sábado, 3 de julho de 2010

as feridas

as feridas às vezes gritam;
- alma! alma!
e minha alma escuta, e pergunta;
- quem és?
- a ferida, a ferida, a ferida!
e espantada minha alma argui;
- quais?
- as do amor, somos.
- mas não tenho tais feridas... (reluta minha alma!)
- alma! as feridas! as feridas!
- quais? (vence minha alma!)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

escrevo...

temo escrever e perder nele, o tom.
de dizer...
que acordei e vi o que sonhei,
que sinto os pelos na ponta da língua,
que sinto os nós dos dedos nos meus,
que sinto o peso da cabeça no meu braço,
que noto o olhar enquanto olho em frente,
que sinto o mindinho esfregando em meu colo,
que vejo cenas nas palavras,
que vejo os seus sendo meus,
que vejo os meus sendo seus...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

contarei

contarei,
contarei dos dias que faltam...

contarei em dias de claridade,
contarei em noites de conchas.

contarei ao meu amor,
contarei do meu amor....

quinta-feira, 3 de junho de 2010

quero...

não quero angustia.
quero expectativa, quero possibilidades, quero pequenos enganos, grandes surpresas, belas descobertas...
por isto fujo quando encontro a realidade pasmaceira, crueza sem saída.
quero o olhar desconfiado, o cabelo desarrumado, a roupa rasgada, suspiros escutados.
calo-me diante da boca.
seu nome eu digo, aos poucos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

mulher - reveja setembro de 2009

Não me faça um favor.
Não me crie em sua mente.
Não me tenha. Apenas me observe fazer.
Ou ser.
Veja quantas há em mim. Não sou sua.
Sou minha e todas.
Não sei quem sou, sou alguma, sou a louca, a menina, a moça.
Sou uma mulher.
Gênero.
Única. Pessoal.
Sou a bela.
Queira-me em lembrança, em distância, em suas melhores e maiores vontades.
Meu corpo pode estar em suas duas mãos, abrindo-se e recebendo.
Minha pele te sente, minha boca tem a saliva que beberá da sua.
Queira-me pela noite inteira. Toda.
Sua.
E de manhã me deixe em meus olhares.
Em minhas considerações e sonhos.
Sou uma mulher florescente

quinta-feira, 6 de maio de 2010

rubra

Rubra.
abre véus,
nuvens vermelhas,
despejas chuva,
doce,
caldalosa...
Acolhida,
língua.
Sorvida,
líquida,
pura.

Única e jamais igual, em minha garganta.

sábado, 1 de maio de 2010

segunda-feira, 26 de abril de 2010

seu alfredo

"Seu" Alfredo passou os dedos, polegar e indicador, na aba do chapéu. Saiu de casa com a certeza que estava abafando, como se diz em Minas. Quando chegou na casa de Cristina, parou em frente ao portão de ferro e o abriu com um resoluto empurrão com o pé. Passou por entre as folhagens do jardim, encaminhando-se por um corredor longo e estreito. Tomou cuidado para não se encostar nas paredes. Não queria resvalar seu paletó branco nas paredes. Ao fim do corredor, um quintal com algumas mesas e cadeiras, de ferro como de um bar. Esperou, parado, que alguém prestasse atenção em sua chegada, mas ninguém sequer virou-se para vê-lo. Apenas um cachorro, "lincou-se" com um olhar que lhe pareceu de desprezo.
- Os cachorros são assim mesmo, pensou Seu Alfredo.
Tentou fazer um barulho tímido para chamar atenção. Arrastou o pé no chão, como um raspar de garganta.  O pandeirinho que trazia consigo tocou em suas perna esquerda e duas crianças que estavam por ali, olharam, enfim para Alfredo e trocaram algumas palavras, das quais ele só conseguiu entender uma delas.
- Quem?
Voltou pelo corredor, raspando os ombros nos dois lados do corredor, seu chapéu de aba curta resvalou nas plantas o jardim e caiu. Não se abaixou para pegar, não se importava com mais nada. Quando saiu pelo portão de ferro, que bateu atrás de si, parou no meio da rua. Não sabia para que lado ir. Esquerda, direita, em frente?

(Agora, eu te pergunto leitora/leitor: o que "SEU" ALFREDO faria?)

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html