quinta-feira, 15 de setembro de 2011
tudo
é ilusão...tudo
o tempo perdido, o tempo investido
o amor dado, o amor recebido
o esperar, o desesperar
o soanhar, o ralizar
o querer, o perder...
o tempo perdido, o tempo investido
o amor dado, o amor recebido
o esperar, o desesperar
o soanhar, o ralizar
o querer, o perder...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
pra não dizeres
eu dizer que amei?
eu dizer que sonhei em você?
eu dizer que nao há, sem você?
eu desdizer o que já disse?
eu dizer não consigo pensar?
eu, não conseguir dizer?
eu dizer não quero?
eu dizer, não mais?
eu te dizer?
pra não dizeres, não direi
eu dizer que sonhei em você?
eu dizer que nao há, sem você?
eu desdizer o que já disse?
eu dizer não consigo pensar?
eu, não conseguir dizer?
eu dizer não quero?
eu dizer, não mais?
eu te dizer?
pra não dizeres, não direi
body and soul
My heart is sad and lonely
For you I sigh, for you dear only
Why haven't you seen it?
I'm all for you body and soul
I spend my days in longing
And wondering why
It's me you're wronging
I tell you I mean it
I'm all for you body and soul
I can't believe it
It's hard to conceive it
That you'd turn away romance
Are you pretending?
Looks like the ending
Unless I could have one more chance to prove
Dear, my life's a wreck you're making
You know that I'm yours for just the taking
I'd gladly surrender body and soul
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
olhei-me
passei rápido pela porta passei-a.
sequei o corpo e sequer.
falando falei ouvir-me.
olhei-me e não me vi.
sequei o corpo e sequer.
falando falei ouvir-me.
olhei-me e não me vi.
domingo, 21 de agosto de 2011
dia seguinte
eu tenho uma esperança, uma única;
o dia seguinte não chegará.
tenho um profundo desejo,
que a segunda, seja sexta.
tenho, nela,
meus sonhos realizados.
o dia seguinte não chegará.
tenho um profundo desejo,
que a segunda, seja sexta.
tenho, nela,
meus sonhos realizados.
sábado, 13 de agosto de 2011
olhar
tem horas que é
olhar para o lado
e dizer.
"amo você"
"preciso de você"
"te admiro"
"sonho com você"
mas olhar e não te ver.
puxa...
olhar para o lado
e dizer.
"amo você"
"preciso de você"
"te admiro"
"sonho com você"
mas olhar e não te ver.
puxa...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
para meu amor
sou um homem feliz.
e se tive, ou tenho medo de sê-lo,
hoje, posso dizer:
"tenho medo e sou feliz"
porque se pego em sua mão,
me sinto mais que todos os instantes seguintes,
pois, sou apenas eu e você,
de mãos dadas.
e se tive, ou tenho medo de sê-lo,
hoje, posso dizer:
"tenho medo e sou feliz"
porque se pego em sua mão,
me sinto mais que todos os instantes seguintes,
pois, sou apenas eu e você,
de mãos dadas.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
quatriste
tenho agora tantas dúvidas de mim mesmo que já não me animo.
pergunta-me.
pois se a resposta é vaga, a vaga vem e quebra a resistência.
se a resposta é triste e sem esperança, é um vão a busca.
e vão-se em volta os que não me escutam dizer; "vão embora!", "vão-se daqui de perto!".
e soslaio o olhar para ver se aquele alguém não me ouviu, pensando ser com ela.
tenho sorte de ser tão tímido, tão curta minha vista e tão distante meu horizonte, vertical curto.
jaz feita a sorte. rarefeito por defeito de criagem.
vão-se os dedos entre os dedos. sei que dedos são. sei!
mas e as mãos? de quem são?
me explico, quando mostro por dentro, por dentro, por dentro...
não entendo. me sou só.
pergunta-me.
pois se a resposta é vaga, a vaga vem e quebra a resistência.
se a resposta é triste e sem esperança, é um vão a busca.
e vão-se em volta os que não me escutam dizer; "vão embora!", "vão-se daqui de perto!".
e soslaio o olhar para ver se aquele alguém não me ouviu, pensando ser com ela.
tenho sorte de ser tão tímido, tão curta minha vista e tão distante meu horizonte, vertical curto.
jaz feita a sorte. rarefeito por defeito de criagem.
