sábado, 20 de dezembro de 2008
tão
De tão pouquíssimas palavras,
De tão grande sorriso,
De tão olhar,
De tão voz, doçura loquaz,
De tão cor,
De tão tão,
De tão,
De tanto...
Paixão!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
ao seu toque
encolho-me à tua escolha,
embora que me olhes como se não fosse todo teu,
furto-me de achar-me em outro local que não seja
onde sinto um afago grande em todo corpo,
ato de espera por me fazer respirar tão rápido,
como foi também depender tanto assim de ti.
Se de tua boca, atrás desta cortina,
sair meu nome,
desfaleço em pétalas como se rosa eu fosse,
Transformas-me sem querer, sem cessar,
sem ao menos me tocar,
e, se me tocares, amoleço,
e sem rígido pudor,
enrubesço,
e intumescido meu membro,
acolhe-te em ato de amor único,
belo,
e minha alma é tua,
minha vida.
palavras
eu nunca vou te esquecer,
por isto quando lhe falo que vou partir,
minha mente não me deixa fugir.
Somente as ruas,
luas e estradas vão me acompanhar nisto que chamo de volta,
toda hora.
Sozinho, aqui sorrindo ao te dizer olá,
é sua luz que está acesa?
É sua voz que ouço cantar James Blunt?
É ela que sai pela janela.
Por um segundo seu mistério é o bastante pra me levantar a alma,
me levar a refletir o que fui até aqui.
Eu não sei o que minha palavra é para você.
São letras apenas, eu sei.
Não terei uma segunda chance de amar alguém como você.
Por isto me olhe com atenção.
Estou indo embora,
queria te deixar aqui embaixo um pedaço do que você me deu sem querer.
letrinha para musicar...
modos
Uma hora que o tempo seja já,
ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje,
amanha rápido e inesperado,
uma paisagem distante e clara de tão pura.
As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez,
já vão dois dias desde então.
O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim,
de pensar e ser pesar de não ter,
de não ter havido,
de não ser possível amanhã.
O hoje é pesado.
É todo voltado para ontem.
Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço,
perco o pudor, a estribeira.
Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro,
sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã.
Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente,
tudo é vida,
tudo é ontem e você.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
canto 1
Eu tenho um canto onde eu canto
Onde ponho um tanto, mas tanto, que se não fosse um canto,
Eu escapava, eu convertia, eu me revirava.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
simples
O que me encantaria?
No primeiro muro que encontrasse escreveria.
Com a primeira letra te diria,
naquele dia eu seria,
tua escuta,
teu calar,
teu toque,
tua colheita.
Se eu encontrar,
encantado por você andarei,
e no muro,
com a segunda letra do seu nome escreverei,
sou teu amar.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
inacabando
Não quero desligar como se apaga uma luz ao sair do quarto.
Afinal sei que vou voltar para lá.
Então deixo a luz acesa e eu sempre volto,
e olho para dentro dele e me pergunto:
- o que vim fazer aqui mesmo, o que eu estou procurando?
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
só gritando
Posso andar na borda do Hades?
Pode ser característico do desarranjo emocional?
Querer gritar não é normal.
Não é.
Subir ladeira a pé.
Soletrar sozinho.
Alimentar de pó.
Ficar sem sentir dó.
Enraivecer e enfezar todinho.
Não é normal.
Não é.
Posso ser imoral?
Posso colocar no pedestal?
Pode ser apenas de um só?
Quero sair do pó.
Pode ser pior?
Se ficar melhor vem dor?
Quero que me veja só.
O que será do amor?
Se tudo fosse cor.
Se alguém fosse por,
um coração aqui.
Eu vou partir
Eu vou dormir.
Quero sair daqui.
Quero gritar.
Eu sou normal!
sábado, 6 de dezembro de 2008
passar o tempo
alguns planos
alguns vales
algumas montanhas
algum deserto.
são belos
seus momentos
os que virão
os que serão
são os seus certos.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
eu, você
Transportando a nós, e nos dando nós
E nos deixando a sós, nos deixando sós
E fomos destruindo e nos construindo com os pós
E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
ver
e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver.
Repito os mesmos gestos de toda noite,
que são os que esbarro em você.
Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada.
Aprendi a cantar,
cantando o canto pelos cantos,
pra me encantar e sonhar.
Desfaço de tudo por tudo que diria,
se pudesse meus joelhos nos seus encostar.
Sua seda no som,
seus olhos, o tom,
seus lábios, sem outros são,
e mais nada.
Embora seja ir embora o minuto final,
até o final as folhas terão seu nome.
em
Seus cílios me abanam
Sua boca é feliz com meu nome
Seus braços me enrolam
Sou alegre assim
Ao te ver vivendo
Farto-me bebendo
Você em mim.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
neo
Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal.
Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo.
Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar.
Beijocadamente disparo selos em suas imagens.
Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro.
Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito
domingo, 30 de novembro de 2008
presente
É o interesse egresso do que fui neste tempo.
Me enchem as cheias e as meia luas, precursoras de luz ausente.
Metade de escuridão do outro lado que me vejo posto.
É a certeza do certo sobre o errado.
Tampando o possível, o imaginário, o abstrato e temporal tempo eterno.
Enquanto dure, enquanto em mim, em quanto ficaria as custas de ficar também aí.
São estas falas que me fazem pertencente a ti e ao tosco esboço de relacionar isto com um sentimento de um par.
Lá também estão juntas as almas de quem não é meu nem seu;
o campo do sonho, do futuro limpo.
Tênue pensamento, profético ato de ver o nosso, com o de outro que também sonha.
Resta o que me resta, para me bastar, para trocar de memória, de parar o olhar pra frente.
O ausente está presente claramente, lindamente, eficazmente verídico.
O real me assola, me enche de completo desastre, inevitável preenchimento.
O soslaio me convence.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
fotos
A que me amedronta,
não sei seu medo.
Sua condição para ditar algo que eu anote em meu caderno.
Esta é a outra de você a me deliciar os olhos e arrepiar a têmpora.
Espantar a indecisão.
Prefiro as duas que nenhuma,
prefiro o olhar pra foto de que nenhum por mim.
Aquela me senta na posição em que estou,
na cama feita pra dormir.
Esta outra você,
traga pra dentro,
por dentro a trago,
foge,
traz e me dá os passos.
