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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

rosas

senti cheiro de rosas hoje e primeira vez em muitos anos,
não evitei a memória que este odor me retorna.
cheiro de morto.
cheiro de posse da minha própria vida.
solidão de tristeza sem consolo.
sol em dia de enterro.
despedida sem esperança de volta.
caminhada forçada.
abandono.
cheiro de definitivo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

*não quero o tempo, todo

Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.

domingo, 17 de maio de 2009

tem

não tem coca
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

abulo

perder as esteiras na volta da praia.
quando atravessa a avenida é que gritaram para que voltasse para pegá-las.
é a volta que o desanimou.
não quer voltar!
não deseja ver o corpo quase,
ou totalmente nu.
não suporta que o espere,
deitada pela autoria da sua estória.
a força não está com ele.
está no lado escuro do quarto.

domingo, 6 de julho de 2008

Sente isto

Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?

sábado, 5 de julho de 2008

Ar

Sinceramente eu acredito totalmente quando me fala que não fará nada.
Você espera que eu aja mas quando isto acontece, você me tira do ar.
Me tira o entendimento e fico louco sem saber o que fazer.
Os sinais que eu vi não deviam deixar dúvidas.
O que eu faço é apenas te amar.
Parei de fazer o que fazia e agora eu só penso em você.
Você está me deixando sem pensar em mais nada.
Durante todo dia eu só penso em te ver.
A última vez que eu te vi ficou a imagem de você indo embora.
Tentei imaginar o que você pensava.
E a dúvida nunca mais saiu de mim.
Você ainda me tira do ar.
Todas as vezes que a gente se fala você nunca me olha.
Tenho certeza que não quer olhar pra não se entregar.
Será que eu tiro seu ar?
Quando os anos forem lembrança eu sei que ainda vou lembrar.
De tudo o que eu vivi.
Eu quero lembrar de você.
Você ainda me tira o ar.

letrinha pra musicar

sexta-feira, 4 de julho de 2008

é fácil para quem não quer
é fácil afogar quem não nada
é fácil despedir quem nunca esteve em você
é fácil não crer no que não se vê
é só acaso
é só passagem
é só outro
é só ninguém
em mim
é fácil
Cansei. Suas armas estão quase me vencendo. O exposto, a fatura é demasiado demais. O som estridente da sua eloqüencia, de sua recusa em descobrir-se me tiram o dom, o sabor e prazer em dizer-me seu.
Sinto muito frio ultimamente, principalmente quando abro a porta do seu coração. Coragem me falta é de esquecer você e partir, descendo as escadas da torre em que estás. Escrevo cada vez mais próximo do real, é este o perigo atrás de mim, me acompanhando, pisando em meu calcanhar. Eu, todinho Aquiles, corro de acordo com a ordem, mas o quero mesmo é me atirar nos pés da Deusa e tocar em seu ponto mais sensível, que sou eu. Aguça-se em mim o instantâneo de uma voz que não reconheci como sendo a sua, mas as palavras sim. Revelou algo que jamais veria sem me abaixar e me revelar; você estava lá e pronta. Para ferir na nuca, sem se mover, sem som, com as ordens dadas. Move-se na sombra que meu coração exposto faz e não conheces o efeito desproporcional de tanta força.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html