sexta-feira, 15 de maio de 2009

conhece?

Admiração
(Paulinho Moska)
Meus olhos, famintos, não se cansam
de te acariciar
Procuram sempre um novo ângulo
pra te admirar
E sonham mergulhar na sua boca de vulcão
Provar todo o calor que há na sua erupção

Escorregar nos rios claros
das margens dos teus pêlos
E encontrar o ouro escondido
que brilha em seus cabelos
Devorar a fruta que te emprestou o cheiro
E talvez desfrutar de um amor puro e verdadeiro

Esquecer o espaço, o tempo e o viver
Perder a noção do que é ter a noção do perder
Se um dia eu fui alegria ao te conhecer
Agora canto porque sinto a dor de não te ter

quinta-feira, 14 de maio de 2009

sabendo

Dormi tarde e me ocorreu de sonhar, com mãos,
Explico, e se eu justifico, é por ter a observação.
As mãos me tocavam nas costas das minhas,
Por debaixo dos panos das mesas.
E era o coração na boca,
Como se já o fim.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

nem...

nem tanto, nem tão.
apenas o bastante para parar.
apenas o basta quereria.

nem sim, nem. 
não!
o nem, para mim,
disjuntiva, a sua conjuntiva.



sábado, 9 de maio de 2009

ah! portugal... faltam poucos dias...

Amália Rodrigues
Composição: Artur Ribeiro - Ferrer Trindade

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça

Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero
Porque não quero dar-te um desgosto

De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir, podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem espero

Se eu gosto ou não, afinal
Isso é comigo
Mesmo que peças
Não me convences,
Nada te digo

De quem eu gosto...

terça-feira, 5 de maio de 2009

pra ler enquanto canta e me espera voltar (férias, sem posts...)

O Que Será (À Flor da Pele)
Milton Nascimento
Composição: Chico Buarque

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo

sábado, 2 de maio de 2009

mulheres

Amo as mulheres
Amo o fato de não viver sem elas
Amo-as por parecerem bonitas
E por quererem parecer
Amo as mulheres pois seu toque
Tem-me feito arrepiar
Amo as mulheres e seus medos
Sem razão
Amo suas certezas e sua coragem
Com emoção.
Amo seus olhares pedintes
Amo seu aceite com dor
Amo a forma de dizer não agora
Amo a espera por mim depois
Amo as mulheres por usarem saias
Amo seus vestidos
E suas camisetas brancas.
Amo!
Amo apaixonadamente
E me entrego totalmente a elas
Meu ser, minhas fraquezas
Amo seus penteados por elas
Amo seus cabelos por mim.
Amo suas perguntas
Amo suas poucas respostas.
Amo a jovialidade somente nelas
Amo a destreza de andar
Em sapatos inclinados.
Amo seus espelhos mulher
Amo seus filhos
Amos como ama seus pais
Amo você mulher que me toca
Move-me, me incita
Amo que me chame de amor.

carros pretos

os carros, hoje,
são todos pretos.
as motoristas, desde ontem,
não são ruivas.

erato

mito.
minto quando omito
que me usas,
quando és musa,
ó erato.
anda,
levanta.
um passo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

beija eu

sonho tanto eu beijando sua boca,
que tenho ficado rouco
de gritar ao acordar,
me beija de novo! me beija de novo!

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html