sempre achei que triste era a forma de viver e de sentir-se, tão.
e, hoje, morro.
nela.
à tristeza.
tchin, tchin! (antiga expressão chinesa que quer dizer: saúde!)
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quinta-feira, 14 de abril de 2011
triste
triste;
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.
é de onde parto.
de onde espero,
e parto.
a tristeza para mim é um ponto de onde espero a dor passar, ou ficar.
domingo, 28 de março de 2010
diferente
Já não poderia contar com a difernça para saber qual era a diferença que fazia-o sentir-se diferente ou diferenciado, já que agora não fazia diferença. Apesar que nele, a diferença era sentida sempre como sendo algo que fazia-o se sentir-se caminhando para algo que fazia sentido. Diferentemente de quase todo o resto das pessoas que caminhavam como ele mas não pensavam tal e qual. Estranho que não fazer diferença o perturbasse - pois que era diferente - então, que diferença fazia?
segunda-feira, 29 de junho de 2009
luto
na noite, a chuva levantou os cheiros de memórias invisíveis.
sobrepôs anos sobre o dia.
não houve imagens que fizessem o descanso chegar.
em vãos secretos deitou seus olhos.
esperou as horas comuns dos trinta dias incomuns.
lutou contra o luto falso.
(no outro dia estava entre cristais, madrepérolas e sedas)
(sentido perfeito, único, novo e prometido)
junto mais palavras por sentir?
sobrepôs anos sobre o dia.
não houve imagens que fizessem o descanso chegar.
em vãos secretos deitou seus olhos.
esperou as horas comuns dos trinta dias incomuns.
lutou contra o luto falso.
(no outro dia estava entre cristais, madrepérolas e sedas)
(sentido perfeito, único, novo e prometido)
junto mais palavras por sentir?
quarta-feira, 17 de junho de 2009
*não quero o tempo, todo
Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
com fitar
sua certeza absolutamente correta,
ancorou-me na verdade na qual sempre estou.
apenas imagino se sua pouquíssima permissão por mim imaginada,
seria toda assim mesmo ou parte da verdade desejada por mim.
não poderia ser a verdade absoluta,
escondida em sua vastíssima estória de fugas planejadas.
contemplando as vestimentas preferidas pela estrela de toda minha vida,
como diria o poeta itabirano, que também imaginou a pedra no caminho,
pois é que,
quando meus olhos fitam novamente sua beleza de cores iguais as escolhidas,
refaço-me semipoeta,
e encolhido dentro de uma paixão desmedida,
como deve ser o reflexo de minha vontade de tê-la como a escolhida,
tenho-me refeito da falsa vontade de que tudo por você sentido já tenha passado.
e passado e pasmado,
olho a mesma lua não mudada.
e é como se uma semana apenas tivesse ultrapassado o peito.
o coração,
a fácil explicação e força de expressão de quem deseja o amor inteiro,
por inteiramente entregue a alguém que tornará e tornará e tornará.
como uma força necessária para que as fantasias alimentem o homem,
o espaço,
a vida.
o meu viver.
ancorou-me na verdade na qual sempre estou.
apenas imagino se sua pouquíssima permissão por mim imaginada,
seria toda assim mesmo ou parte da verdade desejada por mim.
não poderia ser a verdade absoluta,
escondida em sua vastíssima estória de fugas planejadas.
contemplando as vestimentas preferidas pela estrela de toda minha vida,
como diria o poeta itabirano, que também imaginou a pedra no caminho,
pois é que,
quando meus olhos fitam novamente sua beleza de cores iguais as escolhidas,
refaço-me semipoeta,
e encolhido dentro de uma paixão desmedida,
como deve ser o reflexo de minha vontade de tê-la como a escolhida,
tenho-me refeito da falsa vontade de que tudo por você sentido já tenha passado.
e passado e pasmado,
olho a mesma lua não mudada.
e é como se uma semana apenas tivesse ultrapassado o peito.
o coração,
a fácil explicação e força de expressão de quem deseja o amor inteiro,
por inteiramente entregue a alguém que tornará e tornará e tornará.
