domingo, 5 de outubro de 2008

mulher tátil

Mulher, é certa sua presença entrecortando outras chamadas. Ocupando espaços nas laterais e preenchendo o não vazio. Tragando olhares redondos saídos de olhos cegos de outras. Trazes palavras de volta, ao batente músculo meu. Mulher, suspirante motivo sem raciocínio sobre outros dias. Mulher em movimento, em lento mover de gravação pela lente do olho. Mulher filha de deus, criada para inspirar. Mulher do tato, sem meu toque és nada de tátil. Corpo dócil, levemente leve como de nuvens brancas. Viajas mulher. Eu te lembro mulher, Tu mulher que é mulher

dever

Diz-me que devo
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.

sábado, 4 de outubro de 2008

descoberto

Eu quero estar longe
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

disto

E agora cobertos de razões,
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

há luz

o que há por trás do verde?
o que veste a rosa cor?
qual o peso que o branco suporta?
o que são as outras cores a sua volta?
molduras é o que são.
branca tela, negas meu pincel,
meus tons são seus,
por agora, por hora,
por vida que agora teima e me suporta,
por ti.
o que tens de tão verde?
de tão pura cor?

impeça

Impeça o desejo
Peça meu beijo
Aproxime do meu plexo
Negue o sexo
Sinta o que sinto
Um instante...
Sinta minha pele
Cheire meu cheiro
Olhe em mim
Bem dentro
Outro instante...
Sonhe comigo
Sonho de dois
Deite depois
Pense um pouco
Por um instante.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

aberto

Minhas perguntas não são feitas para mim em todo tempo, já que não quero ou não posso respondê-las agora. Faço perguntas ao vento, aspirando mais sentimentos do que respostas. Pergunto a lua com um olhar de me leva e me deixa ser o motivo para ver. Pergunto ao tempo, quanto tempo e quando. Minhas perguntas são montadas em cima de folhas secas que piso quando caminho pensando em você. São montadas no barulho do e-mail chegando, da página se abrindo, à mensagem enviada. Pergunto á madrugada se haverá uma alvorada ao seu lado e se tocará uma música qualquer antes, durante e depois. Para ficar marcada como relevo na capa do romance que vivi ao seu lado. Pergunto aqui e ali se o querer do não poder é justo. Se é irrepreensível. Pergunto, às minhas lágrimas, se elas continuaram a causar-me desamparo. Pergunto com letras, como estas que te escrevo, se me querer pode ser assim tão distante, tão distante, tão ausente de algum sinal. Pergunto quando o riso me vem, se entrego a ti ou deixo ficar e se apagar apenas para mim. Pergunto, absorto de loucura, se haverá o fim, se houve começo. Se me ouve. Ouve-me agora! Não posso deixar as perguntas me tomando o corpo e a razão, que já não domino. Minha pergunta sem resposta é esta também: minha dor te interessa?

domingo, 28 de setembro de 2008

crédito seu

Quando permaneço longo tempo próximo ao intocável, percebo melhor o contorno de tudo que vai, ou o que está imóvel.
Fotografo o movimento e dou-lhe a forma de um rosto.
Ou quando quero filmar vejo o balanço, pra lá e pra cá, como se fosse cabelo dançando.
Aquelas cores verdes, marrons, cinzas ou rosas, me emocionam até eu ver outra e mais outra e depois outra.
Vou sem pés e o corpo em seguida mergulha em rasante sobre tudo que passo a amar.
Existe silêncio na voz mais gritante, existe melodia nas folhas que caem.
Há uma doçura no vento e caminhar contra ele é me levar ao destino que me quer.
Espero, sem perder a esperança, pois ela me vem sempre que me lembro, sempre que sonho, sempre que imagino, sempre que desenho seu contorno, de seu rosto, em tudo que acredito agora.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

aperta meu ombro

O teu braço dá a volta e me aperta do lado contrário,
Do lado de lá eu te olho e não vejo teu olhar,
Acelero o mais que posso mas levanta a cabeça e deixa-me,
Quando mergulho não escuto e não vejo o meu desejo,
Mas te vejo dentro de mim.
Como partir sem saber se me quer,
Sem olhar para trás e esperar que venha me ouvir.
Escuta agora meu pedido de perdão.
Mando embora o que não pode ser seu,
O que não podia aparecer.
Você caminha sobre os paralelepípedos,
Atravessa a mata fechada e reservada,
E eu quieto escrevo no ímpeto,
Não estou só, estou somente esperando o não.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

dizer

Difícil é dizer sabendo que não poderia ser dito,
Ter sentido é o inverso do que sinto.
Minhas são as dores de ter o querer em todo tempo,
Temer o que não vejo e que está em todo lugar,
É o que eu não entendo.
Onde abandonar, quando largar na caminhada o que pesa,
Com que pesar penso em não carregar,
O que completamente me esvazia,
Constantemente é assim que me vens renovar.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

vírgula

Por ter robustez a tua imagem em mim,
De ser densa vontade de querer-te,
Para ser feliz enquanto sonho,
Em sentir-me louco por não querer te perder,
De tanto entender que não queres querer;
Coloco um ponto acima da vírgula,
Um suspiro ao juntar cílios,
Uma palavra atrás da outra sem parar,
Um sentido, um sentir na vida sentir.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html