terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

tolinho no tijolinho

vou colocar no mp3 minhas músicas que ouço e tu ainda não conheces. vou levar-te na estrada de terra, e espero que anote em cada passo, o que eu te falarei direto do meu coração. minha vida. árvores que estavam aqui da outra vez, menores, participando de minha vida, agora ao teu lado. mal posso esperar para saber se te sou importante. é que quando a lua chegar, será o dia mais lindo e completo. hoje, comigo, aqui e agora. pois te terei toda minha, toda pura e pronta para gravar-me para sempre em ti. não sou teu e nem quero ser nada. apenas um pedaço de lembrança. o que sou para os outros todos?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

a cerca

às vezes eu percebo que Deus me cerca,
me gera nos outros,
me toca com os outros,
me acorrenta o pé com elos de dedos.
De dedos de Santo.
E eu me sinto guardado,
grudado em santidade,
separado por amor.

a vara

você é apenas uma vara na cerca que olho ao longe.
você pertence ao dono das terras que olho do lado de cá.
não me importo de ser passante.
o saber que você é eternamente parte do que sou,
basta.
nada mais.
apenas a pureza que está no ar.
simples.
assim.

de quinze, ou mais

Você é única.
Que me vem de quinze em quinze minutos me perturbar a guerra de ser só.
De ser somente aqui e lá.
De ser somente lá que me vejo, aqui.
Você não me troca, já que não me tem,
como queira.
Mesmo com tantas,
palavras e tantas vezes que vi seu nome escondido atrás de tudo que você é para mim.
Quando o arco de cores me permitir lembrar de mais cedo,
vou testemunhar o olhar que dei ao que não é meu.

quem vai aí?

Não sou sombra que te vai na sola,
do sapato.
Não sou o quarto que te espera,
do trabalho.
Não sou o guarda que te aguarda,
no sobrado.
Quem vai por ti olhar,
com amor?
Quem vai te ver partir,
com imensa dor?
Quem vai te acordar,
ao amanhecer?
Quem vai te fitar nos olhos,
sem piscar?
O que eu queria era te ter,
Um instante só,
somente nós.
O que eu queria era poder ter o poder,
de aparecer aí.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

nada no Natal

Olhei da cadeira onde estava. Meu ponto de vista era único.
Único.
Não via mais além daquilo que me chamava pelo gesto de sempre.
Igual.
Quem era eu para eles? Para mim, eles não saberiam dizer quem eu era.
Para eles.
Uma desordem de corpos em abertura errada da câmera fotográfica.
Velocidade também errada.
O som captado por aquela porcaria de microfone interno.
Não tem compensação.
Somente no ano que vem. No Natal do outro ano.
E então eu não sentarei nesta cadeira, e sim, no sofá perto da janela.
Lá o vento me é a fuga.
E as crianças não repararam no meu bigode e barba sem fazer.
Eu não me lembrei do ano passado.
Por isto estou sentado nesta cadeira.
O que está acontecendo com os doces?
As crianças levaram.
Do ponto de vista, daqui de onde estou, é o mesmo farfalhar de roupas e gostos mal cuidados, mal pensados.
Não friamente calculados.
Finamente eu como com as pontas dos dedos encharcados de óleo.
E a boca repleta de guaraná.
Vou estalar meus dedos e chamar para irmos embora.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Ny em NY

Saber que meus membros doem ao crescer, não é nada.
Comparado ao sentir minha alma presa em meus sentimentos.
Quero asa grande,
de anja,
de harpia.
Pra olhar de cima e me ver sentada esperando que meu pouso não demore.
Sou franca comigo e não me peço licença quando vou cair de cima,
do alto de minhaas convicções de beira de abismo.
Sou moça de cabelo a marcar na testa.
Sou a festa comemorativa da vida.
Todo dia é meu.
Sou efêmera em tudo, inclusive em ser efêmera.
Sou a mesma que não diz Ny.

sábado, 24 de janeiro de 2009

esquecerei

Não tenho uma escolha que me acolha depois de fazê-la.
Tenho uma coberta fina com a qual eu cubro a cabeça,
com medo que ao fechar os olhos eu encontre com ela.
Fecho os olhos para sonhar acordado até quando amanhece o dia de entardecer minha vida.
Dobro o corpo com esta dificuldade que vem da preguiça de ter novamente a posição de encarar frente a frente a ausência.
Caminho com passos medrosos de não ser o que penso,
de não ser o que simplesmente quero,
de não ser eterno o desejo que acaba sempre no dia anterior.
Desejo o encontro com a paisagem que vi da janela aberta sem querer,
sem pensar,
sem dúvida.
Esquadrinhando o coração, procuro mais que os motivos,
pois a letra que eu não entendo, eu não posso repetir enquanto tento ler.
Agora, que seria o encontro das pernas dobradas, do assento frente ao outro,
eu não encontro a forma de parar.
De cessar o engolir o que eu não tenho,
o que me deste da razão de viver.
É seu, meu momento desde aqui, lugar de consolo no pai,
quando nem mesmo a ordem dada é o bastante para crer que é melhor assim.
Não há o que esquecer daquilo que já é de mim.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

marca

Vejo as marcas do tempo nas pedras.
Longas, finas ou largas marcas.
Sou delas.
Estão compactas, tomaram outras cores,
de outros tempos que passaram por elas.
Eras.

sábado, 20 de dezembro de 2008

tão

De tão poucas roupas,
De tão pouquíssimas palavras,
De tão grande sorriso,
De tão olhar,
De tão voz, doçura loquaz,
De tão cor,
De tão tão,
De tão,
De tanto...
Paixão!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

ao seu toque

Teu toque de me recolher ao teu castelo,
encolho-me à tua escolha,
embora que me olhes como se não fosse todo teu,
furto-me de achar-me em outro local que não seja
onde sinto um afago grande em todo corpo,
ato de espera por me fazer respirar tão rápido,
como foi também depender tanto assim de ti.
Se de tua boca, atrás desta cortina,
sair meu nome,
desfaleço em pétalas como se rosa eu fosse,
Transformas-me sem querer, sem cessar,
sem ao menos me tocar,
e, se me tocares, amoleço,
e sem rígido pudor,
enrubesço,
e intumescido meu membro,
acolhe-te em ato de amor único,
belo,
e minha alma é tua,
minha vida.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html