como uma força necessária para que as fantasias alimentem o homem,
o espaço,
a vida.
o meu viver.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
não era para ser agora
só é ruim quando paro de fazer...e então tenho que pensar...
o acordar, pra vida desacelerada, me dói...
me coloca extenuado ao lado dela...
a vida...
e o corpo diz..."a alma não suporta, descrê, enredada fica".
o acordar, pra vida desacelerada, me dói...
me coloca extenuado ao lado dela...
a vida...
e o corpo diz..."a alma não suporta, descrê, enredada fica".
domingo, 17 de maio de 2009
tem
não tem coca
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.
não tem torta
não tem diamante negro
não tem luz
não tem paz
não tem raiz
não tem leite
não tem café sem açúcar
não tem velocidade
não tem poesia
não tem montanha
não tem rio
não tem sampa
não tem mar
não tem flores
não tem edredon
não tem sol
não tem moto
não tem foto
não tem por perto
não tem piscina
não tem suco de limão
não tem cão
não tem desabafo
não tem tapete
não tem sofá
não tem lost
não tem notebook
não tem sombra
não tem churrasco
não tem cozinha
não tem louça pra lavar
não tem praia
não tem livro
não tem leitura
não tem ouvido
não tem ninguém
não tem música
não tem estrada
não tem violão
não tem pessoas
não tem criança
não tem solidão
não tem lagoa
não tem bicicleta
não tem porão
não tem estrela
não tem céu
não tem frio
não tem bronzear
não tem caminhada
não tem foto
não tem filosofar
não tem paixão
não tem mulher
não tem sexta
não tem impressão
não tem temperos
não tem beleza
não tem cristão
não tem ofício
não tem distância
não tem lugar
não tem desconhecido
não tem escalar
não tem nadar
não tem conversa
não tem mistério
não tem dúvida
não tem estudo
não tem parente
não tem mãe
não tem irmão
não tem convite
não tem testemunha
não tem favela
não tem caverna
não tem adoração
não tem revelação
não tem discórdia
não tem lógica
não tem razão
não tem amor.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
nem...
nem tanto, nem tão.
apenas o bastante para parar.
apenas o basta quereria.
nem sim, nem.
não!
o nem, para mim,
disjuntiva, a sua conjuntiva.
domingo, 5 de abril de 2009
viver o tempo
chegara quase vivo.
era quase inteira sua certeza de amá-la.
tempo.
era bom que existisse tanto espaço, tantas palavras.
consolos, é o que eram.
os sentimentos se não eram novos, se não controlados, eram todos humanos demais.
sublimes demais.
mesmo a tristonha certeza, era capaz de apagar a falta de razão de viver.
afinal viver,
era paixão,
desencontros, incompreendidas suspeitas de amor, diferenças de matérias mortais.
agora o sono,
era pedido que vinha mais cedo e dormir ajudava.
sonho?
não tinha,
era sintoma de esquizofrenia, que sabia ter herdado.
ou adquirido enquanto vivia se apaixonando por todas que eram como ele.
daqueles tipos que ouvem o outro chamar o nome.
era quase inteira sua certeza de amá-la.
tempo.
era bom que existisse tanto espaço, tantas palavras.
consolos, é o que eram.
os sentimentos se não eram novos, se não controlados, eram todos humanos demais.
sublimes demais.
mesmo a tristonha certeza, era capaz de apagar a falta de razão de viver.
afinal viver,
era paixão,
desencontros, incompreendidas suspeitas de amor, diferenças de matérias mortais.
agora o sono,
era pedido que vinha mais cedo e dormir ajudava.
sonho?
não tinha,
era sintoma de esquizofrenia, que sabia ter herdado.
ou adquirido enquanto vivia se apaixonando por todas que eram como ele.
daqueles tipos que ouvem o outro chamar o nome.
domingo, 22 de março de 2009
assim, sim.
eu te amo.
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...
amo não para sempre,
há tanto amor assim...
amo suas idas e vindas por aquele espaço seu,
amo a saudade de você me mostrando como,
amo suas curvas curtas,
amo seus seios pequenos,
suas pernas brancas,
seus detalhes intocados.
