eu vi o mar/eu vi lagoa/não sei se o mar ou se é lagoa.
o mar me pergunta/trago por debaixo da onda/descobre em mim/mergulhado/escondido/longo/mistério e solidão.
a lagoa me responde/está na superfície/olhar/compreensão/eterna/sólida/tenaz/em mim/pousado/amparo/sustento e companhia.
eu vi a lagoa no mar.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
outra coisa
Sou sombra,
nuvem cheia e copo com água em cima da pia.
Se deixar eu derramo,
entorno.
Quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho.
Bem baixinho.
Meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê.
Às vezes penso que ela é burra.
Né nada, minha tia Célia dizia.
Isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Conheço pessoas que nunca foram na minha casa,
que nunca ficaram perplexas ou paradas.
O touro é que não gosta delas.
Eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando,
Quando ela some de todo,
eu cutuco ela pra me ver vivo,
loquaz,
atendido nas minhas perdidas esperanças.
Queria ter companhia pra chorar de noite,
noite e dia, noite e dia, noite e dia.
Chorar sozinho é bom quando não se quer companhia.
Eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho,
mas na boca de quem não escuto a voz, mas sei que já chegou.
Reconheço gente de olho fechado, se tiver perfume bom,
se tiver uma mão macia ou cabelo de anjo.
Desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor.
Nem sabia que tinha ainda daquele jeito.
Depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal,
catar limão,
lavar calçada e depois entrei em casa.
Estas coisas eu faço pra me pegar sozinho
e me convencer que a vida é só isto.
Mas eu tô olhando lá da janela e grito:
Corre Marcos que vem chuva!
nuvem cheia e copo com água em cima da pia.
Se deixar eu derramo,
entorno.
Quando encosto na cabeceira dura da cama é que me dá vontade de chorar baixinho.
Bem baixinho.
Meu cachorro uiva pra lua e eu olho pra ela e ela não me vê.
Às vezes penso que ela é burra.
Né nada, minha tia Célia dizia.
Isto é coisa de lua nova, quanto menos se vê, mais quer.
Conheço pessoas que nunca foram na minha casa,
que nunca ficaram perplexas ou paradas.
O touro é que não gosta delas.
Eu tenho uma dorzinha que me incomoda de vez em quando,
Quando ela some de todo,
eu cutuco ela pra me ver vivo,
loquaz,
atendido nas minhas perdidas esperanças.
Queria ter companhia pra chorar de noite,
noite e dia, noite e dia, noite e dia.
Chorar sozinho é bom quando não se quer companhia.
Eu quero derramar aquele copo d'água inteirinho,
mas na boca de quem não escuto a voz, mas sei que já chegou.
Reconheço gente de olho fechado, se tiver perfume bom,
se tiver uma mão macia ou cabelo de anjo.
Desesperei uma vez quando me sumiu todo meu amor.
Nem sabia que tinha ainda daquele jeito.
Depois enchi-me de coragem e fui pegar a roupa no varal,
catar limão,
lavar calçada e depois entrei em casa.
Estas coisas eu faço pra me pegar sozinho
e me convencer que a vida é só isto.
Mas eu tô olhando lá da janela e grito:
Corre Marcos que vem chuva!
fala, mas...
Não posso ter na dúvida a principal pergunta que tenho como sobra.
Não devo, mas temo o que vai agora na cabeça sua;
se for dor, se é amor, se solidão ou não faz muita diferença.
Peço, eu penso licença só um instante para ouvir falar do que espero.
Fala comigo nem que seja para não explicar nada, para dizer coisa nenhuma do quero.
Pedi, eu lembro de pedir, me liberta, decidi estar e não estou.
Preso de mim mesmo, do desamor, da luta que se labuta, da fuga do óbvio lacerante, da vagareza de ser, de vez em quando.
Penso, faria algo por você, mas não fiz por ela quando passou por mim,
e eu nem lembro o nome, nem quando.
Somos assim iguais em cada lado da vida, momento, razão, perdição e achados
sou metade do era agora a pouco.
A outra parte, nem sei qual, se é de mim que se foi e ficou você, ou se você se foi e ficou a outra parte de você.
Acredite-me, me passe seu cartão do crédito, me entenda, a pessoa eu.
Sou uma pegada, um risco na parede de sua sala, no alto, na borda de sua cama,
na palma da mão, na sombra do seu passo.
E tudo isso é você em mim também
Se me entende, acredita no pedido de socorro, poço, água profunda, dor de dente, choro de criança.
Mas se me tocar no alto de minha cabeça, de leve, sei que a terei mais ainda, no processo que se chama eu precisarei de você.
Mas se continua a contínua resistência, na sua juventude tão certa, a decisão certa, ofertada, acertada no degrau mais alto, se ela for continuada, me fala.
Voz suave, choro meu, choro meu, choro meu, colo, dor novamente.
Dá-me cura, forte, resistência, parecida, incerteza.
Se fores, contínua, continua.
Mas me fala!
Não devo, mas temo o que vai agora na cabeça sua;
se for dor, se é amor, se solidão ou não faz muita diferença.
Peço, eu penso licença só um instante para ouvir falar do que espero.
Fala comigo nem que seja para não explicar nada, para dizer coisa nenhuma do quero.
Pedi, eu lembro de pedir, me liberta, decidi estar e não estou.
