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domingo, 6 de julho de 2008

Sente isto

Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?

terça-feira, 24 de junho de 2008

Oras! Sempre as horas

No entorno da sua blusa verde me entornei e me enrolei ao falar-lhe as primeiras palavras. Ela me fitou com seus grandes olhos. Eu nunca a tinha visto tão tão bela e sedutora. Seu olhar me afastou, mas a vontade de falar-lhe fez resistir e insistir.Ela era a mulher mais linda, com certeza, da festa. Ela sabia disto e não se esforçava. Era naturalmente chamativa sua beleza. Agora que a via de novo tão próxima não sabia o que dizer, onde colocar as mãos. Sabia que se demorasse a falar-lhe, ela seria chamada para novos fotos, eram muitos fotografos que queriam fotografá-la, e eu queria, na verdade levá-la para fora no jardim onde eu poderia dizer que sabia de tudo. Seis meses antes deste encontro as coisas não seriam como agora tão confusas e claras ao mesmo tempo. Eram tempos que havia apenas trabalho em minha cabeça e agora, cansado, era a hora de descansar em algo. Os dias, naquele tempo tão quentes, eram mais longos e quando eu chegava e a encontrava em casa, era como se meu mundo mergulhasse em algo viscoso, que me engolia e entorpecia. Não sentia quase o gosto da comida e a cama não era o melhor lugar para descansar. Ela quase nunca me procurava para fazermos amor e apesar do meu cansaço eu dormia virado para o lado contrário, sempre esperando seu toque em meu ombro, mas isto nunca conteceu. Eu já não a olhava nos olhos. Meu maior receio era de que percebesse que a aventura que haviamos proposto viver, tinha acabado. Sei que para ela não seria difícil, mas para mim seria terrível. Eu não a amava mas a paixão não tinha acabado dentro de mim. Por isto era tão difícil olhar em seus olhos e confessar que eu havia fracassado em fazê-la viver feliz ao meu lado. Depois de algum tempo ela começou a viver como se o amanhã fosse certo e isto me irritava, pois os dias eram para mim únicos, incomparáveis. Não sei me esforcei para lhe mostrar claramente isto, ela não prestava atenção mesmo. Quando sentia seu perfume nos cabelos ou em suas pernas e lhe falava isto, ela apenas ronronava e não me desafiava para dizer mais. Desafio. Era isto que sentia ao me aproximar dela esta noite. Senti meu corpo todo e me pus ereto para mostrar confiança. Ela me demonstrou em um olhar que estava na defesa. Perguntei-lhe porque não respondia meus recados e ela se fez de desentendida e desinteressada em responder. Dei de ombros, não fazia diferença agora. Eu tinha lhe escrito dezenas de vezes e nunca me respondeu, nem de forma indireta, se havia algo que lhe havia tocado. Esbarrei de leve em seu vestido verde e toquei a ponta do meu sapato em sua bota. Pedi-lhe desculpas como quem esbarra em alguém na rua. Sem esperar resposta. Tinha pressa e falei-lhe no ouvido chamando para irmos para o jardim, apesar do frio era o melhor lugar. Queria vê-la novamente sob a lua, tocar seus cabelos, agora cacheados e de outra cor. Estava linda. Quando a conheci era a mais bonita e comunicativa da turma e seus amigos diziam que era muito inteligente. Acabara de se formar e já trabalhava, muito. Eu fiquei impressionado com ela desde o início, tão nova e batalhadora. Em sua cidade, no interior do estado, era a princesa de todos. Talvez se sentisse assim nesta festa. Todos estavam de olho no que ela iria fazer nos próximos dias. Era uma artista, uma star, uma pessoa que todos fitavam e obedeciam como escravos. Ela gostava disto naturalmente e seus gestos no meio daquilo tudo eram suaves, naturais. Mas fortes e marcantes. Diziam que ela malhava muito para manter seu corpo tão magro. Vendia saúde. Em outros tempos eu a teria seduzido e levado para longe daquela festa. Mas hoje, não sei se conseguiria tocar-lhe. Estava velho e fora de forma física e meus olhos, o mais chamativo que ela achava, estavam cobertos por grossas lentes. Antes eu a carregaria com facilidade. Como daquela vez na praia em que a carreguei para mostrar como eu era forte. Exibicionismo puro. Os jovens são assim. Ela confiava em mim e eu me entreguei a isto com todo empenho. Susteia em mim durante todos aqueles anos. Mas agora ela não precisava de mim para contar-lhe histórias durante os acampamentos, na fogueira, ou durante as viagens que faziamos para o norte todos anos. Como eu a amei. Foi amor a primeira vista e eu disse para todos que a teria, e nossos amigos me disseram que ela amava outro. É paixão, apenas paixão eu disse. Convicto disse que ela me amaria. E me amou. Chorava quando minhas viagens demoravam mais que o programado e quando voltava faziamos amor de modo inexplicável. Para quem já estava junto a tanto tempo. Aquele momento no salão de festas de um elegante hotel, não podia ser rápido como teria que ser. Estava ainda apaixonado por ela e queria dizer-lhe isto pessoalmente, mas ela fugiu durante vários dias não ligando nem quando lhe mandei flores. Do campo, pois nunca lhe mandei rosas. Achava que era pouco para demonstrar como eu a amava e admirava. A vida sempre foi corrida para mim e não poderia de forma alguma deixá-la ir sem explicar o que havia acontecido, assim tão rápido . Porque eu voltara e mais ainda porque eu tinha deixado tudo para outro. Ela se adaptou rápido. Foi isto que me fez não voltar logo em seguida. Quando soube que ela era feliz com outro, eu mergulhei para dentro de mim e descobri que ninguém é tão profundo. Ademais eu já me conhecia e o que eu sempre quis era me mostrar, deixar que ela me visse, transparente e totalmente. Sou dela. Mas nós não sabiamos mergulhar juntos. Nado sincronizado não foi a escolha certa. Quando a fitei na festa senti que ela não acreditava em mim e por isto preparei-me para o pior.

