sábado, 28 de junho de 2008

vai entender. vai...

Tem umas musiquinhas que se não fosse a hora da madrugada e o frio que sinto um pouco acima da minha cintura, eu teria percebido antes...
Tem uma que fala assim: "eu não veria flores dentro de mim".
Se eu te amasse tanto assim eu também diria isso...
Outra diz: "big girls don't cry"
E ainda: "te amei no meio do temporal e fui além do vendaval"...
Interessante como a mente acompanha o que estamos pensando, ou querendo e sentindo.
Um amigo dizia que o homem, ser, faz apenas o que é de interesse próprio.
Eu não concordo muito e nem sempre...
Afinal quando é de interesse de muitos ou de alguns, ou de ambos, o que parece interesse próprio acaba se tornando...da maioria.
Não tem como ser individual?
Amar sozinho, apaixonar-se sem apaixonar o outro, libertar-se com a mesma facilidade que se prendeu.
Lembrei de outra música: "como se eu fosse flor, você me cheira"...
É de uma sinceridade purinha, purinha. Cheirar ela e se lembrar da flor.
Ou ao contrário.
Imagina a cena: você andando no campo, vê uma flor, cheira-a e se lembra da outra. Flor.
Dá até poesia...
Ando pelo campo
O vento me toca
Sinto o seu tocar
Procuro
Vejo uma flor
Vejo você
É...tá beeeem fraquinho. Mas foi sincero.
O lance é que sinceridade não é o bastante. Tem que ter arte neste meio musical .
Se bem que, estando eu, no estado que estou, hospitalizado, qualquer coisa me levanta o astral.
Liga na Ivete e fala pra ela passar recibo pra você que eu não posso ir!

Desaparecido

Fiz algo parecido.
Passado, me procurou estes dias.
Conhecimento, um toque, uma carícia, um beijo, mãos nas mãos e nada mais.
Foi para sempre lembrado, insistido, ligado, desligado, procurado.
Machucado.
Tempos em tempos.
Tempo volta e me cobra o perdido.
O largado.
O absurdo da paixão.
A consciência roubada, o cativeiro.
Nunca te libertei.
Agora presos, você, que mal conheço.
Eu, que nem conheço-me.

prazer

ouvi agora uma música que fala, mais uma, do que está acontecendo no mundo. Meu.
como somos ligados, parecidos, apesar das distância. Não todos.
penso nos beijos, únicos, que nunca aconteceram. Não pra mim.

todas são

confesso em pé mesmo, encostado na parede, junto ao pó, na junção.
confesso a mim, primeiro, a você, agora.
já havia acontecido, já havia sofrido, já havia esquecido.
respiro com dificuldade, suspiro sem parar, descompasso a batida.
esperei, me deitei, pensei e vi o dia chegando e me levando de novo e de novo.
porque, não me fala, não me toca, não espera, não quer que te leve.
leve seria se me ouvisse, se me olhasse e me ajudasse, a esquecer, a não te querer.
pensas; olhas menos e sentes mais.
confesso não me lembrei como era estar junto à parede, sozinho, perdido, amoroso.
me liberta agora que estou ajoelhado, querendo ser calado.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Quarto

Fala a verdade pra galera, eu e você no caso. Achas indecente que andemos juntos, lado a lado, pelo parque de mãos dadas? Hoje em dia é incomum isto, eu sei, mas sei que os tempos mudam. Não quero que me fale tudo que pensas mas podias me dizer se o quero é impossível ou similar. Rogar aos céus, eu sei muitissímo bem, não pega bem. Por que nosso caso é de pecado, mas o que fazer se meu coração não estava no altar quando eu te vi? Se falares comigo o que deves, talvez eu me comporte melhor e até me torne seu amigo menor. Hum... Não sei não, acho que acabaria te amando, pois eu nunca vi um coração tão cíclico como este que lhe fala. É! Cíclico! De tempos em tempos, como um relógio, ele dispara um alarme em mim. E torno eu a me apaixonar. Coração de prata, eu boda, ele bóda. Não sei se a nobre gatissíma poderia me explicar esta doença, ou talvez tratá-la com algum remédio federal, mas seria ótimo tê-la, pelo menos como minha enfermeira diarista. Não te daria um emprego, te daria trabalho... Mas se você quiser pode me despedir agora, sem me dizer afinal se quer andar comigo de modo jovial. Daquele jeitinho que andam os que querem se conhecer. Com risinhos, namorinhos, beijinhos e arrepios bem pequeninos sem muito mal...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Chegou

