quinta-feira, 9 de julho de 2009

*sacrificado dia

tem um pedaço de mim que é sacrifício.
oitava parte, de dez oitavos, entrego à carnificina do diário.
o que sobra jogam pedras em cima.
me fazem um altar.
sou santo, separado para vagar,
sem esbarrar as asas, entre as cortinas que abaixam.
pois, da altura, deus me olha esperando eu voltar-me. a face escondida de vergonha.
ainda dá tempo de voltar?

domingo, 5 de julho de 2009

2 dias

se houvesse um cheiro compartilhado, poderia buscá-lo aqui próximo.
há aquelas palavras rodeando que não se juntam.
sétimo, quase todo dia esperando, o seguinte.
primeiro, quase inteiro, nas últimas horas impossíveis.
se há algo por dizer, digo hoje. venha buscar-me.

*tempo

prefiro assim. seguindo sozinho corro riscos maiores. nem tenho que olhar pra trás.

sábado, 4 de julho de 2009

fome

Eu tenho isto em mim. Esta coisa inexplicável. Um sentimento que vem e vai.

Às vezes sinto como se o passado não fosse possível ter vivido.

A saudade é tão grande, tão forte a força com que vem, que literalmente o coração para.

Às vezes o querer é demais.

É querer uma tarde calorenta, suor de sexo, de paixão, de não querer saber se outro dia vem.

Ou se outra tarde se foi.

Tardes silenciosas com olhares cúmplices com motivos iguais em tudo.

Fome.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

terça-feira, 30 de junho de 2009

suspende

não acho que seja o bastante,
para bastar,
os instantes colocados (o meu sobre o seu).
venha o corpo,
venha a voz,
vejo os olhos (partidos, enviados. aos pedaços compartilhados).
sei do caber,
do espaço que ainda há (mas, do outro lado cabendo, conterá?).
lembro vagamente, (memória tenta o futuro),
da viagem na serra onde ouvi a voz da infância (o passado nos contenta).
falo vago,
viajo ao som do que completa minha fala,
me suspende... (suspiro)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

luto

na noite, a chuva levantou os cheiros de memórias invisíveis.
sobrepôs anos sobre o dia.
não houve imagens que fizessem o descanso chegar.
em vãos secretos deitou seus olhos.
esperou as horas comuns dos trinta dias incomuns.
lutou contra o luto falso.
(no outro dia estava entre cristais, madrepérolas e sedas)
(sentido perfeito, único, novo e prometido)
junto mais palavras por sentir?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

tempo?

e se viraram
e não se viram
por muito tempo.
e se viram
e se viraram
por pouco tempo.
e se viraram
muito
por pouco tempo.
e por muito tempo
viram
que viraram
um momento.
por muito tempo.

terça-feira, 23 de junho de 2009

romaneio

Passantes mãos em pianos mudos,
com letras falantes que marcam a tela,
mostram o som da voz distanciada,
entre montes e serras,
conquistando uma parte desidratada de mim.
Longos dias,
sem fim ou sem certeza,
são os dias preenchidos,
posições,
promessas de línguas,
fórmulas químicas.
Inverdades ditas francamente,
interessam aos similares.
Dependo, defendo os momentos ,
diversas opostas.
Quilômetros trazem-me,
melhores momentos doados por alguém.

domingo, 21 de junho de 2009

*bicicleta velha

bicletaaaa!
recupera da dor!
trás a flor...
desacelera agora!
tá frio?
sinto nada!
amar?
não dá amor....

quarta-feira, 17 de junho de 2009

*não quero o tempo, todo

Eu nunca saberei,
as paredes brancas,
seriam limpas por estarem cheias de dedos pequenos?
Eu não abrirei a porta,
sabendo que é chegada a hora que tudo estará em torno.
Suspender os braços para esperar,
a chegada dos braços,
em abraços que se tornam poros trocados.
Nunca isto,
não.
Lidas as lidas,
com fortuitas lidas,
de minhas lida de descrever,
a sua vontade que vem de mim.
Não, eu não me caibo,
não sou casto,
não estarei compartilhando a palma da minha mão com ninguém.
Perfume de noites claras,
espiam o sofrer por não ter.
Eu tenho o tempo,
não queria tê-lo por tantos anos me fazendo companhia,
tão certo,
tão bem contado.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html