Solidifica e constrói,
por paciência e distância,
no canteiro do seu olhar.
Eu sou seu, você que não é outra.
sorriso diverso
Em um digno olhar, clara visão
Fácil amar tanta luz, tanta razão
Momento em todo tempo da vida
Pensar em quais das faces?
Em suas posses, suas poses
Seus dedos longos, seus dentes
Suas marcas, seus de repentes
Várias e várias vezes apagar
Chorar os sem respostas
Viver pra pensar em ter
Dormir com pressa em não ser.
domingo, 23 de novembro de 2008
vôo
pra continuar pousando e voando,
pousando e voando.
meu coração decola só.
e sabe? ele sabe que o horizonte nunca será dele.
por isso o pouso.
aterrisar é buscar entre as árvores uma fruta com água dentro,
um animal entre as folhas que o devore inteiro.
sábado, 22 de novembro de 2008
sim
Se não ouve o que falo,
se não houve fala?
Se engano é minha impressão e enganar é a sua?
Se preciso que precise desde o início e se você é tão precisa em não precisar?
E agora que faço com o que quis fazer se você sempre fez questão de nada fazer?
E a lua? O que falo pra ela?
E depois que você se esquecer como faço pra lembrar-me para esquecer?
É você que me trás o impedimento e o avançar, querendo ou não.
Sendo ou não, estando ou não.
E daí?
caso
Mas o que é ainda está aqui.
Despedaçado, separado sem colagem possível.
Os pedaços são cada um de outra importância,
multiplicada em atenções e eficácia em fazer pensar.
Quero ter mãos gigantes para juntar-los ao meu coração,
enfiar-los dentro de volta, em mim.
Considero montanha e morro a mesma coisa.
Daqui das terras mineiras,
o olhar de escalada,
de subida custosa,
dá o mesmo prazer quando é por algo que leva pra longe ou pra perto.
Lavo a cabeça é no tanque, com sabão de coco,
enxáguo enfiando a cabeça toda dentro d’água,
e aproveito e te chamo pra mergulhar comigo na cachoeira,
pra lavar a alma,
pra escapar de onde me quer você.
Volto a abrir a janela grande e de vidro,
vento me mostra o frio que abraço como se fosse seu corpo.
Esquento o tempo todo meu corpo pra que te aqueça,
caso queira,
caso precise,
caso me esqueça.
escorro
com a chuva dos dias de entrada do verão,
ela foi se soltando, grão a grão,
e escorrendo.
Primeiro à minha volta, eu vi,
depois por debaixo de mim.
As flores dobraram os caules.
Escorregadio o piso, caí,
tentei manter-me de pé,
segurei em plantas novas,
recém nascidas, pequenas,
mas ainda assim tentei me agarrar a elas.
De joelhos estou olhando para onde estava,
espero o sol secar a terra.
Subida de volta,
ou continuo escorrendo?
só
errado e maldito, gêmeos não parecidos.
Escolha outro doce, rode em volta da mesa,
a conclusão não será a mesma.
Entendimento e tempo se combinam,
esperando o saber daqueles que amam.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
era
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
seu 2
sempre levou embora saudade de nunca.
A própria saudade.
Aquela espera de alguém que chega e abraça sonhos.
Beijo com a boca ainda seca.
Vento transeunte que dá a volta em volta da casa.
E sempre volta ele mesmo
Dono de mim que me leva pra quem me queira
Pra quem brinca comigo
Dedos nas pontas dos meus.
corrige
sopra o sentido correto.
Suas falas deturpam,
de todo o escrito.
Sua verdade,
corrige a rota.
Meu credo,
era vento de tempestade.
Minhas falas,
foram poucas.
Meu escrito,
foi o sentido.
Meu caminho,
é o seu
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
nada 2
Que seja perfeita a fórmula dos pares,
Mesmo que a paixão espalhe as folhas escritas,
Não teria, eu, o dia.
Apesar da certeza que impede o errar,
Mesmo que não seja exato escolher,
Que seja o claro sobre a escuridão,
E impossível viver o amar.
Agora não espero mais cartas,
Escrever pede notícias de ontem,
Olho para dentro do rosto,
Hoje não terei o hoje.
Os contornos serão disformes aos olhar,
O céu pesará sobre a cabeça,
As falas serão igualadas,
Sem a incerteza, viverei?
domingo, 16 de novembro de 2008
esta alegria fingida
Esta alegria fingida.
Esta fugidia de mim.
Estes dedos que chupam doces.
Restos nas pontas que agora apontam somente para mim.
Não tenho mais que deixar de escolher,
faço apostas no dia de hoje
Recolhi o resultado antes da meia-noite.
Suporto tudo,
menos a revolta pelo amanhã já escrito no livro que já me deu.
Estendo a toalha no úmido mesmo,
o cheiro que fica destoa de tudo que é de hoje.
Minha cara lavada,
minha cara do pau de ferro,
está mais dura,
mais feia,
mais cortante aos meus olhares.
Ou eu fiquei mais moço?
Depois que aprendi a jogar-me do alto de edifício,
ficou mais fácil ser passarinho,
mesmo sem as asas que criei quando me apaixonei.
sábado, 15 de novembro de 2008
fim
abrir portões em seus tijolos escuros,
arrancar a grama do meu jardim,
tomar a chuva que hoje cai sem fim.
Quero subir morros com barro escorrendo em enxurrada,
quero lago transbordando e levando meus pertences,
quero que me cegue a manhã coberta de névoa fria.
Hoje em mim eu não quero nada,
quero ser nada,
quero não pensar e nem escrever.
Quero não querer,
não lembrar e nem ser.
Quero seu pensamento voando e sentindo livre queda,
ao vento,
descendo,
colhendo sua resposta,
sua melhora,
seu destino e desejo.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Lua cheia
Pra ver se alguém deixou carta, bilhete ou uma citação.
Escuto música baixinho e aquelas letras entram gritando:
tô querendo, tô parado, tô pensando.
Os muros daqui de casa já descascaram de esperar alguém subir neles
e olhar para os lados onde o sol brota.
Por onde vem seu viver.
Se ventar fosse seu nome, teria você no meu rosto todo dia.
Vi que a lua não dá fome, não faz companhia
e nem cantarola no meu ouvido.
Ela fica é me olhando como se esperasse que eu saisse daqui correndo
e fosse morar em coração de almofada,
com azul bordado nos seus cantos e mão sobre minha cabeça.
