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quinta-feira, 14 de abril de 2011

triste

triste;
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.

sábado, 3 de julho de 2010

as feridas

as feridas às vezes gritam;
- alma! alma!
e minha alma escuta, e pergunta;
- quem és?
- a ferida, a ferida, a ferida!
e espantada minha alma argui;
- quais?
- as do amor, somos.
- mas não tenho tais feridas... (reluta minha alma!)
- alma! as feridas! as feridas!
- quais? (vence minha alma!)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

diferente

Já não poderia contar com a difernça para saber qual era a diferença que fazia-o sentir-se diferente ou diferenciado, já que agora não fazia diferença. Apesar que nele, a diferença era sentida sempre como sendo algo que fazia-o se sentir-se caminhando para algo que fazia sentido. Diferentemente de quase todo o resto das pessoas que caminhavam como ele mas não pensavam tal e qual. Estranho que não fazer diferença o perturbasse - pois que era diferente - então, que diferença fazia?

terça-feira, 23 de março de 2010

quinta-feira, 18 de março de 2010

vales!

vales...
vales pelo que tu andas ou pelo o que vais andar?
vales...
vás à andar pelos vales ou vais à vau me passar?
vales...
tanto vales que tu não vais de mim.
vales, tu vales.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

preguiça

tenho preguiça da discusão partida
da alma convencida que uns valem, outros não.
há pena em mim. ah! pena que sempre.
por isto a preguiça.
tenho a preguiça dos esforços em pensar pouco,
em pensar demasiado devagar, em pensar muito.
tenho preguiça de ter preguiça de manhã,
e saber que poucos vão se esforçar,
que ninguém vai reparar se esta merda feder.
tenho a preguiça como alvo, pois nunca notam
que a seta tem que "dar",
que garagem não é para parar,
que quem vai na frente pode ir devagar.
tenho preguiça da tv, de criticar tv,
de criticar jornalismo, de cobrir pela internet,
o mundo todo em minutos.
tenho peguiça pois tudo parece igual.
tenho preguiça de casamento, de aniversário,
de comemoração. tenho preguiça de perguntar de quem é a festa.
todos vão ficar no outro dia com preguiça de trabalhar.
isto dá uma preguiça.
preguiça de votar, de acompanhar, de resmungar,
de sair nas ruas e gritar.
tenho preguiça.
tenho preguiça de me envolver, tenho preguiça de querer,
tenho preguiça de me entregar, tenho preguiça de esperar.
tenho preguiça de sofrer.
tenho preguiça de procurar, tenho preguiça de quem tem preguiça,
tenho preguiça de não haver.
preguiça.
tenho preguiça.
tenho a preguiça de convencer, tenho preguiça de explicar, tenho preguiça de compreeender.
tenho preguiça de pensar. tenho preguiça de ser.
tenho preguiça de escutar, tenho preguiça de falar.
e tenho preguiça da preguiça em mim.
preguiça e se não for assim que escreve?
tenho preguiça de conferir.
tenho pregui.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

fronte

defronte do que você tem,
defronte do que você vê,
coloco-me dentro de onde está.
debruço-me nas coisas que você observa,
olho para o que você quer ter.
deito-me esperando a volta,
sua volta,
de suas ganhas lutas,
suas justas.
sorrio sabendo que à sua espera,
estou eu.
durmo tranqüilo meu amor, seus sonhos sãos,
meus são.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

beneficiária de mim

sem vergonha de ser poeta, poetisa, exprimista, esgrimista,

sei lá o que é você.

sentir o começo, um suspiro profundo,

a dor do mundo,

do

menino perdido, da saudade descrita.

o despiste, do maldito tempo, do bendito agora

a razão solapante, a versão da aldeia, a veracidade

metropolitana.

Soltar o corpo nu, sexo na liteira,

maremotos trazendo bobagens,

loucuras,

santas mulheres imaginadas.

Perfeitas medusas, tranças nas pernas,

gulosas peruas, olhares seus.

