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domingo, 4 de setembro de 2011

olhei-me

passei rápido pela porta passei-a.
sequei o corpo e sequer.
falando falei ouvir-me.

olhei-me e não me vi.



segunda-feira, 27 de junho de 2011

quatriste

tenho agora tantas dúvidas de mim mesmo que já não me animo.
pergunta-me.
pois se a resposta é vaga, a vaga vem e quebra a resistência.
se a resposta é triste e sem esperança, é um vão a busca.
e vão-se em volta os que não me escutam dizer; "vão embora!", "vão-se daqui de perto!".
e soslaio o olhar para ver se aquele alguém não me ouviu, pensando ser com ela.
tenho sorte de ser tão tímido, tão curta minha vista e tão distante meu horizonte, vertical curto.
jaz feita a sorte. rarefeito por defeito de criagem.
vão-se os dedos entre os dedos. sei que dedos são. sei!
mas e as mãos? de quem são?
me explico, quando mostro por dentro, por dentro, por dentro...
não entendo. me sou só.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

triste

triste;
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.

sábado, 27 de março de 2010

parece prece

o amor parece que tira a gente da guerra
o amor parece que quer nos cercar
o amor parece nos trazer palavras guardadas
parece que aparece quando as coisas são más
parece coisa de outro mundo que queremos estar
parece lembrar sonhos que nunca acabaram
parece nos fazer lembrar criancices
o amor aparece e tudo é sim
o amor aparece vindo de fora
o amor aparece aqui dentro
o amor parece que apareceu pra mim

terça-feira, 23 de março de 2010

terça-feira, 18 de agosto de 2009

como?

é. discuto sim!
como posso concordar que com a certeza venham juntas as incertezas?
como, depois do tempo corrido o tempo pareça tão lento?
como, depois de desejar, deseje que não sinta tanto?
como pode, a entrega total, parecer abuso de confiança?
como posso ser inútil ao me descobrir útil?
como pode ser real, se desde o início parecia sonho?
como sonhar se a realidade bate a porta?
como não amar?
como não não querer?
como não ir?
como não ser o meu todo ser?
como não ser por você?



quarta-feira, 12 de agosto de 2009

rosas

senti cheiro de rosas hoje e primeira vez em muitos anos,
não evitei a memória que este odor me retorna.
cheiro de morto.
cheiro de posse da minha própria vida.
solidão de tristeza sem consolo.
sol em dia de enterro.
despedida sem esperança de volta.
caminhada forçada.
abandono.
cheiro de definitivo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

quanto mais

Quanto mais próximo do impossível, mais invade-me o desejo de ser tudo.

Assim tenho inteiro, o sentido das coisas que me fazem ser completo,

a esperança de viver totalmente daquilo que me sempre moveu.

É esta paixão,

esta coisa absoluta, absurdamente viva, que quando permitida,

vorazmente nos engole.

E em troca de ser alimentada,

suspende no ar os que vivem poucos anos.

Mas tanto vivem,

que os anos não existem.

Quero-a, desejo-a, amo-a,

e ser tanto assim,

por tão pouco tempo e há tão curto tempo,

que minhas vontades, minhas vidas, junto-as e entrego, me dou para conhecer as suas.

Acompanho-a,

minha,

por estar em tão grande vontade de viver e de ser este ser que cria, pensa, vive e observa.

domingo, 14 de junho de 2009

j.b. de oliveira

teima mas não aposta. meu avô dizia. acho que foi dele que ouvi isto a primeira vez. e me disse mais, muito mais me ensinou meu avô jb. lembro dele sentado no sofá junto à luz do abajourt, em sua imensa sala de visitas, apartamento gigantesco no centro da cidade, lendo ou estudando. sempre foi assim e no final da vida, já sem poder ler por causa da vista, me chamava para falar de suas várias leituras de dicionários cheios de papéizinhos laranja, com anotações de erros e ausência de palavras que ele apontava com precisão. e, antigamente, lendo os filósofos gregos, em alguns casos no original grego arcaico, me falava da filologia e etimologia das palavras. quando me viu interessado em uma enciclopédia/dicionário, quando eu tinha pouco mais de 14 anos, imediatamente encomendou-o pelo correio. lembro de, ao abri-lo, e ver as bandeiras dos países reproduzidas na contra capa, ter um prazer enorme. ficamos eu e ele adivinhando o nome dos países em uma espécie de competição. meu avô ganhou. e ganhava todas, ou quase todas. poesia ele escrevia. textos? também. acho que não gostava da figura de drummond. anos depois eu sorria ao lembrar disto, quando li os primeiros poemas do poeta de itabira. contos, estórias fantásticas, contava a história com uma vivacidade que sempre me imaginava lá. era um grande homem. meu modelo de homem. ele foi meu papai noel durante vários anos. com carta datilografada e assinada. desconfiei quando vi sua letra inconfundível, mesmo somente assinada; papai noel. me dizia meu avô noel "marcos, não lhe posso dar tudo que queres, apesar de merecer, pois sei que tem sido um bom menino, obedecendo sua mãe e a ajudando com seus irmãozinhos, pois tenho outras crianças para dar presentes e não seria justo eu dar tudo apenas para algumas"
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

