quieto até o vulcão explodir.
Pena que a vida seja exatamente assim, "uns vão, uns são".
Esta é a copia de tudo, esta é a vida que não deixamos de viver, mesmo quando saimos dela.
As palavras saem, mas dentro de nós elas não se acabam.

domingo, 6 de julho de 2008

Sente isto

Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?

separada

Ela é perfeita. Não dá bola pra qualquer um, não demonstra ter vício nenhum e nem uma bebidinha aprova.
Veste-se simplesmente lindamente. E seus cabelos são de uma cor que que são um presente para os olhos. Ela é certinha, bem humorada, inteligente e da paz. Atenciosa e parece ser carinhosa. Seu corpinho é enxuto, e com todo respeito, uma gracinha até. e que pele a bela tem. Com tanta perfeição ela tinha que ter um defeitinho. Não me fala se me quer ou não.

sábado, 5 de julho de 2008

na hora, santa.

tem hora que é santa. não a hora. ela. toda hora santa, que é toda, me vem também a vontade de te chamar pra perto.
tem hora que é não é eleita, que não é perfeita e nem minha. então te vejo indo longe, longe de mim.
quando será a hora, minha santa, em que você virá sem eu te chamar. elege uma hora santa qualquer.

cão

Quase não sobrou comida do almoço hoje. O frio que sinto é maior do que o que está na minha barriga. Quando eu era menino tinha dia que nem tinha o que comer e então eu abria o armário de madeira, na parte alta e pegava a pimenta e esmagava no fundo do prato e virava com arroz. Comia até soluçar. Hoje tenho soluço quando é saudade de um sentimento, de uma hora qualquer que vivi. Um cheiro de perfume que senti a muito tempo me veio na lembrança e não consegui sentir o mesmo que antes. Estou perdendo a visão. Não a da vista, que esta lá vai indo, mas perdi a do futuro, do que sonho, do quererei, do que sonhei um dia. Meu cachorro é que se lembra de tudo, mas não vai bem de vista, ele late pra mim achando que sou outro.

Chorus

De onde virá a ajuda? como esperar por algo que não vejo? Lembrei-me que, ora, a esperança tem que ser firmada sem se importar se o que vemos está somente em nossas mentes. Temos a certeza que virá, o que brotou algum dia no coração, pois não fomos nós que colocamos a semente lá, mas, sentimos que foi algo superior. Por isto acreditamos que ao lado de toda luta, virá o momento de folga, de sossego e o sucesso chegará. Não porque queremos, ou por termos alguma nota diferente de outros, mas sim por que algo conspira para que ganhemos de graça. Sabemos que não importa a força e a inteligência que tenhamos, se não for por uma espécie de favor que o universo faz pra nós, não somos merecedores nem de respirar. Quando passamos por dificuldades nos lembramos disto tudo, das palavras que estão em nossa mente e corações. Elas estão grafadas como fogo na madeira, guardadas como vinho em tonéis de madeira, como água dentro da rocha e protegidas dentro de nossa cabeça, como se tivessemos sobre nós um escudo ou na cabeça um capacete. Ainda assim, quem poderá me livrar de tamanha luta? Eu sei que algo se levantará e me carregará como a um filho. Seja rápido o socorro, pois minhas forças e esperança já à muito estão enfraquecidas. Escolho, por você, não estar mais errando o alvo que desde o início foi colocado para mim. Queria que a escolha viesse por um motivo mais elevado, mas no final tudo será para cantarmos uma canção. Como se fossemos anjos.