Acalma bichinho ferido!
Olho a estrada prá trás e me dá vontade de te chamar
pra ver onde eu tenho andado cantando
e uivando feito lobo de bosque.
Boto em você seu chapéu
e cubro uma parte do olhar
que nunca será tanque pra eu mergulhar.
sábado, 8 de novembro de 2008
certa
Prender-te em meus braços até confessares que me desejas peito a peito.
Presos em teus olhos, meus olhos vão para onde me levares também.
Se for ali que poderei te ter como doce na ponta da língua, deliciosamente saborosa, eu estarei.
Conquista-me de forma calma, passo a passo, como andasse em tuas terras.
Como se eu fosse onde deves plantar suas plantas de sabores que preferes.
E quando quiseres colher, de acordo com a estação, me pegue pela mão, me leve junto a ti para provar seus sabores.
Cante-me sua canção preferida, ensina-me teu tom, faça tua melodia em minha vida.
Constranjo-me dizer-te teu, apressado em querer ter-me conquistado por ti.
Faça-me, toma-me.
Quero-te, enquanto sou teu.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
é melhor
Devolve-la ao caminho
Fechar meus olhos ao te ver dançando
Cobrir minha cabeça a luz da lua
Fechar a boca ao cantor
Contar pra quem quer o que quero
Sumir no trãnsito quando te ultrapassar
Orar ao Santo pra te dar seu tanto
Escrever no canto do seu aroma
Escolher calado, por você.
suas coisas
seus olhos semi fechados
seu fluxo
seu refluxo
sua cor
sua dança aos treze
seus cadeados
seus cds estragados
sua crença
seus músculos
suas pintas
seus relógios variados
seus ouvidos
seus gritos
seus suaves exercícios
seus alongamentos
sua bronca
sua sandália branca
suas camisetas
suas poucas palavras
suas aulas
seus pulos
seu cabelo solto
sua roupa rosa
sua roupa verde
sua boca
seus olhos
sua voz
suas abelhas
nossa bicicleta pra ir embora
loucura
ao teu olhar no meu, me ligarei a ele com a liga da cumplicidade implicita e querida por ambos.
ao teu desejo de amar, me estabilizarei no tempo para que se decida antes de se entregar um ao outro.
às tuas festas, eu me juntarei com total alegria em saber que anos virão com a alegria de ser querida por muitos.
ao teu tempo, eu estarei distante em algum momento provável e desejo que ainda distante.
ao teu desejo por mim, darei um passo em direção ao seu um passo.
ao meu sonho este, me tenha como louco.
à minha loucura, me tenha são de desejo de ser tua toda minha loucura por te ter.
sábado, 1 de novembro de 2008
algo
Algo teu me fez.
Sou algo teu.
Algo sou
Com teu algo.
Sou teu
Meu algo.
Algo meu,
Sou teu,
Todo teu.
tentativa
Onde dou ao destino a chance de não me achar,
Onde a censura passará sem me marcar,
Onde está o amor que me cercará de concreto?
Isto tudo me tranca onde quer que eu esteja,
Já voei por causa disto mas agora estou parado,
Sentindo-me por dentro como quebrado,
Meus olhos estão fechados e o coração lateja.
A vida não contará o que não vivi,
A quem minha alma se apegou,
Nada colherá a lágrima que verti,
Estou olhando a porta que se fechou.
Não havia quem entendesse as palavras,
Quem quisesse apenas senti-las,
Para guardar um alimento que cresceu por muitos anos,
Esperando quem colhesse os ramos.
Caiu a semente na areia,
A ave que a come, voa,
E eu olho, asas abertas dela,
Escreve o nome que não é meu.
caminho
Num momento estava caminhando sob o sol,
Mas agora olho pra cima e somente vejo planetas.
Todos são distantes e não consigo tocá-los.
Já tive estrelas nas mãos,
Toquei cordas que soaram em ouvidos brancos,
Voei com o vento no alto das montanhas,
Já vi a terra se abrir para a planta nascer.
O que me trouxe até aqui,
Como construí esta parede tão alta,
Qual a cor do ultimo olho que vi,
Qual era o tom daquela voz?
Desenhei contorno em dedos longos,
Envolvi meus braços em corpos amáveis,
Amei momentos eternamente,
E passei horas esperando um retorno.
Agora, neste exato agora,
Eu tenho a companhia do ausente,
Eu tenho a memória do sonho,
Passado enclausurado dentro de mim.
A chave,
Não é a mesma.
Não sou mais eu
Não ando mais só.
boca
Sua boca pede.
Beijo!
Quero um beijo!
Ela suplica.
Atender a este pedido é quase um pecado,
pois tampa-los à visão parece errado.
Sentir tão saborosos lábios,
tão macios lábios encostar os meus,
é ir e voltar,
ir e voltar,
ir e voltar.
Pede de novo belos lábios:
Me beija!
esquecera
Um pedaço da alma minha,
sei não qual, une-se ao que a toca e aquela muda de cor, se transforma em algo alongado, esticado, impossível de se manter normal em forma reconhecível.
Acho que é como a alma fica dentro de mim que me incomoda o corpo.
Os poros do meu braço não sudoram normalmente,
sinto o vento sair com força por eles,
parece asa pedindo para crescer e se aventurar por onde não tem chão por perto,
onde só tem o cheiro do ar, nuvem branca e arco-íris cor de rosa.
Não dá pra ver o verde lá em baixo,
mas gosto de saber que ele está ali.
Completamente e repleto de esperança por uma segunda ou quarta chance,
eu pulo o terço pois eu sei que a terça parte é sua pra descansar e guardar o dia que é santo.
Sei salteado quais são os dias.
De trás pra frente eu lembro e de frente pra trás eu sonho.
Então eu não esqueço, não apago, apenas escrevo sem parar.
Esquecer é a fórmula que eu fiz pra lembrar sempre de tentar não esquecer.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
pasta
vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado.
qualquer oba! me serve quando estou acabando.
escolho o mergulho,
tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo.
de coral? de muitas águas? são profundas?
escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.
sábado, 25 de outubro de 2008
descanso
elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta.
minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo.
olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira.
sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível.
meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria.
caminho porque preciso andar para alguma direção.
qualquer uma me satisfará.
enquanto caminho, faço.
passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei.
não era meu.
nem a flor.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O que é melhor?
Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem.
Do dia de hoje.
E me basta.
como
Seria como não imaginar nem sonhar.
Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos.
Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer,
Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras.
Flores do campo sem colher para você.
domingo, 5 de outubro de 2008
Branca 1
Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem.
Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador.
As pontas onde terminam teus cabelos,
são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro.
Tuas mãos e pés, extremidades extremas,
pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar.
E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo.
Sua memória é eternizada em minhas,
que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás.
Em mim,
tu és tudo,
de tudo em mim.
talvez
Quero saber de talvez.
O talvez que me excita.
O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida.
Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver.
Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez.
Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer.
Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez.
Talvez me lembra sempre você.
mulher tátil
dever
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.
sábado, 4 de outubro de 2008
descoberto
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
disto
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
há luz
o que veste a rosa cor?
qual o peso que o branco suporta?
o que são as outras cores a sua volta?
molduras é o que são.
branca tela, negas meu pincel,
meus tons são seus,
por agora, por hora,
por vida que agora teima e me suporta,
por ti.
o que tens de tão verde?
de tão pura cor?
impeça
Peça meu beijo
Aproxime do meu plexo
Negue o sexo
Sinta o que sinto
Um instante...
Sinta minha pele
Cheire meu cheiro
Olhe em mim
Bem dentro
Outro instante...
Sonhe comigo
Sonho de dois
Deite depois
Pense um pouco
Por um instante.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
aberto
domingo, 28 de setembro de 2008
crédito seu
Fotografo o movimento e dou-lhe a forma de um rosto.
Ou quando quero filmar vejo o balanço, pra lá e pra cá, como se fosse cabelo dançando.
Aquelas cores verdes, marrons, cinzas ou rosas, me emocionam até eu ver outra e mais outra e depois outra.
Vou sem pés e o corpo em seguida mergulha em rasante sobre tudo que passo a amar.
Existe silêncio na voz mais gritante, existe melodia nas folhas que caem.
Há uma doçura no vento e caminhar contra ele é me levar ao destino que me quer.
Espero, sem perder a esperança, pois ela me vem sempre que me lembro, sempre que sonho, sempre que imagino, sempre que desenho seu contorno, de seu rosto, em tudo que acredito agora.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
aperta meu ombro
Do lado de lá eu te olho e não vejo teu olhar,
Acelero o mais que posso mas levanta a cabeça e deixa-me,
Quando mergulho não escuto e não vejo o meu desejo,
Mas te vejo dentro de mim.
Como partir sem saber se me quer,
Sem olhar para trás e esperar que venha me ouvir.
Escuta agora meu pedido de perdão.
Mando embora o que não pode ser seu,
O que não podia aparecer.
Você caminha sobre os paralelepípedos,
Atravessa a mata fechada e reservada,
E eu quieto escrevo no ímpeto,
Não estou só, estou somente esperando o não.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
dizer
Ter sentido é o inverso do que sinto.
Minhas são as dores de ter o querer em todo tempo,
Temer o que não vejo e que está em todo lugar,
É o que eu não entendo.
Onde abandonar, quando largar na caminhada o que pesa,
Com que pesar penso em não carregar,
O que completamente me esvazia,
Constantemente é assim que me vens renovar.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
vírgula
De ser densa vontade de querer-te,
Para ser feliz enquanto sonho,
Em sentir-me louco por não querer te perder,
De tanto entender que não queres querer;
Coloco um ponto acima da vírgula,
Um suspiro ao juntar cílios,
Uma palavra atrás da outra sem parar,
Um sentido, um sentir na vida sentir.
aqui
Abro meu abraço e te abarco neste ser
Abaixo da mentira que me diz estou eu
Seguro o véu pelo instante de ver
A passagem fecha depois que entro
Retorno do nada
Canso de pensar quatro vezes
Antes de olhar por trás de mim
E você não está aqui.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Poema de Ken Drew
Escuro e desconhecido
Transpõe-se á cada instante
Incandescido á cada grito
em cada gemido de horror
Absorvido em minhas alusões
Desconexo
é o sentido da vida
e nela como um todo
a semelhança com nossa eternidade
e mesmo q seja tão bela
navega por de trás dos nossos olhos
e simplesmente
a vemos passar
precisa
A seleção de sua alma faminta
Mira em mim o milagre
Sei que você me quer mais.
O dobro de dar
A dobra na dor que me dá
Sem alguém pedir de novo
No sul é frio pra mim.
Moro relembrando
O homem sou eu
E volto pra cá
Durmo debaixo da escada.
Subindo pra casa
Subindo pra casa
Eu
Eu subindo pra casa.
Olhe pra mim
Estou em casa
E vivo por isto
Eu vivo.
sábado, 20 de setembro de 2008
Poema de Ferreira Gullar
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
sinais
Calça no verde da minha grama
Flor rosa na roupa
Óculos escuros no seu sol
Sorriso ao me ver, ao te ver
Toque na mão sem querer
Material guardado no cesto
Bailado estampado
Silêncio quebrado
terça-feira, 16 de setembro de 2008
letra
Relembra toda a esperança.
Algo muda pois precisa ser trocada
Já que a rega não vem.
De quem é o que produz calada?
São meus os não escritos?
Tens algo que não é meu
Mas eu já dei o que te pertence.
Seu pedaço em mim
Será sempre, unicamente teu.
cristal
Quero estar e viver.
O silencio que se fez
Transforma em cristal tudo que faço.
É leve o que levo até lá
E a dor me trás de volta até aqui.
As fotos são inocentes e mesmo assim incendeiam
Troco tudo por quase nada que tem guardado.
Traga as imagens que criei
Deixe um pedaço do que é seu.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
o céu
O céu não posso te dar
Nem te levar para comigo voar
Não te darei promessas de amor agora
Pois não sei o que é te amar
Não tenho impressão que o porvir é todo seu
Quero apenas ficar quieto ao lado teu
Calado, sem música, sem luz de cinema
Do seu jeito
Quero me cegar
Para perto você chegar.
uma parte
Onde está a luz que você ligou em mim?
Onde está sua respiração que eu escutei atento?
Eu quero voar pra te encontrar lá naquele lugar
Onde o rei fala comigo
Onde minha vida não tem divisão
Eu quero encontrar com minha dama
Que me alegra e anima minha vida
E se eu passar desta volta que o mundo deu
Eu voltarei a respirar por você
Onde está a mágica de sonhar?
