Esquecer me parece uma prece de quem prefere não sentir ao ver a outra parte de quem nos vê como uma chama.
Um pedaço da alma minha,
sei não qual, une-se ao que a toca e aquela muda de cor, se transforma em algo alongado, esticado, impossível de se manter normal em forma reconhecível.
Acho que é como a alma fica dentro de mim que me incomoda o corpo.
Os poros do meu braço não sudoram normalmente,
sinto o vento sair com força por eles,
parece asa pedindo para crescer e se aventurar por onde não tem chão por perto,
onde só tem o cheiro do ar, nuvem branca e arco-íris cor de rosa.
Não dá pra ver o verde lá em baixo,
mas gosto de saber que ele está ali.
Completamente e repleto de esperança por uma segunda ou quarta chance,
eu pulo o terço pois eu sei que a terça parte é sua pra descansar e guardar o dia que é santo.
Sei salteado quais são os dias.
De trás pra frente eu lembro e de frente pra trás eu sonho.
Então eu não esqueço, não apago, apenas escrevo sem parar.
Esquecer é a fórmula que eu fiz pra lembrar sempre de tentar não esquecer.
sábado, 1 de novembro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
pasta
solução encontrada em tempo hábil é aquela que chega quando vc não aguenta,
vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado.
qualquer oba! me serve quando estou acabando.
escolho o mergulho,
tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo.
de coral? de muitas águas? são profundas?
escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.
vc já está pra lá de quebrado, cansado, desistindo, sufocado.
qualquer oba! me serve quando estou acabando.
escolho o mergulho,
tem a hora pra pular do alto sem conhecer o fundo.
de coral? de muitas águas? são profundas?
escovo meu cabelo pra vc me ver e eu ver vc sorrindo ao me ver.
sábado, 25 de outubro de 2008
descanso
estas marcas ficarão na areia e eu não olharei para trás.
elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta.
minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo.
olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira.
sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível.
meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria.
caminho porque preciso andar para alguma direção.
qualquer uma me satisfará.
enquanto caminho, faço.
passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei.
não era meu.
nem a flor.
elas que se apaguem com o tempo, que se cubram a si mesmas com areia fina que está a sua volta.
minhas coxas estão cansadas e queimadas pelo sol e meus braços ficam agora estendidos ao longo do corpo.
olho ao longe e vejo que a distância não acaba e o som é apenas acompanhante e paisagem passageira.
sinto que chegar não me fará estar e mudar de direção e retornar é impossível.
meus calcanhares não aguentam o giro veloz que precisaria.
caminho porque preciso andar para alguma direção.
qualquer uma me satisfará.
enquanto caminho, faço.
passei de onde iria descansar pois o descanso e água nova estavam não ao alcance. vi, estiquei-me o mais que pude mas não alcancei.
não era meu.
nem a flor.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O que é melhor?
Uma colher de seu mel me enche de cura inconseqüente.
Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem.
Do dia de hoje.
E me basta.
Umas duas ou três palavras rimadas pelo seu jeito de dizer me convencem.
Do dia de hoje.
E me basta.
como
O quê seria se não fosse eu cheio de querer?
Seria como não imaginar nem sonhar.
Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos.
Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer,
Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras.
Flores do campo sem colher para você.
Seria como não imaginar nem sonhar.
Não pestanejaria, não completaria o fechar dos olhos.
Seria ver a chuva apenas molhar e não escorrer,
Respirar sem suspirar e se reabastecer de letras.
Flores do campo sem colher para você.
domingo, 5 de outubro de 2008
Branca 1
Altiva, viva, espinha dorsal da minha vida.
Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem.
Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador.
As pontas onde terminam teus cabelos,
são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro.
Tuas mãos e pés, extremidades extremas,
pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar.
E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo.
Sua memória é eternizada em minhas,
que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás.
Em mim,
tu és tudo,
de tudo em mim.
Tu és flor branca de nuvem no céu que meus olhos nela vão e vem.
Meus dois braços são de teus olhos e juntam minhas palmas e me chamam de mergulhador.
As pontas onde terminam teus cabelos,
são ventiladas pelo vento de onde cheiro meu suspiro.
Tuas mãos e pés, extremidades extremas,
pontos de chegada do tato e partida da vontade de voltar.
E tua boca treme meu corpo de desejo de ser teu meu beijo.
Sua memória é eternizada em minhas,
que são suas na verdade, estas palavras que estão onde imagino e sonho que estás.
Em mim,
tu és tudo,
de tudo em mim.
talvez
Não quero saber nem que sim nem que não.
Quero saber de talvez.
O talvez que me excita.
O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida.
Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver.
Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez.
Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer.
Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez.
Talvez me lembra sempre você.
Quero saber de talvez.
O talvez que me excita.
O talvez me trás as expectativas de olhares fortuitos com cumplicidade não consentida.
Trará-me alegria durante os dias inteiros enquanto não tiver a certeza de te ver.
Terei o sol mais cedo que a alvorada das horas, isto me dará o talvez.
Esperando um tipo de milagre que os céus talvez entendam por bem trazer.
Em uma outra hora talvez eu queira seu sim também, mas me dê seu talvez.
Talvez me lembra sempre você.
mulher tátil
Mulher, é certa sua presença entrecortando outras chamadas.
Ocupando espaços nas laterais e preenchendo o não vazio.
Tragando olhares redondos saídos de olhos cegos de outras.
Trazes palavras de volta, ao batente músculo meu.
Mulher, suspirante motivo sem raciocínio sobre outros dias.
Mulher em movimento, em lento mover de gravação pela lente do olho.
Mulher filha de deus, criada para inspirar.
Mulher do tato, sem meu toque és nada de tátil.
Corpo dócil, levemente leve como de nuvens brancas.
Viajas mulher.
Eu te lembro mulher,
Tu mulher que é mulher
dever
Diz-me que devo
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.
o que sei que devo.
Mas se sei que devo,
o que devo dizer,
pra quem eu devo,
dizer que devo?
Sei que devo,
sei que devo.
Mas devo dizer,
pra quem eu acho que devo,
dizer que devo,
que devo dizer,
que não devo,
dizer o que devo.
sábado, 4 de outubro de 2008
descoberto
Eu quero estar longe
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.
no fundo de uma janela escura.
Quero olhar sem você me ver.
Quero que olhe pra mim e me veja sob a sombra.
Que você não descubra como sou.
Que seja difícil me ver inteiro.
Que eu esteja bem distante quando quiser me tocar.
Que seja eu, como é agora para mim.
Que seja enfim como tem que ser.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
disto
E agora cobertos de razões,
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.
já podemos adormecer nossas paixões.
Suportar toda dor, de não termos,
com todas as escoras que nos deu o senhor do tempo.
Contemplarmos um ao outro,
como olhar-se no espelho sem enxergar quem queremos ser.
Abraçar sem sentir o corpo quente do outro,
pois já podemos sentir frio sem querer cobertor.
Olhemos nos olhos um do outro,
já que a distância não trará nenhum amor.
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