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domingo, 14 de junho de 2009

j.b. de oliveira

teima mas não aposta. meu avô dizia. acho que foi dele que ouvi isto a primeira vez. e me disse mais, muito mais me ensinou meu avô jb. lembro dele sentado no sofá junto à luz do abajourt, em sua imensa sala de visitas, apartamento gigantesco no centro da cidade, lendo ou estudando. sempre foi assim e no final da vida, já sem poder ler por causa da vista, me chamava para falar de suas várias leituras de dicionários cheios de papéizinhos laranja, com anotações de erros e ausência de palavras que ele apontava com precisão. e, antigamente, lendo os filósofos gregos, em alguns casos no original grego arcaico, me falava da filologia e etimologia das palavras. quando me viu interessado em uma enciclopédia/dicionário, quando eu tinha pouco mais de 14 anos, imediatamente encomendou-o pelo correio. lembro de, ao abri-lo, e ver as bandeiras dos países reproduzidas na contra capa, ter um prazer enorme. ficamos eu e ele adivinhando o nome dos países em uma espécie de competição. meu avô ganhou. e ganhava todas, ou quase todas. poesia ele escrevia. textos? também. acho que não gostava da figura de drummond. anos depois eu sorria ao lembrar disto, quando li os primeiros poemas do poeta de itabira. contos, estórias fantásticas, contava a história com uma vivacidade que sempre me imaginava lá. era um grande homem. meu modelo de homem. ele foi meu papai noel durante vários anos. com carta datilografada e assinada. desconfiei quando vi sua letra inconfundível, mesmo somente assinada; papai noel. me dizia meu avô noel "marcos, não lhe posso dar tudo que queres, apesar de merecer, pois sei que tem sido um bom menino, obedecendo sua mãe e a ajudando com seus irmãozinhos, pois tenho outras crianças para dar presentes e não seria justo eu dar tudo apenas para algumas"
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.

sábado, 2 de maio de 2009

domingo, 19 de abril de 2009

ainda

os olhos em minhas costas, imaginação,
levaram-me a escrever trezentas cartas, duas poesias, quatro contos curtos.
onde conto o gasto do tempo; dezesseis horas no máximo e no mínimo,
o choro compulsivo e obsessivo por alguém que queria a mão na nuca,
o agachado ao lado.
era pouco.
mas era o muito que queria,
fazia o sentido parecer ser todo o sentido da vida, naquele momento.
era.
pelos olhos, pela vontade, que pensava ser igual,
que foram vistos juntos em bares, em vales, serras, cachoeiras. em camas nunca.
não houve tempo, o chão via as roupas e as paredes e móveis receberiam os corpos.
e as janelas? fechadas, cortinas abertas; para o ar não entrar,
os cheiros não saírem e os olhos, de alguns, verem:
o único momento que eram tudo, todos, o mundo, a vida.
sair e ter uma vida normal, depois de serem o mesmo ser, parece simples demais. mundano demais. tem que ser diferente.
então abro os olhos.
imaginar-te é ainda uma vergonha, uma tristeza de amanhã, já hoje.
desde ontem.
deve-se ao sofrido, meu sofrimento?
devo render-me silencioso ao que chamo de "não sei"?
conhecida por muitos, quase trezentos e cinqüenta, não a conheci, nem reconheci quando disse nada.
nada.
algo que precisamos, alguém que queira dá-lo.
alguém que queiramos dar-nos.
não sei. ainda não sei.
certezas de dúvidas que depois, de anos, se esquece, se desdenha.
arrumas outras. outra.
ou a mesma.

domingo, 29 de março de 2009

primeira carta

Tento achar algo que possa ser longo o bastante para que estendas a mão
e entenda a aspereza de quem quer servir-te
Quando acordo, não é em você que penso logo, nem durante o dia ao menos,
mas perto do meio dia, sim, eu me lembro de sua claridade.
Diferentemente de outros dias, quando lembro de você, algo seu me anima.
Sei que seus pensamentos são muitos, e, não quero ser confusão no meu modo de falar.
Quem está mais próximo, à sua volta, pode abraçá-la, tocá-la e beijar suas mãozinhas,
que imagino, sejam pequenas.
Eu não.
Isto me faz ficar mais próximo de você do que se realmente estivesse.
É esta uma das emoções que tenho hoje.
Não ter o que é de outros, de outras, de épocas ou de anos mais recentes que os meus,
tem sido a rotina.
Sei que sua sede de viver ainda será muita e esta sede não lhe faltará na vida, às vezes.
A vida é assim mesmo,
depois de vários outonos febris, verões esperançosos, primaveras e invernos tristes ou sombrios, ficamos menos dependentes da vida que esperamos ter.
Peço que tenha calma e espere que o tempo faça parte de você,
já que ele é nosso aliado, não inimigo.
Se minha admiração por sua fala, suas imagens trocadas, for maior que o desejo de tê-la distante e desconhecida, a verei no espelho d'água.
Se seus olhos forem como seus olhares, terei certeza que tenho em você, uma mestra e discípula eficiente e eficaz.
Tudo numa só pessoa, assim, surreal e imaginativa.
Sua beleza, quando olha para cima, me coloca em fase de lua cheia.

sábado, 28 de março de 2009

reveja, outubro de 2008

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

aberto
Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo,
já que não quero ou não posso respondê-las agora.
Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas.
Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver.
Pergunto ao tempo:
quanto tempo e quando?
Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso,
quando caminho pensando em você.
São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo,
ou sobre a mensagem enviada.
Pergunto à madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado,
e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois,
para ficar marcada como relevo na capa do romance que não vivi ao seu lado.
Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo.
Se é irrepreensível.
Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuarão a causar-me desamparo.
Pergunto com letras, como estas que te escrevo,
se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal.
Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar, apenas para mim.
Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo.
Se me ouve.
Ouve-me agora!
Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão,
que já não domino.
Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Estou mais sério hoje, apesar de ultimamente rir à toa. Meus pensamentos continuam os mesmos. Ou o mesmo. Acho que de tanto imaginar cenas, fins, viagens e momentos, eu não consigo criar mais quase nada que seja ilusório ou fantasioso. Estou triste comigo mesmo por insistir em imaginar algo que não me dá sinal de existir. É como ter fé, a emoção de crer é maior que o fato ocorrido. Gostar de algo é assim; temos e nem notamos sempre que temos, até vivê-los mais intensamente. Se eu fosse um pouco mais adulto ou se outras pessoas fossem, teríamos crescido, ou iríamos crescer, com qualquer coisa que vivessemos. Estou desacreditando em algo que eu creio a muito tempo. Em mim mesmo. É incrível que ainda me venha uma crise de identidade, de saber se tenho um valor, se tenho um destino, se devo mudá-lo etc. Sempre estive assim, apenas adormeci durante um tempo. Tenho tentado ser alguém que seja importante para alguém, em algum momento apenas, mas as horas passam e ninguém tem observado muito isto. Quero que tenham a coragem que tenho, o jeito que penso ou como reajo. Não sou X corajoso ou inteligente Y. Sou apenas eu. Sem me preocupar em exatamente agradar. E isto é um problema. Me explico assim; sem pé nem cabeça, pra atiçar a curiosidade. Te interessa? Tá aqui? Ti toquei? Na mosca!

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html