Como terminar qualquer coisa que escrevo?
Não quero desligar como se apaga uma luz ao sair do quarto.
Afinal sei que vou voltar para lá.
Então deixo a luz acesa e eu sempre volto,
e olho para dentro dele e me pergunto:
- o que vim fazer aqui mesmo, o que eu estou procurando?
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
só gritando
Posso ter o incondicional?
Posso andar na borda do Hades?
Pode ser característico do desarranjo emocional?
Querer gritar não é normal.
Não é.
Subir ladeira a pé.
Soletrar sozinho.
Alimentar de pó.
Ficar sem sentir dó.
Enraivecer e enfezar todinho.
Não é normal.
Não é.
Posso ser imoral?
Posso colocar no pedestal?
Pode ser apenas de um só?
Quero sair do pó.
Pode ser pior?
Se ficar melhor vem dor?
Quero que me veja só.
O que será do amor?
Se tudo fosse cor.
Se alguém fosse por,
um coração aqui.
Eu vou partir
Eu vou dormir.
Quero sair daqui.
Quero gritar.
Eu sou normal!
Posso andar na borda do Hades?
Pode ser característico do desarranjo emocional?
Querer gritar não é normal.
Não é.
Subir ladeira a pé.
Soletrar sozinho.
Alimentar de pó.
Ficar sem sentir dó.
Enraivecer e enfezar todinho.
Não é normal.
Não é.
Posso ser imoral?
Posso colocar no pedestal?
Pode ser apenas de um só?
Quero sair do pó.
Pode ser pior?
Se ficar melhor vem dor?
Quero que me veja só.
O que será do amor?
Se tudo fosse cor.
Se alguém fosse por,
um coração aqui.
Eu vou partir
Eu vou dormir.
Quero sair daqui.
Quero gritar.
Eu sou normal!
sábado, 6 de dezembro de 2008
passar o tempo
alguns anos
alguns planos
alguns vales
algumas montanhas
algum deserto.
são belos
seus momentos
os que virão
os que serão
são os seus certos.
alguns planos
alguns vales
algumas montanhas
algum deserto.
são belos
seus momentos
os que virão
os que serão
são os seus certos.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
eu, você
E foi se transformando, foi transformando-nos
Transportando a nós, e nos dando nós
E nos deixando a sós, nos deixando sós
E fomos destruindo e nos construindo com os pós
E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós
Transportando a nós, e nos dando nós
E nos deixando a sós, nos deixando sós
E fomos destruindo e nos construindo com os pós
E mesmo com tantos prós, não pudemos ser: nós
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
ver
Não era você que me via,
e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver.
Repito os mesmos gestos de toda noite,
que são os que esbarro em você.
Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada.
Aprendi a cantar,
cantando o canto pelos cantos,
pra me encantar e sonhar.
Desfaço de tudo por tudo que diria,
se pudesse meus joelhos nos seus encostar.
Sua seda no som,
seus olhos, o tom,
seus lábios, sem outros são,
e mais nada.
Embora seja ir embora o minuto final,
até o final as folhas terão seu nome.
e isto não interessaria se isto não me bastasse pra viver.
Repito os mesmos gestos de toda noite,
que são os que esbarro em você.
Empurro carrinho de mão com estardalhaço na rua sem calçada.
Aprendi a cantar,
cantando o canto pelos cantos,
pra me encantar e sonhar.
Desfaço de tudo por tudo que diria,
se pudesse meus joelhos nos seus encostar.
Sua seda no som,
seus olhos, o tom,
seus lábios, sem outros são,
e mais nada.
Embora seja ir embora o minuto final,
até o final as folhas terão seu nome.
em
Seu nome deita em meu ombro
Seus cílios me abanam
Sua boca é feliz com meu nome
Seus braços me enrolam
Sou alegre assim
Ao te ver vivendo
Farto-me bebendo
Você em mim.
Seus cílios me abanam
Sua boca é feliz com meu nome
Seus braços me enrolam
Sou alegre assim
Ao te ver vivendo
Farto-me bebendo
Você em mim.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
neo
Brisamente me vou.
Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal.
Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo.
Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar.
Beijocadamente disparo selos em suas imagens.
Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro.
Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito
Desalentadamente estico o corpo e me deito em decúbito dorsal.
Consenquênciado de decisões de fora me esqueleto o corpo.
Saudadiadamente me lembro de lembrar de querer abraçar.
Beijocadamente disparo selos em suas imagens.
Imaginosiamente apago o passado, o presente e futuro.
Apaixonadamente escrevo o que deve ser dito
domingo, 30 de novembro de 2008
presente
Não é somente o basta que não completa o que me resta.