Meus! Meus! Meus!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Crisálida

Aonde ir sem encontrar papéis virtuosamente solitários?
Gostosos de se tocar como seda,
seda que me avermelhe as mãos.
Como se a vergonha fosse somente minha ao tocar fora dela.

E mesmo ainda sob ela, eu sinta, ela. E que ela me sinta.

Aos trinta, quarenta;
ao descanso irei,
terei todo tempo para olhar e ver o olhar coberto pelo verde.
Espantosa maneira de me olhar.

E eu serei quedado ao me sentir vertical, onde as pernas tremem e não caio.

Pronto para morrer nas alegrias corporais expressas,
conduzidas por palavras também,
audíveis apenas também após sessenta dias.
Pelos mortos cansados de esperar.

Crisálida muda o mar e se envolta ao nele se voltear..

quinta-feira, 16 de julho de 2009

entretantos

Se pudéssemos além,
e não apenas o dizer-nos?

Enchermo-nos de zelos,
se pudéssemos,
em nossos termos, ter-nos.

Ser o tanto,
tanto que fosse,
sem o entretanto.

domingo, 5 de julho de 2009

*tempo

prefiro assim. seguindo sozinho corro riscos maiores. nem tenho que olhar pra trás.

sábado, 4 de julho de 2009

fome

Eu tenho isto em mim. Esta coisa inexplicável. Um sentimento que vem e vai.

Às vezes sinto como se o passado não fosse possível ter vivido.

A saudade é tão grande, tão forte a força com que vem, que literalmente o coração para.

Às vezes o querer é demais.

É querer uma tarde calorenta, suor de sexo, de paixão, de não querer saber se outro dia vem.

Ou se outra tarde se foi.

Tardes silenciosas com olhares cúmplices com motivos iguais em tudo.

Fome.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

tempo?

e se viraram
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

romaneio

Passantes mãos em pianos mudos,
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

*não quero o tempo, todo

Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.

terça-feira, 16 de junho de 2009

não, você.

Não te esqueço nem quando não tento

Não te quero mais do que muito mais

Não te vejo mais do que dentro de mim

Não te espero há muito tempo daqui

Não te beijo assim desde amanhã

domingo, 14 de junho de 2009

j.b. de oliveira

teima mas não aposta. meu avô dizia. acho que foi dele que ouvi isto a primeira vez. e me disse mais, muito mais me ensinou meu avô jb. lembro dele sentado no sofá junto à luz do abajourt, em sua imensa sala de visitas, apartamento gigantesco no centro da cidade, lendo ou estudando. sempre foi assim e no final da vida, já sem poder ler por causa da vista, me chamava para falar de suas várias leituras de dicionários cheios de papéizinhos laranja, com anotações de erros e ausência de palavras que ele apontava com precisão. e, antigamente, lendo os filósofos gregos, em alguns casos no original grego arcaico, me falava da filologia e etimologia das palavras. quando me viu interessado em uma enciclopédia/dicionário, quando eu tinha pouco mais de 14 anos, imediatamente encomendou-o pelo correio. lembro de, ao abri-lo, e ver as bandeiras dos países reproduzidas na contra capa, ter um prazer enorme. ficamos eu e ele adivinhando o nome dos países em uma espécie de competição. meu avô ganhou. e ganhava todas, ou quase todas. poesia ele escrevia. textos? também. acho que não gostava da figura de drummond. anos depois eu sorria ao lembrar disto, quando li os primeiros poemas do poeta de itabira. contos, estórias fantásticas, contava a história com uma vivacidade que sempre me imaginava lá. era um grande homem. meu modelo de homem. ele foi meu papai noel durante vários anos. com carta datilografada e assinada. desconfiei quando vi sua letra inconfundível, mesmo somente assinada; papai noel. me dizia meu avô noel "marcos, não lhe posso dar tudo que queres, apesar de merecer, pois sei que tem sido um bom menino, obedecendo sua mãe e a ajudando com seus irmãozinhos, pois tenho outras crianças para dar presentes e não seria justo eu dar tudo apenas para algumas"
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.

domingo, 17 de maio de 2009

tem

não tem coca
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html