sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

modos

Tenho dois modos sobre o suportar o que é evidentemente real.
Uma hora que o tempo seja já,
ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje,
amanha rápido e inesperado,
uma paisagem distante e clara de tão pura.
As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez,
já vão dois dias desde então.
O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim,
de pensar e ser pesar de não ter,
de não ter havido,
de não ser possível amanhã.
O hoje é pesado.
É todo voltado para ontem.
Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço,
perco o pudor, a estribeira.
Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro,
sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã.
Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente,
tudo é vida,
tudo é ontem e você.

Um comentário:

Nayara .NY disse...

É essa intemporalidade que me surpreende...
São princípios, meios e fins
Ontens e amanhãs que não se acabam!
E nessa controvérsia, vejo uma luta constante contra o tempo,
contra os calendários e relógios...
No entanto é tudo tão vil e banal, por que tanta pressa?
Para que queremos correr?