sábado, 9 de maio de 2009

ah! portugal... faltam poucos dias...

Amália Rodrigues
Composição: Artur Ribeiro - Ferrer Trindade

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça

Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir, podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem espero

Se eu gosto ou não, afinal
Isso é comigo
Mesmo que peças
Não me convences,
Nada te digo

De quem eu gosto...

terça-feira, 5 de maio de 2009

pra ler enquanto canta e me espera voltar (férias, sem posts...)

O Que Será (À Flor da Pele)
Milton Nascimento
Composição: Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

sábado, 2 de maio de 2009

mulheres

Amo as mulheres
Amo o fato de não viver sem elas
Amo-as por parecerem bonitas
E por quererem parecer
Amo as mulheres pois seu toque
Tem-me feito arrepiar
Amo as mulheres e seus medos
Sem razão
Amo suas certezas e sua coragem
Com emoção.
Amo seus olhares pedintes
Amo seu aceite com dor
Amo a forma de dizer não agora
Amo a espera por mim depois
Amo as mulheres por usarem saias
Amo seus vestidos
E suas camisetas brancas.
Amo!
Amo apaixonadamente
E me entrego totalmente a elas
Meu ser, minhas fraquezas
Amo seus penteados por elas
Amo seus cabelos por mim.
Amo suas perguntas
Amo suas poucas respostas.
Amo a jovialidade somente nelas
Amo a destreza de andar
Em sapatos inclinados.
Amo seus espelhos mulher
Amo seus filhos
Amos como ama seus pais
Amo você mulher que me toca
Move-me, me incita
Amo que me chame de amor.

carros pretos

os carros, hoje,
são todos pretos.
as motoristas, desde ontem,
não são ruivas.

erato

mito.
minto quando omito
que me usas,
quando és musa,
ó erato.
anda,
levanta.
um passo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

beija eu

sonho tanto eu beijando sua boca,
que tenho ficado rouco
de gritar ao acordar,
me beija de novo! me beija de novo!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

em tudo, um pouco

cortou o cabelo...
nova maquiagem
trocou o carro
pintou as paredes
renovou os móveis
encapou os livros
escutou as músicas
degelou a geladeira
colocou novo lençol
lavou os talheres
regou as plantas
comeu e bebeu
falou no msn
olhou para o céu
tudo havia mudado

ingrata

duas noites passei aqui
dentro de suas pernas
por suas coxas escorri
meus culhões amassou
minha boca em cima
sua boca em baixo
e dizes que não estive em ti?

quarta-feira, 29 de abril de 2009

disléxica

quero uma esteira
busco uma cadeira
busco a coisa inteira
pra viver aqui.

dá-me sua orelha
não me dá rasteira
pata de coelho
a viúva chora.

quero ser criança
e fazer lambança
tapa na orelha
pra me curar balanço.

solitário errante
passeio pela serra
pedalada na lagoa
sem olhar magoa.

pego na estante
deito no seu prado
sufocante aldeia
saio pois venci.

minha dor volteia
faz mirabolante
parte desiludida
escrevo o que perdi.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html