Amo como se foi,
como se fosse ficado,
amo a palavra dita,
a mal dita,
a nunca proferida,
por nunca ter me amado.
Amo sua mente desconhecida,
seu estado de estudo,
sua prancha de salvação,
sua felicidade independente de mim,
seus gostos opostos aos meus.
E amo amar assim,
amo amar sozinho,
aqui no meu cantim...
cruzeiro
Contentei-me com a morte de parte,
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.
Aquele cruzeiro ao longe, branco lateral com o horizonte para todos os lados,
A estrada sem entradas laterais ou cruzamentos de dúvidas,
Com a neve sem frio, em fotos de fatos sem panos meus,
Pasmado sem o ânimo no selim, sem a força do joelho agora quebrado,
Com as frases em cima de outras, coloco-me sob seu mundo,
Solitário com a falta dos meus pêsames, seus,
Coloquei-me em bruços, de brusco, para os olhos do mundo,
Contento-me em ser somente meu.
quinta-feira, 19 de março de 2009
estas
o que haverá
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Perdemos tempo sendo.Presos no mundo de outros, enquanto tudo acontece ao nosso redor.
Dentro de mim há algo que não me pertence e eu quero dá-lo à você.
Estou angustiado pois eu não sei quanto tempo vou agüentar na superfície.
Pegue umas tesouras na mesa, pegue-as. Venha recortar minha revista. Tenho tudo pra te dar e me reconhecer em você.
Minha vida não me presta se estou sozinho em mim mesmo.
Ah! quanto tempo não sinto-me tão em mim.
Suave tristeza é quanto sai daqui, mas o muito ainda está lá dentro.
Venho me aproximar de outros para que me veja neles, para ter certeza que tambem sou tolo o bastante pra crer.
Não quero brigas, ciúmes, muito menos lisonja, quero apenas um pouco de você em mim. Ou um pouco de mim andando com você.
Chega de andar pelas ruas ou voar de avião pensando que algo vai acontecer.
Se não quiser fazer comigo vou entrar de volta e ficar quieto até o vulcão explodir.
Pena que a vida seja exatamente assim, "uns vão, uns são".
Esta é a copia de tudo, esta é a vida que não deixamos de viver, mesmo quando saimos dela.
As palavras saem, mas dentro de nós elas não se acabam.
Dentro de mim há algo que não me pertence e eu quero dá-lo à você.
Estou angustiado pois eu não sei quanto tempo vou agüentar na superfície.
Pegue umas tesouras na mesa, pegue-as. Venha recortar minha revista. Tenho tudo pra te dar e me reconhecer em você.
Minha vida não me presta se estou sozinho em mim mesmo.
Ah! quanto tempo não sinto-me tão em mim.
Suave tristeza é quanto sai daqui, mas o muito ainda está lá dentro.
Venho me aproximar de outros para que me veja neles, para ter certeza que tambem sou tolo o bastante pra crer.
Não quero brigas, ciúmes, muito menos lisonja, quero apenas um pouco de você em mim. Ou um pouco de mim andando com você.
Chega de andar pelas ruas ou voar de avião pensando que algo vai acontecer.
Se não quiser fazer comigo vou entrar de volta e ficar quieto até o vulcão explodir.
Pena que a vida seja exatamente assim, "uns vão, uns são".
Esta é a copia de tudo, esta é a vida que não deixamos de viver, mesmo quando saimos dela.
As palavras saem, mas dentro de nós elas não se acabam.
domingo, 22 de junho de 2008
Duro é saber que uma hora páro de sentir
Os cachos de banana estão quase maduros e talvez Paulinho venha buscar o seu que lhe prometi. Quando saí para procurar a lua, lembrei que prometi a ele, já vão quase dois meses.
Sempre aspiro alua pra dentro de mim quando preciso de ar. Falta oxigênio no cérebro destes loucos que não param de pensar.