sábado, 21 de junho de 2008

To be continued

Tânia e a Fonte Seca

Resolveu parar. Havia dirigido, pensando nela, é claro, durante muito tempo.
Não tinha certeza se teria combustível suficiente para atravessar um imenso deserto que agora ele via pela frente. A noite era fria. Embora a lua estivesse minguando, como suas forças, o clarão fazia aparecer sombras aqui e ali.
Dirigir a noite sempre foi um problema que tentava evitar pois exigia uma concentração muito grande, sua cabeça dilatava. O esforco para se concentrar na estrada era enorme, esforço que ele não queria . Sua atenção estava quase toda voltada durante toda a viagem as últimas palavras que ele ouvira dela.
Estivera com ela muito próxima de seu rosto, chegou a aspirar do mesmo ar que respirou. Olhou seu perfil meio duro, seria sofrida? Era bonita sem dúvida, estava descobrindo outros pontos de seu corpo para que gostasse mais ainda dela. Os seres humanos são assim, pensou ao se notar observando sua orelha, seus cabelos cacheados, suas pintas, seus detalhes. Detalhes.
Os seres humanos são assim, olham os detalhes.
Forçou as costas contra o estofado do carro parado debaixo da árvore. Não fazia sentido parar debaixo desta árvore enorme, parecia uma aroeira, mas não era da luz da lua que ele procurava se proteger. Queria abrigo. Imaginou-se sentado ao lado dela, como mais cedo naquele mesmo carro, será que conseguia sentir seu cheiro? e se ajeitou no banco, como se esperasse que ela reclinasse seu corpo até o dele. Tocou seus cabelos a primeira vez e seus dedos procuraram o couro cabeludo, suas mãos tocaram sua nuca e sentiu o corpo dela se aninhar no seu peito. Estava dentro dele aquela mulher que quis para si.
Não teve dúvida que ela era parte dele ali naquele momento. Suspirou fundo o que fez seus dorso abaixar fortemente e ela fez um levissimo ruído. Você é linda pensou em dizê-la, mas ainda era cedo para confissões tão óbvias. Tinha este tipo de pensamento constantemente, achava que pareceria um tolo se dissese que já a amava. Riu de si para si. Ela notou o sorriso nos seus lábios, ele era quase transparente para todos, ele achava, e ela lhe perguntou por que sorria.
Começou, ela agora queria que ele fosse dela. Tudo era assim mesmo: tudo é somente nosso, nós somos donos únicos, senhores poderosos e supremos até que se torna necessário compartilhar o momento. Aquilo ali era o momento dele e se permitisse que ela tivesse exatamente o mesmo prazer que ele estava tendo, eles teriam que se amar. Amor compartilhado era muito grande para ele querer sentir no momento.
Afastou seu corpo e a olhou nos olhos, lindos como um fundo de mar Mexicano que vira em uma foto de turismo, era louco pra mergulhar, agora tinha com quem sonhar isto de novo, e então pegou em seus braço, sentiu sua carne em suas mãos, como era macia e lisa sua pele branca, aproximou seu rosto de seus lábios, como eram sedutores, pareciam ter sidos desenhados para serem beijados delicadamente e massageados por lábios como os dele. Pensou que talvez nem soubesse beijar mais, mas molhou o lábio superior com a ponta da líingua e este o inferior e sentiu um leve gosto de café. Não devia ter tomado nada. Aquela boca estava esperando algo grandioso. Então tocou os lábios dela e respirou fundo, junto com ela, e o tempo acabou...

