terça-feira, 10 de março de 2009

ainda não finda

Acho que não me convenço,
quando não me estabeleço,
ou me desfaço daquilo que não esqueço.
Quando fui apagar a luz do jardim é que me lembrei,
ao olhar pra cima e ver a lua clareando o céu,
que eu ainda tenho que lustrar e encerar a mesa grande,
aparar as plantas mortas,
controlar o arremesso da bola de basquete em um aro que não para de diminuir.
Depois, deitar no berço esplêndido do seio branco.
Imagino até hoje,
que seu céu nos terá,
juntos,
debaixo dele.
Meus braços me cansam quando estico pra pegar qualquer coisa,
catar uma fruta,
repor um passarinho que caiu do ninho.
Para melhorar este sintoma da dependência de querer pegar coisas impossíveis,
aposto na ajuda de pessoas amáveis que possam entender que eu preciso ser admirado.
Mesmo caído,
mesmo sem surtir o efeito que quero,
quando olho para o alto e simplesmente peço,
com olhos, nem uma palavra digo,
eu ofereço meus escritos,
minha vida à procura de seu amor.
De qualquer amor.
Passageiro,
ligeiro,
sem vergonha de dizer que acaba,
que ficou teso ou que orelha não escuta o que a boca fala.
Volto para o céu, e, ver aquela claridade,
se expondo,
se consumindo,
sem se importar que se acaba,
me coloca em uma posição de giro,
de satélite naturalmente atraído por alguém que,
por não ter sido,
me será um céu.
Uma lua atrás da outra.

Um comentário:

Nayara .NY disse...

Nunca finda!
Quem sabe da próxima
você não acaba encontrando
um sol?

Bjosss