segunda-feira, 4 de agosto de 2008

não é perfeito

Isto não é perfeito para mim.

Peço apenas que me deixe sorrir.

Chega de deixar eu sair na noite.

Eu estou a sua procura

Pare de me deixar ir.

Isto não é bom para mim.

Eu penso que chorar é meu jeito.

Mas isto não é perfeição para mim.

Se você tem um motivo

Fale para mim.

Mexa-se agora ou ficaremos parados

Sem sermos perfeitos

Isto não é perfeito pra mim.

eu

minha vida é cara demais para mim. minhas conquistas não são minhas, são do mundo que vivi. faço questão de marcar as pessoas, assim como fui marcado por várias. amo, quando amo. se você acha interessante me observar, não imagina o quanto gosto de observar você. não tenho amigos no momento, tenho interessados em me curtir. eu sou assim. ou não. depende de você.

ouve-me

você.

ouve-me.

povoa-me o pensamento, mas não domina, não conquista.

estou entregue, sem munição, sem governo.

deitado entre corpos mortos e sem voz, sem túmulo, sem oração.

minha bandeira eu guardei para que, conquistado, eu a entregue, sem remendo, com suas cores e uma lua no canto superior esquerdo.

sábado, 2 de agosto de 2008

Memoria

E quando chegar a noite

e ainda faltarem varias horas

para o outro dia?

Quando saio para me encher de memoria.

O que farei se tiver que buscar em mim

as respostas, a resposta, quais respostas?

Pra que respostas se a alma já entorna?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Duas

a poesia me entorta o corpo, me dobrando os braços até eu confessar: eu quero! vou colocar fogo no seu corpo. vou molhar seu sofá. vou espantar as proximidades. ter a nudez esfregando seu corpo. e se sobrar um tempo, lá no finalzinho, quero te amar. mas só um pouquinho.




outra
as mulheres de duas mãos. elas se desdobram em atenção. olham tudo, mexem rápido com seus indicadores decidindo, apontando e escolhendo. quem aquecer, quem esquecer, quem soletrar...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Não

Vivo sim,
se vivo pra contar,
eu vivo sim.
Se eu tenho um papel eu canto assim.
A imagem do teatro eu tenho aqui,
e se conto tudo,
isto não é só por mim.
A lenda será também sua,
em mim.
Agora é inútil dizer tanto,
quem nos ama nos separa,
amanhã não viverei mais este tanto.
Bom dia para a decisão.
Não é importante um sinal,
hoje o que nos separa me diz claramente não.
E você, vê meu sinal?
Os batalhões que passam,
são feitos de espuma do mar.
O amor não tem a partida,
apenas a chegada.
Eu vivo sim.
Até o fim.

domingo, 27 de julho de 2008

dito

Para que dizer?

tudo já foi dito,

foi sentido,

foi absorvido.

 

Pelos poetas,

pelos amados.

Mas não é meu este ditado.

 

Para que sentir?

Não deve ser gritado,

é sem sentido,

não pode ser amado.

 

Pelos poetas,

pelos amados.

Este é o veredicto.

 

sexta-feira, 25 de julho de 2008

meia-noite

Eu preciso que abra a porta por um momento
Preciso te ver face a face,
preciso que mude esta história.
Não fui eu que a escrevi,
Por isto a acho tão estranha.
O universo é grande
Mas nem isto cabe o que tenho sentido.
Nem mesmo o maior calor pode derreter,
Nem a força maior pode derrotar,
O que sinto neste dia.
E agora o que quero é que de novo venha
E me faça entender esta história.
Retorne-me seu calor
Porque somente eu sei o frio.
Perdido estou sem você,
Nem enxergo seu caminho.
Quando a meia-noite chegar,
Não sei se estarei pronto.
Tenho a esperança que me ligue nesta hora
Porque eu sei o amor que tem para me dar.
Você tem me procurado mais do que eu,
Por isto me sinto doente, não consigo te ver.
Eu preciso da sua cura ,
Antes da meia-noite.
Uma pequena luz me trará a resposta
Que preciso para entender esta história.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

nada é tudo

Meu filho saiu carregando a bananeira que cortei ontem. Ele gosta de fazer força. Eu também. Faço uma força enorme pra esquecer. Saio andando pra ver se me sai a lembrança, a doença que me mantém vivo. Eu preciso dela por agora. Mimetismo. Com ela eu vejo as fotos antigas com mais contraste. E as mais novas, nem preciso retocar. Tudo na minha vida é lembrança. Do que já foi, e o que ainda há de ser ponho mais pra frente , pois penso que não verei as coisas prontas.Vejo que as flores aparecem sem ninguém pedir. Meu olho tá ficando treinado em ver coisa bonita. Ou tá tudo lindo ou eu só ando em lugar bom. Não existe nada mais bonito que um olhar. Que eu dou ou que alguém olha. Onde ficarão tantas memórias se eu não conseguir escreve-las no papel? Se ficarem só comigo, elas fizeram bem em nascer? Não posso deitar, nem tomar banho de sol, nem suco de abacaxi enquanto eu não der um nome pra rosa. Aquele cacho de banana eu separei para Paulinho. Tem algumas coisas tão belas nesta vida que não agüento ficar olhando. Tenho que dizer logo que eu apaixono. É uma obrigação para quem sabe que não é nada nosso.

terça-feira, 22 de julho de 2008

você. é você mesma!

Estou cansado de procurar. De procurar nas florzinhas um rosto iluminando os lugares. De procurar na paisagem uma passagem de tempo para um lugar em que não estive ainda. Estou entediado de buscar uma palavra só que me abra a verdade que nem saberei ouvir. Estou sentindo uma chateação imensa ser somente eu o que não sabe o que está acontecendo. Atrás dos morros eu fui e vi você lá. Quando estou quase querendo seu rosto, você aparece tão perto. Anda onde eu ando, mas não te vejo, não te apanho na árvore. Fruta, flor, linda. Sinto o frio que sente, sinto o sol que sente. Tem companhia para amanhã e para hoje também? Estou pedindo um colo, um ombro, um olhar de será possível.

em você

não me importo se é como é. se é como quer. se durmo e acordo sonhando.
se ligar não é o forte. se dúvida é meu nome. se respirar sempre é difícil. se a lua é só minha. se minhas caminhadas não acabam. se a paisagem não é dividida. se a comida sempre sobra. se o sol acaba sempre mais cedo. se todo som é o seu. não me importo pois vou vivendo. se ficou algo em você.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html