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sábado, 27 de março de 2010

parece prece

o amor parece que tira a gente da guerra
o amor parece que quer nos cercar
o amor parece nos trazer palavras guardadas
parece que aparece quando as coisas são más
parece coisa de outro mundo que queremos estar
parece lembrar sonhos que nunca acabaram
parece nos fazer lembrar criancices
o amor aparece e tudo é sim
o amor aparece vindo de fora
o amor aparece aqui dentro
o amor parece que apareceu pra mim

quinta-feira, 18 de março de 2010

vales!

vales...
vales pelo que tu andas ou pelo o que vais andar?
vales...
vás à andar pelos vales ou vais à vau me passar?
vales...
tanto vales que tu não vais de mim.
vales, tu vales.

domingo, 27 de dezembro de 2009

*tanta

sabe o que eu queria?
queria, não passar frio, queria é sentir o frio.
sem coberta, sem casaco, sem edredon.
queria sentir fome, sem ter onde comer.
queria sentir tanta sede que a garganta secasse.
que eu não soubesse quando voltaria a ter água.
eu queria sentir!

sábado, 24 de outubro de 2009

longo horizonte

olhar pra qualquer lugar

é horizonte extenso....

e qualquer lugar é prisão.


um livro bom? é o horizonte

um dia longo? é o horizonte


qualquer coisa se torna, ponta à ponta, você

você me alonga as coisas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

rosas

senti cheiro de rosas hoje e primeira vez em muitos anos,
não evitei a memória que este odor me retorna.
cheiro de morto.
cheiro de posse da minha própria vida.
solidão de tristeza sem consolo.
sol em dia de enterro.
despedida sem esperança de volta.
caminhada forçada.
abandono.
cheiro de definitivo.

domingo, 19 de julho de 2009

envolto

Às vezes, sangue.
Muitas vezes, água.
E, estes,
esvaem,
deságuam
e desandam sem parar.
E tomam os caminhos abertos,
que em curvas parecem que não vão.
Mas nunca ficam parados,
transbordariam no seu incessante.
E nas bordas,
sangue e aguaceiro,
convertem palavras em amor.
Em amor de rio cheio,
vida, verbo de ser.
Ver desde a margem é paixão fulminante.
É chamada para mergulhar.
E levando consigo, para sempre,
o que já não é meu,
congela o sorriso na felicidade.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

entretantos

Se pudéssemos além,
e não apenas o dizer-nos?

Enchermo-nos de zelos,
se pudéssemos,
em nossos termos, ter-nos.

Ser o tanto,
tanto que fosse,
sem o entretanto.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

tempo?

e se viraram
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

romaneio

Passantes mãos em pianos mudos,
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

*não quero o tempo, todo

Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

sabendo

Dormi tarde e me ocorreu de sonhar, com mãos,
Explico, e se eu justifico, é por ter a observação.
As mãos me tocavam nas costas das minhas,
Por debaixo dos panos das mesas.
E era o coração na boca,
Como se já o fim.

domingo, 5 de abril de 2009

viver o tempo

chegara quase vivo.
era quase inteira sua certeza de amá-la.
tempo.
era bom que existisse tanto espaço, tantas palavras.
consolos, é o que eram.
os sentimentos se não eram novos, se não controlados, eram todos humanos demais.
sublimes demais.
mesmo a tristonha certeza, era capaz de apagar a falta de razão de viver.
afinal viver,
era paixão,
desencontros, incompreendidas suspeitas de amor, diferenças de matérias mortais.
agora o sono,
era pedido que vinha mais cedo e dormir ajudava.
sonho?
não tinha,
era sintoma de esquizofrenia, que sabia ter herdado.
ou adquirido enquanto vivia se apaixonando por todas que eram como ele.
daqueles tipos que ouvem o outro chamar o nome.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

não me assento

silencio. se me pedes.
distancio. se tu ficas.
denuncia. minha paixão.
alivio. seu apresamento.
copia. nosso destino.
fútil. o amor.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Chegou