Cada dia que passava eu achava que seria aquele o dia. Cada vez que ouvia algo lá fora eu respirava mais rápido e corria até a porta e procurava de onde vinha. Era você, era o vento ou era eu cochilando mais uma vez? Você já respirou como se fosse pela barriga? O ar parece que tá todo lá e nossa respiração fica pesada. Fiquei até cansado de subir até aqui. Não quero mais sentir dor de cotovelo por que lá eu não consigo morder e nem ver direito o que me dói. Quero sentir dor de partida, de parto talvez até, mais uma vez só e basta. Quero ver a lua como ela realmente aparece no céu. Tô cheio de vê-la tão cheia de mim e de você. Mas que ela é bem bonita em dia frio com você pertinho, isto ela é. Mesmo se é só quando estou com os olhos fechadinhos, fechadinhos. Tentei falar com você até por telepatia, para ver se algo acontecia, se eu ganhava tempo, se respirava melhor, se parava de pensar lucidamente, se me copiava em seu desktop, se me parava no sinal, se me atropelava sem me ver, se me cantava sem eu notar, se me matava de gozar, se me sentia ao seu redor, se me escrevia um scrape, se me add, se me punha um depô, se me ouvia te gritar, se fazia chover, se sentisse frio, se eu pudesse ir até você, se eu não estivesse aqui e sim aí. Mas durona de coração bom, me colocou no meu lugar que é aqui. Nada é pior do que não poder te ter. Mas ter pra você, não acrescenta linhas na sua mão, nem rugas no seu belissímo rosto de princesa holandesa, nem poderia porque seria um pecado. Eu sei. Acho um desperdício jogar fora tanto o "se" como também é uma loucura aproveitar o "sim". Ah! Sim! o silêncio é sábio, a espera é para o paciente. Já sei! Serei paciente e esperarei a perfeição em matrimônio, em patrimônio, em patermônio e não esperarei para ficar mais doente. Eu quero uma doutora! Em psicologia, em desportos, em balé, em capoeira, em fazer sorrir e sorrir, em simpatia, em alegria, em que sorriso, em que voz deliciosa, em sabedoria, em dizer não em não dizer sim, em me gostar, em me suportar, em me fazer sonhar, em sem perceber, em sem me fazer esperar, em me inspirar, em me fazer sofrer e em me fazer de paciente, sem doença. Quero cheirar a doce memória de algum dia ter tido você quase minha, em mim. Apenas pra você menina do apartamento 27, eu falei baixinho no hall do prédio, perto da piscina, você lembra? Preciso te falar 10 minutos... E foram anos, os dias que te imaginei.

Terço

Que será que pensa minha flor?
Serei sonho?
Serei verdade?
Se é meu o sonho, quem me acordará?
Se não me crês, algum dia conhecerá a verdade?
Se desejo te tocar, que farei com o desejo quando acabar a vontade de querê-lo?
Serás silêncio sempre?
E se falares, eu saberei e quererei ouví-la?
Virás?
Partirá ao mesmo tempo que eu.
E não nos veremos mais.
Enche-me de ti. Tenho toda sede que tiver como me saciar.
Toca-me bem fundo com sua beleza e com o tanto que quero ouvir-te dizer.
É verdade quase total o que te digo, pois nem sei o quanto louco e insano pareço.
Quase bobo. Quase bebo o que escorre. Me diga logo que não é possivel sorver de ti.
Dois passos meus pra cá e seus três pra outro lado. Onde andará a flor?
Será bela pra outros, será ela sem ser minha. Juntos com outros seremos nós?
Socorro busco fora de mim mesmo e estendo os braços para você, fiel da minha balança.
Neste instante tudo é somente você.
Que estranho, chato, inesperado será se não for como quiseres.

quarta-feira, 25 de junho de 2008


"Se alguém te louvava,
De gosto me enchia;
Mas sempre o ciúme
No rosto acendia
Um vivo calor
Marília, escuta
Um triste Pastor.

Se estavas alegre,
Dirceu se alegrava;
Se estavas sentida,
Dirceu suspirava
À força da dor.
Marília, escuta
Um triste Pastor."

Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga

Tristinho ou Alegrinho

Que saisse logo de dentro de mim o que eu queria falar.
Não sei se a cena seguinte mudou por causa deste desabafo. Eu não me senti melhor nem pior. Apenas declarei e confesso que me senti um pouco ridículo, no frio todo que está fazendo, me descobrindo assim. Mas é este meu papel nesta história, meio Tristão, meio Dirceu. Senti mais tarde que quanto mais eu me aproximo da vida real, mais impossível fica representar o papel que eu tanto quero e que tantos sonham, noites e dias, o de um homem apaixonado. A esperança é que encontremos alguma saída que me faça crer que nada foi em vão. Sei que chorarei em algum momento desta história, pois eu a considero triste, e eu imagino que já sei o final. Não temos onde representar ou ensaiar e não temos experiência nesta arte. Preferia dar a volta e encontrar com você em outra história, talvez de amizade entre um homem e uma mulher. (Ai! que mulher linda). A arte é exposição de tudo e me expor, mais uma vez te digo, apesar da minh'alma de artista, é muito doloroso estar quase nu nestas cenas. Isto mesmo tendo tanto prazer representar com você, ou melhor, para você, já que não sei se você me considera parte da sua história de alguma forma. Bem, a hora chegou, e acho que passe rápido de ator coadjuvante para artista principal. E não sei se terei minha Isolda ou minha Marília. Preferia que fosse você mesma.

Segundos

- Faaaala!
Gritei pra ela.
E ela fingindo interesse:
- Nããããão!

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html