vão-se os dedos entre os dedos. sei que dedos são. sei!
mas e as mãos? de quem são?
me explico, quando mostro por dentro, por dentro, por dentro...
não entendo. me sou só.
domingo, 26 de junho de 2011
sorriso
ela já sorria antes,
e agora ele que via.
e viu tão bem,
que sorriu junto.
mas passou o tempo,
e agora faz chorar.
esqueceu que vira sorrir.
olhou para si e viu,
o choro já existia.
e agora ele que via.
e viu tão bem,
que sorriu junto.
mas passou o tempo,
e agora faz chorar.
esqueceu que vira sorrir.
olhou para si e viu,
o choro já existia.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
sensação
tenho a sensação de estar perdendo algo. a sensação de não ter mais, mais nunca.
a sensação ruim de não fazer o que deveria. de não poder pedir perdão, de não ser ouvido nunca mais.
nunca mais da mesma forma.
a sensação ruim de não fazer o que deveria. de não poder pedir perdão, de não ser ouvido nunca mais.
nunca mais da mesma forma.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Escrito por Xico Sá às 15h58
21/05/2011
FOLHA DE SÃO PAULO
Como observar a pessoa amada quando dorme
Sábado é dia de murchar a bola do realismo aqui neste pedaço e ser, em outras palavras, muuuito romântico.
Quem sopra o mote é o velho escritor Alberto Moravia, o comuna mais lírico do mundo, sempre aqui na cabeceira: "Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”.
Está certo o romano e tem como avalista outro gênio, o recifense Antônio Maria -o grande cronista que aparece com ciúmes até dos apresentadores da tv no livro da Danuza: "Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta."
Experimente você também, sensível rapariga, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.
Amar é... vê-lo(a) dormindo. Como aí na ilustração picassiana na cumeeira do texto.
Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.
Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela dorme.
Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.
Dorme, meu anjo.
Ela obedece.
Vigio o sono dela como um soldado zapatista.
Como um cão zela o sangue do dono.
Como se fosse um homem-exército e pronto.
Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.
A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.
A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!
O ideal é que você, leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.
Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.
Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.
Como é lindo a vigília ao sono dela.
Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.
Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.
Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.
E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios. Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas.
21/05/2011
FOLHA DE SÃO PAULO
Como observar a pessoa amada quando dorme
Sábado é dia de murchar a bola do realismo aqui neste pedaço e ser, em outras palavras, muuuito romântico.
Quem sopra o mote é o velho escritor Alberto Moravia, o comuna mais lírico do mundo, sempre aqui na cabeceira: "Amar, além de muitas outras coisas, quer dizer deleitar-se na contemplação e na observação da pessoa amada”.
Está certo o romano e tem como avalista outro gênio, o recifense Antônio Maria -o grande cronista que aparece com ciúmes até dos apresentadores da tv no livro da Danuza: "Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta."
Experimente você também, sensível rapariga, vê o seu homem quando dorme. Há uma beleza nessa vigília que os tempos corridos de hoje não percebem.
Amar é... vê-lo(a) dormindo. Como aí na ilustração picassiana na cumeeira do texto.
Cada mexidinha, cada gesto. O que sonha nesse exato momento? Tomara que seja comigo, você pensa, pois o amor também é egoísmo.
Gaste pelo menos meia hora por semana nesse privilegiado observatório.
Psiuuuuu!
Ela dorme.
Mãozinha no ar, como se apanhasse pássaros, que coisa mais linda. Uns 23 minutos assim, mirei no rádio-relógio. A mão desce ao colchão, quase dormente, formigamentos. Coça o nariz. Põe a mãozinha direita entre as coxas. Agora vira de lado, como os antigos LPs quando gastavam as seis músicas do A. E me abraça como nunca fosse partir, corpos viciados, almas em busca de um acerto.
Dorme, meu anjo.
Ela obedece.
Vigio o sono dela como um soldado zapatista.
Como um cão zela o sangue do dono.
Como se fosse um homem-exército e pronto.
Amar, no início era o verbo intransitivo da alemã professora de amor de Mario de Andrade. O idílio tem sobrevida, não como gênero, mas como vício, vício de amar. Amar de muito.
A mão desce agora sobre o meu peito, como se medisse meus batimentos.
A mão direita volta para a arte de apanhar pássaros, que beleza, que diabos!
O ideal é que você, leitora, durma do lado esquerdo da cama, o do coração, sempre.
