quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pedra


Quase fiz estátua.
Busto em praça eu fiz e fiquei rodeando,
amando,
olhando cada firme traço,
sulco.
Pedra,
dura,
impávida e insolente.
Eu dizia,
move-se,
fala,
mente./
Quando imaginava seu corpo via-o como é;
branco no mármore,
deusa,
sorriso no branco de seus dentes,
marfim, para mim./
Tolo, tolo, tolo.
Dei voltas e afogado em terra terminei sufocado,
aprisionado,
não para sempre.
Mas para você./
Musa,
olhar que me vê,
me toca quando olha,
não olha e me apavora./
Dia sim,
dia não.
Cinco dias passados e eu passado,
passado vivendo dos dias sim./
Desço dos carros,
aviões,
caminho a pé ouvindo o que canta em seus ouvidos,
já picados,
lindos,
detalhados em mim,
acreditas? - e traduzo, leio, penso, comento e te vejo nelas, é ela!/
Não será a perda,
não tive, o pior.
Será o tempo,
perdido,
lançado,
rompido,
não contado e com a rima ter sofrido,
o pior./
Em vão todos estes dias.
Parado,
esperando a doença,
a entrega,
seu calor,
rubor,
sua paixão.
Louca,
desligada de tudo,
chorada,
inerte,
febril!/
Podes ser de alguém que não será assim?

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