Cada dia que passava eu achava que seria aquele o dia. Cada vez que ouvia algo lá fora eu respirava mais rápido e corria até a porta e procurava de onde vinha. Era você, era o vento ou era eu cochilando mais uma vez? Você já respirou como se fosse pela barriga? O ar parece que tá todo lá e nossa respiração fica pesada. Fiquei até cansado de subir até aqui. Não quero mais sentir dor de cotovelo por que lá eu não consigo morder e nem ver direito o que me dói. Quero sentir dor de partida, de parto talvez até, mais uma vez só e basta. Quero ver a lua como ela realmente aparece no céu. Tô cheio de vê-la tão cheia de mim e de você. Mas que ela é bem bonita em dia frio com você pertinho, isto ela é. Mesmo se é só quando estou com os olhos fechadinhos, fechadinhos. Tentei falar com você até por telepatia, para ver se algo acontecia, se eu ganhava tempo, se respirava melhor, se parava de pensar lucidamente, se me copiava em seu desktop, se me parava no sinal, se me atropelava sem me ver, se me cantava sem eu notar, se me matava de gozar, se me sentia ao seu redor, se me escrevia um scrape, se me add, se me punha um depô, se me ouvia te gritar, se fazia chover, se sentisse frio, se eu pudesse ir até você, se eu não estivesse aqui e sim aí. Mas durona de coração bom, me colocou no meu lugar que é aqui. Nada é pior do que não poder te ter. Mas ter pra você, não acrescenta linhas na sua mão, nem rugas no seu belissímo rosto de princesa holandesa, nem poderia porque seria um pecado. Eu sei. Acho um desperdício jogar fora tanto o "se" como também é uma loucura aproveitar o "sim". Ah! Sim! o silêncio é sábio, a espera é para o paciente. Já sei! Serei paciente e esperarei a perfeição em matrimônio, em patrimônio, em patermônio e não esperarei para ficar mais doente. Eu quero uma doutora! Em psicologia, em desportos, em balé, em capoeira, em fazer sorrir e sorrir, em simpatia, em alegria, em que sorriso, em que voz deliciosa, em sabedoria, em dizer não em não dizer sim, em me gostar, em me suportar, em me fazer sonhar, em sem perceber, em sem me fazer esperar, em me inspirar, em me fazer sofrer e em me fazer de paciente, sem doença. Quero cheirar a doce memória de algum dia ter tido você quase minha, em mim. Apenas pra você menina do apartamento 27, eu falei baixinho no hall do prédio, perto da piscina, você lembra? Preciso te falar 10 minutos... E foram anos, os dias que te imaginei.

Terço

Que será que pensa minha flor?
Serei sonho?
Serei verdade?
Se é meu o sonho, quem me acordará?
Se não me crês, algum dia conhecerá a verdade?
Se desejo te tocar, que farei com o desejo quando acabar a vontade de querê-lo?
Serás silêncio sempre?
E se falares, eu saberei e quererei ouví-la?
Virás?
Partirá ao mesmo tempo que eu.
E não nos veremos mais.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Oras! Sempre as horas

