sexta-feira, 20 de março de 2009

já vais?

assim como estou, eu digo sim.
talvez nem tenha tempo,
jaz com o tempo que não tem.
e já, que tens a doença,
eu tenho a cura.
mas, por favor não me curra,
a minha insistência de ser.

quinta-feira, 19 de março de 2009

em instantes, num piscar de olhos

dantes, não tinha o antes de te conhecer.
antes que seja, que sejam instantes de prazer.
prazeres antes, que seja antes de perceber,
que tudo que é antes, dura um instante.
e que durante, sejamos amantes de nos conhecer.

estas

o que haverá
ou o que há
não saberá.
são estranhas
mostram entranhas
mas não se arranha
nem a casca.
mexem na teia
encampam os mortos
soltam os corpos
pelas metades inteiras.
consolam-se em si
enquanto estamos aqui
esperando o lá
estupram nossos nós.
passaram sozinhas
arrumando casinhas
enquanto os ovos
esbarravam nos outros.
perdidas não cedem
não choram mais
não pedem amor
não falam a própria dor.

terça-feira, 17 de março de 2009

nem um pio

já havia dito de sua parte que cabia-lhe dizer-me. a parte que cabia-me ouvir de ti. quanto ao restante, moroso monstro do desapego, enfia no saco de tua viola desafinada. criação estupenda, inata, de tu, coruja barulhenta.

quinta-feira, 12 de março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

ainda não finda

Acho que não me convenço,
quando não me estabeleço,
ou me desfaço daquilo que não esqueço.
Quando fui apagar a luz do jardim é que me lembrei,
ao olhar pra cima e ver a lua clareando o céu,
que eu ainda tenho que lustrar e encerar a mesa grande,
aparar as plantas mortas,
controlar o arremesso da bola de basquete em um aro que não para de diminuir.
Depois, deitar no berço esplêndido do seio branco.
Imagino até hoje,
que seu céu nos terá,
juntos,
debaixo dele.
Meus braços me cansam quando estico pra pegar qualquer coisa,
catar uma fruta,
repor um passarinho que caiu do ninho.
Para melhorar este sintoma da dependência de querer pegar coisas impossíveis,
aposto na ajuda de pessoas amáveis que possam entender que eu preciso ser admirado.
Mesmo caído,
mesmo sem surtir o efeito que quero,
quando olho para o alto e simplesmente peço,
com olhos, nem uma palavra digo,
eu ofereço meus escritos,
minha vida à procura de seu amor.
De qualquer amor.
Passageiro,
ligeiro,
sem vergonha de dizer que acaba,
que ficou teso ou que orelha não escuta o que a boca fala.
Volto para o céu, e, ver aquela claridade,
se expondo,
se consumindo,
sem se importar que se acaba,
me coloca em uma posição de giro,
de satélite naturalmente atraído por alguém que,
por não ter sido,
me será um céu.
Uma lua atrás da outra.

domingo, 8 de março de 2009

internacional

não acredito nisto. nisto de um dia apenas. parece que tudo muda em função de um dia. plantões são criados para que se atenda à memória de última hora. flores enviadas, criando situaçõe almejadas antes. de qualquer forma camas arrumadas. leitos maculados e maculosos. vazio em relacionamentos o mundo desperta para mais um dia. internacional.

são pensamentos

Eu quero uma morada nova.
Onde eu não tenha que trancar a porta,
nas noites como estas de verão.
Não mais que o tempo sentido.

Não há o que imaginar,
do que ainda não vivido.

Quero platéia de dois.
Para olhares únicos,
somente dois de copas.
Sem comentários depois.

Comida na mesa,
carne servida e mordida.

Vou ter seu olhar em minha expressão.
Como amantes de muitos anos,
um pedaço de ser em outro.
Poesia em fases da lua.

vamos

Cada vez que te vejo,
é como eu vejo seu desejo.
Estampado em você,
está um pedaço igual ao meu,
correndo e se jogandode encontro ao que almejo.
E quando tudo separa,
ou quando vem a solidão,
me esforço,
como agora,
para ser mais sim do que o não.
Agite-se pelo consolo,
busque a mão que conforta,
veja com o que realmente importa,
e a volta será bem menor,
que os 18.000 metros da lagoa.

sábado, 7 de março de 2009

mensagens

Umas metades,
ficam cheias de amor,
pintadas de toda cor,
conquistadas pelo outro.
Outras partes,
estão à beira.
cheias de necessidades.
repletas de vontades.
Fechadas conversas,
que espantam,
ditas pelas metades,
incompletas mensagens.
Cortes estranhos,
cortam entranhas,
corações raspados,
arrancados pedaços.
Ligar as metades,
ligar as máquinas,
ligar o conquistado,
ligar para o outro.
Do outro lado.

delícia de texto

http://perdendo-o-medo.blogspot.com/2011/07/dueto-virtual-de-um-romance-astral.html