na noite, a chuva levantou os cheiros de memórias invisíveis.
sobrepôs anos sobre o dia.
não houve imagens que fizessem o descanso chegar.
em vãos secretos deitou seus olhos.
esperou as horas comuns dos trinta dias incomuns.
lutou contra o luto falso.
(no outro dia estava entre cristais, madrepérolas e sedas)
(sentido perfeito, único, novo e prometido)
junto mais palavras por sentir?
segunda-feira, 29 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
tempo?
e se viraram
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.
terça-feira, 23 de junho de 2009
romaneio
Passantes mãos em pianos mudos,
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.
domingo, 21 de junho de 2009
*bicicleta velha
bicletaaaa!
recupera da dor!
trás a flor...
desacelera agora!
tá frio?
sinto nada!
amar?
não dá amor....
recupera da dor!
trás a flor...
desacelera agora!
tá frio?
sinto nada!
amar?
não dá amor....
quarta-feira, 17 de junho de 2009
*não quero o tempo, todo
Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.
terça-feira, 16 de junho de 2009
não, você.
Não te esqueço nem quando não tento
Não te quero mais do que muito mais
Não te vejo mais do que dentro de mim
Não te espero há muito tempo daqui
Não te beijo assim desde amanhã
domingo, 14 de junho de 2009
algo de bom
quero algo de você em mim,
talvez sua calma, sua voz calma,
seu jeito de tocar minh'alma.
quero seu azul do mar,
o verde do campo de seu olhar,
suas cores de todas as roupas.
quero algo de mim em você,
minha completa entrega,
meus planos mirabolantes,
meus amanheceres desde a noite.
queria algo do amor em nós,
algo de amar nas palavras,
algo de completa ilusão.
j.b. de oliveira
teima mas não aposta. meu avô dizia. acho que foi dele que ouvi isto a primeira vez. e me disse mais, muito mais me ensinou meu avô jb. lembro dele sentado no sofá junto à luz do abajourt, em sua imensa sala de visitas, apartamento gigantesco no centro da cidade, lendo ou estudando. sempre foi assim e no final da vida, já sem poder ler por causa da vista, me chamava para falar de suas várias leituras de dicionários cheios de papéizinhos laranja, com anotações de erros e ausência de palavras que ele apontava com precisão. e, antigamente, lendo os filósofos gregos, em alguns casos no original grego arcaico, me falava da filologia e etimologia das palavras. quando me viu interessado em uma enciclopédia/dicionário, quando eu tinha pouco mais de 14 anos, imediatamente encomendou-o pelo correio. lembro de, ao abri-lo, e ver as bandeiras dos países reproduzidas na contra capa, ter um prazer enorme. ficamos eu e ele adivinhando o nome dos países em uma espécie de competição. meu avô ganhou. e ganhava todas, ou quase todas. poesia ele escrevia. textos? também. acho que não gostava da figura de drummond. anos depois eu sorria ao lembrar disto, quando li os primeiros poemas do poeta de itabira. contos, estórias fantásticas, contava a história com uma vivacidade que sempre me imaginava lá. era um grande homem. meu modelo de homem. ele foi meu papai noel durante vários anos. com carta datilografada e assinada. desconfiei quando vi sua letra inconfundível, mesmo somente assinada; papai noel. me dizia meu avô noel "marcos, não lhe posso dar tudo que queres, apesar de merecer, pois sei que tem sido um bom menino, obedecendo sua mãe e a ajudando com seus irmãozinhos, pois tenho outras crianças para dar presentes e não seria justo eu dar tudo apenas para algumas"
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.
justiça, equilíbrio, silêncio, saber escutar, liderança. não apreendi tudo, mas aprendi com meu avô. andávamos juntos pelas ruas do centro, já apinhadas de gente, ainda no fim da década de 70, eu menino, ele me "guiando" com sua mão em minha nuca. sentia-me protegido, amado. meu avô era cheiroso. tinha um perfume, nunca soube qual, que era suave, doce. cheiro de avô. em sua grande varanda, de seu apartamento, havia duas gaiolas com canários belgas que eram durante um bom tempo, seus xódos. eu menino achava bonito. depois é que me veio um não suportar bicho preso. aqueles foram os únicos. quando ligaram e me disseram que era morto meu avô, não me assustei. ele tinha vivido 91 anos. e me dado os que tenho até hoje.
terra
Quem me dera ser, a terra, a sede de minha terra.
Corpo.
Que me fizera a chuva caudalosa?
Braços.
Quanto aos sons contínuos,
Ouvir.
O que daria ser, você, raiz da planta.?
Abraços.
Corpo.
Que me fizera a chuva caudalosa?
Braços.
Quanto aos sons contínuos,
Ouvir.
O que daria ser, você, raiz da planta.?
Abraços.
sábado, 13 de junho de 2009
suã com arroz
Acordei e não vi nada seu
Na noite anterior, não tive suas unhas pintadas, elas, marcando sua pele, a minha.
Meus dedos fizeram letra, fizeram palavras, fizeram frases que enviei por aí.
Acordei e meu corpo não tinha suor, seu.
Meus olhos olharam em volta e não deram de cara com os seus.
VTNC.
Que horas saiu o avião que me atropelou?
Acordei e pensei: onde está minha tabela periódica?
sexta-feira, 12 de junho de 2009
rio 1909
- não! eu não posso sobreviver sendo o tenente dilermando de assis!
- mas você agora tem a esposa dele, anna!
- sim! mas euclides da cunha, o seu marido, morreu!
- então?
- somente sou dilermando com euclides vivo!
Assinar:
Postagens (Atom)
delícia de texto
http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html
-
não tem coca não tem torta não tem diamante negro não tem luz não tem paz não tem raiz não tem leite não tem café sem açúcar não tem velocid...
-
O Que Será (À Flor da Pele) Milton Nascimento Composição: Chico Buarque O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Qu...