sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bastião

Comunicado estou. Ela já partiu. Está em outro. Eu é que continuo a tentar pensar como poeta. Profundo no sublime momento de falar, dizer-me, contar e vomitar. É meu. Tudo. Subir ao monte e deitar. Mergulhar, era. Deitar e sentir que, acima, virá algo pesado a sobrepujar, compactar ao solo, ao real, irreal, passagens e passagens. Gosto de mim e me preciso vivo, por isto estou presentindo, que, vivo valho o valor do daqui a pouco, logo ali, na segunda em diante. Pedir ao poço que repita a operação, será pedir demais? Olhar o deserto sem saber se falta pouco, me falta muito. Ainda. Mas a faina, entediada, me chama de volta. Cheio estou no vão entre as pernas e basta-me que me sente e descanse de todo, de tolos, de ouros e brincos que não serão meus. Basta. Basta isto e serei. Eu, meu último bastião.

Acena

Como miragem,

apagando

ao ser concreta.

Como quem chega,

inesperada

surpresa.

Necessidade criança,

desligada,

sem vida.

Amores vistos

desentendidos

inexplicáveis.

Agora partida,

adeus,

aceno de mão, não.

Mas a vida,

mais a vida,

mais da vida.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

trocada

Onze da noite e alguém me chama lá fora. Vejo rosa vermelha no meu jardim. Na manhã que chegou aqui ela plantou algo. Não sei o que foi. Mas nasceu. Meu coração ficou igual boca de peixe procurando ar do lado de fora d'água. Abertinho da silva. Quando encostei em sua cintura a primeira vez achei que ia me chamar pra dançar. E não parei até agora. Uma hora é tango outra música brasileira mesmo. Pra prestar atenção na letra. Nas coisas que dizem os poetas, trovadores. Enxergo você com um olho só. O outro fica saindo pra passear. De soslaio. O tempo todo eu busco uma imagem, uma escultura. Só tem a sua nas lojas da internet. Criei um tal de blog pra colocar as rosas que achei no meu jardim quando fui lá fora com você.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Grata esperança

não tem a graça se a esperança é fraca,
se memória quase apaga sua imagem. olho idealiza e já nao é o bastante.
perfumes marcando seu cheiro qualquer,
não sei qual é.
leio textos diversos achando seu entendimento,
eu não compreendo.
navego os lagos próximos e na terra me perco.
você me vê?
esperar escrever é da graça.

terça-feira, 15 de julho de 2008

sem


amigo chamou-me hoje pra sair.
cheguei até o portão e já meu deu vontade de ficar em casa.
quis ficar pra sentir saudade de você. do cheiro do seu corpo no meu quarto de cérebro.
é aqui que está tudo que tenho de você;
essse cheiro que imagino e aspiro profundamente, sua roupa de trabalho e seu suor nela, os fios de seus cabelos no banheiro,
- toquei-os esta noite? - , seu sorriso enviezado, engraçado e natural.
lá está sua presença, inerte como na foto, pintada, eterna.
até eu me lembrar novamente e perceber que nunca esteve fora deste quarto.
apenas aqui.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

ainda não?


não estou onde você está provavelmente. onde imagino e sonho que esteja./ eu sei que é onde eu estava antes, não sei se você sabe disto. mas você sabe que eu te encontrei do lado de fora./ frio, é este o mundo, as pessoas não tem cores, nem nomes, nem formas./ não esquecí outro. a água que bebi, a canção que ouvi, tudo em mim. sendo tão pequeno./ de uma vez só aconteceu comigo, não sei se com você foi assim./ quando coloquei o pé na trilha eu não olhei para trás, mas o que vinha comigo me pegou quando eu menos esperava. e então veio o tropeço. / escapei de me machucar mais, de outras vezes, de outras formas. não sei se com você foi diferente./ talvez você entenda o que te faz estar assim calada e distante./ e assim será minha vida. entregue a quem é realmente importante, que me dará verdadeiramente a vida./ meu lado carne e paixão não me escapa. não sei se com você é assim./ minha pergunta deveria ser feito de forma direta, sem intermediários. a resposta não é sua.

sábado, 12 de julho de 2008


eu te asseguro que sua dúvida é a mesma que a minha,

se você também não se sente forte,

se você também se encontra perto de mim,

se você se sente pequena perto do seu problema,

eu te asseguro que eu também sou assim./

se sua a dor aumenta e não diminui,

se paixão se parece cada vez mais com um vazio,

se você não encontra chave pra sair daí,

se você se parece uma criança sem mãe,

eu te asseguro que minha dor se parece com a sua./

se você não sabe de onde vem nem para onde vai,

se seus dedos escrevem sempre a primeira letra na janela,

se a segurança da certeza já não existe,

se teu irmão não tem mais respostas,

eu te asseguro, meu futuro está parecido com o seu./

se soldados te cercam,

se você verá a glória,

se a salvação chegará a tempo,

se você será carregada,

te asseguro que sim./

se acha que não me pareço com você,

se acha que o que sinto é pouco,

se acha que eu te esqueço,

eu te asseguro que não./

se quer ter seguranca eu te seguro,

eu sou como você.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

tanque

tateando...
olho semi-fechado...
atento ao som...
seu som...
gravando...

você é no momento meu único momento
você é meu momento único
você me movimenta meu dom
você me condiciona.