Onde ouvir a musica que lhe escrevi?
Qual linguagem falar?
Você precisa entender que uma parte de mim é você.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
finjo
Nos outros todos te quero todos os outros.
Quando vejo que te vejo é que eu ensejo que a minha vida seja este momento.
Impeço o seu pedido dentro de mim pois te desejo mais que seu desejo.
Eu prevaleço e venço as vezes que distraio e me guardo de me querer bem.
Dentro está o que é minha expectativa de dar a parte que não me cabe guardar.
Diz-me se é falso, o que sua experiência diz, o que te digo em poesia.
é
É aperto de pensar se vem de novo o novo, o bom gosto de saliva, de boca na boca.
É saudade de pensar saudade, inocência de perguntar quando vem, quando ver.
Lembrar suave de suave tocar no braço, nos dedos e voltar.
Na pergunta profunda sem palavra alguma feita no olhar nos olhos.
É a saudade da saudade da distância que ainda não existe e falta quando o outro há.
É ver e simples gostar de precisar ter de quando e de vez.
É pular o minuto seguinte se o telefone não toca e a rede não chama.
É você. Sou eu.
Só eu. Só você.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
janela / 1
declamo quando tu passas em seus passos de dança.
Tua janela é meu pouso, descanso e sono.
Sonho em te ouvir me ouvindo no meu peito.
Esta janela é a moldura do homem que sou,
na parede que me colocaste.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
saber
Que tudo é inútil saber
O que você pensou e calou.
Será inútil dizer, amanhã, saberá
O que você quis dizer
Se você amanhã amará.
Será consolo pensar, ontem, eu já sabia
Que tudo que é inútil pensar
Se você não dizia
O que você não queria.
Será útil pra nós
Será amanhã pra você
Será ontem só.
domingo, 31 de agosto de 2008
é sua.
Não sei bem o que vi, mas vou tentar dizer.
Bela!
Seu seio no vão, não em vão, e sim pedaço de amor.
Seu cabelo, desfilo contigo em qualquer lugar.
É minha, é minha musa.
Minha lady, meu leite, doçura.
Brava mulher, sua vida é linda.
Apaixonado eu te diria que minha vida é sua, se seu eu já fosse.
Incesto ao certo ou incerto amor.
Carinho, tato e músculo.
Admiro sua verdade, sua coragem, seu silêncio e entrega.
À sua vitória, sou seu general, sargento, ajudante-de-ordem.
Quero você nos meus braços, no meu colo, na minha boca e na minha poesia.
Você é personagem, personalidade que ainda não conheço.
Não te perco para a razão.
Soletro seu nome na porta do céu.
Abra!
Ela, minha vida está aí!
É momento, mas é pesado, embalado e despachado.
Entregue em minha memória quando preciso ser feliz.
vou
sou papel sobre a mesa e espero seu peso.
se o silêncio é sua mente pedindo tempo
minha conquista será minuto a minuto.
se for tudo o que quer para o resto de sua vida
eu darei o passo seguinte.
se for apenas seu sonho, se for apenas minha imaginação
algo já está no ar.
você baila no ar
Leve.
Me leva de forma óbvia
Eu falo.
Sua voz é foz
Enche meu tempo.
Meu apelo após
E durante supre.
Imagem esbelta
Lisa e bela.
Fechas os olhos
O sol é seu.
Roupa verde
verte a rosa.
Para casa
Escola e decola.
Alonga o pesar
Por ser o poder
Dizendo não.
sábado, 30 de agosto de 2008
Seja gaia
Leva-me e deixa a expressão completa.
Sorrir em sua insuficiência... se é finito o sorriso que se complete quando o frio chega
Seja-me suficiente, e me deixa repleto de ti
Não gosto da plenitude... tudo que é pleno se limita...
Mas no instante em que tenho, não tenho o limite em mim.
*autora anônima (ou como queira)
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Leve
Concerto da sua voz
Seus olhos eternos
Seus braços insistentes
Suas pernas no balé
Seus cabelos seus
Sua pele leve.
Esperança do seu toque no meu braço.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
como salvar?
também não a quero dividida entre terços e quintos
onde arranco o ouro,
onde no pedaço no asfalto
pratico o assalto
e me espalho no resto do dia.
Um carro arranca comigo e outro vai para outro
E eu dando adeus da janela com os olhos molhados
Onde eu lavo minha garganta
Onde canto no canto
E me escondo um tanto
Que me sobra no pouco tempo que tenho.
Help eu grito e nem o editor entende que paro pra me ouvir
Minha escolha encolheu minha vida
Tudo ficou importante e desinteressante
Cheira a ver com dois olhos e não aos pares
Impeça-me de parar, me peça para ir
Não toque meu lápis
Meus dedos
Meu ser, meu laptop te esconde.
O local não existe mais para voltar e eu não quero minha vida de volta
Aquela já acabou
Outra música que tocar será minha preferida
Outra hora
Outra espera
Outra eu quero
Eu quero outra vida.
Agora ou depois, tanto faz.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
me trouxe
Foram as águas que trouxeram.
A flor preferida quem levou?
Foram as primeiras águas quem levaram.
Em qual olhar mergulharia tão fundo, tão fundo?
Em seu mundo, em seu mundo.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
alvo
Se a alma suportou o erro
Se o perdão me aproximou de ser
Eu me rendo inteiro
Eu me detenho
Eu sou todo seu.
As estrêlas criadas
Os mares imensos
Todas as montanhas
Todo ser que aqui habita
Deveria saber
Meu desejo agora
Poder te conhecer e reconhecer.
Eu não sei o que sou
O que virei a ser
Qual será o sentido
E o que pretendo
Com tudo isto.
Dizer que ainda espero
Sonhar com o que eu quero
Com o que me deste
Naquele instante
Em que te conheci.
Você está em mim
Na ponta dos meus dedos
No fundo do meu coração
Em todos os sentidos
Você simplesmente é.
Mesmo sem te ver
Sem ouvir sua voz
Sem sentir o toque
Sua presença ocupa meu viver.
Seu poder de mudar meu mundo
E mudar minha sorte
Trazer a alegria
Torna-me mais forte
Para eu viver.