Mãozinha no ar catando pássaros. Até se acalmar de vez.
Calmaria danada de horas, sem coreografias ou narrativas. Sonha, sonha, sonha, minha menina.
Como é lindo a vigília ao sono dela.
Coça o nariz. Sussurra umas onomatopeiazinhas lindas de sonhos de besouros.
Ela arruma os cabelos como algas, entorpeço num mergulho.
Observar o sono do(a) amado(a) é a melhor maneira de conhecer o homem ou a mulher com quem dormimos.
E como são lindas aquelas marquinhas deixadas pelos lençóis no corpo dela. Um mapa de delírios. Melhor é lê-las como quem adivinha os sonhos e o futuro no fundo da xícara árabe ou nas cartas.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
musiquinha no ritmo de pagode
você pensa
você diz
mas não me deixa
não me deixa
não me deixa no início do caminho.
nao me deixe ficar
sem me lembrar
que amar é assim
exatamente como tem me ensinado.
minha amada
minha tudo
você pense
e me diz
que não me deixa
você diz
mas não me deixa
não me deixa
não me deixa no início do caminho.
nao me deixe ficar
sem me lembrar
que amar é assim
exatamente como tem me ensinado.
minha amada
minha tudo
você pense
e me diz
que não me deixa
music for nothing
I've been so many places in my life and time
I've sung a lot of songs, I've made some bad rhyme
I've acted out my life in stages
With ten thousand people watching
But we're alone now and I'm singin' this song for you
I know your image of me is what I hope to be
I've treated you unkindly but darling can't you see
There's no one more important to me
Darling can't you please see through me
'Cause we're alone now and I'm singin' my song for you
You taught me precious secrets of the truth, with holdin' nothin'
You came out in front and I was hiding oh yeah
But now I'm so much better so if my words don't come together
Listen to the melody 'cause my love's in there hiding
ooh yeah yeah yeah yeah ohh
I love you in a place where there's no space or time
I love you for my life, 'cause you're a friend of mine
And when my life is over, remember when we were together, together
We were alone and I was singin' my song for you
Oh I, oh I love you in a place where there's no space or time
I've loved you, I've loved you, loved you for my life, oh, you're a friend of mine
And when my life is over, remember when we were together baby
We were alone and I was singin' my song for you, ooh
We were alone and I was singin' this song for you
Say, we were alone and I was singin' my song,
Hey, Singin' my song, singin' my song, singin' my song
Singin' my song
I've sung a lot of songs, I've made some bad rhyme
I've acted out my life in stages
With ten thousand people watching
But we're alone now and I'm singin' this song for you
I know your image of me is what I hope to be
I've treated you unkindly but darling can't you see
There's no one more important to me
Darling can't you please see through me
'Cause we're alone now and I'm singin' my song for you
You taught me precious secrets of the truth, with holdin' nothin'
You came out in front and I was hiding oh yeah
But now I'm so much better so if my words don't come together
Listen to the melody 'cause my love's in there hiding
ooh yeah yeah yeah yeah ohh
I love you in a place where there's no space or time
I love you for my life, 'cause you're a friend of mine
And when my life is over, remember when we were together, together
We were alone and I was singin' my song for you
Oh I, oh I love you in a place where there's no space or time
I've loved you, I've loved you, loved you for my life, oh, you're a friend of mine
And when my life is over, remember when we were together baby
We were alone and I was singin' my song for you, ooh
We were alone and I was singin' this song for you
Say, we were alone and I was singin' my song,
Hey, Singin' my song, singin' my song, singin' my song
Singin' my song
quinta-feira, 14 de abril de 2011
forma de (se) viver-se
sempre achei que triste era a forma de viver e de sentir-se, tão.
e, hoje, morro.
nela.
à tristeza.
tchin, tchin! (antiga expressão chinesa que quer dizer: saúde!)
e, hoje, morro.
nela.