É o interesse egresso do que fui neste tempo.
Me enchem as cheias e as meia luas, precursoras de luz ausente.
Metade de escuridão do outro lado que me vejo posto.
É a certeza do certo sobre o errado.
Tampando o possível, o imaginário, o abstrato e temporal tempo eterno.
Enquanto dure, enquanto em mim, em quanto ficaria as custas de ficar também aí.
São estas falas que me fazem pertencente a ti e ao tosco esboço de relacionar isto com um sentimento de um par.
Lá também estão juntas as almas de quem não é meu nem seu;
o campo do sonho, do futuro limpo.
Tênue pensamento, profético ato de ver o nosso, com o de outro que também sonha.
Resta o que me resta, para me bastar, para trocar de memória, de parar o olhar pra frente.
O ausente está presente claramente, lindamente, eficazmente verídico.
O real me assola, me enche de completo desastre, inevitável preenchimento.
O soslaio me convence.
É o interesse egresso do que fui neste tempo.
Me enchem as cheias e as meia luas, precursoras de luz ausente.
Metade de escuridão do outro lado que me vejo posto.
É a certeza do certo sobre o errado.
Tampando o possível, o imaginário, o abstrato e temporal tempo eterno.
Enquanto dure, enquanto em mim, em quanto ficaria as custas de ficar também aí.
São estas falas que me fazem pertencente a ti e ao tosco esboço de relacionar isto com um sentimento de um par.
Lá também estão juntas as almas de quem não é meu nem seu;
o campo do sonho, do futuro limpo.
Tênue pensamento, profético ato de ver o nosso, com o de outro que também sonha.
Resta o que me resta, para me bastar, para trocar de memória, de parar o olhar pra frente.
O ausente está presente claramente, lindamente, eficazmente verídico.
O real me assola, me enche de completo desastre, inevitável preenchimento.
O soslaio me convence.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
fotos
Esta é você.
A que me amedronta,
não sei seu medo.
Sua condição para ditar algo que eu anote em meu caderno.
Esta é a outra de você a me deliciar os olhos e arrepiar a têmpora.
Espantar a indecisão.
Prefiro as duas que nenhuma,
prefiro o olhar pra foto de que nenhum por mim.
Aquela me senta na posição em que estou,
na cama feita pra dormir.
Esta outra você,
traga pra dentro,
por dentro a trago,
foge,
traz e me dá os passos.
Solidifica e constrói,
por paciência e distância,
no canteiro do seu olhar.
Eu sou seu, você que não é outra.
A que me amedronta,
não sei seu medo.
Sua condição para ditar algo que eu anote em meu caderno.
Esta é a outra de você a me deliciar os olhos e arrepiar a têmpora.
Espantar a indecisão.
Prefiro as duas que nenhuma,
prefiro o olhar pra foto de que nenhum por mim.
Aquela me senta na posição em que estou,
na cama feita pra dormir.
Esta outra você,
traga pra dentro,
por dentro a trago,
foge,
traz e me dá os passos.
Solidifica e constrói,
por paciência e distância,
no canteiro do seu olhar.
Eu sou seu, você que não é outra.
sorriso diverso
Um sorriso único, certa e convicta
Em um digno olhar, clara visão
Fácil amar tanta luz, tanta razão
Momento em todo tempo da vida
Pensar em quais das faces?
Em suas posses, suas poses
Seus dedos longos, seus dentes
Suas marcas, seus de repentes
Várias e várias vezes apagar
Chorar os sem respostas
Viver pra pensar em ter
Dormir com pressa em não ser.
Em um digno olhar, clara visão
Fácil amar tanta luz, tanta razão
Momento em todo tempo da vida
Pensar em quais das faces?
Em suas posses, suas poses
Seus dedos longos, seus dentes
Suas marcas, seus de repentes
Várias e várias vezes apagar
Chorar os sem respostas
Viver pra pensar em ter
Dormir com pressa em não ser.
domingo, 23 de novembro de 2008
vôo
sempre, todo dia, tenho uns pedaços pra viver,
pra continuar pousando e voando,
pousando e voando.
meu coração decola só.
e sabe? ele sabe que o horizonte nunca será dele.
por isso o pouso.
aterrisar é buscar entre as árvores uma fruta com água dentro,
um animal entre as folhas que o devore inteiro.
pra continuar pousando e voando,
pousando e voando.
meu coração decola só.
e sabe? ele sabe que o horizonte nunca será dele.
por isso o pouso.
aterrisar é buscar entre as árvores uma fruta com água dentro,
um animal entre as folhas que o devore inteiro.
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