No entorno da sua blusa verde me entornei e me enrolei ao falar-lhe as primeiras palavras. Ela me fitou com seus grandes olhos. Eu nunca a tinha visto tão tão bela e sedutora. Seu olhar me afastou, mas a vontade de falar-lhe fez resistir e insistir.Ela era a mulher mais linda, com certeza, da festa. Ela sabia disto e não se esforçava. Era naturalmente chamativa sua beleza. Agora que a via de novo tão próxima não sabia o que dizer, onde colocar as mãos. Sabia que se demorasse a falar-lhe, ela seria chamada para novos fotos, eram muitos fotografos que queriam fotografá-la, e eu queria, na verdade levá-la para fora no jardim onde eu poderia dizer que sabia de tudo. Seis meses antes deste encontro as coisas não seriam como agora tão confusas e claras ao mesmo tempo. Eram tempos que havia apenas trabalho em minha cabeça e agora, cansado, era a hora de descansar em algo. Os dias, naquele tempo tão quentes, eram mais longos e quando eu chegava e a encontrava em casa, era como se meu mundo mergulhasse em algo viscoso, que me engolia e entorpecia. Não sentia quase o gosto da comida e a cama não era o melhor lugar para descansar. Ela quase nunca me procurava para fazermos amor e apesar do meu cansaço eu dormia virado para o lado contrário, sempre esperando seu toque em meu ombro, mas isto nunca conteceu. Eu já não a olhava nos olhos. Meu maior receio era de que percebesse que a aventura que haviamos proposto viver, tinha acabado. Sei que para ela não seria difícil, mas para mim seria terrível. Eu não a amava mas a paixão não tinha acabado dentro de mim. Por isto era tão difícil olhar em seus olhos e confessar que eu havia fracassado em fazê-la viver feliz ao meu lado. Depois de algum tempo ela começou a viver como se o amanhã fosse certo e isto me irritava, pois os dias eram para mim únicos, incomparáveis. Não sei me esforcei para lhe mostrar claramente isto, ela não prestava atenção mesmo. Quando sentia seu perfume nos cabelos ou em suas pernas e lhe falava isto, ela apenas ronronava e não me desafiava para dizer mais. Desafio. Era isto que sentia ao me aproximar dela esta noite. Senti meu corpo todo e me pus ereto para mostrar confiança. Ela me demonstrou em um olhar que estava na defesa. Perguntei-lhe porque não respondia meus recados e ela se fez de desentendida e desinteressada em responder. Dei de ombros, não fazia diferença agora. Eu tinha lhe escrito dezenas de vezes e nunca me respondeu, nem de forma indireta, se havia algo que lhe havia tocado. Esbarrei de leve em seu vestido verde e toquei a ponta do meu sapato em sua bota. Pedi-lhe desculpas como quem esbarra em alguém na rua. Sem esperar resposta. Tinha pressa e falei-lhe no ouvido chamando para irmos para o jardim, apesar do frio era o melhor lugar. Queria vê-la novamente sob a lua, tocar seus cabelos, agora cacheados e de outra cor. Estava linda. Quando a conheci era a mais bonita e comunicativa da turma e seus amigos diziam que era muito inteligente. Acabara de se formar e já trabalhava, muito. Eu fiquei impressionado com ela desde o início, tão nova e batalhadora. Em sua cidade, no interior do estado, era a princesa de todos. Talvez se sentisse assim nesta festa. Todos estavam de olho no que ela iria fazer nos próximos dias. Era uma artista, uma star, uma pessoa que todos fitavam e obedeciam como escravos. Ela gostava disto naturalmente e seus gestos no meio daquilo tudo eram suaves, naturais. Mas fortes e marcantes. Diziam que ela malhava muito para manter seu corpo tão magro. Vendia saúde. Em outros tempos eu a teria seduzido e levado para longe daquela festa. Mas hoje, não sei se conseguiria tocar-lhe. Estava velho e fora de forma física e meus olhos, o mais chamativo que ela achava, estavam cobertos por grossas lentes. Antes eu a carregaria com facilidade. Como daquela vez na praia em que a carreguei para mostrar como eu era forte. Exibicionismo puro. Os jovens são assim. Ela confiava em mim e eu me entreguei a isto com todo empenho. Susteia em mim durante todos aqueles anos. Mas agora ela não precisava de mim para contar-lhe histórias durante os acampamentos, na fogueira, ou durante as viagens que faziamos para o norte todos anos. Como eu a amei. Foi amor a primeira vista e eu disse para todos que a teria, e nossos amigos me disseram que ela amava outro. É paixão, apenas paixão eu disse. Convicto disse que ela me amaria. E me amou. Chorava quando minhas viagens demoravam mais que o programado e quando voltava faziamos amor de modo inexplicável. Para quem já estava junto a tanto tempo. Aquele momento no salão de festas de um elegante hotel, não podia ser rápido como teria que ser. Estava ainda apaixonado por ela e queria dizer-lhe isto pessoalmente, mas ela fugiu durante vários dias não ligando nem quando lhe mandei flores. Do campo, pois nunca lhe mandei rosas. Achava que era pouco para demonstrar como eu a amava e admirava. A vida sempre foi corrida para mim e não poderia de forma alguma deixá-la ir sem explicar o que havia acontecido, assim tão rápido . Porque eu voltara e mais ainda porque eu tinha deixado tudo para outro. Ela se adaptou rápido. Foi isto que me fez não voltar logo em seguida. Quando soube que ela era feliz com outro, eu mergulhei para dentro de mim e descobri que ninguém é tão profundo. Ademais eu já me conhecia e o que eu sempre quis era me mostrar, deixar que ela me visse, transparente e totalmente. Sou dela. Mas nós não sabiamos mergulhar juntos. Nado sincronizado não foi a escolha certa. Quando a fitei na festa senti que ela não acreditava em mim e por isto preparei-me para o pior.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html