com fitar

sua certeza absolutamente correta,
ancorou-me na verdade na qual sempre estou.
apenas imagino se sua pouquíssima permissão por mim imaginada,
seria toda assim mesmo ou parte da verdade desejada por mim.
não poderia ser a verdade absoluta,
escondida em sua vastíssima estória de fugas planejadas.
contemplando as vestimentas preferidas pela estrela de toda minha vida,
como diria o poeta itabirano, que também imaginou a pedra no caminho,
pois é que,
quando meus olhos fitam novamente sua beleza de cores iguais as escolhidas,
refaço-me semipoeta,
e encolhido dentro de uma paixão desmedida,
como deve ser o reflexo de minha vontade de tê-la como a escolhida,
tenho-me refeito da falsa vontade de que tudo por você sentido já tenha passado.
e passado e pasmado,
olho a mesma lua não mudada.
e é como se uma semana apenas tivesse ultrapassado o peito.
o coração,
a fácil explicação e força de expressão de quem deseja o amor inteiro,
por inteiramente entregue a alguém que tornará e tornará e tornará.
como uma força necessária para que as fantasias alimentem o homem,
o espaço,
a vida.
o meu viver.

domingo, 17 de maio de 2009

tem

não tem coca
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.

sábado, 9 de maio de 2009

ah! portugal... faltam poucos dias...

Amália Rodrigues
Composição: Artur Ribeiro - Ferrer Trindade

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça

Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir, podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem espero

Se eu gosto ou não, afinal
Isso é comigo
Mesmo que peças
Não me convences,
Nada te digo

De quem eu gosto...

sábado, 2 de maio de 2009

domingo, 19 de abril de 2009

ainda

os olhos em minhas costas, imaginação,
levaram-me a escrever trezentas cartas, duas poesias, quatro contos curtos.
onde conto o gasto do tempo; dezesseis horas no máximo e no mínimo,
o choro compulsivo e obsessivo por alguém que queria a mão na nuca,
o agachado ao lado.
era pouco.
mas era o muito que queria,
fazia o sentido parecer ser todo o sentido da vida, naquele momento.
era.
pelos olhos, pela vontade, que pensava ser igual,
que foram vistos juntos em bares, em vales, serras, cachoeiras. em camas nunca.
não houve tempo, o chão via as roupas e as paredes e móveis receberiam os corpos.
e as janelas? fechadas, cortinas abertas; para o ar não entrar,
os cheiros não saírem e os olhos, de alguns, verem:
o único momento que eram tudo, todos, o mundo, a vida.
sair e ter uma vida normal, depois de serem o mesmo ser, parece simples demais. mundano demais. tem que ser diferente.
então abro os olhos.
imaginar-te é ainda uma vergonha, uma tristeza de amanhã, já hoje.
desde ontem.
deve-se ao sofrido, meu sofrimento?
devo render-me silencioso ao que chamo de "não sei"?
conhecida por muitos, quase trezentos e cinqüenta, não a conheci, nem reconheci quando disse nada.
nada.
algo que precisamos, alguém que queira dá-lo.
alguém que queiramos dar-nos.
não sei. ainda não sei.
certezas de dúvidas que depois, de anos, se esquece, se desdenha.
arrumas outras. outra.
ou a mesma.

sábado, 18 de abril de 2009

escrito

- como assim?
- não posso!
- eu não acredito...
- ...
- mas, e eu?
- eu avisei antes!
- mas o que eu faço?
- não posso fazer nada!
- como assim?
- você está confundindo, sei lá!
- pode ser, mas explicar não resolve...
- eu não posso fazer nada!
- o que eu faço? esqueço, jogo fora?
- esquece, sei lá!
- como?
- eu não sei. você só fala disto!
- eu não entendo. por isto.
- muda de assunto!
- eu?

