domingo, 30 de agosto de 2009

ligo?

- não! eu não ligo!
- como não?
- eu fico ligado o dia inteiro...
- mas então...?
- é... eu sei...
- vai ligar?
- mais?
- não pode?
- devo?
- quanto?
- como?
- quanto você liga?
- muito. eu te disse "vivo ligado".
- é...

minha escolha?

minha,
escolha.
escolha minha escolha.
escolha, minha, escolha.
escolha minha.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

vão

Há um vão entre mim e tudo que quero de amar.
Suas palavras fazem o traço para o passar.
Meus medos vão e tocam o outro lado.
Terra sua.
Você é de um pedaço aqui, dentro de mim.
Sou seu deitado em ti.
Homem agora enfim em si.
Sua causa, eu vou.



Uma única palavra (vão) me trouxe a ponte de onde te vi.

domingo, 23 de agosto de 2009

nome

Encherei minha boca com teu nome e uma frase de três palavras.
Fecharei meus olhos com tua imagem enviada,
pois somente ela quero enxergar.
Guardo,
eu guardo aqui suas três palavras, as quais quero trocar com as minhas.
E seu nome?
Como direi um nome tão lindo, tão transparente?

você

Estranho não ser você.
E nem é.
Já que sem você, não há.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

como?

é. discuto sim!
como posso concordar que com a certeza venham juntas as incertezas?
como, depois do tempo corrido o tempo pareça tão lento?
como, depois de desejar, deseje que não sinta tanto?
como pode, a entrega total, parecer abuso de confiança?
como posso ser inútil ao me descobrir útil?
como pode ser real, se desde o início parecia sonho?
como sonhar se a realidade bate a porta?
como não amar?
como não não querer?
como não ir?
como não ser o meu todo ser?
como não ser por você?



domingo, 16 de agosto de 2009

de ondas e futuro

Ontem querida, quando estivemos à beira mar, esperava dizer-lhe apenas que Vinicius estivera deitado na areia, isto há muito tempo, e que ele ainda se lembrava do que sentira. Mas quando abri o livro para ler para você o que ele rememorava, quando olhei para seus olhos e todo restante de seu corpo, eu me senti como se já estivesse relembrando algo que ainda não havia vivido. Aquelas ondas que ontem nos trouxeram tanto de tudo, aquelas das quais falávamos de serem diferentes, mas parte de um todo, sabe bem quais não e? Pois elas e você estavam comigo quando fui levado à frente , em uma viagem do tempo. E estive lá de onde olhei e vi que estava vivendo, ao lado de uma mulher, um momento que poderia já ser lindo em si mesmo (afinal amo você), mas, minha querida, eu percebi que aquilo que sentia não seria só meu. Eu iria compartilhar ali naquele instante (e eu ali no futuro saboreava o passado) uma das maiores emoções que um homem pode querer viver. A emoção de amar alguém na memória eternamente. Sim eternamente amarei você por ter me dado este momento de rememorar sem ainda ter estado lá. Ao lado da mulher que estava comigo à beira da praia, falando de ondas e poesias, eu vivi no futuro por instantes, e de lá eu vi um amor poético, uma paixão, um carinho por você, uma companhia de aventuras românticas. Amo você e seus momentos íntimos que você me dá em nossa intimidade. Vamos a praia hoje de novo?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

receita

Carne maturada

Tempero

Fome

Pegue a carne, olhe para ela, de preferência com dois olhos grandes, se forem verdes, não espere amadurar. Desembrulhe e coloque sobre ela seu próprio tempero. Esfregue-se nela pelo tempo que for necessário para que desprenda seu líquido natural. Coloque-a no processador e ligue na velocidade máxima. Reduza e vá intercalando: rápido, médio, muito rápido, slow. Retire, mas não a deixe sozinha. Cubra. Deixe descansar quarenta minutos. Enquanto isto aqueça o forno em potência alta. Veja se a carne descansou em menos tempo, pode acontecer nas mais maturadas e principalmente com procedência espanhola ou judaica. Ajeite na travessa os pedaços da forma que lhe agrade. Abaixe o forno até o mínimo, a carne deverá demorar mais pra cozinhar, mas ficará (garanto) uma delícia. Em fornos mais novos aconselho a ir dando uma olhada pra ver se a carne está com aparência bem “viva”. Deixe cozinhando na sua cozinha por dois, três ou quatro dias. É isto mesmo. Demora. Mas será a comida do ano. Talvez da sua vida. Coma. E não goze ainda. Tem mais carne lá. Durma. Descanse. Coma de novo. E de novo. Não reduza esta receita. Espero que goste. É receita antiga.

msn

aiiiii

meu joelho...

carai

de novo

caí!

beneficiária de mim

sem vergonha de ser poeta, poetisa, exprimista, esgrimista,

sei lá o que é você.

sentir o começo, um suspiro profundo,

a dor do mundo,

do

menino perdido, da saudade descrita.

o despiste, do maldito tempo, do bendito agora

a razão solapante, a versão da aldeia, a veracidade

metropolitana.

Soltar o corpo nu, sexo na liteira,

maremotos trazendo bobagens,

loucuras,

santas mulheres imaginadas.

Perfeitas medusas, tranças nas pernas,

gulosas peruas, olhares seus.

Meus! Meus! Meus!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

seu

existe,
entre o que sentimos um pelo outro,
sentimentos que são ainda de um e do outro.

se conheces o seu,
se eu conheço o meu,
eles existem,
mas não vivem.

peço que me reveles o seu,
para que o seu exista em mim,
para que ele viva.

para que você viva em mim,
para que o meu sentimento seja o seu sentir,
para que a minha vida seja viva.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html