Preso de mim mesmo, do desamor, da luta que se labuta, da fuga do óbvio lacerante, da vagareza de ser, de vez em quando.
Penso, faria algo por você, mas não fiz por ela quando passou por mim,
e eu nem lembro o nome, nem quando.
Somos assim iguais em cada lado da vida, momento, razão, perdição e achados
sou metade do era agora a pouco.
A outra parte, nem sei qual, se é de mim que se foi e ficou você, ou se você se foi e ficou a outra parte de você.
Acredite-me, me passe seu cartão do crédito, me entenda, a pessoa eu.
Sou uma pegada, um risco na parede de sua sala, no alto, na borda de sua cama,
na palma da mão, na sombra do seu passo.
E tudo isso é você em mim também
Se me entende, acredita no pedido de socorro, poço, água profunda, dor de dente, choro de criança.
Mas se me tocar no alto de minha cabeça, de leve, sei que a terei mais ainda, no processo que se chama eu precisarei de você.
Mas se continua a contínua resistência, na sua juventude tão certa, a decisão certa, ofertada, acertada no degrau mais alto, se ela for continuada, me fala.
Voz suave, choro meu, choro meu, choro meu, colo, dor novamente.
Dá-me cura, forte, resistência, parecida, incerteza.
Se fores, contínua, continua.
Mas me fala!
terça-feira, 1 de julho de 2008
Desabafinho
Ressuscitou minha consciência mas minha tristeza não foi embora. Tristeza de mágoa. Maior que eu. Vergonha do oculto que não pode ser publicado, e da falta da trégua dentro da gente. Dor eterna de amor não correspondido. Destes que de tempos em tempos nos fustigam. Do tipo que que olhamos no longe e suspiramos sem parar. Vontade de chorar danada. Desabrigado estou, apesar da coberta do céu, da coberta das asas grandes do meu Deus. Abandono de tudo, maltrapilho, mal tratado coração, cheio de amor por ningúem, por alguém. Abandono de quem não sei onde está, nem se é de alguém. Não adotado, dado, proibido. Verto lágrimas? Não faço isto ainda não. Não tem colheita, não que eu veja. Meu Senhor é minha única garantia escrita. Mas Papai precisava eu gostar tanto de alguém que não é meu e sim seu?
Leite
Preciso deixar-me sair de dentro de mim. Já. Preciso ir a algum lugar para me observar de fora para dentro. Preciso descansar de mim, de você que está tão aqui dentro. Solidão de dor, de consciência, de esperança, de certezas tristes, de coisas tangíveis e eternas. Quero a companhia do passageiro, da passageira, do que vai morrer logo ali. A companhia das coisas que a gente vê rapidamente e guarda na memória pra lembrar depois, se precisar. Desespero total a curto prazo é melhor que pensar em tê-la sem tê-la, de tê-la a pensar sem pensar... Quero me aninhar em mim mesmo, mesmo sabendo que daqui não sai leite morno, colostro. Nem carinho de pai. Sinto não poder ter-me em ti.
Arqueado
ombros arqueados ligeiramente, lindamente. Anjo.
onde estão suas asas? guardou-as?
agora andas com passinhos curtos e rápidos. Passarinho.
não acostumou com a luz do sol, por isto andas apertando estes olhos de anjo católico?
sentes falta de voar?
onde estão suas asas? guardou-as?
agora andas com passinhos curtos e rápidos. Passarinho.
não acostumou com a luz do sol, por isto andas apertando estes olhos de anjo católico?
sentes falta de voar?
Separada
Eu queria ser santa. Mãe me disse que eu podia. Meu pai já nasceu assim separado para tal, do seu jeito foi ser santo louvador. Me restou ser alguém primeiro e santa bem depois. Agora que estou aqui, onde serei santa, neste altos de Minas Gerais? Por onde irei meu Deus? Um moço escreveu pra mim dizendo que eu era alguém do tipo pra vida inteirinha. Dele. Não pra mim, ou pra nós. Tomei susto, suco natural, copos d'água e atitude. Me resta sempre o que mãe me disse quando eu era pequena fora daqui.
- O caminho da verdade e da vida, minha filha, segue ele, segue minha linda.
E serei santa separada que sou, desde pequena.
- O caminho da verdade e da vida, minha filha, segue ele, segue minha linda.
E serei santa separada que sou, desde pequena.
Colo
Não te entornes por dentro por mim.
Eu me entornei pra fora por ti.
Já coloquei no ar o ar, feito mulher que vai botar filho no mundo.
Já pari versos.
Eu, sendo homem, tive filhos seus.
Corro do medo por puro medo e me encontro no seu colo.
Minha mãe branca, quero deitar.
Sugar seu seio e sair. Da noite para o sonho embalado por você.
Não vês que penso sofrer a mesma dor que sofro?
À distância, a distância. Ah! distância!
Eu me entornei pra fora por ti.
Já coloquei no ar o ar, feito mulher que vai botar filho no mundo.
Já pari versos.
Eu, sendo homem, tive filhos seus.
Corro do medo por puro medo e me encontro no seu colo.
Minha mãe branca, quero deitar.
Sugar seu seio e sair. Da noite para o sonho embalado por você.
Não vês que penso sofrer a mesma dor que sofro?
À distância, a distância. Ah! distância!
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