Sem você nada é completo
Por isto eu espero
Estar mais pleno
Com o seu amor.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Resistência
Minha tristeza é parte do que sonhei pra nós
E agora vem o tempo de chuva e ficarei mais em ti do que em mim
Eu sou de você a partir do momento que me lembro de pensar
Já nem sei o que falar pra te convencer que eu sou assim
Porquê jogar fora o que eu arranquei de mim?
Pois as coisas são assim, você diz
Mas falar me exercita a mente e eu não deixo para semente o que é seu.
Se morrer o que há em mim o que darei pra você?
Arritmia, seu carinho é sua voz.
Sossegado, sou eu pensando em nós.
Esperando, a solução a sós.
Eu procuro a saída ou a porta da entrada por onde eu vim.
Se eu não falasse, seria falsa a promessa que fiz
Manter fechada e murada minha casa.
Resistência, é você quem faz,
Poesia, fui eu quem fez.
A paixão só está em mim.
baixinho
Você pode chorar baixinho?
Pode ir lá para fora?
Eu não.
Podemos agora chorar juntinhos,
Podemos sentir o principio do frio,
pensar que nada acaba.
Antes de querermos,
de podermos.
Ser.
Um tanto que nos baste,
por um momento,
por nós apenas.
Peça
simulacro será teu nome para mim,
produzindo a ilusão de amor.
Tu, imagem,
oposta a realidade me enlaça.
Ultrapasso meu senso,
desfaço meus próprios teores,
em determinado momento.
Tua, é minha,
aponho-a em tua mente.
Entendo a posse da razão,
que está em ti, não em mim,
a necessidade sim.
Tu és,
agora és,
sempre serás a incógnita.
sábado, 16 de agosto de 2008
instantes
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
alternativa
Poderia apenas pensar,
Sem tocar em ti.
Poderá viajar sem mim,
Sem abraço no frio.
Assim eu sofrerei por não ter nada.
Neste mundo eu encontrei você
E você parece que está aqui
Você parece que está ali.
Eu não te conheço pra te falar que te admiro
Mas que alternativa eu tenho?
Não sei, não sei.
Prefiro a mentira,
Se me disser que não quer minha companhia.
Sua boca eu espero, sua boca macia
Na minha.
Que sonhos eu tenho com você.
Poderia pensar apenas em ter você,
Apenas em mim.
Que alternativa eu tenho?
palma
Queria abrir minha mão e ver você
Como vi hoje.
Ou decorar sua voz baixa
Quase um sopro, um me socorre.
É assim que te vejo às vezes
Uma flor, uma delicadeza.
Você me empolga, me desacelera
Me toma quase todo os motivos.
Sabe que hoje te beijei?
Com os olhos te dei um pequeno beijo.
É assim que eu tenho você
Se você me tem.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Uma mensagem imperial - Kafka
O imperador – assim dizem – enviou a ti, súdito solitário e lastimável, sombra ínfima ante o sol imperial, refugiada na mais remota distância, justamente a ti o imperador enviou, do leito de morte, uma mensagem.
Fez ajoelhar-se o mensageiro ao pé da cama e sussurrou-lhe a mensagem no ouvido; tão importante lhe parecia, que mandou repeti-la em seu próprio ouvido. Assentindo com a cabeça, confirmou a exatidão das palavras.
E, diante da turba reunida para assistir à sua morte – haviam derrubado todas as paredes impeditivas, e na escadaria em curva ampla e elevada, dispostos em círculo, estavam os grandes do império –, diante de todos, despachou o mensageiro. De pronto, este se pôs em marcha, homem vigoroso, incansável.
Estendendo ora um braço, ora outro, abre passagem em meio à multidão; quando encontra obstáculo, aponta no peito a insígnia do sol; avança facilmente, como ninguém. Mas a multidão é enorme; suas moradas não têm fim.
Fosse livre o terreno, como voaria, breve ouvirias na porta o golpe magnífico de seu punho. Mas, ao contrário, esforça-se inutilmente; comprime-se nos aposentos do palácio central; jamais conseguirá atravessá-los; e se conseguisse, de nada valeria; precisaria empenhar-se em descer as escadas; e se as vencesse, de nada valeria; teria que percorrer os pátios; e depois dos pátios, o segundo palácio circundante; e novamente escadas e pátios; e mais outro palácio; e assim por milênios; e quando finalmente escapasse pelo último portão – mas isto nunca, nunca poderia acontecer – chegaria apenas à capital, o centro do mundo, onde se acumula a prodigiosa escória.
Ninguém consegue passar por aí, muito menos com a mensagem de um morto.
domingo, 10 de agosto de 2008
Você diz agora
não podemos ter futuro.
Eu sei o seu passado e seu presente.
Portanto não peça que eu vire meu mundo
ou que perca a cabeça.
O retorno e logo ali, volte e me esqueça.
Você sabe bem o que falar o que tem dentro,
mas em mim não há nada acontecendo.
Por favor me entenda,
é assim meu momento.
As palavras falam a sua verdade mas mentem sobre o que virá.
Sei que parto seu coração quando não falo,
por isto te ligo na terça,
mas ouça o que te falo agora.
O retorno e logo ali,
volte e me esqueça.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
início e fim
Transformo pedido em acontecimento de fato, pois meu lado prático diz que não posso evitar o que me mandas. Esforço-me em tratar o não feito como sonho. É melhor para meu descanso, quando desço as pálpebras e não me chegam seus pertences. O que é seu continuará em algum lugar sendo seu, sabendo ou não, embalando ou não. Estranho não descobrir o que me tranca dentro de você e o que me deixa de fora da minha vida. Estar na rua, com o sol que passa a ser seu, a ter uma cor que é sua, um calor que me lembrarei quando precisar de saudade, de ondas de delícia, de sabores inesquecíveis. Como não caber, como não sofrer o que me deu o gozo de ser seu, sendo tudo apenas meu. Concordo apenas durante o tempo que desço mais fundo. Agarrar algo para quê? Tudo que me toca o coração está no percurso, no caminho, na parada. Por onde eu vou. Acompanha-me a sorte de ouvir sua voz, seu sorriso, o cabelo que se incomoda com a moda da cor. Não me mudo, não me movo, não pisco o olho sem antes ver se perco o foco. Meu ângulo ou ponto de vista não é único, mas não desvio olhar de quem me inspira. Respiro, pausado, entrecortado. Espasmos de lucidez, loucura permanente querendo descanso, recreio. Tolero o tempo apenas quando não é você na memória. Nas suas horas ele não existe. Apenas vejo o fim do tempo e sei que nada aconteceu da sua parte. Como prometeu. Quero jogar no campo, nos campos, nas árvores, entre as folhas e folhagens tudo o que foi desperto, tudo que me faz duvidar, tudo que me faz entristecer. Devo? Onde estão as palavras desta peça, monologo, que choro por não ouvir? Amanhã está tão longe para mim que não sei se quero que exista. Que sabedoria é esta que não fala, não compreende, não repreende, não suspende. Apenas suspeita a espreita que há em todo o dia. Transforma seu silêncio em pedra sobre pedra, algo que não se sufoca, não comporta, não se comporta. Inaudível não. Inteligência estratégica, revolucionária. É assim que deve ser? Onde está esta receita, virão também as respostas de todos os porquês?