Quelita

Esticou seu corpo dentro da barraca e sentiu suas costas estalando baixinho e seu contato com o fundo do chão duro de terra o fez querer levantar logo. Aquela hora, 5 e pouco da manhã , era a hora que mais gostava, pois se sentia dono daquele acampamento. Ninguém ainda havia se levantado e podia fazer o que quisesse. Sempre sentiu isto em acampamentos; meio líder de tudo, responsável por todos. Aliás sua vida dali pra frente seria cada vez mais o de sempre estar a frente e as pessoas ainda lhe cobravam e delegavam esta posição. Esticou os braços e seus dedos esbarraram no tecido leve da barraca fazendo-o flutuar e sentiu um ligeiro gozo de prazer na vida. Estava em boa forma fisica, apesar da bebida e de algumas drogas leves que usava quando algum amigo lhe trazia. Sua natureza era contrária aquilo, mas mais uma vez o líder precisava ser parecido com seus liderados e usava aqueles pequenos, ainda, vícios para controlar a situação e muitas vezes usou e perdeu a noção de qualquer parâmetro incutido nele desde cedo. Mas naquela manhã ele não estava drogado ou tinha bebido, estava embriagado de prazer com o cheiro de dentro da barraca, acabara de fazer sexo e a temperatura de seu corpo estava ainda morna pelo esforço. Seu esperma havia se derramado e ainda sentia a umidade em seu corpo. Meio quente, meio gelado. Estranho que sentisse ainda pequenos prazeres como tocar naquele tecido, ou como agora, aspirar o docíssimo gosto do ar que começava a soprar lá de fora para dentro. Aspirou profundamente o ar frio da manhã e sentiu sua bexiga cheia; tudo era prazer naquele momento. Fez um esforço enorme para sair do torpor de prazeres que lhe dopava. Alguns atos mecânicos eram chatos pois pareciam obrigação. Estava um pouco cansado de regras, metas; havia feito isto durante os últimos vinte anos de sua vida. Sempre liderando equipes, pessoas, estabelecendo prioridades. Sua prioridade agora era ele e a delícia de viver solitário e consigo mesmo. Olhou o fecho da barraca e o abriu. O ar gelado entrou junto com a visão do topo das arvores, estava acampado em um alto de um plato que dava de frente para o vale que em sua volta tinha dois morros não muito grandes, mas que dava impressão que estava no sopé de uma vagina. Sorriu, era uma boa visão. A vida não era bem aquilo? O sexo era uma delícia que lhe exigia cada vez menos esforço de concentração e cada vez mais a atenção em cada detalhe lhe dava um controle sobre o qual tinha sempre quis...

Oração
Eu penso em ti Senhor agora que preciso de sua ajuda de novo.
Não tenho tido tempo pra pensar em Ti.
Mas sinto sempre seu toque de amor.
Sobre minha cabeça seu óleo me tem conferido a autoridade de seu amor.
Abra meus olhos para esta missão.
Desperdicei suas bençãos até aqui, mas suas mãos nunca estiveram distantes.
Nem seu amor acabou.
Porque seu amor é forte o bastante pra me carregar em suas mãos até suas terras Senhor.
Me faz livre em sua terras Senhor, pois é isto que espera meu coração...

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html