domingo, 16 de agosto de 2009
de ondas e futuro
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
receita
Carne maturada
Tempero
Fome
Pegue a carne, olhe para ela, de preferência com dois olhos grandes, se forem verdes, não espere amadurar. Desembrulhe e coloque sobre ela seu próprio tempero. Esfregue-se nela pelo tempo que for necessário para que desprenda seu líquido natural. Coloque-a no processador e ligue na velocidade máxima. Reduza e vá intercalando: rápido, médio, muito rápido, slow. Retire, mas não a deixe sozinha. Cubra. Deixe descansar quarenta minutos. Enquanto isto aqueça o forno em potência alta. Veja se a carne descansou em menos tempo, pode acontecer nas mais maturadas e principalmente com procedência espanhola ou judaica. Ajeite na travessa os pedaços da forma que lhe agrade. Abaixe o forno até o mínimo, a carne deverá demorar mais pra cozinhar, mas ficará (garanto) uma delícia. Em fornos mais novos aconselho a ir dando uma olhada pra ver se a carne está com aparência bem “viva”. Deixe cozinhando na sua cozinha por dois, três ou quatro dias. É isto mesmo. Demora. Mas será a comida do ano. Talvez da sua vida. Coma. E não goze ainda. Tem mais carne lá. Durma. Descanse. Coma de novo. E de novo. Não reduza esta receita. Espero que goste. É receita antiga.
beneficiária de mim
sem vergonha de ser poeta, poetisa, exprimista, esgrimista,
sei lá o que é você.
sentir o começo, um suspiro profundo,
a dor do mundo,
do
menino perdido, da saudade descrita.
o despiste, do maldito tempo, do bendito agora
a razão solapante, a versão da aldeia, a veracidade
metropolitana.
Soltar o corpo nu, sexo na liteira,
maremotos trazendo bobagens,
loucuras,
santas mulheres imaginadas.
Perfeitas medusas, tranças nas pernas,
gulosas peruas, olhares seus.
Meus! Meus! Meus!
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
seu
morto
rosas
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
perdidos
ciúme de dedos
sábado, 8 de agosto de 2009
De outros 1
Escrevo desde os 16 anos e ainda não aprendi. Talvez pela falta de estudo, pela inconstância (paro anos e volto, longos períodos escrevendo compulsivamente x longos períodos de silêncio total). Estou iniciando minhas escritas aqui neste blog, hoje, onde obtive a promessa de poder escrever o que quisesse e com periodicidade indeterminada. Meu nome sempre foi Paulo, desde que me perguntaram a primeira vez. Lembro do meu pavor de dizer meu nome e o nome que me veio à cabeça foi este. Senti-o sonoro e seguro. Nome forte para utilizar na guerra que pretendia lutar. Sobre isto falarei mais tarde em outro post. Aguarde-me. Hoje quero dizer-lhe de mim. Como aconteceu de me encontrarem vagando, de como me alimentaram e como me tornei o homem que hoje você conhecerá. Um pouco. Vamos aos poucos para que a surpresa seja construída. Nasci em uma família grande, o quarto filho, o caçula bem educado, bem vestido, bem tratado e amado. Mimo foi a primeira palavra que percebi ser para uso negativo. Meu pai dizia sempre; - você mima demais este menino. Ele teve uma premonição talvez e não interferiu pois sua visão de futuro já havia lhe dito que não participaria de grande parte de minha criação. Perdi-o quando eu ainda não usava calça comprida. Fui criança livre, cidade grande, chicletes pregados na calçada eram arrancados e "remascados" como se fossem novos ao se colocar um pouco de açúcar. Nunca tive cáries ou infecções intestinais. Minha morte já havia passado perto e ela apenas tentaria me colher bem mais tarde, já que quando novo me visitara com uma insistência tão grande que alguns parentes diziam à mãe; coitada, ele é o último filho que ela pari. Ele era eu. Fraquinho, magrinho, tão mirrado que as agulhas atravessavam meus braços e acabavam por dar-me aos braços, a aparência que afastavam as mais experientes enfermeiras. Chocadas se recusavam em me colocar o soro, que iria me reidratar para a vida. Minhas perninhas e calcanhares ganharam sua vez. Voando para a cidade do Rio de Janeiro, pois a capital naquela época ainda não tinha o Hospital de Base. E assim sobrevivi à desidratação. Daqui, não mais mascando chicletes, fui colocado em uma escola para crianças excepcionalmente inteligentes e com pouco mais de seis meses, fui chamado à diretoria para escolher entre ficar em minha classe ou passar parar outra mais adiantada. Não sabia, mas me senti como Woody Allen ao ser questionado se aceitava sua própria circuncisão. Fiquei onde estava. Ali foi meu erro. Havia uma menina mais velha um ano, eu tinha sete para oito anos, linda, cabelos pretos, franja grande, saia azul, como todas as outras. Sua calcinha eu nunca vi, Vi-a uma vez sem nada. Estranho para mim, indefinível então. Mas marcante aquela diferença dela para as outras. Ela foi meu primeiro erro com as mulheres, dentre tantos que muitas permitiriam ou não em meus romances. Sim, desde já esclareço que sempre fui de romances. Nunca houve uma mulher que eu não desejasse casar, viver e senti-la como única e interminável. Isto até ler Vinicius (eu também escrevo poesias) e compreender que o eterno sem medida é melhor. E este sentimento de romances intermináveis, paixões avassaladoras eram alimentadas por filmes que varavam à madrugada e atravessavam meu coração e colocavam minha mente em um transe deliciosamente vago, superficial em profundidade da realidade, mas que me conservou até hoje. Sou um apaixonado. E preso dentro desta paixão, um corpo sexualmente ávido, tarado eu diria. Que se controlaria para não ser presa fácil das que desejam apenas carne e vinho. Não quero generalizar. Amo e aprecio todos os tipos de mulheres. As loucas principalmente. As perigosas, literalmente. As amorosas demais, quero distância. As misteriosas, desejo tê-las por todo tempo. Ah, meu tempo de liberdade para escrever acabou agora. Esqueci quase, tenho um tempo estipulado, única condição que me é imposta. Regras externas ao blog esclareço. As luzes precisam ser apagadas em três minutos. Eu volto depois
delícia de texto
http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html
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