doação
Escolher não dói, diz, o depois é que vem em cima./
Qual a força maior?
O agora sem saber é menor que o depois sem?/
Não escolhi quem podia ver o que vejo e não escolhi você para dar agora o que sinto./
Dar para quem está no pensamento ou para a presente?
Apenas dar, doação, pedaço, sentido da vida e por ela./
Admira-me pela divisão em par./
Sou assim justo comigo.
em você
assim fui a fundo
e justo/
agora retorno.
até escuto sons
que não vem/
que não são.
Procuro fora/
tudo agora/
que está em você.
grato
Mas tê-la tão gata!
Ah meu Deus isto seria a maior graça!
inteira como poesia
As palavras sozinhas muito menos.
O que conquista é entrar,
é se sentir imensa,
se sentir suspensa,
se sentir intensa,
se sentir inteira.
Se sentes algo ao ler,
e que algo preencheu,
ou andou junto com o pensamento,
ou com a ausencia.
Se causa um suspiro,
se surpreende,
surpreso espero.
um, dois
Tudo é falta. Tudo é desassossego, esta palavra que sopra. O coração não olha nem mede conseqüência, por isto tromba, tropeça e se engana. Sabedoria vem de saber, esperar e pesar. O coração? Só pesar.
brancos
terminal 1
guarda
perco
Busco sinais que me digam que sim, que não.
Apareço, vivo, e nem sei onde me ponho.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
admirar-te
Praia de chegada, alicerce robusto, árvore centenária.
Admirável reação, incólume sorriso marcado, descanso e riacho.
tocar-te
Tocar o inconseqüente me parece espera.
Esperar somente por mim é somente dor.
Duvidar do que acredito é acreditar na cura
duas vezes
Não divido com ninguém se encontro algo, quando caminho sozinho.
Em meus recreios da vida, vejo lua, menina, músculos de suas pernas.
Se esbarro, se encosto de leve em uma de suas mãos a vida acaba.
Bem que poderia, pois me bastaria.
Sei que a música vai acabar, a água parecerá seca, todos se dispersaram.
Ficarei sentindo que não acabou, tenho meu sustento, alento, regato e descanso.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
voz
ouvi uma voz, uma vez.
de novo eu ouvi esta voz.
esta vez.
e senti.
como antes.
árvore, balanço, castelo, mar, comida, tempero, alegria, momento...
...suspiro.
você.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
não é perfeito
Isto não é perfeito para mim.
Peço apenas que me deixe sorrir.
Chega de deixar eu sair na noite.
Eu estou a sua procura
Pare de me deixar ir.
Isto não é bom para mim.
Eu penso que chorar é meu jeito.
Mas isto não é perfeição para mim.
Se você tem um motivo
Fale para mim.
Mexa-se agora ou ficaremos parados
Sem sermos perfeitos
Isto não é perfeito pra mim.
eu
minha vida é cara demais para mim. minhas conquistas não são minhas, são do mundo que vivi. faço questão de marcar as pessoas, assim como fui marcado por várias. amo, quando amo. se você acha interessante me observar, não imagina o quanto gosto de observar você. não tenho amigos no momento, tenho interessados em me curtir. eu sou assim. ou não. depende de você.
ouve-me
você.
ouve-me.
povoa-me o pensamento, mas não domina, não conquista.
estou entregue, sem munição, sem governo.
deitado entre corpos mortos e sem voz, sem túmulo, sem oração.
minha bandeira eu guardei para que, conquistado, eu a entregue, sem remendo, com suas cores e uma lua no canto superior esquerdo.
sábado, 2 de agosto de 2008
Memoria
e ainda faltarem varias horas
para o outro dia?
Quando saio para me encher de memoria.
O que farei se tiver que buscar em mim
as respostas, a resposta, quais respostas?
Pra que respostas se a alma já entorna?
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Duas
outra
as mulheres de duas mãos. elas se desdobram em atenção. olham tudo, mexem rápido com seus indicadores decidindo, apontando e escolhendo. quem aquecer, quem esquecer, quem soletrar...
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Não
se vivo pra contar,
eu vivo sim.
Se eu tenho um papel eu canto assim.
A imagem do teatro eu tenho aqui,
e se conto tudo,
isto não é só por mim.
A lenda será também sua,
em mim.
Agora é inútil dizer tanto,
quem nos ama nos separa,
amanhã não viverei mais este tanto.
Bom dia para a decisão.
Não é importante um sinal,
hoje o que nos separa me diz claramente não.
E você, vê meu sinal?
Os batalhões que passam,
são feitos de espuma do mar.
O amor não tem a partida,
apenas a chegada.
Eu vivo sim.
Até o fim.
domingo, 27 de julho de 2008
dito
tudo já foi dito,
foi sentido,
foi absorvido.
Pelos poetas,
pelos amados.
Mas não é meu este ditado.
Para que sentir?
Não deve ser gritado,
é sem sentido,
não pode ser amado.
Pelos poetas,
pelos amados.
Este é o veredicto.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
meia-noite
Preciso te ver face a face,
preciso que mude esta história.
Não fui eu que a escrevi,
Por isto a acho tão estranha.
O universo é grande
Mas nem isto cabe o que tenho sentido.
Nem mesmo o maior calor pode derreter,
Nem a força maior pode derrotar,
O que sinto neste dia.
E agora o que quero é que de novo venha
E me faça entender esta história.
Retorne-me seu calor
Porque somente eu sei o frio.