mudo

domingo, 6 de julho de 2008

separada

Ela é perfeita. Não dá bola pra qualquer um, não demonstra ter vício nenhum e nem uma bebidinha aprova.
Veste-se simplesmente lindamente. E seus cabelos são de uma cor que que são um presente para os olhos. Ela é certinha, bem humorada, inteligente e da paz. Atenciosa e parece ser carinhosa. Seu corpinho é enxuto, e com todo respeito, uma gracinha até. e que pele a bela tem. Com tanta perfeição ela tinha que ter um defeitinho. Não me fala se me quer ou não.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Sem nada
Eu tenho uma nota de 200. E é só o que tenho. Todos falam que é falsa. Sem valor. Se fosse ao menos antiga, mas não, é falsa. Dizem que tem algum valor como papel. Só como um pedaço de papel. Vou escrever nela seu nome e mandar tirar uma cópia. Uma vou carregar na carteira, e a outra depositar no cofre que tenho aqui. Só eu sei o valor.



solamente
S
ei que posso estar enfermo
Mas sei que esta dor passará.
Ao andar, andar e ver tanta coisa que falei neste tempo que era só meu.
Eu não posso imaginar de outra forma pois eu sei que o que bate e faz doer meu coração é o saber que jamais terei você em meus braços.
O silêncio que você faz, para mim o mesmo tipo de silêncio que os amantes fazem após se amarem, não me torna menos leigo, me faz acreditar que te terei daqui a pouco.
Se a lua que lhe ofereci para ver não lhe atraiu o olhar, talvez se lhe cozinhar algo quente e docemente temperado lhe faça retornar agora.
Costelinha com mel.
Come e baila seu bailar. Não me interessa o seu ritmo, se não posso acompanhar, ajudar na construção ou lhe trazer uma margarida. Minhas flores de maio agora que estão desabrochando. Interessa vê-las?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

fala, mas...

Não posso ter na dúvida a principal pergunta que tenho como sobra.

Não devo, mas temo o que vai agora na cabeça sua;

se for dor, se é amor, se solidão ou não faz muita diferença.

Peço, eu penso licença só um instante para ouvir falar do que espero.

Fala comigo nem que seja para não explicar nada, para dizer coisa nenhuma do quero.

Pedi, eu lembro de pedir, me liberta, decidi estar e não estou.

Preso de mim mesmo, do desamor, da luta que se labuta, da fuga do óbvio lacerante, da vagareza de ser, de vez em quando.

Penso, faria algo por você, mas não fiz por ela quando passou por mim,

e eu nem lembro o nome, nem quando.

Somos assim iguais em cada lado da vida, momento, razão, perdição e achados

sou metade do era agora a pouco.

A outra parte, nem sei qual, se é de mim que se foi e ficou você, ou se você se foi e ficou a outra parte de você.

Acredite-me, me passe seu cartão do crédito, me entenda, a pessoa eu.

Sou uma pegada, um risco na parede de sua sala, no alto, na borda de sua cama,

na palma da mão, na sombra do seu passo.

E tudo isso é você em mim também

Se me entende, acredita no pedido de socorro, poço, água profunda, dor de dente, choro de criança.

Mas se me tocar no alto de minha cabeça, de leve, sei que a terei mais ainda, no processo que se chama eu precisarei de você.

Mas se continua a contínua resistência, na sua juventude tão certa, a decisão certa, ofertada, acertada no degrau mais alto, se ela for continuada, me fala.

Voz suave, choro meu, choro meu, choro meu, colo, dor novamente.

Dá-me cura, forte, resistência, parecida, incerteza.

Se fores, contínua, continua.

Mas me fala!

terça-feira, 24 de junho de 2008

Ai! Tô vivo!

Tinhas razão minha flor, quando me disseste que ainda a veria sem a coberta da paixão.
Te confesso, não creditei a você a experiência em ver através do véu que está sob seus olhos.
Pintei hoje as casinhas pra que você escolhesse a que mais gostasse.
Imaginando-te deitada ali e ouvindo as músicas que compus pra ti.
Te afirmo com todas as letras: todas as palavras vieram por sua causa.
Ter em outra é possível, eu sei, mas em ti a emoção abalou meu ser minha flor.
Silêncio na distância é o muro que escolheste para não me deixar passar,
mas o que faço se quanto mais eu me calo, mais me dá vontade de ter.
Tens razão ainda se me falas de que elas virão comigo, as damas da noite.
Mas se elas não me atraem com seu perfume, o que eu faço se teu cheiro é que me inspira?
Andar por aí procurando seu sinal, seu rastro, uma imagem sua antiga que seja, parece um jogo cansativo para quem já não tão bem caminha.
Não é a idade, meu bem, é a certeza que você tem razão de novo quando me dizes que me engano e me gasto à-toa.
Saiba, minha flor, que o coração que tú alquebra, é o mesmo que te escreve.
E que se ficarem escritas estas palavras, jamais entenderá se tens toda razão de não me dizer sim.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html