é agora...
e agora...
será seu...
meu olor, meu tom, minhas cores...

queres me ouvir falando isto ao seus olhos?
não precisa tatear.
me grita.
eu estou quase pronto.

linda


não é de modo nenhum/não se pode/
serei completo /o momento exige/
a forma e conteúdo permitem/
o silêncio não é a solução/conter o turbilhão será insuportável/
portanto digo/linda!

juros


Sou pedra e ao sol estabilizo minha temperatura e espero-te meu camaleão. Deita sua suave barriga, lisa, nuvem de algodão, doce, esbelta e bela. Seu andar sobre mim é de ontem que eu me deleito, delito e espero.






Borboleteia aqui pro meu lado e te mostrarei que vale mais o pouso que seu vôo solitário.





Você tem a conta na cabeça, me diz o que é o amor. Não tem então um componente de solidão? Não fala o amor a língua da paixão, das línguas, corpos, braços, pernas, pensamentos, entrelaçados, entre si trocados, saliva, suor, cheiro, medos, sabor e receitas que não dão certo? Não sussurra o amor por detrás da porta, olhando de longe, sentados no banco da praça, enquanto quem é, passa. Enquanto esta, não sei onde está. Sei sim! sei que aqui bem dentro!
Do sabor que se vai da comida, não fala o amor? Ele não comenta que a falta deixa doente, dentes travados, estômago revirado? Eu já ouvi dizer também que o amor tudo suporta, tudo crê, não deseja o mal e que ele será ainda, depois de tudo. Acima da paixão. Que venha logo.








Não era para ser quase nada.
Não era para ser dor não era para ser amor, era passageiro.
Não era para ser inteiro, completo.
Nem complexo, mas fitei seu plexo.
Perplexo seu sexo eu descobri.
Mulher mais bela, quase fera.
Defesa terei depois, agora não sinto nada, nem dores.
Sinto-me devorado pelo sua pose, ataque.
Sou presa fácil do seu olhar.




Cansado, cansado, cansado.
Carrego a bandeira por estar colada em mim. Entregue por sei não quem.
Quero fincar na terra seu mastro, arrancar o pano, símbolo de nada, mas eu mesmo me olho. Olhos grandes de profecia, ainda não cumprida, comprida a história. Viro para trás, quem me segue? Ainda poucos, que são muitos para entregar. Qual terá o mesmo prazer inicial que tive? Meu Deus ela é minha mesmo! Não posso dá-la para meu irmão?




Coloquei a bandeira no mastro.
Abri as janelas que dão pra rua.
Arrumei as gavetas do armário do corredor e ajeitei a cama alisando sua colcha e travesseiro.
No banho, lavei meu corpo com esmero, no cabelo passei colônia.
Vesti roupa de festa, de igreja, de casório.
Olhando no espelho me senti bem. Para você.
Hora, dia e noite veio.
Em alguns eu choro.
Em todas e todas eu espero.
Então escrevo para o próximo instante.
Deito e a cantiga começa de novo.



Fico na horizontal logo.
Cubro com panos e fecho olhos./
Rápido quero.
Não dou tempo para que venha./
Abro olhos no meio da primeira parte do dia.
O porque vem e abate. O onde esmaga./
Vertical me vem.
Solto, pois se solto, o alívio vai junto./
Alcanço, toco, relevo.
Sopro onde entra o som/
Relevo, entendo, suporto.
Vertical eu sou.
Na manhã seguinte ainda te quero.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

quase


não se preocupe, o tempo passa, as pessoas se lembram de você de um jeito ou de outro, isto não faz diferença pra você depois de algum tempo. alguém sempre gosta de você e você de alguém ou muito antes pelo contrário. você vai trabalhar, namorar, casar, descasar, namorar, noivar, desnoivar, apaixonar, provocar paixão e depois tudo isto será lembrança pra você, ou não. suas costas vão doer, os joelhos talvez, a vista vai cansar e talvez não aconteça nem isto. portanto usufrua do seu corpo agora, malhe, exercite-o, descanse-o e mostre-o para quem você ama. ame. ame como se não houvesse amanhã, o que é verdade, beije bastante, sinta a pele do outro, cheire, olhe nos olhos, os sentidos vão se acabando, só amor vai permanecer. tenha filhos, grave neles o melhor seu, trate-os como crianças, enquanto forem, pois depois será a vez deles com você. faça muito carinho, beije-os, morda-os. isto será de grande ajuda para eles quando eles começarem realmente a vida. apaixone-se pela vida, por pessoas, por luzes, sons. isto será sua boa memória mais tarde

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html