Perdido estou sem você,
Nem enxergo seu caminho.
Quando a meia-noite chegar,
Não sei se estarei pronto.
Tenho a esperança que me ligue nesta hora
Porque eu sei o amor que tem para me dar.
Você tem me procurado mais do que eu,
Por isto me sinto doente, não consigo te ver.
Eu preciso da sua cura ,
Antes da meia-noite.
Uma pequena luz me trará a resposta
Que preciso para entender esta história.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
nada é tudo
terça-feira, 22 de julho de 2008
você. é você mesma!
em você
se ligar não é o forte. se dúvida é meu nome. se respirar sempre é difícil. se a lua é só minha. se minhas caminhadas não acabam. se a paisagem não é dividida. se a comida sempre sobra. se o sol acaba sempre mais cedo. se todo som é o seu. não me importo pois vou vivendo. se ficou algo em você.
domingo, 20 de julho de 2008
seu
meu sonho que sei passageiro. minha vigília. meu sono, sonho e despertar. minha refeição.
minha amante. meu sexo indisponível. meu toque suave na pele. /
minha volta ao caminho. minha vitória. minha musa. você é o que não sei. desconheço./
minha distância. meu ponto de chegada em todos os dias. minha bandeira. meu alcance./
meu ânimo vem de algo seu. indiscutível. inegociável. intransponível. /
flor, flores, água, de fora, aqui dentro. você me lembra, hoje, meu ontem. /
você é meu livro, minha poesia e meu porto./
seu futuro é seu. e desejo que seja o seu.
sábado, 19 de julho de 2008
sorriu?
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Bastião
Acena
apagando
ao ser concreta.
Como quem chega,
inesperada
surpresa.
Necessidade criança,
desligada,
sem vida.
Amores vistos
desentendidos
inexplicáveis.
Agora partida,
adeus,
aceno de mão, não.
Mas a vida,
mais a vida,
mais da vida.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
trocada
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Grata esperança
se memória quase apaga sua imagem. olho idealiza e já nao é o bastante.
perfumes marcando seu cheiro qualquer,
não sei qual é.
leio textos diversos achando seu entendimento,
eu não compreendo.
navego os lagos próximos e na terra me perco.
você me vê?
esperar escrever é da graça.
terça-feira, 15 de julho de 2008
sem
segunda-feira, 14 de julho de 2008
ainda não?
sábado, 12 de julho de 2008
sexta-feira, 11 de julho de 2008
tanque
olho semi-fechado...
atento ao som...
seu som...
gravando...
você é no momento meu único momento
você é meu momento único
você me movimenta meu dom
você me condiciona.
é agora...
e agora...
será seu...
meu olor, meu tom, minhas cores...
queres me ouvir falando isto ao seus olhos?
não precisa tatear.
me grita.
eu estou quase pronto.
linda
juros
Carrego a bandeira por estar colada em mim. Entregue por sei não quem.
Quero fincar na terra seu mastro, arrancar o pano, símbolo de nada, mas eu mesmo me olho. Olhos grandes de profecia, ainda não cumprida, comprida a história. Viro para trás, quem me segue? Ainda poucos, que são muitos para entregar. Qual terá o mesmo prazer inicial que tive? Meu Deus ela é minha mesmo! Não posso dá-la para meu irmão?
Abri as janelas que dão pra rua.
Arrumei as gavetas do armário do corredor e ajeitei a cama alisando sua colcha e travesseiro.
No banho, lavei meu corpo com esmero, no cabelo passei colônia.
Vesti roupa de festa, de igreja, de casório.
Olhando no espelho me senti bem. Para você.
Hora, dia e noite veio.
Em alguns eu choro.
Em todas e todas eu espero.
Então escrevo para o próximo instante.
Deito e a cantiga começa de novo.
Rápido quero.
Não dou tempo para que venha./
Abro olhos no meio da primeira parte do dia.
O porque vem e abate. O onde esmaga./
Vertical me vem.
Solto, pois se solto, o alívio vai junto./
Alcanço, toco, relevo.
Sopro onde entra o som/
Relevo, entendo, suporto.
Vertical eu sou.
Na manhã seguinte ainda te quero.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
quase
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Pedra
De você
denies
De fora
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Riminhas
Mata
Dentro de mim há algo que não me pertence e eu quero dá-lo à você.
Estou angustiado pois eu não sei quanto tempo vou agüentar na superfície.
Pegue umas tesouras na mesa, pegue-as. Venha recortar minha revista. Tenho tudo pra te dar e me reconhecer em você.
Minha vida não me presta se estou sozinho em mim mesmo.
Ah! quanto tempo não sinto-me tão em mim.
Suave tristeza é quanto sai daqui, mas o muito ainda está lá dentro.
Venho me aproximar de outros para que me veja neles, para ter certeza que tambem sou tolo o bastante pra crer.
Não quero brigas, ciúmes, muito menos lisonja, quero apenas um pouco de você em mim. Ou um pouco de mim andando com você.
Chega de andar pelas ruas ou voar de avião pensando que algo vai acontecer.
Se não quiser fazer comigo vou entrar de volta e ficar quieto até o vulcão explodir.
Pena que a vida seja exatamente assim, "uns vão, uns são".
Esta é a copia de tudo, esta é a vida que não deixamos de viver, mesmo quando saimos dela.
As palavras saem, mas dentro de nós elas não se acabam.
domingo, 6 de julho de 2008
Sente isto
separada
Veste-se simplesmente lindamente. E seus cabelos são de uma cor que que são um presente para os olhos. Ela é certinha, bem humorada, inteligente e da paz. Atenciosa e parece ser carinhosa. Seu corpinho é enxuto, e com todo respeito, uma gracinha até. e que pele a bela tem. Com tanta perfeição ela tinha que ter um defeitinho. Não me fala se me quer ou não.
sábado, 5 de julho de 2008
na hora, santa.
tem hora que é não é eleita, que não é perfeita e nem minha. então te vejo indo longe, longe de mim.
quando será a hora, minha santa, em que você virá sem eu te chamar. elege uma hora santa qualquer.
cão
Chorus
delícia de texto
http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html
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não tem coca não tem torta não tem diamante negro não tem luz não tem paz não tem raiz não tem leite não tem café sem açúcar não tem velocid...
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O Que Será (À Flor da Pele) Milton Nascimento Composição: Chico Buarque O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Qu...