à tristeza.
tchin, tchin! (antiga expressão chinesa que quer dizer: saúde!)
triste
triste;
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.
segunda-feira, 28 de março de 2011
seu
não!
não quero aqui dizer!
quero dizê-lo ao ouvido.
soprar no seu ouvido.
eu amo você!
quero vivê-lo!
o amor.
seu!
não quero aqui dizer!
quero dizê-lo ao ouvido.
soprar no seu ouvido.
eu amo você!
quero vivê-lo!
o amor.
seu!
domingo, 20 de março de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
o outro
eu nasci no dia seguinte à morte do meu pai. alguém me disse, no mesmo corredor da nossa casa onde meu pai caiu e não se levantou mais:
- agora você é o homenzinho da casa. precisa obedecer sua mãe e ajudar a cuidar de seus irmãozinhos.
eu queria ser formiga nesta idade. ficava horas, no fundo do prédio da quadra 406, bloco d, brasília, olhando as formigas trabalhando. achava aconchegante o ninho.
eu era o caçula. o que esperavam de mim exatamente? não entendi bem, mas depois. muito tempo depois aquelas duas frases pesaram em mim como luva de concreto em minhas costas.
lembro do sol e do cheiro de rosas no enterro do meu pai, e, lembro também de tia célia pegando os pés do meu pai no caixão e puxando ele para baixo. último conforto. meias pretas finas. cheiro de rosas.
nunca mandei rosas pra ninguém. apenas flores do campo que descobri não terem cheiro quase nenhum.
tomava remédio naquela época, tinha eu seis anos pra sete. remédio grande, de ferro. fingia que engolia e ia para a janela ver se via míriam, a bangulea como dizia meu avô. aproveitava e cuspia remédio. fiquei mirrado.
lembro de coisas pequeninas; o farol do carro do meu pai na igreja metodista - outro dia fui no googlemaps e ela tava lá, menos a bolinha de tênis que os meninos grandes jogavam por cima dela - as placas dos carros estacionados de lado, o frio das escadas, a míriam com seu cabelo engraçado, meu avô falando; a namorada do marcos é banguela, é banguela, é banguela...
lembro de sempre sonhar o mesmo sonho, desde de brasília: um jipe, um terremoto, um templo grego, morte e pavor. acordava e anos depois vinha o sonho de novo.
sonhava também em ter casa grande, família grande, quatro ou seis filhos. sonhava ser piloto de carro, professor, desenhista, marido, apaixonado. fui deixando de sonhar e sendo. e perdi um pouco ali e um pouco daqui. sonhava ser jogador de futebol, fruteiro, jornaleiro, bancário, vendedor, amor de alguma vida. e consegui e fugi daí e de lá.
sonhava em estudar e deitava debaixo do móvel e fingia sonhar; professora esqueci a régua, perdi o lápis, vou pra escola militar, pro tiradentes, voltar para o instituto de educação. vou ser agronômo um dia. só pra desperdiçar o saber. gostava tanto de ler e agora leio as capas e me dá preguiça saber que acaba. quase tive um susto quando mergulhei no mar. achei que morria, mas depois vi nem era tarde pra tentar me salvar. e me salvei e cheguei à praia.
hoje tenho medo, ontem tinha apenas certeza do dia.
saudade de te ver como via. s
em saber onde perdi, onde vou procurar?
perdi a confiança em mim. não tenho certeza de tudo, como tinha.
fui tanto pra tantos. achei que era.
não fui nada, ninguém me busca.
tenho medo de ser eu, o outro.
- agora você é o homenzinho da casa. precisa obedecer sua mãe e ajudar a cuidar de seus irmãozinhos.
eu queria ser formiga nesta idade. ficava horas, no fundo do prédio da quadra 406, bloco d, brasília, olhando as formigas trabalhando. achava aconchegante o ninho.
eu era o caçula. o que esperavam de mim exatamente? não entendi bem, mas depois. muito tempo depois aquelas duas frases pesaram em mim como luva de concreto em minhas costas.
lembro do sol e do cheiro de rosas no enterro do meu pai, e, lembro também de tia célia pegando os pés do meu pai no caixão e puxando ele para baixo. último conforto. meias pretas finas. cheiro de rosas.
nunca mandei rosas pra ninguém. apenas flores do campo que descobri não terem cheiro quase nenhum.
tomava remédio naquela época, tinha eu seis anos pra sete. remédio grande, de ferro. fingia que engolia e ia para a janela ver se via míriam, a bangulea como dizia meu avô. aproveitava e cuspia remédio. fiquei mirrado.
lembro de coisas pequeninas; o farol do carro do meu pai na igreja metodista - outro dia fui no googlemaps e ela tava lá, menos a bolinha de tênis que os meninos grandes jogavam por cima dela - as placas dos carros estacionados de lado, o frio das escadas, a míriam com seu cabelo engraçado, meu avô falando; a namorada do marcos é banguela, é banguela, é banguela...
