sábado, 22 de novembro de 2008

sim

Sim, mas e daí?
Se não ouve o que falo,
se não houve fala?
Se engano é minha impressão e enganar é a sua?
Se preciso que precise desde o início e se você é tão precisa em não precisar?
E agora que faço com o que quis fazer se você sempre fez questão de nada fazer?
E a lua? O que falo pra ela?
E depois que você se esquecer como faço pra lembrar-me para esquecer?
É você que me trás o impedimento e o avançar, querendo ou não.
Sendo ou não, estando ou não.
E daí?

caso

Quebrou-se.
Mas o que é ainda está aqui.
Despedaçado, separado sem colagem possível.
Os pedaços são cada um de outra importância,
multiplicada em atenções e eficácia em fazer pensar.
Quero ter mãos gigantes para juntar-los ao meu coração,
enfiar-los dentro de volta, em mim.
Considero montanha e morro a mesma coisa.
Daqui das terras mineiras,
o olhar de escalada,
de subida custosa,
dá o mesmo prazer quando é por algo que leva pra longe ou pra perto.
Lavo a cabeça é no tanque, com sabão de coco,
enxáguo enfiando a cabeça toda dentro d’água,
e aproveito e te chamo pra mergulhar comigo na cachoeira,
pra lavar a alma,
pra escapar de onde me quer você.
Volto a abrir a janela grande e de vidro,
vento me mostra o frio que abraço como se fosse seu corpo.
Esquento o tempo todo meu corpo pra que te aqueça,
caso queira,
caso precise,
caso me esqueça.

escorro

A terra que piso é santa, compactada,
com a chuva dos dias de entrada do verão,
ela foi se soltando, grão a grão,
e escorrendo.
Primeiro à minha volta, eu vi,
depois por debaixo de mim.
As flores dobraram os caules.
Escorregadio o piso, caí,
tentei manter-me de pé,
segurei em plantas novas,
recém nascidas, pequenas,
mas ainda assim tentei me agarrar a elas.
De joelhos estou olhando para onde estava,
espero o sol secar a terra.
Subida de volta,
ou continuo escorrendo?

só

Apenas dois pontos de vista que foram vistos,
errado e maldito, gêmeos não parecidos.

Escolha outro doce, rode em volta da mesa,
a conclusão não será a mesma.

Entendimento e tempo se combinam,
esperando o saber daqueles que amam.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

era

Era surdo, era mudo, era falado.
Era tudo, era mundo, era fundo, era gritado.
Era meu, era seu, era para mais ninguém.
Era estrela, era planeta, era lua.
Eram os meus olhos, os seus, eram olhares.
Era pensamento, era momento, era saudade.
Era suspiro, respiro, era sem ar.
Era fome, era jejum, por dias inteiros.
Era sonho, era insônia, era acordar.
Era verdade, era mentira, era no meio.
Era encontro, era perdido, era esbarro.
Era conto, era canto, era poesia.
Era espanto, era, um tanto,
Era um tanto, era no entanto,
bastante.
Era você, era eu,
por eras.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

seu 2

Vento sempre trouxe tristeza,
sempre levou embora saudade de nunca.
A própria saudade.
Aquela espera de alguém que chega e abraça sonhos.
Beijo com a boca ainda seca.

Vento transeunte que dá a volta em volta da casa.
E sempre volta ele mesmo
Dono de mim que me leva pra quem me queira
Pra quem brinca comigo
Dedos nas pontas dos meus.

corrige

Seu crer espanta,
sopra o sentido correto.
Suas falas deturpam,
de todo o escrito.
Sua verdade,
corrige a rota.
Meu credo,
era vento de tempestade.
Minhas falas,
foram poucas.
Meu escrito,
foi o sentido.
Meu caminho,
é o seu

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

nada 2

Ainda que haja tempo para incompreensível misericórdia,
Que seja perfeita a fórmula dos pares,
Mesmo que a paixão espalhe as folhas escritas,
Não teria, eu, o dia.

Apesar da certeza que impede o errar,
Mesmo que não seja exato escolher,
Que seja o claro sobre a escuridão,
E impossível viver o amar.

Agora não espero mais cartas,
Escrever pede notícias de ontem,
Olho para dentro do rosto,
Hoje não terei o hoje.

Os contornos serão disformes aos olhar,
O céu pesará sobre a cabeça,
As falas serão igualadas,
Sem a incerteza, viverei?

domingo, 16 de novembro de 2008

esta alegria fingida

Esta alegria fingida.

Esta fugidia de mim.

Estes dedos que chupam doces.

Restos nas pontas que agora apontam somente para mim.

Não tenho mais que deixar de escolher,

faço apostas no dia de hoje

Recolhi o resultado antes da meia-noite.

Suporto tudo,

menos a revolta pelo amanhã já escrito no livro que já me deu.

Estendo a toalha no úmido mesmo,

o cheiro que fica destoa de tudo que é de hoje.

Minha cara lavada,

minha cara do pau de ferro,

está mais dura,

mais feia,

mais cortante aos meus olhares.

Ou eu fiquei mais moço?

Depois que aprendi a jogar-me do alto de edifício,

ficou mais fácil ser passarinho,

mesmo sem as asas que criei quando me apaixonei.

sábado, 15 de novembro de 2008

fim

Quero pintar os muros,
abrir portões em seus tijolos escuros,
arrancar a grama do meu jardim,
tomar a chuva que hoje cai sem fim.
Quero subir morros com barro escorrendo em enxurrada,
quero lago transbordando e levando meus pertences,
quero que me cegue a manhã coberta de névoa fria.
Hoje em mim eu não quero nada,
quero ser nada,
quero não pensar e nem escrever.
Quero não querer,
não lembrar e nem ser.
Quero seu pensamento voando e sentindo livre queda,
ao vento,
descendo,
colhendo sua resposta,
sua melhora,
seu destino e desejo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Lua cheia

Toda hora eu vou lá na caixa.
Pra ver se alguém deixou carta, bilhete ou uma citação.
Escuto música baixinho e aquelas letras entram gritando:
tô querendo, tô parado, tô pensando.
Os muros daqui de casa já descascaram de esperar alguém subir neles
e olhar para os lados onde o sol brota.
Por onde vem seu viver.
Se ventar fosse seu nome, teria você no meu rosto todo dia.
Vi que a lua não dá fome, não faz companhia
e nem cantarola no meu ouvido.
Ela fica é me olhando como se esperasse que eu saisse daqui correndo
e fosse morar em coração de almofada,
com azul bordado nos seus cantos e mão sobre minha cabeça.
Acalma bichinho ferido!
Olho a estrada prá trás e me dá vontade de te chamar
pra ver onde eu tenho andado cantando
e uivando feito lobo de bosque.
Boto em você seu chapéu
e cubro uma parte do olhar
que nunca será tanque pra eu mergulhar.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html