Fiz bacalhau hoje. Não paro de pensar um minuto em escrever. Já vão seis dias que as palavras saem de dentro de mim.
Li certa vez que escrever doia. Nunca entendi assim, pois pouquissímas vezes me doeu tanto escrever quanto tem sido. Meu filho disse que o bacalhau ficou um pouco salgado. Também com tanto sal no mar, eu lhe disse. Li também que escrever era como ter um filho, um parto.
Algo que sai de dentro de mim meio arrancado, já não quero muitas vezes que nem exista alguns sentimentos. Negação. Sobrevivemos como podemos.
Que saudade do quê não sei.
Talvez seja saudade da incerteza. Da certeza do nada, da feliz coincidência em tudo. Em todos que encontrei e que me diziam algo novo como por exemplo: olha o céu que lindo com a lua clareando.
Meu peito dói. Acho que é solidão de mim mesmo.
Vontade de voltar a pular a linha de trem em Santa Tereza, chupar bala de um centavo vendida na venda de Dona sei lá, não me lembro. Comer frango chupando os dedos na casa da Tia Maria e vendo a Mercês sorrindo com os olhos. Acho que não tinha os dentes.
Ai meu Deus, que dor gostosa.
E aquela moça bonita toda airosa que meu cachorro assustou quando ela passou? Eu sei que ela vai passar pela minha rua e me dizer bom dia. Mas nem vai olhar pra dentro do meu jardim. Poesia na varanda da minha casa ela nem quer ouvir falar.
O bacalhau não tava salgado. Faltava tempero. A vida tem que ir sendo temperada, para parecer palatável. Tem que também pintar e enfeitar para parecer bonita.
Aparência é tudo, seja qual for sua preferência. Vai escrevendo que uma hora sai o filho, uma hora pára de doer. Ou então eu paro de sair de dentro de mim e me mostrar no meu jardim.
E as bananas? não estão ainda verdes no meu quintal? será que Paulinho vai ficar feliz quando ver que eu lembro?
Sempre aspiro alua pra dentro de mim quando preciso de ar. Falta oxigênio no cérebro destes loucos que não param de pensar.
Fiz bacalhau hoje. Não paro de pensar um minuto em escrever. Já vão seis dias que as palavras saem de dentro de mim.
Li certa vez que escrever doia. Nunca entendi assim, pois pouquissímas vezes me doeu tanto escrever quanto tem sido. Meu filho disse que o bacalhau ficou um pouco salgado. Também com tanto sal no mar, eu lhe disse. Li também que escrever era como ter um filho, um parto.
Algo que sai de dentro de mim meio arrancado, já não quero muitas vezes que nem exista alguns sentimentos. Negação. Sobrevivemos como podemos.
Que saudade do quê não sei.
Talvez seja saudade da incerteza. Da certeza do nada, da feliz coincidência em tudo. Em todos que encontrei e que me diziam algo novo como por exemplo: olha o céu que lindo com a lua clareando.
Meu peito dói. Acho que é solidão de mim mesmo.
Vontade de voltar a pular a linha de trem em Santa Tereza, chupar bala de um centavo vendida na venda de Dona sei lá, não me lembro. Comer frango chupando os dedos na casa da Tia Maria e vendo a Mercês sorrindo com os olhos. Acho que não tinha os dentes.
Ai meu Deus, que dor gostosa.
E aquela moça bonita toda airosa que meu cachorro assustou quando ela passou? Eu sei que ela vai passar pela minha rua e me dizer bom dia. Mas nem vai olhar pra dentro do meu jardim. Poesia na varanda da minha casa ela nem quer ouvir falar.
O bacalhau não tava salgado. Faltava tempero. A vida tem que ir sendo temperada, para parecer palatável. Tem que também pintar e enfeitar para parecer bonita.
Aparência é tudo, seja qual for sua preferência. Vai escrevendo que uma hora sai o filho, uma hora pára de doer. Ou então eu paro de sair de dentro de mim e me mostrar no meu jardim.
E as bananas? não estão ainda verdes no meu quintal? será que Paulinho vai ficar feliz quando ver que eu lembro?
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