lembro de sempre sonhar o mesmo sonho, desde de brasília: um jipe, um terremoto, um templo grego, morte e pavor. acordava e anos depois vinha o sonho de novo.
sonhava também em ter casa grande, família grande, quatro ou seis filhos. sonhava ser piloto de carro, professor, desenhista, marido, apaixonado. fui deixando de sonhar e sendo. e perdi um pouco ali e um pouco daqui. sonhava ser jogador de futebol, fruteiro, jornaleiro, bancário, vendedor, amor de alguma vida. e consegui e fugi daí e de lá.
sonhava em estudar e deitava debaixo do móvel e fingia sonhar; professora esqueci a régua, perdi o lápis, vou pra escola militar, pro tiradentes, voltar para o instituto de educação. vou ser agronômo um dia. só pra desperdiçar o saber. gostava tanto de ler e agora leio as capas e me dá preguiça saber que acaba. quase tive um susto quando mergulhei no mar. achei que morria, mas depois vi nem era tarde pra tentar me salvar. e me salvei e cheguei à praia.
hoje tenho medo, ontem tinha apenas certeza do dia.
saudade de te ver como via. s
em saber onde perdi, onde vou procurar?
perdi a confiança em mim. não tenho certeza de tudo, como tinha.
fui tanto pra tantos. achei que era.
não fui nada, ninguém me busca.
tenho medo de ser eu, o outro.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
triste
triste por não falar o que quero, ou como quero.
triste por não saber voltar.
triste por pensar no que fica, e se fica.
triste por não saber se falei, ou como falei.
triste por pensar que não devia, ou porque não.
triste por estar aqui.
triste por não estar aqui.
triste por ter medo, e por seu medo.
triste.
triste por não saber voltar.
triste por pensar no que fica, e se fica.
triste por não saber se falei, ou como falei.
triste por pensar que não devia, ou porque não.
triste por estar aqui.
triste por não estar aqui.
triste por ter medo, e por seu medo.
triste.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Reveja domingo, 6 de julho de 2008
Sente isto
Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?
Ela ouve algo que deve ser importante, algo que lhe chama a atenção, que lhe trás uma sensação boa. Não era demais se parasse para ouvir. Parecia música, poema ou perfume. Aspirou fundo e prendeu-o durante alguns segundos, como que querendo reter partículas em seu ser. Sentiu que estava gravando em seu cérebro algo mais pra poder continuar vivendo. Era um momento bom, sentiu-se flutuando a alguns centímetros do chão e quando pousou já não era sua vida toda que importava, como a poucos instantes, mas aquele momento lhe faria diferença em toda ela. Ela era única, eterna para outros, a pessoa mais importante em toda situação. Soube que o que ela causava em outras pessoas era fruto completamente de si mesma. Via agora os objetos como se estivesse em volta deles e não ao contrário. Esbarrando nos braços dos que andavam com ela, controlou o ímpeto que lhe veio para dizer que ela sentia amor por todos. Estava em um único instante da vida e achava que já havia sentido isto antes, e a incerteza e medo de não viver igual instante no futuro estava presente, rodeando-a. Pediu calma pra si mesma e mergulhou no que mais chamava sua atenção. Tinha que controlar-se para não saltar no precipício, ele fazia parte da paisagem mas difinitivamente não era o principal. O salto era enorme, as ondas não morriam nas pedras, estas é que eram vitimadas por aquelas. Eternidade. As imagens vinham rápido, continuamente. Sobrevoou os morros em volta de sua cidade e viu como eram ondulados, verdes e em conjunto habitavam a sua alma, ou em torno dela. Tudo simples no momento em que era sua a vida. Sobrou algo de mais importante para viver?
sábado, 29 de janeiro de 2011
reveja sexta-feira, 21 de novembro de 2008
era
Era surdo, era mudo, era falado.
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.
Era surdo, era mudo, era falado.
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)
delícia de texto
http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html
-
não tem coca não tem torta não tem diamante negro não tem luz não tem paz não tem raiz não tem leite não tem café sem açúcar não tem velocid...
-
O Que Será (À Flor da Pele) Milton Nascimento Composição: Chico Buarque O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Qu...

