terça-feira, 16 de junho de 2009

não, você.

Não te esqueço nem quando não tento

Não te quero mais do que muito mais

Não te vejo mais do que dentro de mim

Não te espero há muito tempo daqui

Não te beijo assim desde amanhã

domingo, 14 de junho de 2009

algo de bom

quero algo de você em mim,
talvez sua calma, sua voz calma,
seu jeito de tocar minh'alma.

quero seu azul do mar,
o verde do campo de seu olhar,
suas cores de todas as roupas.

quero algo de mim em você,
minha completa entrega,
meus planos mirabolantes,
meus amanheceres desde a noite.

queria algo do amor em nós,
algo de amar nas palavras,
algo de completa ilusão.

j.b. de oliveira

teima mas não aposta. meu avô dizia. acho que foi dele que ouvi isto a primeira vez. e me disse mais, muito mais me ensinou meu avô jb. lembro dele sentado no sofá junto à luz do abajourt, em sua imensa sala de visitas, apartamento gigantesco no centro da cidade, lendo ou estudando. sempre foi assim e no final da vida, já sem poder ler por causa da vista, me chamava para falar de suas várias leituras de dicionários cheios de papéizinhos laranja, com anotações de erros e ausência de palavras que ele apontava com precisão. e, antigamente, lendo os filósofos gregos, em alguns casos no original grego arcaico, me falava da filologia e etimologia das palavras. quando me viu interessado em uma enciclopédia/dicionário, quando eu tinha pouco mais de 14 anos, imediatamente encomendou-o pelo correio. lembro de, ao abri-lo, e ver as bandeiras dos países reproduzidas na contra capa, ter um prazer enorme. ficamos eu e ele adivinhando o nome dos países em uma espécie de competição. meu avô ganhou. e ganhava todas, ou quase todas. poesia ele escrevia. textos? também. acho que não gostava da figura de drummond. anos depois eu sorria ao lembrar disto, quando li os primeiros poemas do poeta de itabira. contos, estórias fantásticas, contava a história com uma vivacidade que sempre me imaginava lá. era um grande homem. meu modelo de homem. ele foi meu papai noel durante vários anos. com carta datilografada e assinada. desconfiei quando vi sua letra inconfundível, mesmo somente assinada; papai noel. me dizia meu avô noel "marcos, não lhe posso dar tudo que queres, apesar de merecer, pois sei que tem sido um bom menino, obedecendo sua mãe e a ajudando com seus irmãozinhos, pois tenho outras crianças para dar presentes e não seria justo eu dar tudo apenas para algumas"
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.

terra

Quem me dera ser, a terra, a sede de minha terra.
Corpo.
Que me fizera a chuva caudalosa?
Braços.
Quanto aos sons contínuos,
Ouvir.
O que daria ser, você, raiz da planta.?
Abraços.

sábado, 13 de junho de 2009

suã com arroz

Acordei e não vi nada seu

Na noite anterior, não tive suas unhas pintadas, elas, marcando sua pele, a minha.

Meus dedos fizeram letra, fizeram palavras, fizeram frases que enviei por aí.

Acordei e meu corpo não tinha suor, seu.

Meus olhos olharam em volta e não deram de cara com os seus.

VTNC.

Que horas saiu o avião que me atropelou?

Acordei e pensei: onde está minha tabela periódica?

sexta-feira, 12 de junho de 2009

rio 1909

- não! eu não posso sobreviver sendo o tenente dilermando de assis!
- mas você agora tem a esposa dele, anna!
- sim! mas euclides da cunha, o seu marido, morreu!
- então?
- somente sou dilermando com euclides vivo!

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Y

valentine

e para os namorados neste dia?
fodam-se!






foder -
(latim futuo, -ere, ter relações sexuais com uma mulher)
v. tr. e intr.
1. Cal. Ter relações sexuais.
v. tr. e pron.
2. Cal. Deixar ou ficar em mau estado, destruído ou prejudicado.
Cal. foda-se: expressão designativa de admiração, surpresa, espanto, indignação, etc.

Sinónimo Geral: fornicar


quarta-feira, 10 de junho de 2009

deste-me

desde a boca. desde o filme. desde o riso.
desde o desdenhar. desde a madrugada.
desde o pé. desde a cabeça. desde o coração.
desde a solidão. desde a fome. desde a estrela.
desde a imagem. desde o ilógico.
desde o quando. desde o tanto. desde o quanto.
desde o longe. desde a ausência.
desde hoje.
desde ontem.
desde que não haja amanhã.

sensível

sara, sana, somos, sei, soma, santa, senta, sinta, some, sinto, sim, só, ser, sumo, suco, sorvo, solto, salto, seixo, sua, seu, sexo, sal, sou, sol, sabor, saber, saciar, saia, seco, simples, solo, soa, suave, sorrir, solto, sutil, saída. saco.

tentando

você tenta me adivinhar.
você tenta me conhecer pelas frases.
você tenta me tentar.
você tenta me achar entre um sorriso e outro.
você tenta se achar em si.
você tenta se mostrar sem dor.
você tenta se calar do amor.
você tenta se tocar sem mim.
você tenta não ser apenas se.
eu tento, eu tento ser sem o corpo.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html