terça-feira, 23 de setembro de 2008

aqui

Nego até a morte o desprazer de não te dizer
Abro meu abraço e te abarco neste ser
Abaixo da mentira que me diz estou eu
Seguro o véu pelo instante de ver
A passagem fecha depois que entro
Retorno do nada
Canso de pensar quatro vezes
Antes de olhar por trás de mim
E você não está aqui.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Poema de Ken Drew

Esse mundo tão sombrio
Escuro e desconhecido
Transpõe-se á cada instante
Incandescido á cada grito
em cada gemido de horror
Absorvido em minhas alusões
Desconexo
é o sentido da vida
e nela como um todo
a semelhança com nossa eternidade
e mesmo q seja tão bela
navega por de trás dos nossos olhos
e simplesmente
a vemos passar

precisa

Principio de alegria e tchau
A seleção de sua alma faminta
Mira em mim o milagre
Sei que você me quer mais.
O dobro de dar
A dobra na dor que me dá
Sem alguém pedir de novo
No sul é frio pra mim.
Moro relembrando
O homem sou eu
E volto pra cá
Durmo debaixo da escada.
Subindo pra casa
Subindo pra casa
Eu
Eu subindo pra casa.
Olhe pra mim
Estou em casa
E vivo por isto
Eu vivo.

sábado, 20 de setembro de 2008

Poema de Ferreira Gullar

Cantiga para não morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sinais

Chinelo no branco de meu piso
Calça no verde da minha grama
Flor rosa na roupa
Óculos escuros no seu sol
Sorriso ao me ver, ao te ver
Toque na mão sem querer
Material guardado no cesto
Bailado estampado
Silêncio quebrado

terça-feira, 16 de setembro de 2008

letra

Ao ler não acontece de perder
Relembra toda a esperança.
Algo muda pois precisa ser trocada
Já que a rega não vem.
De quem é o que produz calada?
São meus os não escritos?
Tens algo que não é meu
Mas eu já dei o que te pertence.
Seu pedaço em mim
Será sempre, unicamente teu.

cristal

Não posso mais dizer o que penso
Quero estar e viver.
O silencio que se fez
Transforma em cristal tudo que faço.
É leve o que levo até lá
E a dor me trás de volta até aqui.
As fotos são inocentes e mesmo assim incendeiam
Troco tudo por quase nada que tem guardado.
Traga as imagens que criei
Deixe um pedaço do que é seu.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

o céu

Quero te dar umas palavras pequena dama
O céu não posso te dar
Nem te levar para comigo voar
Não te darei promessas de amor agora
Pois não sei o que é te amar
Não tenho impressão que o porvir é todo seu
Quero apenas ficar quieto ao lado teu
Calado, sem música, sem luz de cinema
Do seu jeito
Quero me cegar
Para perto você chegar.

uma parte

Onde é que está o mar que eu ouvi por sua causa?
Onde está a luz que você ligou em mim?
Onde está sua respiração que eu escutei atento?
Eu quero voar pra te encontrar lá naquele lugar
Onde o rei fala comigo
Onde minha vida não tem divisão
Eu quero encontrar com minha dama
Que me alegra e anima minha vida
E se eu passar desta volta que o mundo deu
Eu voltarei a respirar por você
Onde está a mágica de sonhar?
Onde ouvir a musica que lhe escrevi?
Qual linguagem falar?
Você precisa entender que uma parte de mim é você.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

finjo

Finjo gostar mais de mim quando digo que não te quero nos minutos que te vejo.
Nos outros todos te quero todos os outros.
Quando vejo que te vejo é que eu ensejo que a minha vida seja este momento.
Impeço o seu pedido dentro de mim pois te desejo mais que seu desejo.
Eu prevaleço e venço as vezes que distraio e me guardo de me querer bem.
Dentro está o que é minha expectativa de dar a parte que não me cabe guardar.
Diz-me se é falso, o que sua experiência diz, o que te digo em poesia.

é

É uma lembrança que vem do cheiro do vento, de perfume no cabelo.
É aperto de pensar se vem de novo o novo, o bom gosto de saliva, de boca na boca.
É saudade de pensar saudade, inocência de perguntar quando vem, quando ver.
Lembrar suave de suave tocar no braço, nos dedos e voltar.
Na pergunta profunda sem palavra alguma feita no olhar nos olhos.
É a saudade da saudade da distância que ainda não existe e falta quando o outro há.
É ver e simples gostar de precisar ter de quando e de vez.
É pular o minuto seguinte se o telefone não toca e a rede não chama.
É você. Sou eu.
Só eu. Só você.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html